domingo, 4 de setembro de 2016

Guiné 63/74 - P16446: Banco do Afecto contra a Solidão (17): Regressei do Lar de Runa... Um lar é um lar, por muito bom que seja... Aquilo para mim era já Gadamael (Mário Vitorino Gaspar, ex-Fur Mil At Art, Minas e Armadilhas, CART 1659, Gadamael e Ganturé, 1967/68)


Instituto de Ação Social das Forças Armadas > Centro de Apoio Social de Runa (CASR), Runa, Torres Vedras


Foto: © Mário Gaspar  (2016). Todos os direitos reservados



1. Duas mensagens de hoje, do Mário Gaspra, enviadas às 3 e tal da manhã:

[foto à esquerda, Mário Gaspar, ex-Fur Mil At Art, Minas e Armadilhas, CART 1659, Gadamael e Ganturé, 1967/68]


(i) Assunto - Regressei do lar de Runa

Caros Camaradas

Mário Vitorino Gaspar regressou de Runa. Estou em Lisboa,  o Lar Militar em Runa fazia-me lembrar a Guiné.

Julgo estarem a confundir tudo. Sempre julguei que todos fossemos capazes de fazer um pouco de História – neste caso da guerra na Guiné – mas é mentira.

Cada um conta a sua verdade, parece mais que o Blogue não é necessário. Tenho a certeza que todos temos necessidade da importância do mesmo. Não pode ser um meio de se entreterem. Estive no Lar em Runa, sem computador e praticamente sem  contactos.

Quando uma parte se afasta há uma “história” ou “estória” mais, e cometem-se erros, para não dizer que se deturpa a verdade. O Camarada Coutinho e Lima tem razão, em Gadamael antes da CART 1659 tiveram a sua História a CART 494 e CCAÇ 798.

A CART 1659 era comandada pelo Capitão de Infantaria – e não de Artilharia, como alguém afirmou – Manuel F. F. de Mansilha.

A foto que consta do mesmo a cortar o bolo no Almoço de Confraternização na Batalha foi por mim enviada. Assim como o emblema da CART 1659 também fui eu que o fiz chegar ao Blogue.

Para saberem algo mais sobre o período de Janeiro de 1967 a Outubro de 1968, podem ler o meu livro “O Corredor da Morte”, estou a tratar de terminar uma 2.ª  edição, onde não vão existir omissões – omitir é mentir – não sou mentiroso…

Voltarei… Cumprimentos


(ii) Assunto: Um lar é... para além de tudo, um lar  – ou devia ser


Caros Camaradas e Amigos

Decerto não interessa a ninguém o que se passa num Lar. Eu estaria sempre interessado, sou curioso.

Podem crer ser pior um Lar – seja ele o melhor, tenha tudo aquilo que julgamos ser do melhor – só o sabemos quando lá estivemos.

O pessoal, todo ele compreensível, educado, trabalhador, simpático… Não tenho adjectivos para descrever, não existem palavras, mas é um Lar. Um Lar não pode ser isolado e afastado. Tem de possuir movimento de pessoas e movimentação.

Runa para mim já era Gadamael, na Guiné, no mato. Até os amigos se esquecem que existimos.

Falarei do assunto noutra altura.

Um abraço

Mário Vitorino Gaspar
_________________

Nota do editor: 

4 comentários:

Jose Manuel Lopes disse...

Um lar, tem que ter familia, na falta dela amigos. Um lar é pais é filhos até avós e tios e amigos também.

Anónimo disse...

Um abraço.
BS

Tabanca Grande disse...

Mário, já sentíamos a tua falta, acredita!... Espero que a família (filhos e netos) te possam receber de braços abertos...

Vivemos num mundo cão, ferozmente individualista, e estamos todos condenados ou a morrer com dignidade, por nossas próprias mãos (... mas começa a faltar a firmeza no gatilho!) ou então a entrar na fila do terminal da morte (lares de terceira idade, cuidados continuados, cuidados paliativos...). Daqui para a frente, a picada da vida está cada vez mais armadilhada...Muita força para ti, camarada!... LG

Mário Beja Santos disse...

Meu estimado Mário, Oxalá que essa linda casa de Runa dê conforto e segurança à tua mulher e te alivie de alguns pesadelos. Terás tudo a ganhar domesticando os teus excessos, mesmo os poéticos: a Runa não é Gadamael, os acasos da vida trouxeram-te tribulações muitíssimo graves, era indispensável um espaço em que pudesses estar com a tua mulher sem a inquietação do acidente ou a ausência de cuidados. Terás agora disponibilidade para voltares mais serenamente à escrita, o teu fito é refazer o livro que escreveste, enchê-lo de mais recordações. Logo que possa, vou aí visitar-te. Espero que os teus familiares te deem boa companhia. Desejo-te do coração a maior serenidade e as maiores alegrias para a tua vida interior, um abraço do Mário