domingo, 11 de dezembro de 2016

Guiné 63/74 - P16823: O início da guerra colonial no CTIG, contada pelo outro lado: entrevista, de 2001, com o homem que liderou o ataque a Tite, Arafam 'N’djamba' Mané (1945-2004) - Parte III (José Teixeira)


Guiné > Região de Quínara > Carta de Tite > Escala 1/50  mil (1955) > Posição relativa de Tite, Enxudé e Jabadá... Dizem que foi aqui que a guerra começou...

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2016)


Guiné-Bissau > Região de Tombali > Cantanhez > Iemberém > 2 de Março de 2008 > O Zé Teixeira, o Esquilo Sorridente, um homem solidário mas também bendito, entre as mulheres.. ..É nosso grã-tabanqueiro da primeira hora, tem mais de 300 referências no nosso blogue; foi 1.º cabo aux enf, CCAÇ 2381, "Os Maiorais", Buba, QueboMampatá e Empada, 1968/70; é um dos profundos conhecedores da Guiné-Bissau e das suas gentes.

Foto: © Luís Graça (2008). Todo os Direitos reservados.


O inicio da Guerra Colonial no CTIG, contada pelo outro lado: entrevista, de 2001, com o homem que liderou o ataque a Tite, Arafam Mané (1945-2004) -Parte III (José Teixeira) (*)
 

1. Preâmbulo

Todos nós, os que passamos pela guerra, temos vindo com o tempo, a tentar passar aos vindouros as situações vivenciadas no ambiente agressivo da guerra. É o nosso ponto de vista. Com mais ou menos romantismo; com mais ou menos realismo, vamos escrevendo o que a nossa memória registou. E seguramente colocámos em "cacifos" diferentes as boas e as más recordações...

É comum ouvirmos camaradas nossos contar testemunhos de situações que vivemos em conjunto e encontrarmos diferenças, ou pormenores que desconhecíamos. Foram vividas em comum, mas analisadas por outro ponto de vista. Alguém com outra base académica ou cultural, ou até com outra visão politica e militar da situação. O local e angulo de onde se está a vivenciar o acontecimento, afeta a informação registada na memória.

Neste caso concreto, estamos a tomar conhecimento de um testemunho de alguém que vivenciou o ataque a Tite. Mais; alguém que coamdou esse ataque, um jovem então com 17/18 anos, Arafam Mané...Estando do  "outro lado da barricada",  o relato dos acontecimentos que viveu e a visão global do ataque são à partida diferentes (mas  respeitáveis). 

Foi um período de terror e contraterror. Mas são estes conjuntos de pontos de vista, diferentes entre si, dos acontecimentos que vão permitir escrever a História.

Estranhamente (ou não), ainda há pouca investigação de arquivo sobre este acontecimento tão marcante, o 23 de janeiro de 1963, que terá sido a "bola de neve" que levou ao desenvolvimento da luta armada e à escalada da guerra na Guiné.

Os nossos editores têm, entretanto, um documento completo do nosso falecido camarada Gabriel Moura sobre este período, enviado pela sua filha para publicação, a título póstumo. Desse texto, em pdf, já se publicaram, em tempos alguns postes, graças à preciosa colaboração do nosso camarada Carlos Silva, amigo e conterrâneo do Gabriel Moura...

Gabriel Moura, natural de Gondomar, foi mobilizado pelo Regimento de Infantaria nº 6, do Porto, para o Pelotão de Morteiros nº 19, tendo sido "o primeiro militar português, quando se encontrava de guarda ao aquartemanento, a responder ao fogo da força que atacou as instalações de Tite". Reagindo instintivamente ao fogo de que foi alvo, "consumiu todas as munições de que dispunha, provavelmente três carragadores, assim como utilizou as duas granadas que lhe estavam distribuídas para o serviço". (**)

O seu testemunho é uma "peça histórica". Estranha coincidência, faleceu em 2004, dois anos após ter editado o depoimento  sobre o acontecimento, e no mesmo ano da morte de Arafan Mané (**).

 
II. Sinopse da entrevista – Parte III

O entrevistado continua a falar do capitão Curto e da forma como este oficial do exército português
atuava com os nativos em busca de possíveis militantes do PAIGC infiltrados nas tabancas do Sul. « Na altura ele era o comandante da CCAÇ 153 (Fulacunda, 1961/63), tinha oi posto de capitão e estava em vias de regressar à metrópole para frequentar o curso de oficiais superiores.

Segundo Arafam Mané, as relações entre as tropas portuguesas (que tentavam manter "a lei e a ordem") e as populações da região, eram caracterizadas por grande desconfiança e violência (prisões arbitrárias,  interragatórios,  etc.). Os presumíveis terroristas que escapavam à “chapa” eram conduzidos para a prisão do quartel em Tite, onde à data do ataque estaria um grupo numeroso de prisioneiros (uma centena, segundo o testemunho do Gabriel Moura), suspeitos de simpatias ou colaboração com o PAIGC.. Portanto, pode-se dizer que Tite, na altura, era um  verdadeiro "barril de pólvora",

Da parte do PAIGC, não havia ainda nenhuma estrutura militar  organizada, mas já havia uma forte consciência da necessidade de fazerem guerrilha para se oporem aos alegados abusos e arbitrariedades sobre a população indefesa.

É fácil concluir que o grupo atacante partiu do ponto zero, dispondo apenas de algumas armas e munições, sem apoio logístico, sem transportes ou enfermeiro. Eram animados apenas de uma grande vontade de mostrar que estavam dispostos a ir para a luta e fazer frente ao capitão Curto, o "tuga" mas temido na altura nas regiões de Quínara e de Tombali (e que até há uns anos atrás estava no "imaginário"  daquela guerra e das populações do sul).

Creio não exagerar ao afirmar que havia um certo "romantismo" por parte destes jovens, com pouca prepação e fraca escolaridade. A certo ponto da entrevista ao ser-lhe perguntado como conseguiram entrar dentro do quartel, Arafam Mané  diz:  “Foi num passeio normal, mas durante o qual evitamos fazer barulhos”.

Note-se nesta frase da entrevista a contradição com a informação da sentinela que estava de serviço no exterior do arame farpado, o falecido camarada Gabriel Moura, (vidé P 3294; P 3298 e P 3308 de 11/11/2008; 12/10/2008 e 13/10/2008 respetivamente).onde se se pode ler: 

(...)"Até que, bem ao fundo das primeiras palhotas de Tite, começaram a ladrar alguns cães… …À medida que os cães começavam mais a ladrar, em mais quantidade e mais perto donde estava, eu caminhava sem deixar, jamais, de olhar para trás na direção do mato [que nada via, pois eu é que estava a ser iluminado, logo é que era visto. …Eu nada via, e nada sabia! ... Seriam pescadores, bêbados de qualquer batuque ou manifestação nocturna?!" (...)

O próprio Arafam Mané, em 2001, com o posto de coronel das FARP,   também se contradiz ao afirmar na entrevista, quase 40 anos depois:

“Ia connosco um 'djidiu', [tocador] de cora (músico tradicional) para cantar, animar e elogiar os camaradas, enquanto combatiam no interior da unidade”. 

Só que o “djidiu” deu ás de “vila diogo” e o combate ficou sem música, que não fosse a das espingardas e os gritos de dor.

Em resumo; foi uma aventura mal calculada, à revelia de Amílcar Cabral e da cadeia de comando do PAIGC,  e que poderia ter redundado num verdadeiro massacre, no caso do jovem Arafam Mané e seus companheiros terem conseguido chegar às instalações onde estava uma centena de presos da população, a aguardar interrogatório, e que eram guardadas pelo Armando Silva, camarada do Gabriel Moura.

III. Entrevista com o coronel Arafam Mané - Parte III


Esta entrevista foi concedida em 2001 ao jornal “O Defensor”, órgão, de periodicidade mensal, das FARP - Forças Armadas Revolucionárias do Povo, Guiné-Bissau, no quadro da recolha de depoimentos dos Combatentes da Liberdade da Pátria sobre os acontecimentos históricos que marcaram a luta armada de libertação nacional, entrevista essa reproduzida no sítio das FARP, em novembro de 2015. 

Excertos transcritos com a devida vénia.(A entrevista completa pode ser lida aqui. no sítio das FARP, Guiné-Bissau.)

(Continuação) 

No texto anterior o entrevistado dizia, continuando a responder à pergunta "Mas porque decidiram atacar o quartel de Tite quando não tinham meios bélicos suficientes e adequados?"

A “chapa” era um emblema que se entregava secretamente aos militantes do partido na clandestinidade. Porque no seio da população daquela área, havia pessoas que estavam contra o PAIGC, algumas delas denunciavam junto dos tugas os compatriotas que tinham ligações com o partido e possuíam o emblema conhecido por “chapa”.
E continuava

Então para descobrir os militantes do partido naquela zona sul do país, o capitão Curto, em certos dias agrupava os habitantes de uma aldeia num local público, e a presença de todos era obrigatória. Quando os habitantes chegavam no local do encontro, eram imediatamente rodeados por militares coloniais armados que os ordenavam a ficarem de pé e com as mãos na cabeça. Depois o capitão Curto dizia: “o que poderá salvar-vos aqui é a entrega de “chapa” (emblema). Caso contrário, serão mortos por fuzilamento.” Pois de forma irónica ele dizia assim: “Chapa ou Fogo.”

Essa era a estratégia que sempre usava para descobrir os militantes do partido. Então, quem tivesse medo das ameaças e entregasse o emblema era imediatamente preso e torturado. E quem ousava resistir contra as ameaças era fuzilado publicamente no local.

Portanto, o retrato de todas estas práticas revela que as relações entre os "tugas" e as populações locais do sul eram relações de terror, marcadas por torturas, menosprezo, matança e humilhações. Com esse tipo de comportamento as populações viviam sempre amedrontadas.

Então, do meu ponto de vista, para tranquilizar os espíritos e manter a nossa confiança no seio das populações que sofriam por causa do partido, pensei que era de facto imperativo desencadear a operação contra o quartel de Tite. Com a realização da primeira acção as populações ganharam a confiança no partido e juntaram-se a nós.


O Defensor – Qual foi a impressão dos "tugas" 
sobre este ataque?

Coronel ADM - Foi uma grande surpresa para os "tugas". Eles não sabiam, nem podiam imaginar que nós tínhamos armas e que um dia os atacaríamos. Por outro, esse acontecimento foi uma coincidência histórica, com o que aconteceu em Angola e em Moçambique.

No que diz respeito as dificuldades encontradas antes da operação, elas eram de ordem logística, porque não tínhamos munições nem enfermeiro e nem transportes. Não tínhamos nada. Realizamos a operação graças a nossa coragem e patriotismo. 


Por outro lado, devido a falta de experiência, a operação foi feita sem que tivesse havido reconhecimento prévio do terreno. Somente uma mulher grande de Quínara que foi até o interior do quartel observar os movimentos dos militares coloniais.

O Defensor - Mas como é que conseguiram 
penetrar facilmente no interior do quartel?

Coronel ADM - Foi num passeio normal mas durante o qual evitamos fazer barulhos. Uma vez no interior das instalações coloniais, eu fui encostar-me no ângulo de uma das casernas, enquanto o camarada Quemo Mané foi emboscar-se em frente da porta da residência do Major [Pina], Comandante da unidade [, com o objetiovo de o assassinar].

A nossa missão podia ter maior sucesso se um dos nossos companheiros não tivesse falhado no cumprimento da ordem. Não obstante tudo, a operação planeada para esse dia não podia ser adiada, cust[ass]e o que custasse. 


Considero que o ato foi uma aventura que serviu de alerta para os "tugas"; porque queríamos que soubessem que voltá[va]mos com força para a zona. Foi uma guerra psicológica porque, na realidade, nós não tínhamos uma força palpável. Mas essa ação desorientou as tropas coloniais que a partir daquele momento receavam sair do quartel para fazer patrulhas.

Continua

[Introdução, seleção, notas, inckluindo parênteses retos, revisão e fixação de texto: Zé Teixeira]
_________________

Notas do editor:

(*) Vd. postes anteriores:

8 de dezembro de 2016 > Guiné 63/74 - P16812: O inicio da guerra colonial no CTIG, contada pelo outro lado: entrevista, de 2001, com o homem que liderou o ataque a Tite, Arafam 'N’djamba' Mané (1945-2004) - Parte II (José Teixeira)

3 de dezembro de 2016 > Guiné 63/74 - P16794: O inicio da guerra colonial no CTIG, contada pelo outro lado: entrevista, de 2001, com o homem que liderou o ataque a Tite, Arafam 'N’djamba' Mané (1945-2004) - Parte I (José Teixeira)

(**) Vd. poste de 23 de janeiro de 2013 > Guiné 63/74 - P10990: Efemérides (116): 50 anos anos da guerra colonial no CTIG ? 23 de janeiro de 1963, o fim do princípio ou o princípio do fim (José Martins / Carlos Silva)

Vd. também:

11 de outubro de 2008 > Guiné 63/74 - P3294: O ataque a Tite, em 23 de Janeiro de 1963 (Parte I) (Carlos Silva / Gabriel Moura )

Gabriel Moura: (,,,) "De facto, desde o primeiro minuto da minha vigia, senti, como se diz na gíria, 'um arrepio pelas costas abaixo', que me causou uma desagradável sensação e um pressentimento deveras esquisito, face ao aparentemente, e de acordo com o zero de informação de que os responsáveis davam às tropas, nada havia a recear!

Como de costume, naquela noite [de 22 +ara 23 de janeiro de 1963}, éramos três militares em vigia: eu, como referi, na frente do aquartelamento, percorrendo para baixo e para cima com as luzes a 'bater-me nas costas' e do lado do mato, negro como carvão. Outro colega, [ver excerto do Diário cedido por Armando Silva (...).] fazia a vigia na porta da prisão, [dentro do aquartelamento] onde estavam mais de cem pretos presos. Outro ainda, fazia a vigia do lado do Calino mas pela parte de dentro do arame farpado. Somente eu é que fazia a vigia pela parte de fora do arame farpado." (...) 


12 de outubro de 2008 > Guiné 63/74 - P3298: O ataque a Tite, em 23 de Janeiro de 1963 (Parte II) (Carlos Silva / Gabriel Moura)

Gabriel Moura: (...) "Nestes minutos de início, todas as reacções do interior do aquartelamento, perante os atacantes que conseguiram entrar no aquartelamento foi lento e há medida que cada um dos militares ia acordando e saltava da " tarimba " [cama], em cuecas, para ver o que se passava.

Uns pensavam que era mais um dos casos " banais " da tentativa de fuga de um preto da "cerca " [prisão do aquartelamento] e que o militar de guarda à prisão o tinha abatido ou disparado para o intimidar a não fugir. Estas situações faziam com que, sempre que se ouvissem tiros ou até rajadas, já ninguém se punha a pé para ver e normalmente, a exclamação era: "Filho da p... que me acordaste" - " mais um que não faz mal a ninguém..." ou expressões próximas, conforme a interpretação e o aborrecimento de cada.

Por estas e outras razões, a maior parte dos militares, quer soldados ou mais graduados, todos em geral [chateados com este baralho], lá vieram cá para fora das "casernas" ver o que se passava. Salvo os colegas da "casa da guarda", talvez imbuídos pelo "subconsciente" do dever a cumprir, pois estavam de serviço e guarda, tendo as metralhadoras à mão, o instinto os impeliu para lançar mão da arma e, com ela, vir cá para fora, mais rapidamente se apercebendo do que se passava." (...)


13 de outubro de 2008 > Guiné 63/74 - P3308: O ataque a Tite, em 23 de Janeiro de 1963 (Parte III) (Carlos Silva / Gabriel Moura)

Gabriel Moura: (...) "[Nas horas a seguir], eram apanhados às dezenas, escondidos no capim ou na palhota. Foi uma caça que se prolongou até de manhã, onde o nascer do dia permitiu seguir rastos de sangue e localizar os atacantes feridos e outros que foram capturados e levados para a prisão de Tite, que 'encheu até ao tecto', só aos poucos foram "despachados" para Bissau e outros destinos, ilha das Galinhas [era o que constava lá por Tite], no Arquipélago de Bijagós ou, quem sabe, nem lá chegaram! [é a vida! quando há guerra!!!]

Foi uma desorganização que 'organizou'0 o maior e mais eficaz 'contra-ataque' jamais pensado e daí ter-se conseguido dar uma 'reviravolta à situação inicial'  [que se não fosse eu ter aguentado os atacantes durante aquele tempo todo, não permitindo a concretização dos seus intentos, até à reacção destempada de alguns meus colegas, nada disto era possível. Teríamos sido, na maior parte mortos ou capturados com a maior das facilidades do mundo. Disto não tenham dúvida, e podem 'puxar' por qualquer fio da meada que irá dar ao mesmo... sorte ou intervenção divina? medo? coragem? heroísmo? penso eu que!...].

Durante toda a manhã, a confusão foi grande, onde o Major Pina, nas suas funções de Comandante, começava a amealhar os 'louros', pois era esta a sua grande preocupação, preparar terreno para justificar e arranjar todo o conjunto de situações que lhe dessem dividendos [a ele e a seus pares: capitão Barreiros, capitão Morgado, alguns tenentes, alferes e sargentos, furriéis e alguns "pinga amores", soldados, que na ajuda a 'vestir as calças dos superiores' - que estavam muito transtornados, iriam receber também algumas benesses]." (...)

1 comentário:

Tabanca Grande disse...

Zé: Como já tive oportunidade de to dizer (e agradecer...), é um depoimento que me parece credível e merece ser divulgado, com as necessárias "notas" de enquadramento e alguma revisão/fixação de texto, como tu muito bem fizeste...

É raro haver, "do outro lado", versões tão detalhadas dos acontecimentos... E estes
acontecimentos são dos anos de brasa de 1962/63, que ainda estão muito mal documentados no nosso blogue... (Temos o depoimento do Gabriel Moura e pouco mais.)

Fizeste também bem dividir o texto por três ou quatro postes, com comentários adicionais
teus...Como tem feito o Jorge Araújo em relação aos médicos cubanos...

Há aqui questões delicadas, que precisam do "contraditório", mas todos temos a ganhar com o "confronto" de diferentes versões...

O 23 de janeiro de 1963 não pode ser desligado de acontecimentos anteriores, ainda pouco ou nada esclarecidos como a morte do Vitorino Costa, o primeiro "general" do PAIGC a ser abatido pelas NT (mais concret6amente pela CCAÇ 153), quando oficialmente ainda não havia guerra (meados de 1962, em Darsalame, se não erro)...

Mas o PAIGC (ou gente simpatizante...) também tem à perna a morte vil e traiçoeira de um comerciante, civil, querido da população local, o irmão do nosso saudoso Manuel Simões (1941-2014), de Jugudul... Foi morto por uns gajos (balantas ?) a quem deu boleia, em Empada, se não me engano...

As escassas tropas portugueses que existiam na época estavam, empenhadas em operações de polícia, para as quais não estavam minimamente preparadas (em termos técnicos, legais, operacionais)... Nessa época,, não havendo ainda minas ia-se de Tite a Cacine, de unimogue, e o exército atuava mais como força policial que tinha de responder à "subversão" com o terror...

Mas é sempre bom recordar o princípio (fundamental) do nosso blogue: estamos aqui para juntar "pedaços de memória", não para fazer juizos de valor, descrevemos factos, publicamos narrativas... e temos que saber ouvir a outra parte...

Zé, acho que o "dossiê" está entregue em boas mãos, és um homem de bom senso, tens sentido crítico mas também és um profundo conhecedor da tua/nossa Guiné...

Um abraço, bom resto de domingo. Luís