segunda-feira, 5 de junho de 2017

Guiné 61/74 - P17434: Efemérides (255): centenário do nascimento do escritor, investigador e professor de literatura africana de expressão portuguesa, o leiriense Manuel Ferreira (1917-1992), capitão SGE reformado, ex-furriel miliciano, expedicionário em Cabo Verde, São Vicente, Mindelo, mobilizado em 1941 pelo RI 7 (Leiria)...Também fez comissões na Índia (1948-54) e em Angola (1965-67). "Creio que se pode perceber que estamos perante uma trajectória humana singular" (disse-nos o seu biógrafo, João B. Serra)




T/T Vera Cruz > A caminho de Angola > Em primeiro plano, o ten SGE Manuel Ferreira a bordo do paquete Vera Cruz em agosto de 1965 a caminho de Luanda. Cortesia de João B. Serra.

Foto (e legenda): © João B. Serra (2017). Todos os direitos reservados


1. Nota elaborada com dados fornecidos ao nosso blogue pelo programador cultural João B. Serra, natural das Caldas Rainha, historiador, professor coordenador do Instituto Politécnico de Leiria, e a quem foi cometida, pela autarquia de Leiria,  a missão de a realizar, em tempo recorde, uma exposição comemorativa dos 100 anos do nascimento do escritor leiriense Manuel Ferreira (1917-1992).


Manuel Ferreira (Gândara dos Olivais, Leiria, 1917- Linda a  Velha, Oeiras, 1992), conhecido como escritor, investigador e professor de literatura africana de expressão portuguesa, completaria 100 anos no próximo 18 de Julho.

Mas fez também carreira como militar, faceta que é menos conhecida: foi 1º cabo, furriel, 2º sargento, 1º sargento e, depois, alferes, tenente e capitão SGE,  tendo portanto frequentado a antiga Escola Central de Sargentos  (ECS) (, criada em 1896, em Mafra, tranferida depois para Águeda em 1926, transformada em estabelecimento em ensino superior, em 1977, com a designação de Instituto Superior Militar, e entretanto desativada, no início dos anos 90, para passar a existir, a partir de 1966, na Amadora,  o Instituto Politécnico do Exército).  Passou à reserva no posto de capitão, em 1974.

O Manuel Ferreira, órfão muito cedo,  de pai (que era ferroviário), alistara-se no exército em 1933, ainda menor, com 16 anos. Vai para Coimbra, cujo ambiente estudantil o fascina.   Completa o curso comercial. Mas quatro anos depois, envolve-se nas contestações à reforma (salazarista) do exército. Em julho de 1938,  com 21 anos, com o posto de 1º cabo,  é detido e colocado, no Porto, às ordens da polícia política. Transferido para Lisboa, para a prisão do Aljube, é julgado pelo  Tribunal Militar Especial de Santa Clara, um ano depois, sendo  absolvido, mas acaba por ser expulso das fileiras do exército. Entretanto, o tempo de prisão foi importante para ele em termos de formação político-ideológica,

 Regressa a Leiria e ajuda nos negócios do irmão até que,  em 1940, em plena segunda mundial,  volta ser chamado às fileiras do exército, E mobilizado, em 1941, para Cabo Verde.

O 1º cabo, promovido depois a furriel miliciano, Manuel Ferreira,  foi contemporâneo de alguns dos nossos pais, expedicionários em Cabo Verde durante a II Guerra Mundial, Esteve lá, na ilha de São Vicente, no Mindelo, cerca de seis anos,  de finais de 1941 até 1946. Foi mobilizado pelo RI 7 (Leiria), cujas forças (1º batalhão) ficaram aquartelada na zona de Chão de Alecrim enquanto o 1º  batalhão expedicionário do RI 5 (Caldas da Rainha)  estava estacionado na zona do Lazareto.

 Aproveita o tempo dessa comissão de serviço militar para continuar a estudar. Em 1944  concluirá o curso liceal (secção de letras), no liceu Gil Eanes, no Mindelo, A sua futura mulher, e também, escritora, notável contista, Orlanda Amarílis (1924-2013), natural de Santiago,  era da turma do Amílcar Cabral (1924-1973), natural da Guiné (Bafatá), mas filho de pais cabo-verdianos,

Casaram, Manuel Ferreira e   Orlanda Amarílis, em 1945. O seu primeiro filho ainda nasce no Mindelo.  Um dos professores que o marcou muito foi o escritor e linguista Baltazar Lopes, mas também Aurélio Gonçalves, aliás primo de Orlanda. Em contrapartida, Manuel Ferreira (que veio de licença de férias a Portugal em 1944, tendo aqui editado o seu primeiro livro, "Grei", coletânea de contos) terá sido o primeiro ou um dos primeiros (, a par de outros expedicionários)  a introduzir na ilha de São Vicente, a mais aberta e cosmopolita, as obras da nova geração de escritores portugueses, da escola neo-realista (como o Alves Redol, o Mário Dionísio e o Manuel da Fonseca). E começou, também ele, a dar os primeiros passos na ficção.

Este período é muito marcante (e decisivo) na sua vida.  A sua memória de Cabo Verde, a singularidade do crioulo, a "morabeza" do  seu povo, a sua cultura, a sua literatura, a sua música, as suas paisagens,  as suas tragédias (a seca, a fome, a emigração...), passam a fazer parte das vivênvias do homem, do cidadão e do escritor, das suas preocupações e áreas de trabalho intelectual e literário. Descobre em Cabo Verde uma segunda pátria. Ele é, de resto, um dos cofundadotes e animadores da revista literária "Certeza" (1944), de vida efémera (mas com impacto na vida cultural da ilha). (Publicaram-se dois números, o 3º terá sido proibido pela censura.).




Cabo Verde > São Vicente > Mindelo >  9/11/2012 > 11h11 >  Baía do Porto Grande e Monte Cara, ao fundo. 


Foto: © João Graça (2012). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem: Blogue Luís Geraça & Camaradas da Guiné]



 Cabo Verde > Ilha de São Vicente > Mapa de 2007, da autoria de Francisco Santos. Imagem copyleft (Fonte: Cortesia de Wikipédia. Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Cabo Verde > Ilha de São Vicente > s/l > Ribeira de Julião (?) > Legenda no verso: "Jantar em San Vicente, Nosse terre. Nativos em festa. Recordações da minha estada em C[abo] Verde (Expedição). 1941-1943. Luís Henriques". Provável Foto Melo.

Foto: © Luís Graça (2006). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem: Blogue Luís Geraça & Camaradas da Guiné]


Regressado ao continente em 1946, Manuel Ferreira é colocado no RI 7 (Leiria), Em 1947, publica na revista coimbrã "Vértice", em duas partes, um texto, pioneiro,  dedicado à literatura cabo-verdiana. Em 1948 edita, em Leiria, o livro "Morna: Contos Cabo-verdianos". Em 1947 tinha saído essa obra de referência da literatura cabo-verdiana que é o "Chiquinho", de Baltazar Lopes (Caleijjão, São Nicolau, 1907- Lisboa, 1989.)

 Como cidadão, e apesar de ser militar, também mantém relações com personalidades da oposição democrática, do MUD Juvenil, numa  época, o pós-guerra, em que ainda havia fortes esperanças no fim da ditadura salazarista. Naturalmente, a PIDE  vigia-o.

Em abril de 1948 é enviado para a Índia. Acompanham-no a mulher e o filho. Irá lá ficar até fevereiro de 1954. Manuel Ferreira, já com o posto de sargento, prossegue em Goa os seus estudos. Em 1949 conclui no liceu Afonso de Albuquerque a secção de ciências. Em 1952 fica diplomado com o curso de Farmácia da Escola Médico-Cirúrgica de Goa, enquanto por seu turno  Orlando tira o curso de professora primária na Escola do Magistério. Em 1949, tinha nascido o segundo filho do casal.

Regressa a Portugal em 1954. É colocado no R I 5, nas Caldas da Rainha, já só com funções de secretaria. E esse vai ser um período de grande grande produção literária, [Presumimos que tenha sido neste período, que o Manuel Ferreira frequentou a escol de Águeda; o nosso amigo João B. Serra consultou o seu processo individual, pode depois confirmar este dado omisso na nota biográfica que teve a gentileza de nos disponibilizar, de seis páginas],

Em 1958 é transferido para Lisboa. Em 1962, sai o seu primeiro romance de
temática cabo-verdiana, o "Hora di Bai", centrado na tragédia da seca e da fome de 1942, que o consagra definitivamente como escritor, reconhecido pela crítica e pelo público,. Em 1963 a Academia de Ciências de Lisboa atribui-lhe o prémio da criação literária Ricardo Malheiros.

Em 1961, é convidado para o lugar de secretário da  Sociedade Portuguesa de Escritores (SPE), de que é presidente o consagrado Ferreira de Castro (1898-1974). Em 1965, as instalações da SPE são atacadas e destruídas, sendo a  instituição dissolvida por decisão governamental, por ter tido a ousadia de atribuir a um "terrorista" do MPLA, preso no Tarrafal, o Grande Prémio de Novela desse ano... .O livro chamava-se "Luuanda", e o escritor, angolano, nascido em Portugal, era o Luandino Vieirapseudónimo literário de José Vieira Mateus da Graça (nascido em 1935, em  Nova de Ourém),

O então tenente SGE Manuel Ferreira é colocado em Angola para mais uma  comissão de serviço militar (1965/67). De regresso a casa, ainda tem tempo para concluir, em 1974, a licenciatura em ciências sociais e políticas do ISCSPU - Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina.

Depois de passar à reserva logo a seguir ao 25 de Abril, aceita de bom grado o convite para dar aulas na Faculdade de Letras de Lisboa. Será professor universitário de dezembro de 1974 até atingir os 70 anos, em 17 de julho de 1987, data em que teve de se jubilar, por imperativo legal. Foi mestre de toda uma geração lusófona numa área nova, na nossa universidade, como foi o ensino e a investigação da literatura africana de expressão portuguesa.

Na área da literatura infantil, tem 7 livros editados,  entre 1964 e 1977,   maioritariamente relacionados com o imaginário cabo-verdiano. Na ficção, destaque-se as reedições de "Morabeza" (1961) e "Hora do Bai" (1963), uma refundição de "Morna", com o título de "Terra Trazida" (1972) e, enfim, a narrativa "Voz de Prisão" (1971).

Ainda em vida, em 1991, por ocasião da passagem do 50º aniversário da sua chegada a Cabo Verde, o município do Mindelo homenageou-o com o título de  cidadão honorário. Em contrapartida, a sua cidade parece tê-lo redescoberto tarde...

Em suma,  se ele hoje fosse vivo, poderíamos também tratá-lo como  "nosso pai, nosso velho, nosso camarada". Parafraseando o seu biógrafo, João B. Serra, por este "curriculum vitae resumido", dá para perceber que "estamos perante uma trajectória humana singular".

De acordo com a informação do João B. Serra,  há diversas iniciativas em curso para celebrar o centenário de Manuel Ferreira, algumas recentes, outras previstas para julho. As comemorações prolongar-se-ão ao longo do ano em curso, em Leiria (onde nasceu e foi mobilizado para Cabo Verde), nas Caldas da Rainha (onde esteve colocado, no então RI 5), em Lisboa (onde foi professor, na Faculdade de Letras) e eventualmente noutras cidades portuguesas. E esperemos  que também no "seu" Mindelo, terra de sortilégio!

Dessas iniciativas iremos  dando noticia, aqui no nosso blogue. João B. Serra está também a ultimar a biografia de Manuel Ferreira,  para a qual conta, para já, com o apoio dos editores e colaboradores de dois blogues, o nosso, Luís Graça & Camaradas da Guiné, e o Praia de Bote (editado por Joaquim Saial, um alentejano que se apaixonou pelo Mindelo nos anos 60, e que tem, entre os seus colaboradores, o nosso camarada Adriano Lima. cor inf ref, que vive em Tomar, outro grande mindelense de alma e coração).
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12 comentários:

Tabanca Grande disse...

João: há, de facto, homens e mulheres, portugueses e portuguesas, "singulares"... O Manuel Ferreira é um deles... A sua vida e a sua obra parecem mostrar que ele trouxe mais humanidade à humanidade e mais portugalidade à portugalidade...

Podia ter feito, como muitos outros, fechar os olhos à realidade circundante, que é o que muitos de nós fazemos para nos salvarmos e mantermos a nossa aparente "sanidade mental"...

Podia ter-se encerrado na sua pequena "torre de marfim", ir desfiando o rosário dos dias, "gozar as pequenas delícias do sistema" ( como eu, ironicamente, dizia de parte do oficialato que conheci na Guiné); podia, enfim, ter puxado as persianas do seu quarto ou camarata em Chão de Alecrim (ou na Gândara dos Olivais, quando miúdo e órfão)... Mas, não, não perdeu a oportunidade de conhecer (e aprofundar o conhecimento de) um momento único, irrepetível, da história da sua vida mas também das gentes de São Vicente, e ao mesmo de intervir, de agir, de reflectir, de tentar mudar as coisas, de lutar contra o fatalismo e a inércia, usando a arma da escrita...

Pelo que li da tua resenha biográfica sobre ele (de que fiz um "resumo muito resumido"), o Manuel Ferreira teve apesar de tudo uma professora primária, um companheiro de prisão e um professor de liceu que lhe deram a mão, que lhe deram mais mundo, que lhe abriram janelas...

A singularidade deste homem passa também, para além da persistência e da autodeterminação, pela importância que ele soube dar aos outros, pela capacidade de ouvir os outros, de saber escutar os outros... Essa é qualidade tão rara, hoje em dia...

Em suma, é um leiriense que merece ser conhecido pelos leirienses da atual geração, e um português do mundo que deve ser também uma referência para todos nós que às vezes temos tendência para "gritar de claustrofobia"... Há gente para quem, perdidos os 2 milhões de quilómetros quadrados do "império", este pequeno rectângulo de 9 mil km 2, é menos que um T Zero...

Bom, vou aguardar, com grande expetativa, a tua biografia do Manuel Ferreira e naturalmente as notícias da abertura da exposição... Estou convicto de que vai ser um sucesso e bom augúrio para a vossa campanha por "Leiria, capital europeia de cultura 2017", daqui a 10 anos, uma eternidade!...

Boa saúde, bom trabalho bpa sorte (que também é precisa)...Luís

_____________

singular | adj. 2 g. | s. m. | s. m. pl.

sin·gu·lar
adjectivo de dois géneros
1. Individual; único; isolado.
2. Que vale só por si.
3. Significativo.
4. Terminante.
5. Distinto; notável; extraordinário.
6. Particular; especial.
7. Excêntrico; esquisito.
8. Não vulgar, raro.
9. Excelente.

substantivo masculino
10. [Gramática] Valor da categoria número que indica a quantidade um. = NÚMERO SINGULAR

"singular", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/singular [consultado em 05-06-2017].

Hélder Valério disse...

Caros camaradas

Li com interesse, com um misto de curiosidade, de angústia e de revolta, o "Hora di Bai".
Curiosidade, para saber como era a situação descrita.
Angústia, porque o que lia correspondia ao que o meu pai me contava e eu sofria por ele, os tempos e as dificuldades que passou e que eu antecipava naquelas populações.
Revolta, porque achava que tantos anos de cristandade e de soberania daqueles territórios não tinham produzido grandes avanços sociais nem sequer melhorias para a vida das gentes.

Tive professores caboverdeanos que muito contribuíram para a minha formação, como o Prof. Francelino Gomes e o Terêncio Anahory, em Vila Franca de Xira e isso também ajudou à empatia com Cabo Verde.

Quanto ao Manuel Ferreira, sem dúvida que o seu percurso de vida é bem demonstrativo, não só da dureza e dificuldades dos tempos vividos mas, principalmente, de como é sempre possível e até indispensável lutar contra as adversidades e tirar proveito delas.

Uma interessante "história de vida".

Hélder Sousa

Tabanca Grande disse...

É também um exemplo para muitos de nós... Não tendo nascido em "berço de ouro", soubemos lançar-nos à estrada, ir à vida, à luta, à guerra, para sair do círculo vicioso da pobreza e da ignorância... E no tempo dos "nossos pais, nossos velhos, nossos camaradas", a mobilidade social era ainda muito mais restrita... Atenção: este homem nasceu em 1917 e morreu cedo, com setentas e poucos anos... Ab, LG

António Murta disse...

Exemplo de vida, sim. Com tantas qualidades que seria fastidioso adjectivar.

Lê-se esta magnífica resenha biográfica e sente-se logo empatia e admiração. Na impossibilidade de lhe dar um abraço de apreço e reverência, gostaria, ao menos, de adquirir a anunciada obra biográfica.

António Murta.

António Murta disse...

Exemplo de vida, sim. Com tantas qualidades que seria fastidioso adjectivar.

Lê-se esta magnífica resenha biográfica e sente-se logo empatia e admiração. Na impossibilidade de lhe dar um abraço de apreço e reverência, gostaria, ao menos, de adquirir a anunciada obra biográfica.

António Murta.

João B. Serra disse...

Caro Luis,
Obrigado pela abertura das portas da Tabanca Grande ao conhecimento da trajectória cívica, militar, intelectual, e até pessoal, de Manuel Ferreira. Esta abertura é também uma forma de participação da Tabanca, e de todos os que seguem a sua acção quotidiana, nas comemorações centenárias deste leiriense que juntou a sua voz à voz de Cabo Verde, a partir de 1941.
A extensa nota biográfica que organizaste é bem elucidativa. Espero que ela possa originar também outros depoimentos, memórias, documentos que permitam aprofundar a história de Manuel Ferreira e do seu tempo.
Um forte abraço do
João Serra

Tabanca Grande disse...

João, o mérito é todo teu, tu é que és o biógrafo do Manuel Ferreira, em boa hora a ser lembrado aqui e na sua terra...

Tenho ideia que a sua terra natal (Gândara dos Olivais, fregueSIA de Marrazes, concelho de Leiria) não lhe fez, em vida, a devida homenagem. Posso estar a ser injusto, é um sítio aonde vou com alguma fREquência há mais de 40 anos... e onde tenho amigos.

Mas isso é corrente entre nós, portugueses. É preciso os nossos conterrâneos (e compatriotas) "da lei da morte" se libertarem, para a gente se dar conta da sua vida e da sua obra, e consequentemente, do vazio e da saudade que deixam... Os portugueses só são consensuais quando morrem...

Limitei-me, dentro do espaço útil de um poste, a sintetizar o belíssimo texto que me mandaste. Já prometi a mim mesmo ler mais alguns livros do Manuel Ferreira, de que só conheçO a pungente "Hora di Bai".... Está na altura de o procurar na Feira do Livro de Lisboa. A melhor homnenagem que podem os fazar a um escritor é ler ou reler os seus livros.

Quanto a ti, já tens aqui uns leitores interessados em ler depois a biografia completa. Um abraço. Luís

Tabanca Grande disse...

Calro que o nosso rectãngulo é pouco maior, nºão 9 mil mas 89 mil km 2... Os leitores detetaram logo a gralha:

(...) "Em suma, é um leiriense que merece ser conhecido pelos leirienses da atual geração, e um português do mundo que deve ser também uma referência para todos nós que às vezes temos tendência para 'gritar de claustrofobia'... Há gente para quem, perdidos os 2 milhões de quilómetros quadrados do 'império', este pequeno rectângulo de 9 mil km2, é menos que um T Zero" (...)

Portugal, Cabo Verde... ? Afinal, só temos uam terra, uma casa, e estamos a dar cabo dela, de hé pouco mais de 200 anos para cá...

Antº Rosinha disse...

Pois é isso mesmo Luís, 89 mil klm2 é tão pouquinho, é mesmo um T-zero.

Mas quem diria que meia dúzia de gatos pingados sairam deste T-zero e fizeram do além-mar o seu quintal!

Um quintal que a Europa colonial se encarregou de tomar conta, e fazer desse quintal uma desordem perigosíssima.

Cuidado!



Tabanca Grande disse...

Júlio Rambout Barcelos escreveu hoje na página do Facebook da Tabanca Grande:

O Prof. Manuel Ferreira foi meu prof de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, no início dos anos 80. Tinha como assistente o Prof. Alberto Carvalho. Lembro-me dele com o seu lenço amarelo, nunca de gravata. Uma imensa saudade de um grande Homem e um excelente conversador.

https://www.facebook.com/people/Tabanca-Grande-Lu%C3%ADs-Gra%C3%A7a/100001808348667

Tabanca Grande disse...

Grande parte da obra do Manuel Ferreira está editada na Plátano Editora e pode ser comprada através do portal Wook:

https://www.wook.pt/autor/manuel-ferreira/9073

Anónimo disse...

Conheci pessoalmente Manuel Ferreira través de outro grande escritor e cidadão que foi Urbano Tavares Rodrigues.
Lembro-me das palavras do Urbano para o Manuel Ferreira na hora da apresentação, como se eu fosse um deles, postura só explicável pela simplicidade de carácter, tanto de um como do outro: -Manel, deixa-me apresentar-te o Zé Brás que tem um livrinho que irás gostar se o leres.
Por pudor, da resposta de Manuel Ferreira não citarei aqui senão o seguinte: - Já li e gostei e não entendo a discórdia que tem dado onde sabes...
Já conhecia Manuel Ferreira, não apenas de ler alguns dos seus livros e o trabalho sobre a literatura de África de expressão portuguesa; não apenas por lhe admirar a postura de cidadão.
Duas ou três vezes mais me cruzei com ele de perto. A sua perda foi um enorme prejuízo para a literatura portuguesa e para o nosso entendimento de toda a história da literatura de Cabo Verde, Angola e Moçambique.
José Brás