quarta-feira, 24 de abril de 2024

Guiné 61/74 - P25434: Meu pai meu velho meu camarada (70): Henrique Gonçalves Vaz (1922-2001), último Chefe do Estado Maior do CTIG/CCFAG, foi também um cavaleiro com classe (Luís Gonçalves Vaz) - II (e última) Parte




Guiné > Bissau > Sala de operações do QG/CTIG > 11 de Julho de 1973 - Da esquerda para a direita; (i) Brigadeiro Banazol, comandante do CTIG; (ii) Coronel Galvão de Figueiredo, 2º comandante do CTIG; e (iii) o Chefe do Estado-Maior/CTIG, Coronel do CEM Henrique Gonçalves Vaz: este último responde, na sala de operações do QG, ., ás palavras do CMDT do CTIG, numa cerimónia de transmissão de funções do CEM/CTIG.



Guiné > Região do Cacheu > Pelundo >  1973 > Instrução das milícias >  Da esquerda para a direita; (i) Delegado do Governo no Chão Manjaco, Tenente-coronel de Art Sousa Teles; (ii) Comandante Geral das Milícias, Major Mário Arada Pinheiro (membro da nossa Tabanca Grande); (iii) CEM/CTIG, Coronel do CEM Henrique Gonçalves Vaz, em inspeção á instrução das milícias, representando o 2º CMTE do CTIG.



Guiné > Zona Leste > Região de Gabu > Nova Lamego > Setembro de 1973 > Coronel Henrique Vaz,  com o Brigadeiro Banazol (comandante do CTIG), perante um desfile de um pelotão de milícia, no âmbito do encerramento da instrução.



1- Segunda parte do texto do Luís Gonçalves Vaz



Cor cav CEM Henrique Gonçalves Vaz (Barcelos, 1922- Braga, 2001)


Fotos (e legendas): © Luís Gonçalves Vaz  (2024). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Henrique Gonçalves Vaz, último Chefe do Estado Maior do CTIG/CCFAG,
foi também um cavaleiro com classe - II (e última) parte (*)

por Luís Gonçalves Vaz



A carreira profissional do Coronel Henrique Gonçalves Vaz tem duas grandes etapas: (i) como cavaleiro, enquanto oficial subalterno de Cavalaria (vd. Parte I) (*); e (ii)  como Oficial do Quadro do Corpo do Estado-Maior.

Como oficial CEM, desempenhou funções nos Quarteis Generais da Região Militar do Norte, na Região Militar de Angola e no CTIG /CCFAG na Guiné Portuguesa.
 
Em 20 de Novembro de 1963, é destacado, em comissão de serviço, para servir no
Quartel General da Região Militar de Angola, onde exerce em 63/64 as funções de Oficial Adjunto da 4ª Repartição e,  em 1965, as de Chefe da 1ª Repartição, regressando à “Metrópole” neste ano.

 Os serviços prestados nesta comissão, pelo então Major Vaz, são reconhecidos
superiormente, nomeadamente pelo General Comandante da Região Militar de Angola e pelo próprio Ministro do Exército, reconhecimentos estes que se traduzem em Louvores e em Condecorações atribuídas. 

Entre 1966 e 1970, desempenha, na Região Militar do Norte (RMN)
na cidade do Porto, as funções, primeiro de subchefe e, nos últimos dois anos, a de Chefe do Estado-Maior da RMN.

Entre 1971 e 1972, comanda o Regimento de Cavalaria  nº 6 (RC 6), no Porto, onde uma vez mais se distingue como se pode comprovar no Louvor concedido pelo General Comandante da Região Militar do Norte, “... pela maneira altamente distinta e plena de dignidade como comandou o RC6 ....que revelaram um oficial distinto que valorizou a sua unidade e prestigiou a Região e as Instituições Militares...”.

No ano seguinte, 1973, é nomeado para servir, novamente, no “Ultramar”, desta vez no Comando Territorial Independente da Guiné (CTIG), como Chefe do Estado-Maior, sob o comando do General Spínola e posteriormente do General Bettencourt Rodrigues, numa altura de grandes ofensivas do PAIGC, 

A partir do 25 de Abril de 1974, e por instruções superiores (do Brigadeiro Fabião ), é o principal responsável em realizar os “Planos de Entrega dos Aquartelamentos na Guiné”, com a colaboração do sr. Major Mourão. 

Os últimos “Planos de entrega de aquartelamentos” foram entregues ao Brigadeiro Fabião no dia 10 de Outubro de 1974, um dia antes da reunião com os comandantes do PAIGC. 

A entrega do Complexo Militar de Santa Luzia foi efetuada no dia 13 de Outubro, pelas 15 horas, enquanto o Forte da Amura, o último “reduto militar português” a ser entregue, foi entregue apenas no dia 14 de Outubro, o dia previsto para a “retirada final”, e reservado para o embarque do que restava das tropas portuguesas na Guiné. Só regressará a Lisboa no dia 14 de outubro de 1974, cerca de seis meses após a Revolução de 25 de Abril. 

Em 31 de Agosto de 1976, é colocado no 1º Tribunal Militar Territorial do Porto, assumindo, no ano seguinte, a função de Juiz Presidente. Em março de 1978, passa à situação de Reserva, mas continua a exercer o referido cargo naquele tribunal. É reconduzido nas mesmas funções, desde 9 de setembro de 1979, por novo biénio.

Em 1 de Janeiro de 1982, deixa de prestar serviço efetivo no Quartel General da Região Militar do Norte.

Braga, 18 de abril de 2024
Luís Beleza Gonçalves Vaz (foto à esquerda)
(filho do biografado)

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Nota do editor:

5 comentários:

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Luís, fico feliz pela tua reaparição no blogue. "Bom filho à cxasa torna"...

Olha,na foto no Pelundo, reconheci o major Pinheiro, hoje cor inf ref Mário Arada Pinheiro, que comandava as mílícas e tropas africanas (13 mil na época, em meados de 1973)... Homem afável, é casado com uma senhora da Lourinhã, vejo-o de tempos a tempos (e sobretudo no verão) no nosso clube, o VIGIA, o grupo dos amigos da Praia da Areia Branca.

Apesar de já nonagenário, tem uma ótima memória, e já me contou algumas deliciosas histórias do Spínola (com quem trabalhou, nomeadamente no planeamento da Op Grande Empresa, em "perfeito secretismo"). A família também viveu em Bissau, em Santa Luzia, vocês deviam ser vizinhos. Já lhe falei, lembra-se perfeitamente do teu pai. Ele acabou a comissão mais cedo, creio que um ano antes do teu pai.

É membro da Tabanca Grande. Diz-me que me vai entregar, um dia destes, uns CD com material sobre Catió, Gadamael, Guileje...

Ele foi em rendição individual, esteve como 2º cmdt no BCAÇ 2930 (Catió, 1970/72) e depois foi cmdt do Comando Geral de Milícias (Bissau, 1972/73), em substituição do major Fabião.

https://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/search/label/Cor%20Arada%20Pinheiro

Valdemar Silva disse...

A segunda fotografia é interessante: parece uma montagem com o mesmo oficial em três posições diferentes.

Valdemar Queiroz

José Botelho Colaço disse...

O Luís Gonçalves Vaz sempre que aparece trás uma história da vida e de amor entre pai e filho. Obrigado um abraço.

Luís Gonçalves Vaz disse...

Olá José Colaço;

Muito obrigado pelas suas palavras amigas !
Prometo que vou tentar ser mais assíduo do nosso Blog.

Votos de Saúde e um Abraço

L. G. Vaz

Joaquim Luis Fernandes disse...

Tenho andado um pouco arredado da frequência do Blogue na última semana. Hoje ao revisitar os posts já passados, deparo-me com este, em que aparece a foto do Tenente-coronel Sousa Teles, que conheci em Teixeira Pinto em 1973, com quem convivia esporadicamente no bar de oficiais, numa relação de simpatia recíproca. Recordo que me emprestou um livro que li com gosto : O livro "O Padrinho" por Mario Puzo.

Nunca mais soube nada sobre esse senhor Oficial. Qual a sua carreira militar e política depois do 25 de Abril de 74? Ainda estará vivo? Considerava-o boa pessoa.

Atentamente
JLFernandes