domingo, 16 de novembro de 2008

Guiné 63/74 - P3460: In Memoriam (13): Mário Ferreira, autor da letra do Adeus, Guiné, morreu ontem, em Guifões, Matosinhos (Albano Costa)

Capa e contracapa do LP [long playing] Adeus, Guiné, um criação do Conjunto Típico Armindo Campos. Porto: Edição de Discos Rapsódia. [1970]. O autor da letra era o Mário Ferreira, falecido ontem, em Guifões, Matosinhos. Os restantes membros do grupo musical também eram de Matosinhos.

Fotos: © Albano Costa (2008). Direitos reservados.



1. Mensagem do nosso camarada e amigo Albano Costa, de Guifões, Matosinhos: Assunto - Anúncio da morte do autor da letra do Adeus, Guiné

Caros editores e tertulianos:

Ontem, 15 de Novembro de 2008, faleceu o autor que compôs a letra do LP Adeus Guiné, de nome Mário Ferreira, com a idade de 85 anos. O Conjunto Típico Armindo Campos, autor da música Adeus Guiné, era um grupo composto por seis elementos, todos residentes no concelho de Matosinhos.

Armindo Campos dava o nome ao conjunto típico. Faziam também parte o Mário Ferreira (autor da letra), Jorge Ferreira, Floriano Guimarães (era o único que prestou serviço na Guiné-Bissau), Alberto Guimarães e o António (vocalista do grupo também já falecido, na capa do LP é o que está vestido de militar e a subir para o navio-paquete que na altura se encontrava no porto de Leixões, e que o grupo aproveitou para fazer o boneco).

Na época este conjunto teve bastante sucesso principalmente no norte do país, com esta música. E para que conste, recebeu de cachet 800$00 (4 €) pela sua gravação. Como os tempos mudaram!...

O funeral vai realizar-se na próxima segunda-feira, pelas 10h30, sai da capela mortuária da freguesia de Guifões, e segue para o cemitério local.

Albano Costa

PS - O único que esteve na Guiné foi o Floriano Guimarães (Aldeia Formosa, 1971/73). O LP foi gravado em 1970, antes, portanto, de ele ter ido para a guerra.

6 comentários:

Luís Graça disse...

"Adeus, Guiné, serás sempre Portugal"... Gostava de (re)ler a letra completa (que não encontro na Net)...

Não é (ou era) o meu estilo de música preferida, nem de longe nem de perto... Mas respeito os autores (lera e música) e os seus fãs.

A nossa discografia da "guerra do ultramar" é(era) pobrezinha. Este tema fazia parte de um certo imaginário...

É um gesto bonito, o do Albano Costa, dando-nos a notícia da morte do Mário Ferreira, letrista do Conjunto Típico Armando Campos, e seu conterrâneo de Guifões, Matosinhos.Paz à sua alma.

Luís

Anónimo disse...

Adeus Guiné
Já tenho o dever cumprido
e não estou arrependido
de tanto por ti lutar
Adeus Guiné
Serás sempre Portugal
e se aumentar o teu mal
eu virei para te salvar...

Julgo que parte seria assim, pois passávamos a vida a cantar isto, gozando claro está.
A par com o conjunto da Maria Albretina, salvo o erro, da música, "eram praí sete e picos, oito e coisa nove e tal" era a, podemos dizer, música "pimba"! da altura.

Quem tem o disco, poderia transcrever aletra para ficar para a posteridade.

Ao que me lembro quem escreveu a letra teria estado na Guiné.

É uma homenagem merecida, embora não fosse a música que ouviamos, era com certeza uma música que cantávamos a par com o "Periquito vai no mato" e outras "pérolas musicais" da "militarança" em comissão na Guiné.

Abraço camarigo
Joaquim Mexia Alves

Luís Graça disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Luís Graça disse...

No blogue da CCAÇ 3491 (Dulombi, 1971/74), criado e mantido pelo nosso camarada Luís Dias (ex-Al Mil), deparaei com esta paródia da letra do "Adeus Guiné". Era uma prática frequente: pegávamos numa música conhecida, parodiávamos a letra, e, zás!...

Era sucess garantido: para autoconsumo, para criticar os superiores hierárquicos, para afugentar os fantasmas, os medos, os irãs... ou, simplesmente, por bravata, para acagaçar 'periquitos'...

ADEUS GUINÉ

É o fim do castigo
Terminou a comissão
É necessário gritar
“Piras”! Não venham
Deixem isto acabar
Morrer de tédio
Sem remédio
Isto é vida de cão
A velhice vai embora
Enquanto a bajuda chora
E a nau está a naufragar

Adeus Guiné!

Grita se quiseres
Se te apraz
Se te sentes feliz
Se isso te satisfaz
Eu não quero continuar de verde-claro
Saí do Dulombi!
Deixei Galomaro!

Sofre-se porquê? Se não mereces tal sacrifício
Ou é apenas vício?
Tu não sabes o que andas a fazer ou afinal até sabes….!
Espero que de mim só leves suor e muitas lágrimas
Cheira bem, cheira a Lisboa!
Aqui o tempo está parado
Lá parece que voa

Sabes como é
Tudo é finito
Assim solto meu grito
Ponho-me de pé
Atraca o navio. É hora de embarque
Viro as costas ao cais
Aqui não volto mais
Não há lágrimas em destaque

Adeus Guiné!

(Reproduzido por L.G., com a devida vénia... Temos que pôr a letra no nosso blogue, na série Cancioneiro de Dulombi)


http://wwwccac3491guine7174.blogspot.com/2008/07/histria-do-regresso.html

joão coelho disse...

Havia outra, que não sei se ficou conhecida na Guiné, que também fez sucesso entre militares e familias. Era interpretada pelo conjunto de Oliveira Muge (de Moçambique) e chamava-se "A Mãe".

João Coelho

Anónimo disse...

Um grande abraço para todos vocês. nunca fui tropo, mas inflizmente tenho amigos que perderam lá a vida.
em relação à canção, a mesma tem feito muito sucesso no meu programa de rádio, numa radio local aqui em Évora. As pessoas ouvem e repetem.
Se tiverem mais musicas dessa epoca e se quiserem podem enviar-me.
Bruno Moleiro
Catedral de Évora
7 000 - Évora