quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Guiné 63/74 - P16889: Agenda cultural (533): "Buruntuma: algum dia serás grande", coleção "Fim do Império", livro de fotografia, a lançar oficialmente em janeiro ou fevereiro de 2017... 10 pp de texto, 100 pp. de fotografia. Autor: Jorge Ferreira, ex-alf mil, 3ª CCAÇ (Nova Lamego, 1961/63)


Cartaz de divulgação do livro do nosso camarada Jorge Ferreira, "Buruntuma: um dia serás grande", edição no âmbito do Programa Fim do Império, da Liga dos Combatentes, e que conta com o apoio do nosso blogue, Luís Graça & Camaradas da Guiné, Tabanca Grande


1. Mensagem do nosso camarada Jorge Ferreira, com data de 20 do corrente:


[Foto à esquerda: Jorge Ferreira, ex-alf mil da 3ª CCAÇ, tendo estado em Buruntuma com o seu pelotão (20 metropolitanos e 20 guinenses) entre novembro de 1961 e julho de 1962; a 3ª CCAÇ estava sediada em Nova Lamego, tendo mais tarde dado origem à CCAÇ 5, "Gatos Pretos"] (*)

Caro Luís

Na sequência da nossa conversa telefónica, junto além da Capa,  como sugeriste,  outros elementos que poderão interessar para uma 1ª divulgação do livro no teu /nosso Blogue. (**)

Relativamente à Sinopse  deixo ao teu critério as alterações que entendas por bem fazer.

Reitero os meus Votos de um Santo Natal e de um Novo Ano, pleno de alegrias e muita saúde.

Um Abraço de Amizade e os meus agradecimentos pela confiança  depositada.
Jorge Ferreira



Capa do livro

S I N O P S E 

“BURUNTUMA – algum dia serás GRANDE …” é um Livro de Fotografia, uma Reportagem Fotográfica (Páginas: texto: 10; fotos: 100; dimensões: 22 x 22 cm) sobre um Pelotão misto (20 militares guinéus e igual número de metropolitanos pertencentes ao Esquadrão de Cavalaria 252) que durante 11 meses (1961 / 62) esteve destacado naquela povoação fronteiriça [vd. mapa abaixo da Guiné-Bissau].

Através de imagens “velhinhas” de mais de 50 anos, pretende-se testemunhar a actividade militar desenvolvida naquela Região “Chão Fula” a que chamámos nomadização e traçar um retrato das gentes que o habitavam e que constitui um verdadeiro MOSAICO HUMANO .

Recuperando as nossas MEMÓRIAS, inserimos nesta 2ª PARTE – MH - um pequeno texto “Enquadramento Socio-Cultural do Povo Fula” baseado nas múltiplas conversas estabelecidas com as autoridades gentílicas da Região e com o Régulo Sene Sane, autoridade máxima do Regulado de Canquelifá que abrangia o triângulo Buruntuma – Bajocunda – Piche, área da nossa intervenção.

Relativamente às imagens de Jovens Fulas ostentando os seios descobertos, em MOSAICO HUMANO, manda a Verdade e Realidade Antropológica e Cultural do Povo Fula não lhe atribuir qualquer manifestação de erotismo, pondo de parte os princípios e convenções  da nossa tradição judaico-cristã.

Não se pode ignorar que a Mulher, entre os Fulas, tem como principais actividades o trabalho nos campos e a procriação. O homem terminada a sua higiene matinal recolhe-se sob a sombra de uma árvore frondosa, cavaqueando com os seus patrícios, dedilhando o Masbaha / Misbaha, similar a um Rosário com 39 ou 99 contas, e mascando noz de Cola, e assim vão passando os dias.

Mesmo as actividades relacionadas com a astorícia são os “meninos” que as desempenham.

Assim, não será de estranhar que a Mulher Fula assumindo os trabalhos mais árduos e para fazer face aos ardores do Sol impiedoso desnude o tronco e de quando em quando se refresque recorrendo à água dos poços (poças) disseminados pelos campos de cultivo.

Naturalmente que a nudez do tronco também funciona como factor de sedução, pois um casamento com um Régulo, Chefe de Tabanca ou proprietário abastado, libertará a “eleita” dos trabalhos mais pesados.

Exactamente, por isso, muitas dessas fotos foram recolhidas a pedido dos próprios familiares das jovens com o propósito de as enviarem para parentes que habitavam não só o “Chão Fula” como também os territórios vizinhos do Senegal e da República da Guiné-Conakry.

Preocupados com o rigor das nossas memórias, não deixámos de as confrontar com o trabalho de investigação “Fulas do Gabu”, 1948, do Secretário de Administração José Mendes Moreira.

Por último, foi nossa intenção manter a autenticidade das imagens inseridas, não recorrendo a qualquer manipulação apesar dos sinais de velhice que ostentam.[Vd. aqui algumas dessas velhas fotos de Buruntuma, no blogue de fotografia do autor, Jorge da Silva Ferreira.]

A todos os que me acompanharam nesta Missão, metropolitanos e guinéus de quase todas as etnias, dedico, em particular, esta reportagem fotográfica.

Jorge Ferreira

INFORMAÇÔES GERAIS

Preço: 12,5€ + Portes (disponíveis a partir de 20 de dezembro de 2016)

Lançamento formal: Jan / Fev 2017

Encomendas: jorgeferr@netcabo.pt

Mapa da Guiné-Bissau: posição de Buruntuma,  região de Gabu
____________

Notas do editor:

(*) Vd. poste de 19 de setembro de 2016 > Guiné 63/74 - P16502: Tabanca Grande (495): Jorge Ferreira, ex-alf mil, 3ª CCAÇ (Bolama, Nova Lamego e Buruntuma, 1961/63), nosso grã-tabanqueiro nº 728...

3 comentários:

Cherno Baldé disse...

Caro Jorge Ferreira,

Como titulo do teu livro tu dizes "Buruntuma: algum dia seras grande (?)".
Mas, repare numa coisa, amigo Jorge, o homem que esta ao teu lado na foto que serve de capa era o Regulo de Pachisse ou Paquisse (triangulo Canquelifa-Buruntuma-Piche), ele tera empenhado tudo o que tinha e tudo o que podia contra os guerrilheiros do PAIGC que invadiram a regiao arvorados em libertadores, mas que aos olhos dos portugueses nao passavam de "Bandidos". Em 1974, com os acontecimentos do 25 Abril, a cupula militar resolveu entregar o territorio aos mesmos "Bandidos" e daquela epoca para ca, na Guine, so tem havido macacada no seu melhor. E nesse caminhar, a unica coisa que podes ter a certaza eh que nem Buruntuma, nem nada na Guine, podera ser grande, porque a grandeza que se preza deve assentar-se em bases solidas alicercadas com base no trabalho e na justica.

Com um abraco amigo,

Cherno Balde,

PS/_O argumento ou conceito de que a nudez das mulheres fulas nos anos 60 tem bases antropologicas nao eh muito solido nem consistente, o que havia de facto era muito atraso (assimetria cultural) e muita miseria a nivel das populacoes em virtude dos sistemas de exploracao economica e abscurantismo seculares a que tinham sido sujeitos ao longo dos tempos. E mais, os soldados metropolitanos, apesar do racismo que patenteavam tinham uma grande predileccao pelas mamas firmes da "Bajudas", era isso que queriam ver e fotografar.

Bem observada, a foto n.55 (lado direito) mostra uma mulher fula ja casada (presumo eu por varios sinais em evidencia)a quem pediram para tirar o vestido a fim de deixar fotografar a parte dos seios nus. Se isto eh antropologia, entao tambem eu podia ser antropologo e, sem sombra de duvidas, o nosso "Alfero" Jorge Cabral era o maior antropologo de todos os tempos.

Jorge Ferreira disse...

Caro Cherno Baldé
Obrigado pelos teus comentários que me mereceram a melhor atenção já que por índole sempre respeitei as opiniões de terceiros mesmo quando não inteiramente coincidentes com as minhas.
Quanto ao subtítulo "Algum dia serás Grande ... " segundo várias opiniões recolhidas à época (Régulo Sene Sane, diversos "Homens Grandes" e do próprio prof. primário, ele não é mais do que o significado de Buruntuma !!!
Um Abraço e Votos de um ANO NOVO com "Tudo de BOM".
Jorge Ferreira

NB: Os conteúdos do "SITE" e do Livro são Realidades não "coincidentes".

Cherno Balde disse...

Amigo Jorge Ferreira,

Obrigado pela tua compreensao e abertura de espirito proprio dos Homens sabios, na certeza de que eu nao tenho qualquer animosidade contra os portugueses, ao contrario, porque em grande medida e "malgre-moi" sou tambem portugues pela educacao e cultura para alem do que a minha primeira nacionalidade foi portuguesa por direito.

A proposito do toponimo 'Buruntuma', podes dizer-me em que lingua seria? Acontece que, de facto, ha qualquer coisa na lingua fula que sugere o significado a que fazes alusao, mas tenho duvidas que a fundacao da localidade tenha sido feita pelos fulas pois, na realidade, a presenca e dominio dos fulas na regiao seria tardia e coincidente com as guerras que culminaram com a derrota dos mandingas na segunda metade do sec. XIX (entre 1852-1864). Mesmo nas fotos apresentadas, uma boa parte das 'Bajudas' sao de origem extra -fula, isto eh Banhuns, Pajadincas, Cocolis, mandingas, Bajaras (Badiarankes) entre outros, coisas que sao muito profundas e complexas para um Europeu, militar e com uma comissao de pouco mais de dois anos e por cima quase nomada.

Com um abraco amigo,

Cherno Balde