sexta-feira, 23 de abril de 2021

Guiné 61/74 - P22126: Fotos à procura de... uma legenda (141): acidente com a jangada do Cheche, no passado dia 21... (Patrício Ribeiro, Impar Lda, Bissau)












Guiné-Bissau > Região de Gabu > Rio Corubal > Cheche  [ou Ché-Ché] > 21 de abril de 2021 > Acidente com a jangada: queda de um camião ao rio, ao entrar na jangada, do lado de Béli.  Trânsito interrompido dos dois lados.


Fotos (e legenda): © Patrício Ribeiro (2021). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Português, natural de Águeda (1947), criado e casado em Angola, com família no Huambo, antiga Nova Lisboa, ex-fuzileiro em Angola durante a guerra colonial, a viver na Guiné-Bissau desde meados dos anos 80 do séc. XX, fundador, sócio-gerente e director técnico da firma Impar, Lda.

Tem também uma "ponta", junto ao rio Vouga, Agueda, onde se refugiou agora, fugindo da pandemia de Covid-19: é o português que melhor conhece a Guiné e os guineenses, o último dos nossos africanistas: tem mais de uma centena de referências o nosso blogue; "irreformável"!, está à espera de receber a 2ª dose da vacina anti-Covid para voltar àquela terra verde-rubra que tem sido a sua paixão de uma vida.




1. Mensagem de Patrício Ribeiro:

Date: quinta, 22/04/2021 à(s) 20:13
Subject: Jangada do Ché che

Luís:

Só para informar que desde ontem, dia 21 de abril, a jangada do Ché Ché, não funciona. Caiu um camião ao rio, ao entrar na jangada, do lado de Béli. E como sabemos, a jangada continua a ter um cabo único, que a liga entre as margens.

Vão tentar rebocar o camião que está dentro do rio Corubal, com um camião mais forte e cabo de aço, para o lado de Canjadude [, a Norte]. Do lado do Boé [,a Sul], não há camiões com capacidade para o reboque, a fim de a jangada poder encostar à rampa do lado de Beli, e retirar as diversas viaturas, que se encontram retidas no Boé, para Nova Lamego.

Entre essas viaturas, está a da nossa equipa [, da Impar Lda,] , que vai dormir por alguns dias, na margem do rio ... Como estamos no "Jejum", só há comida à noite. Eles não levaram água, nem há rede de telefone, no Boé ... e como são todos balantas, lidam mal com a falta de bianda, durante o dia.

Se não for possível nos próximos dias a jangada funcionar, vão ter de dar a volta por Madina do Boé e Contabane, pela picada com muitos quilómetros , que se encontra em muito mau estado, e que eu conheço bem.

Não é necessário mandar nenhuma TV, porque já têm a notícia ... Ver a foto acima.

Abraço

Patricio Ribeiro

IMPAR Lda
Av. Domingos Ramos 43D - C.P. 489 - Bissau , Guine Bissau
Tel,00245 966623168 / 955290250
www.imparbissau.com
impar_bissau@hotmail.com

__________

Nota do editor:

7 comentários:

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Patrício, até me assustei. Tiraste-me o sono. Felizmente, não houve vítimas... Parece que o tempo parou na "tua" terra... Vou descansar, depois de editar o poste, desejando boa sorte para os teus homens...

E bom regresso, para ti, a Bissau, por estes dias... Há camaradas nossos a quererem lá voltar, dizem que as viagens estão baratas... Talvez para o ano eu volte lá...

Até à "pró...stata"!... Luís

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Antes de me ir deitar, reparo que hoje, 23 de abril, faz anos o nosso blogue... Foi a 23 de abril de 2004 que começámos esta aventura coletiva!... Por um mero acaso...

Espero bem que tenha valido a pena... e que tenha feito bema muita gente. LG

Tabanca Grande Luís Graça disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Tabanca Grande Luís Graça disse...

A consideração do Jorge Araújo, o nosso especialista do Boé: estamos em Abril de 2021 e o rio vaí cheio... O que seria então em Setembro de 1973 ? Quem vinha do interior da Guiné tinha que atravessar o Corubal para chegar a tempo e horas ao dia ao 24 de setembro de 1973... (E será que sabia o sitio da cerimónia? ). E seguramente atravessava também o rio Fetefine...O mais mais provável seria apanhar o "comboio da História"
em Foula Mori... De facto, há muitas histórias mal contadas, de ambos os lados das guerras...

Jorge Araujo disse...

Caro Patrício Ribeiro,

Bom dia.

Obrigado por te teres lembrado de nós! Nós merecemos...

Quanto ao "aniversariante", envio os meus PARABÉNS por mais um aninho (já são dezassete!)

Para os pioneiros (os pais do "jovem") segue um grande abraço.

Jorge Araújo.

Antº Rosinha disse...

Durante os trese anos da Guerra do Ultramar, (só a guerra do Ultramar é que teve trese anos, arredondados, as outras tiveram períodos mais alargados)), e é por causa dessa guerra que nos encontrámos aqui, embora se fale de todas as outras por tabela, dizia-se em certos meios principalmente â mesa do café que não valia a pena perder tempo com a Guiné, por tanta dor de cabeça nos dar, e economicamente (riquezas naturais), ser muito fraquinha.

Era melhor "entregá-la".

Ora por sua vez em Bissau, será que se pensou a mesma coisa, mas em relação apenas à região do Boé?

Só que pelos vistos, para o PAIGC, o Boé nem merece uma pequena ponte.

Atenção que se existem as pontes de João Landim e de São Vicente devem-se a um projecto internacional para ligar todas as capitais por uma via rodoviária moderna.

Valdemar Silva disse...

Rosinha, realmente.
Deves estar recordado daquela 'os gajos fizeram aquilo da independência em Madina do Boé por ser uma zona rica em minerais'. E até nas marceladas pra família foi repetido o mesmo assunto, dando azo a especulações de haver petróleo, diamantes e tal.
De facto, aquele local de passagem utilizando a jangada que faz a ligação da estrada Gabu, Cabuca ou Canjadude, jangada para Cheche, Madina e seguimento até à fronteira não devia ter sido muito utilizada antes da guerra por não haver grande densidade de população e mais abaixo já existir uma ponte no Xitole que seria suficiente a toda aquela região.
Com a guerra a passagem foi consideravelmente utilizada por terem sido destacadas forças militares para as três principais tabancas, as poucas mais pequenas isoladas foram sendo abandonadas, e a ideia de construção duma ponte para dar maior ligação teria sido pensada? ou uma obra feita pela Engenharia Militar?, de facto nada foi feito e, agora, depois da independência também não.
Afinal seria ou será a zona do Boé verdadeiramente rica em recursos minerais? Ou aquele local de passagem por jangada é assim utilizado por ter sido sempre assim e para o efeito chega.

Abraço
Valdemar Queiroz