domingo, 8 de janeiro de 2017

Guiné 61/74 - P16930: Estórias cabralianas (93): Porra, meu Alferes, não sabia que os Turras também tinham Mãe!?! (Jorge Cabral)


Guiné > Região de Bafatá > Setor L1 (Bambadinca) > Pel Caç Nat 63 (Fá Mandinga e Missirá, 1969/71) > Ao centro, de pé, o alf mil art Jorge Cabral que, entre outros muitos interesses, também era cinéfilo..

Foto: © Jorge Cabral (2005). Todos os direitos reservados.


1. A primeira mensagem do ano, do nosso "alfero Cabral"

Data: 6 de janeiro de 2017 às 19:26

Assunto: Estória

Ao fim de quase 50 anos, a minha Amiga Cinéfila, devolve-me as 23 cartas que lhe escrevi de Missirá. Eis uma, mas há mais...
ABRAÇO!



2. Estórias cabralianas (93): Porra, meu Alferes, não sabia que os Turras também tinham Mãe!?

por Jorge Cabral

NI-OI, NI-OI, NI-OI… Continuamos Amigos e Cinéfilos, Dalila.Tu vês filmes, eu, entro neste, tragicomédia que nunca mais acaba…

Desta vez houve guerra, dois mortos em Salá, mesmo junto a um limoeiro. O milícia Demba pisou uma mina reforçada e desapareceu da cintura para baixo. Os gajos abriram fogo e o meu soldado Guiro de rajada lerpou um turra, de pistola à cinta. 

- NI-OI, NI-OI,NI-OI… - berrava o turra. 
- O que é que o gajo diz - perguntou o Cabo Gaspar.
- É Balanta, está a gritar pela mãe. 

Improvisada uma padiola, lá os levámos aos dois, lado a lado, o milícia Fula e o turra Balanta…
À noite ao jantar o ambiente era pesado. Eis quando, o Cabo Gaspar se interroga:
- Porra, meu Alferes, não sabia que os Turras, também tinham Mãe?!

(...) Bacalhau ensaboado e os Três Reis Magos. Poucos são os Natais de que me lembro. E no entanto, já passei mais de setenta. Mas este, Missirá 1970, nunca esqueci. Tínhamos bacalhau. Tínhamos batatas, Fomos tarde para a mesa, a mesma de todos os dias, engordurada, sem toalha. Chegou o panelão fumegante e começámos.
– Caraças!, o bacalhau sabe a sabão! – disse o Branquinho. (...) 

3 comentários:

Tabanca Grande disse...

Alfero, devias ter declamado nessa noite o "Cântico Negro", do José Régio:

Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

... Acredito que alguns de nós, "tugas", achassem que o Zé Turra não tinha mãe, nem pai, muito menos alma...

Fico em pulgas por conhecer o resto dos "aerogramas" que trocaste com a tua amiga "cinéfila", Dalila... Tu, amamate da 7ª arte, afinal foste um sortudo: tinhas em Missirá (e am Fá) filmes "à borla", de todos os géneros, de guerra, comédia, ficção, amot, aventuras... E ainda por cima (ou por baixo) uma Dalila... Estavam na moda as Dalilas, nesse tempo... Não conheci nenhum a não ser da Bíblia, a que seduziu seduziu e traiu o juiz Sansão. Ah!, a do Tom Jones (1968)...

https://www.youtube.com/watch?v=Ky5OZvFBFkA

Abraço, faltam 7 estórias opara chegar às 100... Luis

Juvenal Amado disse...

Tanto nos contas nestas meia dúzia de linhas alfero Cabral.

Obrigado por mais este testemunho

Um abraço

Anónimo disse...

Mas filhos da "pata que os pôs" seriam todos eles!

Jorge Santos