sábado, 18 de janeiro de 2014

Guiné 63/74 - P12597: A cidade ou vila que eu mais amei ou odiei, no meu tempo de tropa, antes de ser mobilizado para o CTIG (2): Caldas da Rainha, a cidade onde estava sediado o Regimento de Infantaria 5, onde era ministrado o Curso de Sargentos Milicianos (Carlos Vinhal)

1. Dando cumprimento ao desafio do Editor Luís Graça, vou falar, não da cidade que mais amei ou odiei, mas de todas cidades (vilas e/ou lugares) onde estacionei no meu tempo de tropa, antes de embarcar para a Guiné.
Gostei de todas elas porque nenhuma tinha culpa da minha situação, temporária, de militar em trânsito. De todas me ficaram boas e más memórias.



Começarei pela cidade das Caldas da Rainha, onde assentei praça no RI5 como Soldado Instruendo do CSM.

Acho não ficar mal confessar que antes de ir para a tropa, o mais a sul que tinha ido, tendo como referência a minha residência no concelho de Matosinhos, fora Fátima com os meus pais, aos 10 anos de idade, no ido ano de 1958.

Ir para as Caldas, no dia 21 de Abril de 1969, tornou-se portanto uma aventura, minimizada pelo facto de a viagem ser partilhada por largas dezenas, ou centenas, de mancebos que de todo o norte do país convergiram para a Estação de S. Bento a fim de apanharem o comboio-correio da meia-noite. Um grupo bem numeroso, onde eu me incluía, saiu de Leça da Palmeira no autocarro das 22 horas a caminho da cidade Invicta. Assim se iniciou uma longa viagem de quase 12 horas.

Não me perguntem como, mas sabíamos de antemão que tínhamos de fazer dois transbordos, um em Alfarelos para apanhar outra composição de um ramal que nos levaria até à estação de Lares, na Linha do Oeste, onde aguardaríamos por outro comboio que nos levaria finalmente às Caldas.

Tenho em memória que chegámos aos portões do RI5 por volta das 9h30 da manhã de 22, dia que me estava destinado para comparecer no quartel, tendo grande parte do grupo entrado de pronto porque nos disseram que se esperássemos pela tarde, a confusão seria mais que muita.

Vamos saltar as peripécias militares, para aqui não chamadas, e vamos falar da terra propriamente dita.

Ao tempo a cidade era relativamente pacata, destacando-se o velho Hospital Rainha D. Leonor, localizado no frondoso Parque D. Carlos I, o Parque propriamente dito e as várias lojas de artesanato, mais ou menos atrevido, que explorámos nos tempos livres.

Hospital - Foto: http://images.fineartamerica.com/, com a devida vénia

Famoso era também o Café Zaira(*), situado na Praça da República, onde não passávamos muito de perto já que junto ao vidro, do lado de dentro, costumavam sentar-se os oficiais, o que nos obrigava a constantes e arreliadoras paladas.
Diga-se em abono da verdade que no belíssimo Parque acontecia o mesmo, já que era vulgar encontrar muitos oficiais a passear, acompanhados de suas famílias. Como bons recrutas que éramos, o melhor era bater continência a tudo o que tivesse divisas, fosse bombeiro ou porteiro de hotel.
Nesta mesma Praça realizava-se, e julgo que ainda se realiza, o afamado mercado da fruta das Caldas da Rainha, mais um ex-libris desta cidade.

Mercado da Fruta - Praça da República - Foto: EU GOZEI A MINHA ADOLESCÊNCIA NAS CALDAS DA RAINHA NOS ANOS 70 E 80, com a devida vénia

Como bom militar tem de ser bom garfo, lembro o restaurante que frequentávamos quando o rancho não era a contento. Não me lembro do seu nome, também já não existirá, mas da empregada, a Tininha(?), uma jovem que nos atendia com especial carinho, talvez por saber que no quartel se comia muito mal. Que belos bifes com ovo a cavalo, guarnecidos generosamente com batatinhas fritas, arroz e salada. Era o nosso prato favorito. Ainda lhe sinto o cheirinho.

A cidade das Caldas da Rainha tinha já, então, uma actividade cultural e desportiva interessante. Nunca mais esqueci o Museu José Malhoa que revisitei mais recentemente, assim como os torneios de ténis de mesa, uma modalidade ali muito acarinhada, praticada num pavilhão existente dentro do Parque.

Museu de José Malhoa - Foto Wikipédia, com a devida vénia

Já aflorei o artesanato local, que não se limitava só às malandrices que mais aguçava a nossa curiosidade. Eram muitos os estabelecimentos de venda de olaria, verdadeiras montras de obras de arte confeccionadas por gente anónima nas inúmeras fábricas e ateliês que transformavam o barro em peças únicas.

Uma das mais belas recordações que guardo desta magnífica cidade foi o desfile que fizemos no Dia de Juramento de Bandeira(?), ao longo das suas ruas, com as varandas das casas engalanadas com colchas multicolores e as pessoas acenando à nossa passagem. Foi um adeus sentido de parte a parte.

Na tarde do dia 5 de Julho, em que apanhámos o comboio com destino a Lisboa, a caminho de Vendas Novas, já sentia saudades daquela terra e daquela gente.

Do RI5 não guardo boas recordações, pela má comida e porque alguns oficiais e sargentos não distinguiam a disciplina militar da prepotência e do abuso da autoridade que, julgavam, os galões e as divisas lhes conferiam.
Eram um verdadeiro vexame aquelas formaturas de revista, de hora a hora, após o toque de ordem, para podermos sair e ir dar uma volta pela cidade e comer alguma coisa de jeito. Por tudo e por nada nos mandavam para trás, o que acarretava nova tentativa uma hora depois. Estávamos assim à mercê do bom ou mau humor do Oficial de Dia.

Fica desde já aqui registado que em Vendas Novas, na Escola Prática de Artilharia, a disciplina era mais severa e a instrução militar, de longe, muito mais dura, mas éramos tratados com respeito.

Carlos Vinhal
Ex-Fur Mil
CART 2732
Mansabá
1970/72

OBS: - As interrogações são fruto de alguma incerteza, volvidos que são quase 45 anos. Aceitam-se as devidas correcções.

(*) - Nome do café rectificado por indicação do camarada António Ribeiro
____________

Nota do editor

Último poste da série de 17 de Janeiro de 2014 > Guiné 63/74 - P12594: A cidade ou vila que eu mais amei ou odiei, no meu tempo de tropa, antes de ser mobilizado para o CTIG (1): Espinho, Porto, Tavira e Torres Novas (José Martins)

13 comentários:

Luís Graça disse...

Obrigado, Carlos, por este ternurento "postal ilustrado" das Caldas da Raínha que também foi o meu primeiro "destino turístico" na tropa...

De facto, lá fiz a recruta em 1968... Por lá já tinha passado o meu pai, em 1941, antes de ir parar a Cabo Verde... Com uma diferença: ele ia e vinha... de bicicleta...

A única vantagem, em relação a ti, é que eu estava a 35 km de casa, que fica mais a sudoeste, na Lourinhã... Quanto ao resto, o mais norte que eu tinha ido, aos 16 anos, tinha sido a Murtosa, no distrito de Aveiro, numas férias de verão... E, mais a sul, a Lisboa, a 70 km de casa...

Assino por baixo o que escreves sobre o ambiente no CISM, e o seu "militarismo", balofo, ridículo, de gente pequena...

Quanto à cidade, o teu postal merece nota máxima!... Esqueceste-te das cavacas das Caldas, que a gente comprava para levar à família...no caso de ter a sorte de apanhar um fim de semana livre, conforme os bons ou maus humores do oficial de dia...

Venham mais "postais ilustrados"!... Ab. LG

tony Borie disse...

Olá Carlos.
Este, é o segundo comentário, pois o primeiro desapareceu, talvez estivesse com sono, pois aqui é madrugada, e carreguei no botão errado do computador!.
A maneira como descreves esta passagem da tua vida enquanto jovem, sem dúvida que me faz lembrar a minha.
Então aquela parte onde descreves que "…eram dezenas, talvez centenas de jovens, que vinham do norte no "comboio-correio da meia noite"!.
Às vezes interrogo-me, pois segundo creio, o comboio era o meio oficial de transporte dos militares, e como fariam aqueles que viviam nos locais remotos de Portugal, onde não havia caminho de ferro.
A maneira como descreves a actividade comercial da cidade, os restaurantes, onde ainda te lembras do nome da moça que te atendia, e da comida, são pequenos pormenores "gratificantes", na vida de um militar, que sabia que o seu destino era lá na "puta" da guerra.
Agora as "paladas", era um problema que me afligia, pois eu não gostava nada dessa reverência àquelas pessoas que no dizer dos regulamentos militares, eram superiores!
Um abraço.
Tony Borie.

Carlos Esteves Vinhal disse...

Caro Tony, o comboio-correio que saía à meia-noite de S. Bento, com destino a Santa Apolónia, era diário e levava quem nele entrasse com o respectivo bilhete. Que os militares o escolhiam especialmente, era verdade, principalmente ao fim de semana. Havia sim um especial de militares a partir da Estação das Devesas (V.N. de Gaia) às 23h30 de domingo. Era neste que eu ia para o Entroncamento enquanto estive em Tancos a tirar o curso de minas e armadilhas. Este comboio era muito rápido porque não parava em todas as Estações.
Se bem te lembras os militares pagavam um preço reduzido quando viajavam por sua conta, e de graça quando munidos de uma guia de transporte que se trocava nas bilheteiras.
Abraço
Carlos Vinhal
Leça da Palmeira

Luís Graça disse...

A mobilidade (espacial e social) da população portuguesa até meados da década de 1960 era muito limitada: a grande maioria nascia e morria no mesmo sítio. A tropa era a única maneira de os levar a "conhecer mundo"... A tropa e a emigração...

Por outro lado, nascia-se e morria-se dentro do mesmo grupo ou classe social... Não havia "classe média". Foi a educação que nos permitiu cortar o "cordão umbilical" socioespacial...

Até meados dos anos 60, quem tinha mobilidade espacial ? Poucos viajavam... E o único transporte público nacional, digno desse nome, era realmente o comboio... Mesmo ronceiro, cruzava o país de norte a sul e a leste a oeste...

O carro, individual, era um luxo: o modesto Fiat 127 custava, no final dos anos 60, qualquer coisa como 60 contos...

Na realidade. a guerra de África, mobilizando uma geração inteira, foi também uma pedrada no charco... Um fator de mobilidade socioespacial...Os do norte vieram para o sul, os do sul para o norte... E depois para África...

Ao mesmo tempo, redescober-se os caminhos dolorosos da emigração, para a França, "a salto", e outros países (Alemanha...). 200 mil terão fugido à guerra... 800 mil foram parar a Angola, Guiné, Moçambique, depois de terem feito, muitos deles, a "volta a Portugal" em escassos... No mínimo, conhecemos, três ou quatro cidades ou vilórias antes de apanhar o barcvo para África, em Lisboa... Ou no Funchal... Ou em Ponta Delgada...

Enfim, é apenas um pequeno apontamento, algo melancólico, para situar esta nova série, a que o José Martins e o Carlos Vinhal já deram o seu generoso e inspirado conributo... Agora é só seguir a "picada", camaradas!

Anónimo disse...

(...)
O café "Zaira" e não "zaire" encerrou o ano passado. O "Casino" que existia no Parque D. Carlos I, também encerrou há anos atrás. Ambos, à época, eram frequentados pela "fina flor" das Caldas, incluindo os oficiais do então RI5, hoje Escola de Sargentos do Exército.
Eu, caldense, percorri o RI5 (CSM), EPA - Vendas Novas (CSM), RAL4 - Leiria e BAC - Guiné.
Na Guiné estive em "manga" de sítios: Cufar, Catió, Gadamael, Guileje, Mejo (quase 10 meses), Aldeia Formosa, Tite, Xime e outros tantos lugares.
"Andei" com obuses 8,8; 10,5 14cms.
Um abraço para todos os ex-camaradas que passaram pela Guiné. Guiné que só sai dentro de nós quando marcharmos ...
António Ribeiro (ex-fur. mil. artª.

Carlos Esteves Vinhal disse...

Muito obrigado ao camarada António Ribeiro pelo nome correcto do café Zaira.
Não quer "aparecer" no blogue e contar-nos as suas memórias referentes à sua passagem pela Guiné?
Abraço
Carlos Vinhal

José Pedro Neves disse...

Amigo Carlos Vinhal, obrigado por me trazeres á memória, a tua passagem pelo RI5, nas Caldas da Rainha, práticamente em tudo igual á minha passagem pela mesma Unidade Militar e até na referencia ao restaurante, que possivelmente seria o mesmo, que frequentei, porque a empregada, também muito simpática, baixinha e roliça, sempre preocupada se estávamos satisfeitos. Esse restaurante, que não sei se ainda existe, ficava numa rua interior, do lado esquerdo, antes do largo onde faziam a feira da fruta, mas não me lembro do nome.
No meu tempo de recruta, estava lá um Tenente, de nome Varela, que era o "terror" dos Instruendos e quando ele estava de Oficial de Dia, eu nunca metia dispensa de recolher, para não lhe dar o prazer de me mandar para tráz, como fazia a quase todos os que se apresentavam para a revista. Gostei da terra e das suas gentes. Obrigado mais uma vez Carlos, pelo postal ilustrado das Caldas da Rainha e do RI5. Um Abraço e Bjs. da Ana, para ti e para a Dina.

António Duarte disse...

Obrigado pelo teu texto. Também eu fiz Caldas em jan de 71 e depois Vendas Novas em abril, também de 71, para fazer a especialidade de atirador.
Almocei no dia 11 de jan de 71, no tal Zaira. Partilho da opinião que nas Caldas havia uma concentração anormal de oficiais idiotas e que visavam a humilhação dos instruendos. Ainda hoje recordo com apertos de estômago o ter andado a apanhar beatas na parada, da parte debaixo, a uma sexta feira à tarde, porque o capitão assim o determinou. Já em Vendas Novas era gente com nível. Me desculpem os infantes, mas sou levado a partilhar a opinião do Marechal Spínola, de que até prova em contrário, qualquer oficial de infantaria era incompetente.
Obrigado Carlos pelo post.
António Duarte -guiné dez de 71 a jan de 74
CART 3493 e CCAÇ 12

António Duarte disse...

Obrigado pelo teu texto. Também eu fiz Caldas em jan de 71 e depois Vendas Novas em abril, também de 71, para fazer a especialidade de atirador.
Almocei no dia 11 de jan de 71, no tal Zaira. Partilho da opinião que nas Caldas havia uma concentração anormal de oficiais idiotas e que visavam a humilhação dos instruendos. Ainda hoje recordo com apertos de estômago o ter andado a apanhar beatas na parada, da parte debaixo, a uma sexta feira à tarde, porque o capitão assim o determinou. Já em Vendas Novas era gente com nível. Me desculpem os infantes, mas sou levado a partilhar a opinião do Marechal Spínola, de que até prova em contrário, qualquer oficial de infantaria era incompetente.
Obrigado Carlos pelo post.
António Duarte -guiné dez de 71 a jan de 74
CART 3493 e CCAÇ 12

antonio graça de abreu disse...


Isto de ir parar às Caldas, terra de gente dura, tesa e mole, tem toneladas de histórias para contar.
Da minha parte, apenas dois apontamentos.
1-Os meus pais eram de Lisboa, a família lisboeta era, mas nasci e cresci (até aos 18 anos) no meu querido Porto, terra, amigos e cidade. Mas sou sportinguista, gosto do meu Sporting, de todo o meu Portugal, bem mais enriquecedor e bonito do que portos, benficas, mais uns tantos clubes regionais. Verde só há um, o da Natureza recatada e exuberante, e o das camisolas das gentes de Alvalade, mais nenhum.
Os meus pais, bons portugueses, nos anos cinquenta e sessenta do século passado, vinham frequentemente a Lisboa, no nosso Renault Joaninha, depois num Austin A 35. E costumávamos parar nas Caldas, para atestar o carro com fruta e legumes de excepcional qualidade, comprados no Mercado da Fruta, ali na praça no centro das Caldas.
Nunca mais esqueci.
2-Há uma dúzia de anos atrás, fui convidado pela Associação Portuguesa dos Professores de História para, no seu Congresso Anual, realizado nas Caldas da Rainha, no Museu Rafael Bordalo Pinheiro, dizer umas palavras sobre a China Antiga, a propósito da inauguração de uma exposição de peças, vasos, recipientes, cálices em bronze, disponibilizada pela Embaixada da República Popular da China em Portugal. Eram tudo cópias recentes de elaboradas peças a apontar para um passado de 25 séculos. Lá fiz a palestra, o meu trabalho possível de divulgação entre os professores de História da maravilha dos antiquíssimos bronzes chineses.
Na inauguração da exposição, esteve presente o Embaixador da República Popular da
China em Portugal. Para chegar aos bronzes, atravessava-se parte de entrada do museu onde sobressaía num grande e excelente quadro do pintor Eduardo Malta, uma jovem impecavelmente despida, nua e doce mostrando todos os atributos que fazem do encantatório feminino o lado mais perfeito da espécie humana. Um corpo de jade e alabastro, um convite a todas as loucuras, reverências e silêncios.
O problema dos camaradas da Embaixada da China era o embaixador.
Não podia chegar ao Museu das Caldas e dar de caras com a nudez asfixiante, esfusiante, entusiasmante da mulher no quadro do Eduardo Malta. Queriam que ele entrasse por outra porta e passasse ao lado, queriam que ele não lobrigasse a menina nua.
Mas o senhor Embaixador da China avançou exactamente por onde devia e, pelo canto do olho, demorou-se quanto pôde, na contemplação do corpo perfeito da donzela lusitana.
A propósito de sexo nas Caldas, ou na China, das coisas do homem e da mulher, não resisto a transcrever dois poemas chineses, na minha tradução da 金瓶梅Jin Pin Mei, a obra clássica do erotismo chinês, atribuída com muitas dúvidas a Wang Shizhen (1526-1590). Aí vai. Depois digam-me se isto tem ou não ver com as coisas das Caldas e com as coisas de todo o Portugal ou toda a Guiné, ou seja, com as coisas de todo o nosso vasto mundo:

"A coisa, com seis polegadas"

Há uma coisa,
com cerca de seis polegadas,
às vezes mole, às vezes dura.
Quando mole, cai para leste ou oeste,
como um bêbado,
quando dura, viaja para cima e para baixo,
como um monge enlouquecido.
Tem talento para esgravatar qualquer buraco,
habita sob a região do umbigo,
no reino das Virilhas Fumegantes,
por natureza, faz companhia a dois filhos.
Sim, quantas vezes, a felicidade na luta
com uma mulher formosa?

da Jin Pin Mei


"A coisa, como uma flor de lótus"

Quente, firme, perfumada e húmida,
suave misteriosa e sensível,
tem lábios como flores de lótus.
Se feliz, mostra a língua,
abre a boca para sorrir.
Se cansada, adormece,
abandona-se ao desejo do homem.
Habita num antigo jardim,
numa encosta com erva,
no reino do Grande Regaço.
Quando encontra um macho possante
está pronta para a luta,
mas não diz uma palavra.

Um forte abraço do

António Graça de Abreu



antonio graça de abreu disse...

O Museu é José Malhoa e não Rafael Bordalo Pinheiro.
Mas fiz confusão, eram ambos homens de génio, de pincel na mão.

Abraço,

António Graça de Abreu

Hélder Valério disse...

Caros camaradas
Caro Carlos V

És 'mais velho', portanto é natural que o teu percurso militar tenha sido anterior ao meu.

Estiveste em vários locais, antes de ires para a Guiné, sendo que teremos em comum, pelo que me lembro dos teus relatos, o Perímetro Militar de Tancos, embora em tempos diferentes, como é natural.

Começas pelo princípio, isto é, pelas Caldas da Rainha, onde 'assentaste praça' para fazeres o 1º Ciclo do CSM.
E falas das Caldas, localidade, com pinceladas de ternura, com boas lembranças, principalmente das coisas que te marcaram de forma agradável.
O mesmo não se pode dizer de algumas situações passadas no 'interior dos muros do Quartel' mas o objectivo destes relatos não será tanto as 'experiências militares' mas principalmente como interagíamos com as localidades onde estávamos inseridos, quando era o caso...

Não fiz a tropa nas Caldas.
No entanto as Caldas da Rainha foi sempre, durante muito tempo, local de paragem 'obrigatória'. Como bom ribatejano, a praia, a praia do povo, era a Nazaré e a passagem, com a consequente paragem, nas Caldas das Rainha era rotineira.
Passar pelo mercado era agradável.
Passear no Parque era repousante.
Comprar cavacas era um hábito.
Mesmo mais tarde, quando ia à Foz do Arelho, também as Caldas estavam no caminho natural.
Curiosamente tenho um pequeno episódio passado nas Caldas já em tempos mais recentes (para aí há uns 30 anos ...) e que foi num daqueles dias em que o calor apertou e em que parece que a sede
não nos larga, nenhuma 'imperial' ('fino', para os portuenses) era capaz de aplacar a secura, quando num daqueles estabelecimentos da Avenida me convenceram a experimentar a beber uma Água Campilho... e não é que a sede foi-se?

Abraço
Hélder S.

David Guimarães disse...

Vinhal tantos fizemos lá a recruta... Contra o que tu dizes eu tenho saudades e isto deve ser sintoma de velhice.... Jamais me esquecei daquela lagoa pequena onde na corrida de fundo atravessávamos a correr e os calções e a camisola que eram brancas ficaram amarelas para sempre - eu na 2ª Companhia 3º Pelotão - abraço