quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Guiné 63/74 - P16380: Notas de leitura (868): (D)o outro lado do combate: memórias de médicos cubanos (1966-1969) - Parte VI: o caso do clínico geral Amado Alfonso Delgado (II): Na margem direita do rio Corubal, na mata do Fiofioli: «¿Tú piensas aguantar la mecha esta?, olvídate, que no duras ni tres meses" / "Tu pensas aguentar esta ratoeira? Esquece, pois não duras nem três meses”...


Guiné > Região controlada pelo PAIGC, possivelmente no sul > Visita de uma delegação escandinava às "regiões libertadas" > Novembro de 1970 > Foto nº 25 > Progressão, na savana arbustiva, por meio do capim alto, de um grupo de guerrilheiros. Presume-se que as colunas logísticas do PAIGC tivessem segurança por parte da milícia ou do exército populares...

Fonte: Nordic Africa Institute (NAI) / Fotos: Knut Andreasson (com a devida vénia... e a competente autorização do NAI. As fotografias tem numeração, mas não trazem legenda. Edição e legendagem; Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné).


Sexta parte, enviada a 7 do corrente, das "notas de leitura"  (*) coligidas pelo nosso camarada e grã-tabanqueiro, Jorge Alves Araújo. Trata-se de um extenso documento, que está a ser publicado em diversas partes (*), tendo em conta o formato e as limitações do blogue,


1. INTRODUÇÃO

Caros tertulianos: no P16357 (**) iniciámos a publicação da segunda de três entrevistas realizadas pelo jornalista e investigador Hedelberto López Blanch a médicos cubanos que estiveram na Guiné Portuguesa [hoje Guiné-Bissau] em missão de “ajuda humanitária” ao PAIGC, na sua luta pela independência.

Seguimos agora com a segunda de quatro partes em que o entrevistado continua a ser o dr. Amado Alfonso Delgado, médico de clínica geral mas com experiência em cirurgia. O seu depoimento global pode ser consultado no livro, escrito em castelhano, com o título «Histórias Secretas de Médicos Cubanos» [La Habana: Centro Cultural Pablo de la Torriente Brau, 2005, 248 pp. Disponível "on line"em formato pdf, numa versão de pré-publicação].

Nesta obra encontramos uma panóplia de outros relatos e experiências vividas exclusivamente por médicos cubanos em diferentes missões africanas como foram os casos passados na Argélia, no Congo Leopoldville, no Congo Brazzaville ou em Angola.

Porque se trata de uma tradução (com adaptação livre e fixação do texto em português, da minha responsabilidade), não farei juízos de valor sobre o conteúdo desta e das outras entrevistas: apenas coloquei entre parênteses rectos algumas notas avulsas de enquadramento sócio-histórico ao que foi transmitido, com recurso a imagens desse contexto retiradas da Net e dos arquivos do nosso blogue.


Foto acima: O nosso grã-tabanqueiro Jorge Araújo: (i) nasceu em 1950, em Lisboa; (ii) foi fur mil op esp / ranger, CART 3494 / BART 3873 (Xime e Mansambo, 1972/1974); (iii) fez o doutoramento pela Universidade de León (Espanha), em 2009, em Ciências da Actividade Física e do Desporto, com a tese: «A prática Desportiva em Idade Escolar em Portugal – análise das influências nos itinerários entre a Escola e a Comunidade em Jovens até aos 11 anos»; (iv) é professor universitário, no ISMAT (Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes), Portimão, Grupo Lusófona; (v) para além de lecionar diversas Unidades Curriculares, coordena o ramo de Educação Física e Desporto, da Licenciatura em Educação Física e Desporto].


2.  O CASO DO MÉDICO AMADO ALFONSO DELGADO [II]

Sumariando as primeiras cinco questões abordadas pelo médico Amado Alfonso Delgado no poste anterior, é de relevar que foi por ter iniciado o Serviço Médico Rural em Realengo 18, em Guantánamo, e pela prática clínica desenvolvida no Hospital de Gran Tierra de Baracoa, para onde fora transferido em janeiro de 1967, que surge a oportunidade de cumprir uma "missão internacionalista", que ele desejava que fosse no Vietname mas que acabou por ter outro destino: a Guiné Portuguesa (hoje Guiné-Bissau).

Com vinte e sete anos de idade inicia a sua missão africana na véspera de Natal de 1967, na companhia de outro médico, voando de Havana até Conacri, com escala em Gander [Canadá], Praga, Paris e Senegal (, quase meia volta ao mundo!). Durante o primeiro trimestre de 1968 presta serviço médico no Hospital de Boké, na Guiné-Conacri (e uma das bases do PAIGC) na companhia de mais quatro clínicos cubanos: o cirurgião militar Almenares, um ortopedista, um analista de laboratório e um técnico de raio X.

Em abril de 1968 segue para a frente Leste, substituindo o seu companheiro Daniel Salgado, na base de Kandiafra, por este se encontrar doente com uma forte crise palúdica. Nesta base encontravam-se vinte combatentes cubanos. Entre maio de 1968 e setembro de 1969 [dezassete meses], movimentou-se nas matas do Unal Ina região de Tombali) e Fiofioli [Sector L1 - Bambadinca], com destaque para esta última frente, onde pensou não sobreviver, tantas foram as dificuldades por que passou.

Eis o relato de outros apontamentos revelados pelo doutor Amado Alfonso Delgado tendo por base o guião da sua entrevista.

A entrevista tem com 25 questões. Hoje apresentamos a resposta (em itálico) às  questões de 6 a 11 com a devida vénia ao autor, conhecido jornalista cubano Hedelberto López Blanch (n. 1947).


“Cirurgias com a ténue luz de fachos de palha ardendo” 
(Cap XI, pp. 136 e ss)


Entrevista com 25 questões [Parte 2 > da 6.ª à 11.ª]

(vi) Quando chegou 
à zona da guerrilha?

Em Conacri estive cerca de uma semana [em janeiro de 1968]. Levaram-me a uns armazéns do PAIGC e aí distribuíram-me roupas, dois pares de botas, arma, granadas e outras coisas. Os companheiros que iam deixar aquela terra africana perguntaram-me para onde ia com aquele carregamento, explicando-me que deveria levar ténis uma vez que era o mais adequado, pois que no interior da Guiné-Bissau iria ter de caminhar muito e quanto mais pesado pior. De qualquer modo, levei uma mochila bem carregada.

Num dia de semana fui transportado num camião que me levou, não sei durante quanto tempo, passando por várias aldeias até chegar a uma povoação de nome Boké, onde havia um hospital de rectaguarda do PAIGC, perto da fronteira com a Guiné-Bissau [, a sul]. Ali permaneci três meses [até meados de abril de 1968], na companhia de vários cubanos.

Aí conheci o [comandante] Victor Dreke (chefe da missão militar cubana) e o [tenente] Erasmo Vidiaux [Robles],  outro importante combatente cubano, quando ambos circulavam naquela zona. [Estes dois oficiais participaram, anteriormente, na missão cubana no Congo-Leopoldville (Belga), em 1965, comandada por Ernesto “Che” Guevara (1928-1967)].

Com permanência fixa em Boké, estavam [quatro técnicos de saúde]: o dr. Almenares (cirurgião militar de Santiago de Cuba que morreu alguns anos depois em Cuba com cancro da próstata), um ortopedista, um analista de laboratório e um técnico de raio X. Eu ia como médico de clínica geral, mas como tinha experiência de cirurgia ajudei o Almenares em várias operações, particularmente feridos de guerra.

(vii) Porquê e quando lhe destinaram 
a zona de guerra?

Um dia disseram-me que teria de ir para a frente Leste, pois havia que substituir o médico [Daniel] Salgado (morreu em 2000 de um cancro no fígado),  que tinha contraído paludismo e não se sentia bem. Saí em abril de 1968 num camião e depois de várias horas chegámos à fronteira entre as duas Guinés. Cruzámos um rio e chegámos a um acampamento denominado Kandiafara. Aí estavam vinte cubanos e onde passei vários dias até que chegou a ordem para avançar.

Designaram vários guerrilheiros guineenses para me levarem a um determinado lugar. recordo que andámos durante sete ou oito dias, em etapas de muitas horas. Foi muito duro, nunca tinha caminhado tanto mas sentia-me bem. Iam também algumas raparigas guerrilheiras que de vezes em quando ajudavam no transporte dos meus bens, colocando a minha mochila às suas cabeças.

Num desses dias entrámos numa lagoa [ou bolanha?] e nela caminhámos durante horas. Não sei como o podiam fazer mas conheciam perfeitamente o itinerário e o terreno, e em várias situações a água chegava-nos ao peito. A lagoa estava cheia de sanguessugas,  aconselhando-me a amarrar bem as calças e a levantar os braços bem alto para que não entrassem. Numa porção de terra, cercada de água, parámos para descansar e onde passámos a noite. Tinha um capote grosso e através deste os mosquitos picavam-me. Tive de me tapar completamente com uma manta. Pela manhã voltámos à caminhada.


Mapa da região de Cumbijã, no sul,  com a posição relativa de Unal. Infogravura de António Murta


(viii) De que se alimentavam?

Durante este trajecto comemos pequenas quantidades de arroz e em duas ou três ocasiões parámos em aldeias [tabancas] onde nos deram um pouco de farinha e carne. Comíamos pouco e, por isso, nos fomos habituando. Depois não me preocupava em alimentar-me, o mesmo não aconteceu no princípio, quando passava fome.

Volvidos quatro dias entrámos num lugar que me disseram ser a Mata de Unal, muito perigosa e onde o tiroteio era abundante. A menos de um quilómetro as tropas portuguesas batiam a zona com a sua artilharia. 

Continuámos a marcha até chegar a um rio grande que tinha cerca de dois quilómetros de largura. Era a junção dos rios Corubal e Geba [Xime] que iam desaguar no Atlântico. Nesse braço de mar existiam tubarões [?], hipopótamos e crocodilos, onde me disseram para ter muito cuidado porque um homem que havia caído aí recentemente nunca mais apareceu.

Fizemo-lo em canoas de troncos de árvores e informaram-me de que deveria tirar tudo do corpo caso a embarcação se virasse. Às vezes as canoas [pirogas] levavam umas trinta pessoas. Tentei chegar à embarcação mas não pude, porque era de estatura baixa. Os nativos eram altos, experimentados e podiam/sabiam andar no lodo, mas eu ao quarto ou quinto dia me enterrei até aos joelhos e não podia continuar. Naquele momento tiveram que me puxar com o meu equipamento: a arma e mais três carregadores, e me levaram até à canoa. A travessia foi feita durante a noite, uma vez que aí não existiam lanchas de patrulhamento nem aviação para nos atacar.

Disseram-me, ainda, que ali havia um problema grave, mais perigoso que a tropa [portuguesa], que era o “macaréu”. No princípio não entendi e deduzi que fosse um animal, até que um dia vi o dito macaréu, que era uma maré que entrava e subia, não sei quantas vezes no dia. Uma onda de vários metros procedente do mar e se apanhasse algo pela frente era certo que o virava e o fazia desaparecer. Eles sabiam quando podiam passar.


Guiné > Zona leste > Setor L1 > Xime > 1972 >  Imagem do “macaréu” no Rio Geba por onde circulou o dr. Alfonso Delgado no ano de 1969. Três anos depois, em 10 de agosto de 1972, a CART 3494 perdeu neste mesmo local, estupidamente, três elementos do seu contingente (faz quarenta e quatro anos): Abraão Moreira Rosa, da Póvoa de Varzim; Manuel Salgado Antunes, de Quimbres, Coimbra; e José Maria da Silva e Sousa, de São Tiago de Bougado, Santo Tirso (história deste naufrágio nos P10246, P13482 e P13493).


(ix) Como comunicava 
com eles?

Uma vez que os cubanos haviam chegado já há algum tempo, os guineenses tinham facilidade de aprender vários idiomas. Alguns deles falavam português, que era parecido com o espanhol, e ao fim de um mês eu já falava com eles. Durante a viagem de canoa, onde iam vinte guerrilheiros, seguia ainda outro cubano, que era um técnico de raio X, de apelido Pupo, e apesar de ser muito mais forte do que eu, era com dificuldade que resistia aquela caminhada.


(x) Nessa região encontrou-se 

com o médico que iria substituir?

Quando chegámos à outra margem [, direita, do Rio Corubal], encontrei um homem branco em calções, com gorro na cabeça e uma camisa. Olhou-me com alguma indiferença, perguntando-me: "Tu pensas aguentar esta ratoeira? Esquece, pois não duras nem três meses”. Perguntei-lhe porquê? Ao que me respondeu: “Tu verás como isto é”[No original: "¿Tú piensas aguantar la mecha esta?, olvídate, que no duras ni tres meses».]

Este homem era de facto Daniel Salgado, médico militar que também esteve na segunda Frente e a quem eu ia substituir. O que aconteceu depois foi que ele passou a ser o meu melhor amigo que tive e cuja amizade se prolongou em Cuba durante muitos anos até que faleceu. Como já sabia que eu vinha, preparou um macaco para o almoço. Ali esteve mais cinco dias até que partiu de regresso. Nesse lugar soube da existência de um hospitalito [enfermaria de colmo] na frente Leste, na região de Bafatá [Sector L1], que me disseram ser na Mata de Fiofioli [mapas abaixo].


Guiné > Zona Leste > Sector L1 (Bambadinca) > Localização da mata do Fiofioli, zona de floresta galeria, situada na margem direita do Rio Corubal, entre Mangai e Concodea Beafada [P9080].


O "hospital de campanha" ["hospitalito"] onde esteve o dr. Delgado foi destruído pelas NT no decurso da grande Op Lança Afiada, que envolveu mais de 1300 homens entre militares e carregdores civis: vd. poste de 3 de junho de 2013 > Guiné 63/74 - P11665: Op Lança Afiada (Setor L1, Bambadinca, 8 a 19 de Março de 1969): III Parte: Dias D+4, D+5, D+6, D+7: Pânico entre os carregadores devido aos ataques de abelhas, muitas helievacuações por desidratação e esgotamento, muitas toneladas de arroz destruído, muitas centenas de animais apanhados e consumidos, várias grandes tabancas (como Mangai, Ponta Luís Dias e Fiofioli), escolas, dois hospitais de campanha e outras instalações queimadas...

Essa zona do hospitalito [enfermaria] tinha quatro palhotas: uma para os feridos, com dois pequenos bancos de madeira, duas camas construídas com estacas e palha por cima; a cozinha; o depósito de géneros e a do médico, que se encontrava um pouco mais distante. Estava situado na confluência de dois rios [Corubal + Buruntoni?] surgindo depois um grande espaço de terra que ia ter ao mar [?].

Era nessa ponta onde nos encontrávamos, num plano mais alto, bastante fechado e com muitos animais [seria entre a Ponta Luís Dias e a Ponta do Inglês? De referir que o destacamento da Ponta do Inglês foi desativado em 7/8 de outubro de 1968, com a evacuação do pelotão aí instalado da CART 1746, regressando este à sua Unidade aquartelada no Xime, comandada pelo nosso saudoso amigo e camarada ex-Cap Mil António Vaz (1936-2015). A decisão da sua evacuação é atribuída a António de Spínola (1910-1996), então Brigadeiro, contemplada no plano de redistribuição das NT no terreno, iniciado após a sua chegada, em maio de 1968, ao CTIG - P10009].

O responsável pelo hospitalito [enfermaria] era um cabo-verdiano, enfermeiro, ao qual lhe pedi autorização para caçar. Primeiro, disse-me que não se podia gastar munições, mas depois indicou-me que só o poderia fazer um pouco mais distante por forma a não sinalizar a sua posição.

Levantava-me às cinco da madrugada, cozinhava o arroz, que era o pequeno-almoço, e depois fazia a visita, pois quase sempre tinha algum ferido. Operava quando havia combates, uma vez que dava a ideia de ser uma guerra planificada. Aconteciam emboscadas pré-estabelecidas, onde estavam os guerrilheiros com mulheres e filhos. Eles tinham muitas vezes critérios rigorosos na guerra. Em certas ocasiões ficavam num acampamento, apesar do opositor [o inimigo] saber da sua localização, e quando este bombardeava morriam alguns.


(xi) Como tratava os guerrilheiros 
no mato?

As estações do ano na Guiné-Bissau são duas: a época seca [, de novembro a abril] e a da chuvas [,de maio a outubro]. Durante a época seca passavam meses [seis] e não caía uma gota de água, na outra, em determinadas ocasiões, a chuva caía durante dias. 

Os guerrilheiros faziam a sua vida normal, debaixo de água [à chuva], e pela noite reuniam-se à volta de uma fogueira para se aquecerem. Nesta época a vegetação crescia e tapava todo o hospitalito [enfermaria]. Era uma época má para a caça e a única que se conseguia apanhar era algum macaco, embora se considerasse ser uma época boa para a guerra, pois os aviões não nos detectavam.

As avionetas de reconhecimento [DO 27] passavam com frequência e quando o faziam várias vezes seguidas, mudávamos o acampamento, porque a seguir acontecia, quase sempre, um ataque. 

Por outro lado, a época seca era boa porque tínhamos abundante comida, muita carne, mas o opositor te atacava muito mais, bombardeando a partir dos helicópteros [Alouette III – Heli Canhão, de fabrico francês, utilizados pelas NT nos três TO (imagem abaixo]. 


DO 27

Heli canhão

Os helis desarmados  realizavam essencialmente operações de transporte geral, reconhecimento, heli-assaltos e evacuações sanitárias. Os armados, chamados de “helicanhões”, tinham o nome de código “Lobos Maus”, estavam equipados com canhão lateral Mauser MG-151/20 (20 mm). O artilheiro estava sentado de lado e disparava o canhão pela abertura do portão esquerdo. (http://neloolen-modelismo.no.comunidades.net/alouette-iii-52-anos-na-fap, com a devida vénia)].

Continua…
___________

Notas do editor:

(*) Último poste da série > 8 de agosto de 2016 > Guiné 63/74 - P16370: Notas de leitura (865): O ensino da literatura da Guiné nas escolas portuguesas (Mário Beja Santos)

13 comentários:

antonio graça de abreu disse...

Com que então 2/3 da Guiné nas mãos dos guerrilheiros, a supremacia bélica do PAIGC e nós a perdermos a guerra, em termos militares!...
Como tem sido possível tanta mentira?!...

Abraço,

António Graça de Abreu

Torcato Mendonca disse...

Meu Caro António

Escrevi para enviar um abraço ao nosso Camarada Jorge Araujo (um dos homens de Mansambo), que já vai no sexto texto sobre "Os médicos Cubanos". Estive na Operação Lança Afiada e, se te conforta digo-te que "partimos" toda quela vasta zona "libertada" do Paigc, hospital do Fiofioli incluido.Mas leio-te com a "guerra na mão do In - "guerra ganha ,guerra perdida"e tenho um sorriso com a tua fixação...iamos e fomos a toda na "terra da Guiné", quanto a perdida ou ganha é voltar á polémica...Abraço meu caro A. Graça Abreu...água pura eramos nós, tu o escreveste...o Livro, o teu livro é quase uma Biblia.


Obrigado Jorge Araujo pelos escritos e anexos. Vou guardando para, com tem e outra disposição, ler. Dá mais gozo quando estiver tudo "guardado2, agora é só leitura leve ... ao correr dos olhos.

Por vezes tenho saudades de Mansambo....ou será da minha juventude desses tempos???

Abraço e continua.

Ab,T.

antonio graça de abreu disse...

Meu caro Torcato

Mas qual guerra ganha? Guerra de guerrilha. Nós nunca iríamos ganhar aquela guerra.
Onde é que falei em guerra ganha? Podia durar mais vinte ou trinta anos e só teria uma solução política, e não militar.A Guiné não era a Índia Portuguesa de 1961.

O que eu não me canso de referir é que a superioridade bélica não estava com os 3.000
guerrilheiros do PAIGC,mas do lado dos 40.000 Nossas Tropas, com 225 aquartelamentos e destacamentos espalhados por toda a Guiné. Superioridade evidente, com aviões a bombardear, mesmo depois dos Strela, com lanças de desembarque e navios patrulha a navegar, com estradas e veículos militares a deslocarem-se por quase toda a Guiné, até Abril de 1974.Basta comparar as nossas vidas (difíceis, com certeza!)com a vida dos guerrilheiros e dos heróicos médicos cubanos que os acompanharam nas breves estadias no interior da Guiné.
A oposição não é entre guerra perdida ou guerra ganha, é entre a verdade e a mentira no escrever e contar a nossa História comum.

Abraço,

António Graça de Abreu

Hélder Valério disse...

Meu caro amigo Jorge

À semelhança do que escreveu o Torcato também li de forma corrida e guardei para depois ler tudo de seguida.

Claro que agradeço o teu esforço e trabalho na divulgação deste escrito (atenção para alguns possíveis distraídos: o texto não é do Jorge, que não está aqui a defender nenhuma tese, apenas a possibilitar a leitura de um trabalho que, para além de possíveis incorrecções, revela alguns aspectos interessantes, pelo menos para quem não está obsecado).
Abraço
Hélder Sousa

Tabanca Grande disse...

Caros amigos:

Não sei se é um pergunta ou se um comentário ou é um simples boca, fora de contexto: "Com que então 2/3 da Guiné nas mãos dos guerrilheiros, a supremacia bélica do PAIGC e nós a perdermos a guerra, em termos militares!...Como tem sido possível tanta mentira?!"-

Em lado nenhum deste poste se faz uma afirmação do género... É bom ser generoso, humilde e paciente para saber ler e saber escutar os outros... O Jorge Araújo merece-nos todo o apreço e consideração... Está de férias no Algarve e vai continuando a alimentar o blogue, sacrificando algumas horas do seu lazer... Por que o blogue tem sair todos os dias com coisas novas...

Um abraço para quem, em pleno mês de agosto, lê, escreve, comenta, edita, alimenta o blogue de todos nós...LG

Tabanca Grande disse...

Sejamos generosos e gratos para com camaradas como o Jorge Araújo para quem o dossiê da guerra da Guiné ainda está longe de ter chegado ao fim...E que gostam de partilhar com os seus camaradas, os do "front office" e os do "back office", as coisas "novas" que vão descobrindo...ou relembrando.

antonio graça de abreu disse...

È assim tão difícil entender o que eu penso e escrevo?

Claro que neste poste o Jorge Araújo não se refere a " 2/3 da Guiné nas mãos dos guerrilheiros, à supremacia bélica do PAIGC e nós a perdermos a guerra, em termos militares!..." Mas basta ler o texto dos cubanos para se comprovar que são mentiras,
tantas "verdades", que não correspondem à verdade histórica, e que com inusitada frequência têm sido publicadas neste blogue.Era a isso que eu me referia, não ao excelente texto do Jorge Araújo.

É assim tão difícil entender o que eu penso e escrevo?
Abraço,

António Graça de Abreu

José Botelho Colaço disse...

A mentira muitas vezes repetida passa a ser verdade, hoje muito em voga numa maioria dos nossos políticos: Essa foi a arma mais fortes do PAIGC desde os falsos comunicados na rádio voz da liberdade, da Maria Turra terminando nos textos dos livros dos cubanos.
Um Ab. Colaço.

António Murta disse...

Camaradas.

Só agora dei conta deste desconcerto aqui no nosso blogue… E confesso que fiquei baralhado! Afinal, ganhámos ou perdemos a guerra?

Peço humildemente desculpa se sou eu que tenho dificuldade em entender o que pensam e escrevem os iluminadíssimos camaradas…

Camarada Jorge Araújo:
Gostava de te dizer como te estou grato pela tua disponibilidade na divulgação dessas entrevistas dos médicos cubanos, que, descontando os pontos de vista compreensivelmente tendenciosos, ou erróneos, são um grande contributo para o conhecimento dessa faceta quase clandestina do então inimigo. Todos ouvimos falar dos militares cubanos, dos médicos cubanos, dos aviões e dos carros de combate, mas pouco disso se sabe em concreto. Ora, a divulgação destas entrevistas já é alguma coisa, pelo menos no domínio da assistência médica estrangeira aos guerrilheiros do PAIGC.

Aguardo o teu próximo trabalho com curiosidade.

Grande abraço.
António Murta.

alma disse...

Atenção Jorge, abrigo em espanhol significa sobretudo, capote...Abraço J.Cabral

Tabanca Grande disse...

Obrigado, Jorge Cabral, mesmo em férias estamos com um olho no blogue. Abrigo, em castelhano, é capote ou dólmen, faz todo o sentido. Já corrigimos: "Tinha um capote grosso e através deste os mosquitos picavam-me. Tive de me tapar completamente com uma manta. Pela manhã voltámos à caminhada." (resposta à questão ix)...

Anónimo disse...

Camaradas,

Boa tarde!

Ainda em ALbufeira; acabo de ler os vossos comentários e a todos agradeço a participação, sinal de que o colectivo da "Tabanca" continua atento ao que nela acontece.

Prova, provada, é o reparo feito pelo camarada Jorge Cabral à tradução do substantivo "abrigo", que agradeço, sugerindo a sua substituição por "capote". De facto, esta seria uma óptima sugestão, caso estivessemos perante um exército organizado e com recursos mínimos, o que não era, certamente, o que acontecia nas matas da Guiné.

Durante a tradução do texto original, este foi um dos conceitos em que "parei" para reflectir, procurando encontrar outro termo mais adequado ao contexto. Ocorreu-me, por exemplo: camuflado, farda, roupa... mas nenhuma me suava bem, e depois passou.

Agora, que voltei ao tema, julgo que o mais correcto seria "agasalho" ou "casaco de campanha". Mas, como o camarada Luís já fez o favor de corrigir, por mim está tudo bem. É a questão vii e não a ix.

Nos primeiros dias da próxima semana espero enviar a sétima parte deste meu projecto.

Um grande abraço para todos e boas férias.

Jorge Araújo.





alma disse...

Olá Jorge! Eu não sugeri nada. Abrigo significa mesmo, sobretudo, casacão, agasalho..E como sabes, abrigo, em português e na Guiné, tinha um significado bem diferente..Num abrigo vivi eu,meses e meses...Abraço J.Cabral