domingo, 11 de março de 2018

Guiné 61/74 - P18403: Álbum fotográfico do João Martins (ex-alf mil art, BAC 1, Bissum, Piche, Bedanda e Guileje, 1967/69) - Parte II: Em Bedanda, em 1969, com o meu Pel Art e 3 obuses 14


Guiné > Região de Tombali > Bedanda > 1969 > Álbum fotográfico do João Martins > Foto nº 135/199 > O temível obus 14... mais um elemento da guarnição africana do Pel Art, que dependia da BAC 1 (Bissau).



Guiné > Região de Tombali > Bedanda > 1969 > Álbum fotográfico do João Martins > Foto nº 127/199 > Invólucros de munições deixadas em anteriores ataques do IN ao aquartelamento.


Guiné > Região de Tombali > Bedanda > 1969 > Álbum fotográfico do João Martins > Foto nº 125/199 > Casa do chefe de posto


Guiné > Região de Tombali > Bedanda > 1969 > Álbum fotográfico do João Martins > Foto nº 130/199 > Aspeto parcial do quartel... À direita o espaldão do obus 14.

Guiné > Região de Tombali > Bedanda > 1969 > Álbum fotográfico do João Martins > Foto nº 129/199 > Aspeto parcial do quartel... com uma casamata em primeiro plano.


Guiné > Região de Tombali > Bedanda > 1969 > Álbum fotográfico do João Martins > Foto nº 133/199 > Espaldão do obus 14... Cimentando o terreno para permitir rodar o obus sem se enterrar.


Guiné > Região de Tombali > Bedanda > 1969 > Álbum fotográfico do João Martins > Foto nº 144/199 > Beldades locais... fulas.

Guiné > Região de Tombali > Bedanda > 1969 > Álbum fotográfico do João Martins > Foto nº 136/199 > Aspeto parcial da tabanca


Fotos (e legendas): © João José Alves Martins (2012). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


 Guiné > Região de Tombali > Bedanda > Carta 1/50 mil (1956) > Posição relativa de Bedanda


Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2018)



1. Continuação da publicação de uma seleção de fotos, reeditadas,  do álbum do nosso grã-tabanqueiro  João Martins (ex-alf mil art, BAC1, Bissum, Piche, Bedanda, Gadamael e Guileje, 1967/69) (*)

Depois de ter estado em Piche, desde setembro de 1968 (com férias em agosto, na Metrópole, na sua amada praia de São Martinho do Porto), e de ter regressado a Bissau, para dar instrução, no BAC 1, o nosso camarada João Martins é colocado no sul, na região de Tombali, passando sucessivamente por Bedanda, Gadamael e Guileje, antes de ir de novo de férias a Portugal, em agosto de 1969...


Escreveu ele nas suas memórias, a propósito da sua passagem por Bedanda (**):

(...) Terminada a instrução que fui dar ao BAC   [Bateria de Artilharia de Campanha, nº 1]
, em Bissau, fui colocado em Bedanda onde já se encontrava um pelotão com três obuses 14 cm. 

Tive que fazer novamente as malas e apanhar uma aviioneta Dornier [DO 27] que, passando por Catió onde tirei algumas fotografias que já não sei identificar, acabou por aterrar em Bedanda. Sem dúvida um dos locais da Guiné que me deixou mais saudades.

Fazia a sua defesa a Companhia de Caçadores 6, do recrutamento da Província, um pelotão de milícia, e o pelotão de artilharia. A população era particularmente simpática e notava-se que tinha tido muito contacto com portugueses da metrópole. Aliás, a casa colonial existente, a do chefe de posto, era imponente.

Bedanda fica numa colina bastante elevada, atendendo aos padrões de altitude que normalmente se encontram na Guiné. Não sendo uma fortificação inexpugnável, não oferecia quaisquer vantagens ao inimigo que se colocaría sempre numa cota inferior. Por isso, os ataques eram pouco frequentes o que nos permitia respirar…

Atendendo ao “clima” relativamente ameno que se fazia, visitava com muita frequência a tabanca e cheguei mesmo a ir à pesca e a tomar banho no rio Ungauriuol, afluente do rio Cumbijã, na esperança de não me tornar um isco para os jacarés. (...)

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5 comentários:

Tabanca Grande disse...

Belas imagens, João, que mereciam ser reeditadas.

Cherno disse...

As duas beldades sao da etnia Balanta, nota-se pelos sinais na cara e pelos penteados caracteristicos.

Cherno Balde

Tabanca Grande disse...

Obrigado, Cherno, mas os amuletos que a mulher da esquerda usa ao peito, num colar, parece-me fulas ou mandingas... Eram pequenas de bolsas de couro, com exerctos, escritos em árabe, retirados do Alcorão... É a ideia que ainda tenho do meu contacto com o teu povo...

Cherno Baldé disse...

Caro Luis,

Tens razao quanto ao amuleto usado pelos muculmanos, mas que nao era exclusivo destes em comunidades mistas. o uso de amuletos e quaisquer outras mezinhas nao eh propriamente uma pratica religiosa, mas sim uma adaptacao - uma insertia social - de praticas e crenças pré-islamicas na nova religiao agora dominante, utilizado pela necessidade da proteccao contra a feitiçaria, maus ventos e/ou maus olhados (porque o Deus, todo poderoso, encontra-se um bocadinho longe da terra para nos poder socorrer em tudo, pobres criaturas), na resolucao de problemas reais como infertilidade, problemas de foro mental e outros, incluisive em casos de uma suposta falta de sorte na vida (também eu tive casos de muita falta de sorte e, salvo erro, acho que todos tivemos).

Nos anos 60 as populacoes de diferentes etnias, seja por sinais feitos no corpo, seja pela forma e tipos de vestuario ou na falta deste ou ainda pelos penteados nos cabelos, no caso das mulheres, era facil de se identificar.

O trançado de cabelos e os sinais no rosto (da mulher a esquerda) e no meio da testa (bajuda a direita) nao deixam duvidas quanto a sua pertença etnica.

Todas essas caracteristicas e sinais de evidencia etnica agora estao a desaparecer para dar lugar (feliz ou infelizmente) a uniformizaçao e ao standard unico de mulheres com perucas com cabelo humano, importado de Europa e da india. Nao digam depois que ainda nao somos civilizados.

Cherno Baldé


Carlos Vinhal disse...

Nós por cá, em tempos idos, também usávamos "coisas" contra o mau-olhado, inveja e doenças ruins. Estou a lembrar-me de uma estrela de cinco (ou seis?) pontas, duma figa e duma ferradura, tudo em miniatura, claro, que se pendurava num fio que se trazia ao pescoço. A ferradura usava-se como "mesa" de anel.
Não falo de outras crenças a roçar a feitiçaria como defumadoiros e quejandos.
Carlos Vinhal