terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Guiné 63/74 - P7435: Os Nossos Seres, Saberes e Lazeres (26): Siga a Marinha (Torcato Mendonça)

1. Mensagem de Torcato Mendonça* (ex-Alf Mil da CART 2339 (Mansambo, 1968/69), com data de 12 de Dezembro de 2010:

Editores Camarigos
Neste dia e país cinzento e frio, veio a reportagem do Luís mostrar ventos de esperança passados.

A Marinha**, o mar que falas deu-me que pensar. Não posso e não devo estar muito tempo sem ver e sentir o mar. Nasci a uma centena de metros dele. Habito, algum tempo por ano com essa paisagem que envio. Noutra, nas outras que igualmente seguem.

Descansava, na Costa Alentejana, em pleno inverno a ver, de dentro do carro ou caminhando pelas falésia, a ver o mar revolto. Assim me aclimatei, meditei e, em parte, me encontrei para voltar a enfrentar a vida civil.

Descia, em certas noites ao Algarve e o carro, qual cavalo amestrado, trazia-me de regresso, manhã cedo a casa. Mesmo cá, anos depois, "atava-o" e esquecia-me onde. Tempos de adaptação, tempos longos, demasiado longos.

Que tem isto a ver com com o blogue? Só porque no comentário ao belo escrito do Luís Graça saí das regras. Vendo bem, talvez não.

Tenho o direito de não gostar dos ingleses, de discordar com Berlim e a Convenção Colonialista que esventrou todo um Continente. Pior, bem pior, criou, anos depois aquando das ditas independências, pequenos déspotas ou ditadores uns já desaparecidos, outros em corruptos poderes.
Lastimo que alguns aqui, neste nosso País, se tenham acoitado. Outros aqui são elegantemente recebidos e seus lacaios têm as honras a serem principescamente adulados... os dólares. Não só. A falta de vergonha ou remorso estúpidos. De tudo um pouco e o lusitano porreirismo.

Curiosamente a nossa colonização foi mais suave. Sempre má evidentemente. Séculos de exploração, gastos em deboche e por outros.

A questão do dito "Mapa Cor de Rosa" é uma utopia bacoca. Contudo não merecia o tratamento que teve. Tempos que havia mais união entre nós. Seria assim? Hoje nesta sociedade de clique e informação instantânea não me parece haver essa união.
Vejam a hipocrisia da revelação de certos segredos... e tomam-se medidas repressivas contra as denuncias? Mas o denunciado está correcto? Claro que prefiro viver na Europa... do que em certas democracias ou mesmo em estados mandantes deste mundo. Porca vida ou vice-versa.

Tentarei ir ver essa exposição... por mim, a Marinha, a nossa sempre me orgulhou.

Não sou Patrioteiro... eiros ou otas, não obrigado

Fui deslizando e certamente não vão ler, até porque saí do tema. É do tempo e da idade.

Abraços do Torcato

Old Seaman

My life Sea or Landscape

Gardunha Rainbow

Gardunha Winter
__________

Notas de CV:

(*) Vd. poste de 9 de Dezembro de 2010 > Guiné 63/74 - P7407: (Ex)citações (118): O ventre da guerra na zona leste (Luís Graça / Torcato Mendonça / Carlos Marques Santos)

(**) Vd. poste de 12 de Dezembro de 2010 > Guiné 63/74 - P7423: Agenda Cultural (94): A exposição A Marinha na República, Museu da Marinha, em Lisboa, Belém, até ao dia 5 de Janeiro de 2011 (Luís Graça)

Vd. último poste da série de 12 de Dezembro de 2010 > Guiné 63/74 - P7424: Os Nossos Seres, Saberes e Lazeres (25): Segunda parte do filme do meu tempo de tropa (Alcides Silva)

6 comentários:

Anónimo disse...

Caro Torcato,

também gostei e muito da tua mensagem.

Lá dizia o poeta: Ó mar salgado.......lágrimas de Portugal.

O velho abraço,

Mário Fitas

Anónimo disse...

Amigo Torcato,
Pouco ou nada tenho a ver com o que acaba de transmitir. Não nasci junto ao mar, gosto do mar, talvez de maneira diferente. Nasci na cidade onde nasceu Portugal e isso sim, gosto do meu Portugal.
Com amizade
Filomena

Torcato disse...

Nasci junto ao mar. Fui criado, em menino e moço, mais na planície do Mário Fitas. Terras de Moirama,ou Mourama, terras de gentes sonhadoras, da poesia, do canto,de tanto mais.
Isto é um escrito de mail e de ditos a merecerem,aqui, reparo...era mais um escrito de resposta á Expo da Marinha ao escrito do Luís Graça. Mas gosto do mar e viver sem ele por muito tempo, é ,isso sim para mim,tormento.
Não sei onde nasceu Portugal. Digamos que foi aí, onde quase de certeza indica e quase todos o dizem, e foi-se estendendo por terras de árabes e moçárabes...com ajudas de cruzados e não só, por tempos e tempos até ser o Portugal de hoje. Eu gosto e sinto muito o meu País e digo sempre fora dele - sou Português. Só uma vez ou duas me trataram menos correctamente.
Ab do T.

Anónimo disse...

Amigo Torcato

Essa foto da praia, contrasta maravilhosamente com as temperaturas actuais...no Fundão, no nosso Alentejo, já sem falar mais a Norte.
Mas, o que é certo é que (temos tudo) neste nosso País à beira-mar plantado.
Primaveras lindas!
Verões para bronzear!
Outonos de encantar!
Invernos de gelar!
E cada um de nós pode escolher a sua estação preferida.
Eu...gosto de todas!

Um abraço da

Felismina Costa

Anónimo disse...

Olá patrício, amigo e camarada, Torcato Mendonça, saudações.

Gostei das tuas divagações, porque ao serem atarraxadas ficaram apimentadas e assim como também de gostares de presenciar o mar. Penso eu, da nossa bela Baia de Armação de Pera.

Apresentas uma foto com uma panorâmica de Armação de Pera, presumo que sejas natural desta bela Vila.

No entanto porque antes escreveste em comentário, que vieste ao Mundo entre Lagoa e Silves,e não sei qual o Concelho.

Coloca lá a escrita em ordem, para depois irmos beber uns copos.

Com um Abraço
Arménio Estorninho.

J.Belo disse...

Caro Torcato Amigo. Muitas vezes me pergunto se haverá (ou näo) algo de demasiado péssimista quando o Poeta escreve:"O meu País é o que o mar näo quer"! Um grande abraco.