quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Guiné 63/74 - P15435: Caderno de Memórias de A. Murta, ex-Alf Mil da 2.ª CCAÇ/BCAÇ 4513 (31) (2): Dia 24 de Abril de 1974, corte da estrada Nhala-Buba

1. Continuação da 31.ª Memória1 do nosso camarada António Murta, ex-Alf Mil Inf.ª Minas e Armadilhas da 2.ª CCAÇ/BCAÇ 4513 (Aldeia Formosa, Nhala e Buba, 1973/74), enviada ao nosso Blogue no dia 26 de Novembro passado.


CADERNO DE MEMÓRIAS
A. MURTA – GUINÉ, 1973-74

31 - Dias 23 e 24 de Abril de 1974 (2)


Da História da Unidade do BCAÇ 4513: 

ABR74/24 – Forças da 2.ª CCAÇ/4513, em reconhecimento à zona do pontão rebentado, detectaram o local onde estava instalado o GR IN, que montou segurança aos elementos que destruíram o pontão e pelos vestígios encontrados estimou-se o GR IN em 40 elementos, que após a acção, retiraram em direcção ao Unal.


Das minhas memórias: 

24 de Abril de 1974 – (quarta-feira). Corte da estrada Nhala-Buba

Ouvira-se na noite anterior uma explosão potente e não longínqua na direcção de Buba. Pensámos logo na estrada. Mas não tínhamos ninguém no mato e era já tarde, não havia pressa. Não recordo quem seguiu de manhã para o local mas, quando cheguei de Unimog, com pessoal que nem era do meu grupo, já havia uma equipa a trabalhar e já tinham retirado do buraco da estrada uma viatura da Engenharia. Tanto quanto recordo, a viatura vinha de Buba a grande velocidade e sem escolta. A estrada estava cortada em toda a sua largura. Concluiu-se que o condutor, naquela grande recta, não se apercebera a tempo do corte na estrada e batera com a cabina no fundo da cratera, tendo morrido. Estranhamente, a HU não faz qualquer alusão a este acidente nem à morte do condutor. Mas também as fotografias que possuo não esclarecem nesse sentido. A menos que o condutor já tivesse sido evacuado quando eu cheguei. E eu devo ter chegado muito tarde porque nem sequer estava de serviço, como se pode ver pela farda n.º 2 que envergava. A verdade é que sempre recordei este acidente com a morte do condutor e as dúvidas só surgiram, quarenta anos depois, ao conhecer a História da Hnidade. Mas a HU vale o que vale e a minha memória ainda menos. Seguem-se algumas fotografias desse episódio.

Foto 21 - 24 de Abril de 1974 – Recta na direcção de Buba, fotografada no local da sabotagem. 

Foto 22 - 24 de Abril de 1974 – Desvio a contornar o corte da estrada. 

Foto 23 - 24 de Abril de 1974 – Cratera no meio da estrada. 

Foto 24 - 24 de Abril de 1974 – Viatura da Engenharia já retirada da cratera. 

Foto 25 - 24 de Abril de 1974 – Eu, junto da viatura sinistrada. 

Foto 26

Foto 26 e 27 - 24 de Abril de 1974 – Preparação para içar a viatura. Seria depois rebocada para Buba. 

Foto 28 - 24 de Abril de 1974 – O meu regresso a Nhala com uma secção de pessoal (não sei de que grupo) que me acompanhara. 

(continua)

Texto e fotos: © António Murta
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Nota do editor

1 - Vd. poste de 1 de dezembro de 2015 Guiné 63/74 - P15432: Caderno de Memórias de A. Murta, ex-Alf Mil da 2.ª CCAÇ/BCAÇ 4513 (31) (1): Dia 23 de Abril de 1974, visita do General Bettencourt Rodrigues a Nhala

5 comentários:

Cesar Dias disse...

Nunca percebi bem a atitude do PAIGC em relação ás NT que lhes andava a asfaltar as estradas, no lugar deles deixava-os trabalhar, já que o desfecho seria o que se veio a verificar. Agora passados 45 anos, pouco mais fizeram. As fotos são familiares a todos quantos participaram nesse tipo de trabalhos.

Abraço

Carlos Esteves Vinhal disse...

Caríssimo César Dias, e nós que o digamos porque passámos das boas na asfaltagem do troço da estrada Bironque/K3. Completámos talvez o maior trajecto asfaltado da Guiné, à época, que ia de Bissau ao Cacheu, em frente a Farim, numa extensão de cerca de 120Km, calculado a olho, por mim, aqui em Leça da Palmeira.
Que restará dessa estrada que tanto sangue custou?
Abraço
Carlos Vinhal

Luís Graça disse...

César, a verdade é que a TECNIL, empresa portuguesa do "antes", continuou a trabalhar no "depois"... A TECNIL abriu estradas no leste, e também foi alvo de ataques do PAICC...Mas foi convidada a ficar depois da independência... Relê os depoimentos do Antº Rosinha, que foi tópógrafo da TECNIL no tempo do Luís Cabral...

Anónimo disse...

Pois é, estradas era coisa que não interessava nada ao PAIGC, nem interessou jamais a guerrilheiros. Depois de se iniciar uma luta de guerrilha, na perspectiva do guerrilheiro, quanto pior melhor porque o que interessa é demonstrar que a presença da potência colonial só prejudica. Naquela fase da guerra o que lhes interessava era acelerar a chegada às cadeiras da governança.

uM ABRAÇÃO

Carvalho de Mampatá.

Antº Rosinha disse...

A Guiné foi usada como primeira pedra do dominó.

Os cubanos e os russos sabiam que era o mais barato, assim como os suecos, derrubar essa pedra a Guiné.

Em Angola fizeram-se milhares de quilómetros de estradas e dezenas de pontes sem protecção militar, exceptuando o Norte dos turras da UPA, e mesmo aí, trabalhou-se intensamente sem grande perigo.

Sem falar nos serviços agrícolas, geologia e minas etc.

Em Moçambique, Cabora Bassa, construiu-se e ainda lá está, no entanto era em Mueda, a vários quilómetros que os turras chateavam mais.

A Guiné tem muito que "agradecer" aos seus amigos cubanos, russos e suecos, os colonizadores que nos substituiram e que Amílcar convocou.

A história demora a ser compreendida, mas como não temos mais que fazer, entretenhamo-nos a esclarecer.