quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Guiné 63/74 - P16835: Fotos à procura de...uma legenda (78): velhas placas com sinais de trânsito... encontradas no mato (António Murta, ex-alf mil linf, MA, 2.ª CCAÇ/BCAÇ 4513, Aldeia Formosa, Nhala e Buba, 1973/74)



Foto AA


Foto A


Foto B

Guiné > Região de Tombali > Nhala > 2.ª CCAÇ/BCAÇ 4513 (Aldeia Formosa, Nhala e Buba, 1973/74) > O "achamento"  de uma velha placa de trânsito, nas imediações de Nhala, presumivelmente em finais de 1973.


Fotos (e legenda): © António Murta   (2016). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Canaradas da Guiné]


1. Comentário ao poste P16828 (*) do nosso camarada António Murta, ex-Alf Mil Inf.ª Minas e Armadilhas da 2.ª CCAÇ/BCAÇ 4513 (Aldeia Formosa, Nhala e Buba, 1973/74),


Data: 13 de dezembro de 2016 às 02:05

Assunto: Placa triangular Aviso de Minas


Olá,  Luís Graça.


Quis responder à tua questão colocada no Poste 16828 (`*) sobre as fotos do camarada Luís Mourato, mas, mais uma vez não consegui. Ocorre o "Erro  404". Pensava que já tinha resolvido a questão, mas afinal está na  mesma.

A tua questão era sobre a placa triangular que se vê na foto nº 2A.  Colo aqui o comentário que já tinha feito mas que não consegui enviar.



Foto nº 2 A > Guiné >Zona leste > Setor L1 (Bambadinca) > Mato Cão > Pel Caç Nat 52 (1973/74) > Destacamento de Mato Cão > Junto ao arame farpado, os "tugas" jogam à bola... O destacamento não estava armadilhado à volta, assegura-nos o comandante..  Mas, ao fundo, à direita, depois de ampliada a foto, parece-nos ver, reconhecer ou adivinhar uma tabuleta com triângulo vermelho e os conhecidos dizeres "Perigo Minas!"... (Devia tratar-se de um placa quialquer, humorística, uma brincadeira da rapaziada, diz-me o Luís Mourato Oliveira, ao telefone.). [Vai assinalada com um retângulo a amarelo, para os leitores mais curiososque gostam de decifrar estes pequenos mistérios]. (*)


Foto (e legendas): © Luís Mourato Oliveira (2016). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].



Aquela placa triangular, vermelha e branca, não é um aviso de campo de  minas. Tenho umas fotos com uma igual e diz, na parte branca, mais  larga, "Gazolina SPHINX" (Foto A). Ou era publicidade antiga, ou era daquelas bombas de gasolina que havia à beira das estradas, em que atendiam os  clientes a dar à bomba… [Repare- que "gazolina" está escrita de acordo com a ortografia antiga, anterior a 1945.]

Essa placa foi encontrada num passeio à volta  de Nhala,  numa pista que tinha sido a estrada Buba-Xitole, em desuso há  tantos anos que já não se destacava do mato. Reconhecemo-la,  por nalguns troços ainda ter séries de postes com cabos telefónicos (!).

A placa foi colocada por alguém no ramo de uma árvore ainda jovem, no  meio daquilo que fora a estrada. A árvore entretanto crescera muito e, agora neste passeio, o soldado que teimou na retirada da placa, depois  levada enfiada na cabeça, foi partindo os ramos mais finos até  conseguir desenfiá-la. (Foto B).

Quase levou menos tempo a retirar a placa do que agora a explicar…

Um grande abraço e BOAS FESTAS.

António Murta

















Foto C (Cortesia do sítio Restos de Coleção > Mobil Oil Portuguesa )

2. Resposta do António Murta a uma mensagem enviada pelo editor:


Camarada Luís Graça:

Obrigado pela tua pronta e completa resposta ao meu e-mail.

Afinal, esclareci-te apenas em parte acerca da placa triangular porque, usando o link com a história da Mobil em Portugal (que me indicaste) e o relato daquele camarada de Angola, também eu só agora fico a saber que se tratava de uma verdadeira placa de trânsito (estrada sem prioridade) como outras que existiam então, patrocinadas pela Vacuum Oil Company, como se pode ver na pequena foto (C) que tirei do link referido acima.

[A Mobil teve várias designações em Portugal, começou por chamar-se Vacuum Oil Company, em 1896; em virtude várias fusões, era conhecida por Socony-Vacuum Oil Cpmapny a partir de 1941; a designação Mobil Oil Portugal remonta a 1971.]

Anexo ainda a foto B  em que se vê o soldado a separar a placa da árvore, como expliquei antes, e a foto A com o pessoal de Nhala posando em grupo para a fotografia, provavelmente ainda em 1973, e onde se pode ver um elemento (furriel miliciano) a ostentar a placa triangular como moldura. 

É uma foto de baixa qualidade com um grupo que integrava vários furriéis, um alferes (fardado) e outro a tirar a fotografia, que era eu, vários cabos e soldados, todos em missão de relaxamento nas imediações de Nhala, mas no lado virado para Oeste onde era raro pormos os pés.

Desculpa voltar a usar esta via mas estou sem condições de responder na caixa de comentários.

Grande abraço.


3. Comentário do editor:

Eureca, António!...Tens olho clínico: "Gazolina Sphinx", é isso mesmo!... Era uma marca ligada à Vacuum Oil Company / Mobil Oil,,, É um achado "arqueológico" uma placa destas: o "triângulo", vermelho: não era de facto um sinal de "minas perigo!", tens toda a razão, devia ser um sinal de trânsito ou uma placa a  sinalizar um posto de gasolina à beira da estrada,,, neste caso a antiga estrada Bissau-Mansoa-Bafatá que passava em Mato Cão! (!)...

Vamos disponibilizar, para os nossos leitores, o link com a história da Mobil em Portugal (e colónias)...bem como o limk para o sítio onde se pode ler  um relato de um ex-combatente em Angola que encontrou no mato, no cu de Judas, uma placa como esta.... (vd. foto de grupo com o sinal de trânsito encontrado).

De acordo com o teu palpite, trata-se mesmo de um sinal de trânsito,. um dos primeiros a serem colocados nas nossas estradas (em Portugal continental, ilhas adjacentes e colónias), sendo esta iniciativa patrocionada, no final dos anos 20,  pela Vacuum Oil Company.

Obrigado pelas tuas,  sempre preciosas,  fotos de Nhala!... Dou conhecimento do teu "achado" ao camarada Luís Mourato Oliveira (que é do teu tempo e que veio de Cufar para comandar o Pel Caç Nat 52!...), que me garantiu ontem, ao telefone, não haver  campos de minas em Mato Cão... E partilhamos, naturalmente, também com os nossos leitores,  estes nossos "achados" (**).

Um alfabravo fraterno (.. e natalício!). Luís




Foto nº 225 A > Bombas de gasolina da Mobil / Mobilgas  na Casa Barbosa [, Bafatá, s/d, c. finais anos 50/princípios de 60 ]

Foto (e legenda): © Leopoldo Correia (2013) Todos os direitos reservados. [Edição:Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

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10 comentários:

Tabanca Grande disse...

Não sei quantas vezes fui ao Mato Cão, montar segurança próxima às embarcações que demandavam o porto fluvial de Bambadinca.

Ainda não havia destacamento em Mato Cão, pelo que sempre passava uma embarcação no Rio Geba Estreito, a caminho de Bambadinca ou no regresso a Bissau, lá tínhmos nós (1 Gr Comn da CCAÇ 12) que cambar o rio, atravessar a bolanha de Finete e montar emboscada pu patrulhar a margem direita entre São Belchior e Mato Cão. Ou éramos nós, ou eram os outros "nharros", o Pel Caç Nat 52, o 63, o 64... O verdadeiro "suplicio de Sísifop"...

Pois que eu me lembre munca deparei com o raio de uma placa dessas, nem com restos de cabos de fios telefónicos... E se por ali passava uma importante via de comunicação, de antes da guerra, a estrada Bissau - Mansoa- Porto Gole - Enxalé- Bafatá, há muito interdita !!!...

Nem me lembro sequer de vestígios da estrada naquele troço, que patrulhávamos... Quando um gajo andava no mato os olhos e os ouvidos eram muito mais seletivos..., no fundo o que nos preocupava eram eventuais sinais da evetual presença ou passagem dos "nossos amigos de Madina / Belel",,,

Tabanca Grande disse...

Parece insólito haver já, nos anos 40/50, sinalização rodoviária na Guiné... E sinais como este de "estrada sem prioridade"...

Mas temos que pensar que foi, com Sarmento Rodrigues, que a Guiné deu um salto no tempo, modernizou-se, e conheceu un inegável progresso económico... Bafatá é fruto desse surto de desenvolvimento.

Imagino que uma parte do transporte da "mancarra" já se fazia por estrada, de Bafatá a Bisssau... E que, na época da campanha da mancarra (tal como hoje com o caju), houvesse um certo movimento nas principais estradas do país...

Tabanca Grande disse...

No no nosso tenpo (junho 69/mar 71), todos aqueles regulados na margem direita do Rio Geba eram um deserto humano. Enxalé, Oio, Cuor, Mansomine, Joladu... Olhando para as cartas de Xime e Bambadinca, o que se safava ainda era a margem esquerda, a montante do Xime: era Bambadinca e o regulado de Badora....


http://www.ensp.unl.pt/luis.graca/guine_guerracolonial14_mapa_Xime.html

http://www.ensp.unl.pt/luis.graca/guine_guerracolonial17_mapa_Bambadinca.html

alma disse...

Olá Luís! Se me permites, informo que- Quando cheguei só existiam 2 Pels Caçs Nats, o 52 e o 63. O 54 ( e não 64), só apareceu depois, indo render o 52 em Missirá. Antes de marchar para Fá, estive 2 semanas em Bambadinca( uma das quais, na malfadada Ponte) Ainda assim e logo no início, conheci o Mato Cão, mal adivinhando que ali havia de voltar,talvez uma centena de vezes, quando da minha permanência em Missirá. Também nunca vi qualquer sinal, mas tive a oportunidade de notar o que restava da antiga estrada, por onde tentei ir ao Enxalé, passeio de que trata a minha estória, Rally Turra? de 23 de Abril de 2007. Abraço J.Cabral

Tabanca Grande disse...

Meu querido "alfero Cabral", tens toda a razão. somos mais ou menos contemporâneos, e o que te posso dizer, depois de compulsar os canhennhos, é que. adidos ao BCAÇ 2852 (Bambadinca, 1968/70), havia as seguintes subunidades, em julho de 1969 (só "nharros", excluindo o Pel Mort 2106, o Pel Rec Daimler 2046, o 8º Pel Art / BAC, que estva em Mansambo, o 20 Pel Art /BAC, que estava no Xime, além dos diversos pelotões de milícias):

Pel Caç Nat 52 (Missirá)
Pel Caç Nat 53 (Bambadinca)
Pel Caç Nat 63 (Fá Mandinga)
CCAÇ 2590/ CCAÇ 12 (Bambadinca)

De facto, o Pel Cal Nat 54 não aparece aqui, na lista (Históira da Undiade - BCAÇ 2852, Bambadinca, 1968/70, cap II, pp. 90/91.


Sim,. no Enxalé, tenho ideia ainda do troço de estrada... E más memórias!... Ab. LG

Tabanca Grande disse...

Já agora, no final da comissão do BCAÇ 2852, o dispositivo das NT, no setor L1, em maio de 1970, era o seguinte (só "nharros"...):


Pel Caç Nat 52 (Bambadinca)
Pel Caç Nat 54 (Missirá)
Pel Caç Nat 63 (Fá Mandinga)
CCAÇ 2590/ CCAÇ 12 (-) (Bambadinca), com 1 Gr Comb na Ponte Rio Udunduma + 1 Gr Com em Nhabijões...

O Pel Caç Nat 53, do Paulo Santigao, devia já estar no Salltinho... Nesat altiura ainda não havia destacamento no Mato Cão...

alma disse...

Certo! O 53, então comandado pelo Alf. Mota, esteve muito pouco tempo em Bambadinca. Foi para o Saltinho e por lá ficou. O Destacamento do Mato Cão foi fundado em Out. de 1971, com o 63 Abraço! J.Cabral .

Tabanca Grande disse...

... Ficas a saber que, depois do 25 de abril, estava o Pel Caç Nat 52 em Missirá, ainda e sempre comandado (até à sua extinção) pelo alf mil Luís Mourato Oliveira e quem estava em Fá Mandinga era o Pel Caç Nat... 54.

O cmdt do 54 convidou o Oliveira para ir comer um cabrito a Fá Mandinga, contou-me ele ao telefone... Foram de jipe (julgo que ele e o condutor)... Não percebi bem , parece que no regresso a Missirá tiveram que dar uma volta maior, indo por Bafatá e a margem direita... Já recordo razão, talvez a amré (?)...

Tenho eslcarecer qual foi o percurso correto, ó pra lá e ó pra cá... O cmdt do Pel Caç Nat 54 era o alf mil Manuel Elvas.

Ab. Luis

PS - E o Pel Caç Nat 63 onde estaria "estacionado" nesta altura ?

Tabanca Grande disse...

Jorge, estou a meter água!... Estive rever os emails do Oliveira e as fotos...

Há uma foto (que vou publicar), com 4 militares junto a jipe (e poarece-mne que é em Fá Mandinga, senmdo um deles o cmdt do Pel Caç Nat 63 e o outro o Oliveira, cmdt do Pel Caç Nat 52) cuja legenda diz:

"O alferes Manuel Elvas que está junto ao Jeep estava em Fá Mandinga com o 63 e devia ter batido um record de permanência na Guiné não sei precisar a razão e às vezes ainda o vou contactando em Lisboa" (Luis Mourato Oliveira).

Já tinhas ouvido falar deste teu "neto", o Manuel Elvas ?... Ab. Luis

alma disse...

Penso que o Mourato Oliveira me falou desse Elvas num dos nossos Encontros da Tabanca Grande. Tivémos uma longa conversa, principalmente sobre " a mulher do Milícia" que continuava no seu tempo a ter uma fixação alférica..Daí a minha estória Alferofilia. Abraço J.Cabral