segunda-feira, 12 de março de 2018

Guiné 61/74 - P18407: Álbum fotográfico de Luís Mourato Oliveira, ex-alf mil, CCAÇ 4740 (Cufar, dez 72 / jul 73) e Pel Caç Nat 52 (Mato Cão e Missirá, ago 73 /ago 74) (26): Os "animais, nossos amigos"...


Foto nº 1 > A mascote do pessoal, o "Pifas", um macaco-cão... acorrentado


 Foto nº 2 > "Selvajaria", escreveu o fotógrafo... posando para a fotografia com o "Pifas", de rabo para o ar...


Foto nº 3 >  Pequeno macaco-cão, que fazia parte dos "amigos"...


Foto nº 4 > Sem legenda...


Foto nº 5 > Sem legenda...


Foto nº 6> Sem legenda...

Guiné > Região de Tombali > Cufar > CCAÇ 4740 (1972/74) > 1973 > Macaco(s)...


Fotos (e legendas): © Luís Mourato Oliveira (2017). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].


1. Mais fotos do álbum do Luís Mourato Oliveira, nosso grã-tabanqueiro nº 730, que foi alf mil inf, de rendição individual, na açoriana CCAÇ 4740 (Cufar, 1973, até agosto) e, no resto da comissão, comandante do Pel Caç Nat 52 (Stor L1 , Bambadinca, Mato Cão e Missirá, 1973/74). (*)


Lisboeta, tem raízes na Lourinhã, pelo lado materno. Durante a sua comissão no CTIG foi sempre um apaixonado pela fotografia... Fotografou quase tudo... até o pobre do macaco-cão, a quem o pessoal da CCAÇ 4740 chamava o "Pifas" , certamente por analogia com a mascote do Programa (radiofónico) das Forças Armadas...

Naquela época, havia, nos nossos aquartelamentos e destacamentos, macacos-cães (babuínos) em cativeiro, que serviam de mascote ao pessoal metropolitano (Mascote, segundo o dicionário Priberam é um "amuleto cuja figura dá felicidade, segundo a crença popular")...

O pobre do macaco-cão, se chegasse ao fim da comissão, passava de companhia para companhia... Nalguns casos, mais cruéis, acabava guisado no tacho ou assado no espeto...(*). Noutros casos, não menos cruéis,  o pobre do babuíno até conseguia chegar a aldeias e vilas recônditas da nossa pacata terra, trazido, às escondidas ou às claras, pelos primeiros soldados que foram mobilizados para o ultramar (, há babuínos em toda a África, embora os Angola e Moçambique sejam de uma espécie diferente dos da Guiné)...

Na época não se falava ainda de (nem as pessoas se preocupavam com) os "direitos dos animais". Nem havia sequer partidos (políticos) dos animais... Muito menos havia partidos,  a favor das pessoas, quanto mais dos animais...

Conhecendo o Luís Mourato Oliveira, como eu o conheço, um pessoa de grande sensibilidade socioecológica (**), ele por certo nunca tiraria hoje uma foto como a  nº 2 (vd. foto acima)... Não é por acaso que ele próprio a rotulou de "selvajaria"... quarenta e tal anos depois. (***)

António Rosinha
2. O macaco-cão ou "babuíno da Guiné" (papio-papio, segundo a designação científica) habita na África Ocidental, nas savanas e florestas secas da Guiné, Guiné-Bissau, Gâmbia, Senegal, Mali e Mauritânia. 

É uma espécie considerada "Quase Ameaçada" (sigla "NT -Near Threatened", da Lista Vermelha da IUCN, a União Internacional para a Conservação da Natureza). A categoria  NT precede  as categorias criticamente em perigo, em perigo ou vulnerável...

Atualmente, devido à desflorestação, à agricultura extensiva, à pressão demográfica, à caça e ao comércio ilegal, o macaco-cão está perto de se enquadrar (ou será enquadrado num futuro próximo) nas categorias seguintes da escala, que vai de "Não ameaçado" a "Extinto"... Há 30 anos atrás, o macaco-cão era considerado como "não ameaçado"...Nesse espaço de tempo, os seus efetivos poderão ter sido reduzidos de 20% a 25%. Muitos de nós chegámos a ver bandos de 100 a 200 indivíduos: eram tratados como "nossos amigos", avisando-nos da proximidade (ou não) da presença do IN...

Recorde-se o que aqui escreveu António Rosinha (,um "tuga", privilegiado observador dos primeiros anos da independência da Guiné-Bissau,) sobre o macaco-cão quando este passou a ir à "mesa do rei":

(...) O Com, não o 'avec', mas o macaco, macaco-kom, foi a "ração de combate", por excelência e por necessidade, dos Combatentes da Liberdade da Pátria, pois que,  havendo já alguma tradição no consumo desse 'petisco', tornou-se como que prato nacional. Nos primeiros anos de independência, era vulgar ver alguém, caminhando ao longo dos caminhos com um animal amarrado a um pau ao ombro e uma Kalash na mão. O povo compreendia este consumo com a maior naturalidade.(...)
____________

Notas do editor:

(*)  Vd. poste de 17 de novembro de 2016 > Guiné 63/74 - P16730: Inquérito 'on line': Num total de 110 respondentes, apenas 16% disse que provou (e gostou de) carne de macaco-cão... Pelo lado dos "tugas", o "sancu" está safo... Agora é preciso que os nossos amigos guineenses façam o seu trabalho de casa...

(**) Vd. poste de  17 de agosto de 2017 > Guiné 61/74 - P17677: Fotos à procura de...uma legenda (88): "Pietá"... O fotógrafo indiano, Avinash Lodhi, captou o desespero de uma fêmea de macaco Rhesus que abraça a cria inanimada (Luís Mourato Oliveira)

(***) Último poste da série > 13 de fevereiro de 2018 > Guiné 61/74 - P18315: Álbum fotográfico de Luís Mourato Oliveira, ex-alf mil, CCAÇ 4740 (Cufar, dez 72 / jul 73) e Pel Caç Nat 52 (Mato Cão e Missirá, ago 73 /ago 74) (25): o fotógrafo e as suas "máscaras"

11 comentários:

Tabanca Grande disse...

Os médicos cubanos depressa aprenderam macaco...



(...) Quando chegámos à outra margem [, direita, do Rio Corubal], encontrei um homem branco em calções, com gorro na cabeça e uma camisa. Olhou-me com alguma indiferença, perguntando-me: "Tu pensas aguentar esta ratoeira? Esquece, pois não duras nem três meses”. Perguntei-lhe porquê? Ao que me respondeu: “Tu verás como isto é”[No original: "¿Tú piensas aguantar la mecha esta?, olvídate, que no duras ni tres meses».]

Este homem era de facto Daniel Salgado, médico militar que também esteve na segunda Frente e a quem eu ia substituir. O que aconteceu depois foi que ele passou a ser o meu melhor amigo que tive e cuja amizade se prolongou em Cuba durante muitos anos até que faleceu. Como já sabia que eu vinha, preparou um macaco para o almoço. Ali esteve mais cinco dias até que partiu de regresso. Nesse lugar soube da existência de um hospitalito [enfermaria de colmo] na frente Leste, na região de Bafatá [Sector L1], que me disseram ser na Mata de Fiofioli (...)


, 11 DE AGOSTO DE 2016
Guiné 63/74 - P16380: Notas de leitura (868): (D)o outro lado do combate: memórias de médicos cubanos (1966-1969) - Parte VI: o caso do clínico geral Amado Alfonso Delgado (II): Na margem direita do rio Corubal, na mata do Fiofioli: «¿Tú piensas aguantar la mecha esta?, olvídate, que no duras ni tres meses" / "Tu pensas aguentar esta ratoeira? Esquece, pois não duras nem três meses”...

https://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/2016/08/guine-6374-p16380-notas-de-leitura-864.html

Tabanca Grande disse...

O macaco (e o vinho de palma) fazia parte da "ração de combate" dos médicos cubanos:


(..) Colocaram-me à disposição um sangrador de palmeiras (para fazer escorrer o vinho, tipo corta-gotas utilizados nas garrafas). Como não tinhamos desinfectante para colocar na água contaminada, pedíamos a um homem que subisse ao cimo das palmeiras e aí extraía o líquido acumulado que era como se fosse vinho. Cada três/quatro dias me traziam cerca de quatro litros desse líquido. Havia dias em que bebia perto de dois litros de vinho.

Durante o tempo que estive na Guiné comi carne de búfalo, crocodilo, antílope, tartaruga, hipopótamo, javali, macaco, pássaros de várias espécies, apesar da comida principal ser arroz e óleo de dendém. (...)


25 DE AGOSTO DE 2016
Guiné 63/74 - P16420: Notas de leitura (874): (D)o outro lado do combate: memórias de médicos cubanos (1966-1969) - Parte VIII: o caso do clínico geral Amado Alfonso Delgado (IV): "Os guineenses são muito resistentes...Numa ocasião, uma bomba caiu perto de uma mulher e feriu-a no abdómen... Eu devia abrir-lhe o abdómen pois tinha peritonite. Coloquei-lhe anestesia local e, quando lhe ia dar a geral, um avião largou outra bomba que caiu perto. A mulher levantou-se, com a ferida meio aberta, e fugiu. Não a vi mais. Depois disseram-me que a tinham localizado, já morta, a cerca de quatro quilómetros dali."

https://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/2016/08/guine-6374-p16420-notas-de-leitura-874.html


patricio ribeiro disse...

Boas,
Boa tarde.
Tenho más noticias,
já não há "cabrito pé de rocha", na Guiné,nome do bicho já cozinhado, para não se falar o verdadeiro nome ...

Cheguei à poucas horas da praia de Cassumba, no ponto mais ao Sul da Guiné, por onde andei vários dias.
Na viagem de mais de 300km, para cada lado, não vi um único macaco, coisa impensável até há poucos anos. Em que nas nossas viagem, encontramos meia dúzias de bandos, alguns dos quais com umas dezenas de animais.

Más noticias para os apreciadores...

Abraço

patricio ribeiro disse...

Boas,
Boa tarde.
Tenho más noticias,
já não há "cabrito pé de rocha", na Guiné,nome do bicho já cozinhado, para não se falar o verdadeiro nome ...

Cheguei à poucas horas da praia de Cassumba, no ponto mais ao Sul da Guiné, por onde andei vários dias.
Na viagem de mais de 300km, para cada lado, não vi um único macaco, coisa impensável até há poucos anos. Em que nas nossas viagem, encontramos meia dúzias de bandos, alguns dos quais com umas dezenas de animais.

Más noticias para os apreciadores...

Abraço

Anónimo disse...

Caros amigos,

Cassumba, aldeia situada nos confins do Sector de Cacine (zona maritima), tem uma das praias mais lindas da Guine-Bissau, mas que, exceptuando umas poucas pessoas que conhecem os segredos do pais, ninguem conhece e eh pouco frequentada. Merecia constar da rota do turismo se tivesse acesso facilitado que eh a grande quebra-cabeca.

Cherno AB

José Botelho Colaço disse...

Em 1965 quando regressei da Guiné trouxe comigo um Macaco Sancho as autorizações para o trazer não me lembro mas acho que eram zero devido à situação em que saí pois mal tive tempo para entregar o material de guerra, deve ter vindo clandestino o gajo não tinha "caderneta militar" o que eu sei é que ninguém me chateou por causa do macaco.
O macaco tinha um destinatário o meu sobrinho Donaldo que me pediu para eu lhe trazer um macaco e eu para satisfazer o desejo do puto lá andei uns tempos antes a domesticar um macaco. um abraço Colaço

Antonio Rosinha disse...

Durante a guerra de 13 anos muitos tropas e civis regressavam de África com cobras, lagartos, piriquitos, papagaios, bambis, macacos variados e ratos e ratinhos.

A TAP, bissemanal Bissau-Lisboa, parecia um jardim zoológico até uma altura que apareceram umas leis de cá e de lá a afrouxar o negócio (?1990?)

Para quem não goste de ver cães de caça ou de guarda no sofá a ver televisão, aquilo provocava uma certa reacção a alguns passageiros e tripulantes.

Hoje já tudo pode comer à mesa da gente, o mundo não para.

Tabanca Grande disse...

Na minha terra, Lourinhã, recordo-me de, quando regressei da Guiné, em março de 1971, haver uma taberna, onde se jogava chinquilho e havia um babuino, provavelmente um macaco-cão, que alguém (, possivelmente, um militar) trouxera de África... Era um animal "exótico" naquela que ainda era conhecida como "terra da loba" (e hoje é a "capital dos dinossauros", dizem os lourinhanenses, orgulhosos, e com razão...).

Quando vim da Guiné, fui trabalhar para a repartição de finanças lá da terra... Só havia um banco, o Banco Nacional Ultramarino, e os empregadores não eram muitos, fora da agricultura e pescas (onde se fizeram fortunas)...

À tarde, íamos lá lanchar, algumas vezes, à "taberna do macaco" (como ficará conhecida para a história da terra...). Ia lá a elite local: funcionalismo das finanças, do tribunal, das conservatórias, da farmácia, do estabelecimentos comerciais... Um dos meus amigos, poeta, contabalista, mais velho do que eu, o Mariano Vicente (, que era natural de Peniche), achou que a designação "taberna do macaco" era rasca e passou a chamar-lhe "Sociedade de Geografia"... Afinal, era lá que se reunia a nata intelectual da Lourinhã, e se discutiam os grandes problemas do mundo e do país, entre copos de três, uma navalheira, uma salada de povo, uns tremoços e umas pevides...

Hoje tem nome de rua, o meu amigo Mariano Vicente, mas já ninguém sabe quem foi... Quantos sonetos e quadras dele não terão sido escritos (ou pelo menos "alinhavados") na "taberna do macaco" (ou, melhor, na "Sociedade de GeografIa") ?

Tabanca Grande disse...

Relembrando o meu amigo Mariano Vicente (1917-1977)... Claro que, para a História, irão branquear a sua passagem (frequente) pela "Taberna do Macaco" (, aliás, "Sociedade de Georgrafia")... Há, nas nossas terras, uma comissão de toponímica que se encarrega de compor os curricula dos nossos maiores com direito a nome de rua, avenida ou praça.


(i) Nasceu em Peniche a 28 de Maio de 1917; veio viver e trabalhar para a Lourinhã, era pai da minha amiga Ana Maria Vicente (Bibi);

(ii) Autodidacta, poeta, jornalista, ensaísta, animador e declamador;

(iii) Foi contabilista na firma “José Maria Carvalho”, com sede na Lourinhã;

(iv) Organizou um grupo cénico “A Prata da Casa” no Clube Recreativo 14 de Julho, Lourinhã;

(v) Nos tempos livres escrevia prosa, verso e algumas peças teatrais;

(v) Colaborou em vários jornais regionais: “Redes e Moinhos” e “Alvorada” (Lourinhã); “Voz do Mar” (Peniche);

(vi) Após 25 de Abril é indigitado para autarca da 1ª Comissão Administrativa da Câmara Municipal da Lourinhã;

(vii) Faleceu 19 de Junho 1977, aos 60 anos.

Tem nome de rua na Lourinhã.

Fonte: www.cm-lourinha.pt/_uploads/Toponímia/Toponimia12Janeiro2009.ppt

Tabanca Grande disse...

Amigos e camaradas, estamos aqui a falar da conservação da natureza na Guiné, de espécies animais em risco, como o "dari" (chimpanzé) ou o "macaco-cão" (babuino da Guiné), devido à desflorestação, abate ilegal de árvores, agricultura extensiva, demografia humana, caça, tráfico de animais, gastronomia, cultura, religião, etc., mas nós (na Europa e na América) estamos longe de ser (ou de ter sido) exemplos de boas práticas...

Que os guineenses, ao menos, aprendam com os nossos erros...O urso pardo, símbolo nacional da Rússia, esteve quase em extinção nos princípios do séc. XX... O lince ibérico vai há poucos anos reintroduzido na serra da Macalta, em Portugal... O lobo foi dizimado por toda a Europa... O bisonte, símbolo nacional dos EUA desde 2016, foi chacinado pelos colonos europeus...O leão do Atlas, ques e encontrava no norte da África, do Egito a Marrocos, está extinto há um século... Os elefantes, os rinocerintes e os leões das savanas caminham a passo largo para a extinção...

É infinitamente um planeta com uma natureza mais pobre aquele que passamos às gerações seguintes... E isso é que é triste...

Anónimo disse...

Amigos

Destes macacos andam muitos pela zona de Cadique

Abraço
Carlos Silva