sexta-feira, 16 de março de 2018

Guiné 61/74 - P18424: Agenda cultural (634): Comemoração dos 50 anos da Fundação da Comunidade Islâmica de Lisboa (1968-2018): Mesquita de Lisboa, Praça de Espanha, Lisboa, 16-17 de março: Convite e programa



1. Convite de Abdool Vakil,  líder da Comunidade Islâmica de Lisboa (CIL):

Vimos por este meio informar que no dia 16 de Março pf pelas 15h-30 terá lugar na Mesquita de Lisboa a celebração do Cinquentenário da constituição da Comunidade Islâmica que foi a primeira a reaparecer em Portugal e mesmo na Península Ibérica desde 1497 quando os Muçulmanos saíram destas paragens deixando uma rica herança cultural e artística que ajudou a fertilizar o período do Renascimento que se seguiu e que todos conhecemos. 

Vamos ter a presença de Sua Excelência o Senhor Presidente da República, Prof Doutor Marcelo Rebelo de Sousa; Sua Excelência o Presidente da Assembleia da República Dr Ferro Rodrigues; Sua Excelência o Secretário Geral das Nações Unidas, Eng António Guterres, Sua Excelência Primeiro Ministro Dr. António Costa,​ Sua Eminência o Núncio Apostólico, Dom Rino Passigato e Sua Eminência o Cardeal Patriarca, Dom Manuel Clemente. Também teremos a presença de Sua Eminência Sheikh Ahmed Mohamad El-Tayyeb da Universidade de Al-Azhar, e de outras altas personalidades.

Segue em anexo o Programa Provisório do Evento que decorrerá durante os dias 16 e 17, terminando com um jantar comemorativo com inscrição.
Respeitosos cumprimentos
Fraternalmente

Abdool Vakil 

2. História da CIL:

(...) "A Comunidade Islâmica de Lisboa (CIL) foi constituída em 1968, (Diário do Governo, nº 83, III Série, de 6 de Abril de 1968) por um grupo de jovens estudantes muçulmanos, oriundos das ex-colónias, que na altura se encontravam a estudar aqui em Portugal, nomeadamente em Lisboa.

Nessa época sentiram a necessidade de formarem uma associação, onde pudessem reunir-se e principalmente fazerem as suas orações em conjunto.

Mas, ainda antes da constituição da comunidade, mais precisamente em 1966, uma comissão composta por 10 elementos (5 muçulmanos e 5 católicos), solicita à Câmara Municipal um terreno para a construção de uma Mesquita (...).

No entanto, só após o 25 de Abril, mais precisamente em Setembro de 1977,  é que foi aprovada a proposta de cedência de um terreno situado na Avenida José Malhoa.

A cerimónia de lançamento da primeira pedra teve lugar em Janeiro de 1979 e a inauguração da 1ª fase da construção da Mesquita, a 29 de Março de 1985". (...)

Fonte: Comunidade Islâmica de Lisboa (com a devida vénia)
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Nota do editor:

6 comentários:

Tabanca Grande disse...

Cláudio Torres, em entrevista ao Expresso, 1/4/2017: Excertos, com a decida vénia:


Na vinda para Mértola, porém, aconteceu o contrário. O que sabemos hoje da civilização árabe graças ao que descobriu cá?~

Sabemos mais. Ao fim de 30 anos descobrimos que a ideia de que a islamização da península decorreu de uma invasão é cada vez mais uma mitologia. Pode até ter havido várias invasões, mas o que islamizou a Península Ibérica foi a grande conversão do cristianismo não católico, que era dominante. É isso que nos dizem as lápides encontradas neste cemitério, de pessoas ligadas ao mundo monofisita, não católico, precisamente a minoria que se converte ao Islão. Outra grande descoberta é o povoamento: graças à arqueologia, hoje sabemos que o povoamento do Sul da Península Ibérica é o mesmo que o do Norte de África. São as mesmas pessoas, a mesma civilização, a mesma língua.

Isso contraria a noção, em voga no Estado Novo, de o mouro ser o outro.
É o que está ainda presente em todos os manuais! Continua a ser dito que os árabes invadiram a península.

“Os mouros serviam para que os heróis pudessem ser heróis.” A frase é sua.
O fenómeno da reconquista é o fenómeno criador ibérico. Defende que os heróis cristãos vieram do Norte expulsar os mouros pela espada. Criou-se uma mitologia que diz: os que cá estavam eram cristãos, vieram os árabes, invadiram tudo e implantaram o Islão. Não é nada demais, a gente também vive de mitologias.

E o que pensa da relação que a Europa tem hoje com o Islão?

A Europa colonizou o Norte de África. E para isso, em muitos casos, apagou a história do Islão. Repare que as camadas histórico-arqueológicas do Islão estão por cima do romano. E se em todo o Magrebe encontramos vestígios romanos fabulosos, isso quer dizer que as camadas da época islâmica foram destruídas. Não é por acaso que hoje não há um único museu de arte islâmica em todo o Magrebe. Este centro arqueológico trabalha com várias universidades norte-africanas. E quando os jovens magrebinos querem estudar o Islão, têm de vir aqui, a este museu.

Houve um apagamento do passado?

Arabização implica islamização. E, nesse processo, tudo ficou misturado com a religião. É um erro que estão a pagar caro, porque se eles quiserem estudar o seu país sem ser através do fenómeno religioso cada vez mais vão necessitar de nós. Na minha opinião, a nossa arma fundamental contra o Daesh é justamente este relacionamento com o passado. O Daesh vem com a ignorância, é daí que extrai a sua força. Quem quiser resistir não tem como perceber que aquilo não é o Islão. A única arma é que o seu próprio povo se lhes oponha. (...)

http://expresso.sapo.pt/cultura/2017-04-01-Claudio-Torres-Foi-na-prisao-que-recebi-o-primeiro-abraco-do-meu-pai#gs.BxNpkDM

Tabanca Grande disse...

CULTURA

Cláudio Torres: “Foi na prisão que recebi o primeiro abraço do meu pai”
Expresso, 01.04.2017 às 12h00

Excertos:

(...) Após todos estes anos a estudá-lo, admira o Islão?
Em termos civilizacionais, é impossível escapar à importância do Islão medieval. Que, ao contrário do que se diz nos livros, não veio através dos militares, mas chegou pela navegação, pelo mar, pelo comércio, como sempre foi. Tudo o que temos aqui são ligações ao Oriente, à Pérsia, à China. E tudo isso chega na época islâmica. Nessa altura entra mais de metade do que hoje são os nossos alimentos, vegetais como as beringelas ou frutas como as laranjas. Essa entrada do Oriente é o que explica e justifica as civilizações do Mediterrâneo.

E não podemos compreender Portugal sem compreender isto.
Claro que não. Por isso, não se percebe que o poder político queira promover Mértola como a terra da caça – não é pela caça que é candidata a Património Mundial da Humanidade! É por ser o elo de ligação a um mundo mediterrânico que temos urgentemente de salvar. Do Norte nunca veio nada de especial. Agora é de onde vêm as ordens, pois são eles que mandam. Tudo o resto, toda a história, a lógica das coisas grandes e pequenas veio do Sul. Os países do Norte não nos suportam. Não suportam a nossa conceção do tempo, sem ser para trabalho útil. Nós vivemos o tempo de outra maneira. Vivemos a casa de outra maneira.

Pensa que eles invejam isso?
Com certeza. E invejam a mulher que trata desse espaço. Ela é que manda na casa, que comanda, repara e organiza.

Na sua também?
A gente resiste como pode. Mas ela é que manda. (..=


http://expresso.sapo.pt/cultura/2017-04-01-Claudio-Torres-Foi-na-prisao-que-recebi-o-primeiro-abraco-do-meu-pai#gs.BxNpkDM

Tabanca Grande disse...

É muito mais do que um título de caixa alta...Este homem sabe do que fala... e tem um grande prestígio no mundo da cultura islâmica, e nomeadamente mediterrânica...


Cláudio Torres: "Portugal pode ajudar a desviar a juventude magrebina do Daesh"
Jornal "Sábado", 25.02.2018 08:00 por Carlos Torres e Alexandre Azevedo 964

http://www.sabado.pt/vida/pessoas/detalhe/claudio-torres-portugal-pode-ajudar-a-desviar-a-juventude-magrebina-do-daesh


(...) O Daesh [Estado Islâmico] está a desvirtuar o que é o islão?

O Daesh é hoje cada vez mais um caminho percorrido pela marginalidade do Norte de África, vindo do Oriente. Está em crescendo, a gente pensa que não, mas é verdade, há toda uma juventude que luta hoje contra a colonização antiga da Europa, contra toda a opressão feita pelos ingleses e pelos franceses no Norte de África e no Oriente, e essa juventude está-se a refugiar no Daesh. E Portugal tem hoje um papel fundamental nesta ligação científica, técnica e histórica com o Magrebe. Portugal pode ajudar a desviar do Daesh toda uma massa de juventude que quer saber, que não quer ser marginal, e que pode cair no Daesh se não tiver o nosso apoio técnico, informativo e universitário, porque eles têm ódio à França, que os colonizou, e têm dificuldades com a Espanha por várias razões.

Aquelas ameaças que o Estado Islâmico tem feito, de querer reconquistar o Al-Andaluz, são para levar a sério ou é mais propaganda?

Aquilo não é nada, e cada um arranja os mitos que pode. Neste momento há toda uma juventude marginalizada, chutada, que começou na França. O racismo está a crescer em certas zonas de França. A grande frente contra o Daesh, do meu ponto de vista, somos nós aqui, a perceber e a entender e a aproximar aquela nova juventude que está a surgir nesses países, que não têm para onde ir, que não têm nenhum tipo de perspectivas, não têm nenhum tipo de futuro possível, porque estão a caminho da mais terrível marginalidade. (...)

Vale a pena ler toda a entrevista...

Tabanca Grande disse...

Camaradas, fala um antigo refractário, que se recusou a fazer guerra colonial...

(...) Porque é que fugiu para Marrocos?

A guerra colonial começou em Fevereiro [1961], eu nesse mês fui à inspecção, fui aprovado para todo o serviço e mandaram-me para a prisão militar de Penamacor. Escapei antes de lá chegar e andei fugido pelo sul do País. Entretanto, casei-me. A Manuela, a minha mulher, coitadinha, por minha causa também esteve presa, apesar de nunca ter estado ligada ao PCP. Mas casei-me porque queria fugir com ela para fora de Portugal. Não queria fazer a tropa, embora o PCP nos mandasse para a guerra, mas um companheiro nosso foi antes e foi logo morto. E então eu e os meus companheiros decidimos que não íamos para a guerra, que era uma coisa estúpida e não estávamos disponíveis para sermos liquidados.

Como foi a fuga?

Arranjamos um barquinho no Porto. Não havia hipótese de fugir pela fronteira porque era muito caro. E então eu e mais seis companheiros metemo-nos no barco a caminho de Marrocos. Fizemos a costa toda de Portugal até ao sul, até à Arrifana, e aí metemo-nos no alto mar, feitos parvos, aquilo nunca chegava a Marrocos porque era um motorzito fora de bordo, a gasolina só ia dar até meio do caminho, mas erámos putos, não percebíamos nada daquilo. Passados três ou quatro dias fomos apanhados no meio do mar por um petroleiro que nos levou para Gibraltar. Estivemos presos em Gibraltar, pelos ingleses, mas depois conseguimos fugir e chegar a Marrocos, a Tânger. Aí também foi complicado porque entretanto a minha mulher já ia grávida, coitada, fez a viagem toda a vomitar por causa da minha primeira filha, a Nádia, que nasceu em Marrocos. (...)

Com a devida vénia:

Cláudio Torres: "Portugal pode ajudar a desviar a juventude magrebina do Daesh"
Jornal "Sábado", 25.02.2018 08:00 por Carlos Torres e Alexandre Azevedo 964

http://www.sabado.pt/vida/pessoas/detalhe/claudio-torres-portugal-pode-ajudar-a-desviar-a-juventude-magrebina-do-daesh

Joe disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Antonio Rosinha disse...

Esta nossa terra, já teve tantos ocupantes estranhos, que do nosso conhecimento só é "filho da terra", como se diz na Guiné, o Viriato, que era o índio que parece que foi extinto, nem sabemos que língua falava.

O próprio Afonso Henriques era filho de uma galega, Tereza, e do Henrique que era de Borgonha.

Pela lógica, os que estamos cá agora, é que corremos ou sobrevivemos aos outros em sequência:

Visigodos, romanos, árabes, galegos, portugueses...sobrámos estes que iremos ser substituidos por quem?

E como é que ficaremos a ser chamados na história? Tugas? Portugas?

É que nas maternidades nacionais está a nascer uma mistura tão estranha, de imigrantes, refugiados, vistos-gold, que esta minoria desapareceremos rapidamente-

A curiosidade srá qual o nosso nome para a história.