sábado, 18 de julho de 2015

Guiné 63/74 - P14895: Filhos do vento (41): Uma história com final feliz ? Fatinha, filha da Maria Mandinga, de Cuntima, encontrou a família do pai e o pai, que está em França (António Bastos, ex-1º cabo, Pel Caç 953, Cacheu, Bissau, Farim, Canjambari e Jumbembem, 1964/66)


Membros fundadores da Associação Fidju di Tuga
com sede em Bissau; cortesia da sua página na Net
1. Mensagem do António Bastos;


Data: 17 de julho de 2015 às 22:22

Assunto: Filhos do vento: história com final feliz.


Camarada Luís e Tabanca Grande,  boa tarde.


Luís, tenho uma história muito feliz a contar é um pouco longa, mas se não for possível! não há problema,   também podes reduzir o texto.

Vamos à história; No dia 2/5/2015, foi o almoço anual do BArt 733 em Santiago do Cacém,  não foi organizado por mim mas estou sempre presente.

Passados uns dias, em 18/5/2015, às  20h00 horas toca-me to elefone,  era o colega que organizou o almoço (António José,  que era da CCS):
- Ó Bastos,  ligou-me  um africano de Cuntima a perguntar se eu tinha a direcção do F... das transmissões,  eu disse que não tinha e não conhecia esse nome, mas que ia ligar para outro colega e depois dizia qualquer coisa.

O António José liga para mim, conta-me o caso e pergunta se pode dar o meu contacto.

Bom,  eu sem ser do Batalhão,  lá vou tentar resolver este caso, fui à história do BArt 733, não constava ninguém com aquele nome.

Eram 22h00, horas liga-me o Fernando Candé (, o africano de Cuntima,  como ele diz):
- Bastos,  eu e minha esposa andamos à  procura do F... que era de transmissões do 733. 

Eu digo-lhe  que com esse nome,  F..., não havia ninguem no 733, então ele começa a contar-me que não quer saber dos bens que o F... possa ter, mas a esposa só queria dar um beijo no pai e apertá-lo contra o seu coração.

Bom,  eu começo a pensar,  vou-me meter nalguma, mas ao mesmo tempo com pena da Fatinha (É o nome da esposa do Fernando) e começo por pedir elementos para seguir com o caso.
- Em que ano nasceu a Fatinha ? -  Resposta:
- Quarenta  chuvas.
- Como se chama a mãe da Fatinha? 
-  Maria Mandinga, já faleceu. 
- Em que tabanca morava ela ? 
-  Em Cuntima.

Eram poucos elementos para eu poder avançar, mas liguei ao Carlos Silva, a perguntar se havia algum colega dele com esse nome, o Carlos diz-me logo que no Batalhão  dele não havia ninguem, fui aoà nossa tabanca e localizei um colega da CArt 3331, não me sabia dizer, deu-me outro contacto de um colega da Marinha Grande,  esse já me ajudou alguma coisa, disse que conheceu a Maria Mandinga e a filha que era pequena,  ia sempre às costas da mãe e que talvez tivesse um ano... Isto no ano de 1971. Ela, Fatinha,  devia  ter 44 ou 45 chuvas, devia ser filha de alguém das  unidades que passaram por lá entre 1968 e 1970.

Vou tentar encontrar na nossa tabanca alguém da CCaç 1789, encontro uns quantos,  todos do Norte, o Sousa esse conheceu a Maria Mandinga e sabia que tinha tido uma filha de um militar, não me quis dizer mais nada (e eu concordo,  maluco sou eu). Deu-me outros contactos, ao ligar ao terceiro contacto,  apareceu um colega que me disse que conheceu a Maria Mandinga e a filha, e que  o pai era da unidade dele, o F..., 

Bom,  batia certo com o que o Fernando dizia e, mais, depois de eu falar com o colega que é do Porto,  o Teixeira, este logo se prontificou em me ajudar.

Dou o contacto do Teixeira ao africano de Cuntima, e eles encontram-se no dia 6/6/15 em Vila Nova de Gaia que é onde mora o Fernando, foi uma alegria para ambos, o Teixeira convida o Fernando e a Fatinha para almoçar em casa dele no Porto, no almoço o Fernando diz que o nome dele lá na Guiné, é Cherno e não Fernando, e que quando era pequeno (7 anos) estava sempre na oficina a ajudar os mecânicos. 

Depois,  no dia do almoço anual da companhia,  leva o Fernando e a Fatinha, bom,  foi uma alegria para aquele pessoal todo mas uma tristeza para a Fatinha,  pois o pai não apareceu porque está imigrado em França, mas o Teixeira consegui-o o contacto e a direcção da família do F... e até do próprio.

Então, o Teixeira mete pernas a caminho e vai sozinho a Vila Nova de Famalicão,  encontra a irmã do F...,  conta-lhe o que se está a passar e logo resposta da tia da Fatinha:
- Quero conhecer a minha sobrinha já,

Já se falaram pelo telefone, já lhe mandou uma foto do pai que está em França e,  agora depois de passar o Ramadão, o Fernando,  a Fatinha e o casal Teixeira vão-se encontrar com a família de Famalicão para almoçar .

O Teixeira já falou ao telefone com o F..., mas ele não levou a coisa a sério . A família está convencida que ele venha agora de férias. Então vão aguardar.

Eu também vou aguardar, e até pelas fotografias que eles prometeram mandar da família Teixeira, família Baldé, família da tia e até do próprio F... (se ele concordar em dar a cara).

Não me alongo mais um abraço e até breve.

António Paulo S. Bastos, ex-1º Cabo do Pelotão Caçadores 953,
Cacheu, Bissau, Farim, Canjambari e Jumbembem, 1964/66

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Nota do editor:

Últomo poste da série > 5 de julho de  2015 > Guiné 63/74 - P14838: Filhos do vento (40): abaixo-assinado dos "Fidju di Tuga" à Assembleia da República Portuguesa: "Somos atualmente cerca de meia centena de membros, apenas em Bissau, estimamos que existam pelo menos meio milhar de 'filhos de tuga' espalhados pelo país... Vimos pedir o reconhecimento do legítimo direito à nacionalidade portuguesa"... Entretanto, o 1º ministro Passos Coelho faz amanhã, 2ª feira, a sua primeira visita oficial à Guiné-Bissau.

3 comentários:

Hélder Valério disse...

Bem..... caro António Bastos,

'Os dados estão lançados', agora vamos ver que jogo dão.
Pode ter um 'final feliz', pode ter aberto uma caixinha duma tal Pandora...
Tudo depende como o F... (e sua família entretanto constituída) encarar tudo isso e na medida em que possa ou não desestruturar o que está construído.
Claro que li que a irmã se entusiasmou e deu passos em frente. Também li que da parte da Fatinha e do Fernando (Cherno) ficaram contentes com o que já se avançou. Mas também li que o F... não levou o assunto muito a sério.
Vamos ver!

Faço votos para que tudo corra bem.
Hélder S.

Luís Graça disse...


António:

É uma "bela" história, obrigado pelo teu envolvimento... Não tens que te arrepender de nada, não rompeste a cadeia de solidariedade... Sei que o assunto é delicado...

Não identifiquei o F..., de acordo com as normas do nosso blogue e de imperativos éticos: enquanto ele "não der a cara", tem direito à reserva de intimidade...

Podes ver aqui o poste que publiquei em teu nome... Ab. Luis

Luís Graça disse...

António:

É uma "bela" história, obrigado pelo teu envolvimento... Não tens que te arrepender de nada, não rompeste a cadeia de solidariedade, foste um facilitador da comunicação entre as partes...

Sei que o assunto é delicado... e o mais fácil é sair de cena ou assumir uma postura hipócrita ou cínica.

Não identifiquei o F..., de acordo com as normas do nosso blogue e, adicionalmente, por imperativos éticos: enquanto ele "não der a cara", tem direito à reserva de intimidade... De qualquer modo, estamos perante uma "lei universal", que explica a hesitação dos machos quando confrontados com as questões da paternidade: "Os filhos das minhas filhas, meus netos são; os filhos dos meus filhos, serão ou não."

Podes ver aqui o poste que publiquei em teu nome... Ab. Luis