quinta-feira, 20 de julho de 2017

Guiné 61/74 - P17606: O nosso blogue como fonte de informação e conhecimento (44): Como se localizava, por exemplo, na Carta de Cacine 1:50.000, a posição CACINE 6 D4/78 ? (José Nico / Miguel Pessoa / António J. Pereira da Costa)



Guiné > Região de Tomvali > Carta de Cacine (1960) > Escala 1/50 mil > Pormenor: quadrante 7 (e não o 9)...


Infogravura:  Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2017)





1 Mensagem do Miguel Pessoa, ex-ten pilav, FAP, BA 12, Bissalanca, 1972/74, cor pilav ref, com data de 10 do corrente

Caros editores

O General José Nico já colaborou anteriormente com a Tabanca Grande publicando no blogue textos sobre a actuação da FAP na Guiné. Pede-me agora colaboração no sentido de esclarecer o sistema de identificação de pontos nas cartas 1/50.000 que utilizávamos na Guiné.

O facto é que os 45 anos já passados não me ajudam a reavivar a memória sobre este assunto mas, dispondo o blogue de uma alargada e diversificada panóplia de leitores, pode ser que entre eles exista alguém com a memória mais fresca que possa dar a sua colaboração sobre esta matéria. Por isso aqui fica o pedido.

Abraço.
Miguel
_______________

Texto do ten gen ref José [Francisco Fernando] Nico :
José Nico, ten pilav, CTIG, 1968

"(...) Trata-se do método que utilizávamos na marcação de pontos na carta 1:50.000 da Guiné. Tenho tido dificuldades em marcar os pontos que encontro nos SITREPs porque já não me lembro completamente do método que usávamos. Ando lá perto mas não tenho a certeza de nada.

Aqui vão uma série de pontos retirados dos SITREPs para exemplo:

CACINE 6 D4/78

CACINE 3 I0/57

GUILEGE 8 H1/59

GUILEGE 8 H6/63

Talvez na Tabanca Grande haja alguém que ainda se lembre deste sistema de referenciação e do que representava cada um dos algarismos ou letras. Por exemplo, estou convencido que o primeiro número a seguir à designação da carta (Por ex. CACINE 6) representa um dos nove quadrados em que a carta está dividida e que esses quadrados são contados de baixo para cima e da esquerda para a direita. Assim o quadrado 6 é o do meio no topo da carta. E o resto como é? É também de baixo para cima e da esquerda para a direita?

Por exemplo, o D no quadrado 6 encontra-se dividindo o quadrado 6 em nove quadrados iguais em que o que fica no canto esquerdo em baixo é o quadrado A. Acima deste fica o B e assim por diante. Se estou certo o quadrado D seria o que fica logo à direita do A.

E o resto como é?

É esta dúvida que te peço que vejas se consegues aclarar e até pode ser que tu te lembres ainda disto.

Abraço
J. Nico"


2. Mensagem que o nosso editor enviou, no mesmo dia, a três dezenas de membros da nossa Tabanca Grande que foram comandantes operacionais no TO da Guiné (capitães ou alferes):


Camaradas: lembrei-me de alguns de vocês que foram comandantes operacionais, infantes, fuzileiros, cavaleiros e artilheiros (mas também de outras armas e especialidades: transmissões, operações e informações, habituados a usar, no mato, em colunas logísticas ou no quartel as cartas 1/50.000 da Guiné... 

Eu sei que lá vão mais de 50 anos... mas nesta pequena amostra de grã-tabanqueiros, espero haja alguém ainda capaz de saber responder às dúvidas dos nossos camaradas da FAP, Miguel Pessoa e José Nico... Também gostava de saber para poder interpretar melhor os nossos relatórios...

Com um alfabravo,
Luís Graça

PS - As cartas 1/50.000 estão disponíveis "on line" (procurar na coluna do lado esquerdo do nosso blogue)


3. Resposta do António J. Pereira da Costa,  cor art ref , ex-alf art CART 1692/BART 1914, Cacine, 1968/69; ex-cap art e cmdt das CART 3494/BART 3873, Xime e Mansambo, e CART 3567, Mansabá, 1972/74),


Olá Camaradas

As NEP do ComChefe - que existem em depósito na DHCM - esclarecem melhor este tema.

A palavra indica o nome da folha que, normalmente está relacionado com o da povoação mais importante contida na folha.

Recordo-me de um, a título de exemplo, - MAMBONCÓ - que era uma povoação a Sul de Mansabá e que, no nosso tempo, estava abandonada. Era a aldeia dos macacos. 

Depois eram "aproveitados" os nove quadrados em que a folha estava dividida. Daí o CACINE 6. 

Tenho ideia de que os quadrados eram numerados como quem lê. 

Depois era aplicada um mica graduada onde era feita a leitura pelo sistema Abcissa/Ordenada (`à Descartes').

Creio que teoricamente era possível localizarmo-nos a menos de 50 metros.

Os fuzileiros eram muito eficazes neste sistema, sendo o imediato da força o responsável pelo fornecimento das coordenadas em caso de pedido de apoio.

Um Ab.
António J. P. C
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1 comentário:

Tabanca Grande disse...

Tó Zé:

Conforme refiro no poste a seguir, confirmar, pela minha experiência operacional (CCAÇ 12, Bambadinca, 1969/71), relatórios de operações e leitura das cartas, nomeadamente do setor L1, que o esquema que se aplica, para numerar os 9 retãngulos ou quadrantes das cartas de 1/50 mil é o seguinte:

de cima para baixo e da esquerda para a direita: 3/2/1 | 6/5/4 | 9/8/7.

Obrigado pelo precioso contributo de artilheiro!... LG