sábado, 5 de agosto de 2017

Guiné 61/74 - P17652: Historiografia da presença portuguesa em África (85): Revista Turismo de Janeiro de 1956 (2) (Fernando Barata, ex-Alf Mil Inf)

1. Segunda parte da publicação das páginas da Revista Turismo de Janeiro de 1956, que publicitavam algumas das firmas existentes à época na Guiné, enviadas ao Blogue pelo nosso camarada Fernando Barata (ex-Alf Mil Inf da CCAÇ 2700, Dulombi, 1970/72) em 29 de Julho de 2017:

____________

Nota do editor

Poste anterior de 2 de Agosto de 2017 > Guiné 61/74 - P17643: Historiografia da presença portuguesa em África (84): Revista Turismo de Janeiro de 1956 (1) (Fernando Barata, ex-Alf Mil Inf)

15 comentários:

Antº Rosinha disse...

O pequeno comércio e a pequena indústria, comércio misto, mercearias, padarias, sapatarias, alfaiatarias, marcenarias e carpintarias, construção e a pequena agricultura e pecuária, eram o refúgio do português que deixava a «enxada» nas berças e ia para as colónias "colonizadas ou descolonizadas".

Eram os casos de quem ia para Angola, Guiné, Brasil ou Venezuela e Estados Unidos, por exemplo.

E só com muito trabalho e muita psico-social e muita competência é que se podia singrar, e até mandar ir a família, caso contrário, podia "fazer as malas" e regressar ou desaparecer e nem se comunicar mais com a família.

Mesmo muito integrado era (é) sempre um estranho, em caso de conflitos sociais.

E com uma porta aberta, é sempre o primeiro alvo a abater.

E se tiver que "retornar" à terrinha, continuará a sentir-se estranho na sua terra.

Ninguém é cidadão do mundo, isso não existe, a não ser banqueiros ou intelectuais, mas não quem tenha que vergar a mola, e não possa apenas viver de ideias.

Aqueles pequenos comerciantes e industriais da Guiné, até foram incentivados pelo povo a continuar após a independência, mas o povo não mandava mais.

Só os "intelectuais" do PAIGC os consideravam uns burgueses.

Os madeireiros tugas, em 500 anos, extraíram (roubaram)menos árvores que os ministros do PAIGC nos primeiros 5 anos da independência da Guiné-

As máquinas Volvo cooperaram imenso.

António José Pereira da Costa disse...

Olá Camaradas

Estas revistas muito "religiosas" porque só saem quando Deus quer são muito esclarecedoras quanto à realidade nas colónias antes da guerra colonial.
Já, ao comentar outro post, chamei a atenção dos camaradas que prestaram serviço nos locais onde estavam instaladas aquelas industrias e casas comerciais e o que restava delas durante a guerra.
Algumas fotos são esclarecedoras quanto às características das instituições em causa.
Como já disse, era um pequeno comércio e uma pequena indústria, que masacarava a vida económica da colónia. Como diz o camarada Rosinha "a pequena agricultura e pecuária, eram o refúgio do português que deixava a «enxada» nas berças e ia para as colónias".
Como já disse um pouco de honestidade por parte das entidades oficiais teria sido uma boa prática.

Um Ab.
António J. P. Costa

António José Pereira da Costa disse...

Olá Camaradas

O que terão os camaradas a dizer acerca daquela empresa com "sede" em Gadamael?
E aquela empresa de construções completamente impossível de localizar.
A expressão "Comércio Geral" dá ideia que tudo se poderia vender desde que houvesse quem comprasse...
E tantas mais, como que tinha sede própria (tinha de ser senão não era própria)...
Que notícias apresentariam estas revistas? Poucas e tão raras que os números eram raros e únicos.
E o que é mais importante, aqui é tudo verdade, pois não havia motivo para mentir.

Um Ab.
António J. P. Costa

Antº Rosinha disse...

António Costa até duvida que aquilo tudo existisse.
Sobre as Construções Lda (sem morada) ainda em 1980 estava em consórcio com a Tecnil em certas obras no tempo de Luís Cabral.
Essa empresa ,(familiar) com uma pequena dimensão como tudo na Guiné, tinha o escritório na rua dos serviços meteorológicos, a caminho da Central eléctrica de Bissau.

Em Bissau, ou mesmo em Luanda, em 1956 data dessa revista, poucas ruas estavam numeradas, usava-se para o correio a Caixa Postal, ou posta restante, tanto que mesmo em Luanda, não havia carteiros.

Era como nas nossas aldeias sem ruas numeradas, estava tudo localizado, era só esticar o queixo.

Essa empresa era da família Gomes com descendentes já guineenses, caso de um sobrinho futuro ministro do PAIGC, Tino Lima Gomes.

Tinha um filho que durante a luta esteve a "estudar" em Londres, não foi para a luta nem para Mafra.

(As coisas que eu vi...!por isso gosto de contar coo foi)
António J. P. Costa, tem razão em duvidar, em guerra não chegou a ver as colónias em seu estado normal, viu o pouco que havia, tudo desfeito por Amílcar Cabral.

Chamavam-se nas colónias, Comércio Geral, ao tal comércio que sem dinheiro, se chamava de permuta, em que tudo se trocava desde vinho a sapatos e panos e remédios por cera, arroz, mancarra, mandioca ou vacas e carneiros, oleo de palma ou cajú, etc., tudo em GERAL.

Era uma trabalheira que por "desconhecimento nacional", se dizia que os comerciantes brancos enganavam e roubavam os pretos, daí estes revoltarem-se e fizeram a guerra e os soldados tiveram que ir para lá guardar-lhe as costas.(13 anos)

Os brancos não enganavam os pretos, eu digo sempre que há gente que teimam em chamar ignorantes aos pretos, digo sempre a essa gente para não ser insultuosa.

Sobre as entidades oficiais, como diz António J.P.Costa, também tenho a minha própria opinião.

Desde Chefes de Posto e Administradores de circunscrição, Governadores e Intendentes, Militares e Polícia, esperavam (im)pacientemente, uns, 2 anos pelo fim da Comissão, outros 4 anos, pelo direito aos 6 meses de licença graciosa ao puto, com direito a uma baixa médica para mais 3 meses, enganavam o tempo como podiam.

E lá ficava o pequeno comerciante, o pequeno industrial, agricultor e pescador, a ocupar o espaço, até que tudo acabou.




António José Pereira da Costa disse...

Olá Camaradas

Como já disse considero a revista que estamos a analisar algo de incontestável e esclarecedor. Foi escrita sem censura e dizendo o que se queria dizer. Provavelmente para mostrar o elevado grau de civilização de que aquela portuguesíssima terra usufruía...
Não duvido, por isso, que as coisas fossem assim e que aquilo tudo existisse.
A descrição do Rosinha é autêntica, mas confirma o que já disse noutros posts.
Se, "em Bissau, ou mesmo em Luanda, em 1956 data dessa revista, poucas ruas estavam numeradas, usava-se para o correio a Caixa Postal, ou posta restante, tanto que mesmo em Luanda, não havia carteiros" estamos perante um bom indício de progresso.

Nas nossas aldeias (sem ruas numeradas), estava tudo localizado. Pois estava, mas numa cidade... não me parece que essa fosse a melhor solução. Há diferenças entre aldeias e cidades.

Vi realmente o que havia e peço o testemunho dos outros. Por exemplo: a Campeane não se ia em 1968, e aquela "vivenda" onde a empresa estava sedeada era igual a tantas outras, que encontrávamos semi-destruídas e abandonada. E aquela casa de Gadamael com viatura à porta, só pode ser curiosa... e típica
Se tivesse chegado a a ver as colónias em seu estado normal, (vi o pouco que havia, tudo desfeito por Amílcar Cabral), se calhar perguntaria: mas isto é que é a Guiné portuguesíssima e com 400 anos de civilização no activo?.

A definição de Comércio Geral, (o tal comércio que sem dinheiro, se chamava de permuta, em que tudo se trocava desde vinho a sapatos e panos e remédios por cera, arroz, mancarra, mandioca ou vacas e carneiros, oleo de palma ou cajú, etc., tudo em GERAL) revela o estado de atraso e nada mais.
Era algo parecido com os "lançados" do Brasil.
Abstenho-me de comentar os parágrafos seguintes que considero que falam por si:

"Era uma trabalheira que por "desconhecimento nacional", se dizia que os comerciantes brancos enganavam e roubavam os pretos, daí estes revoltarem-se e fizeram a guerra e os soldados tiveram que ir para lá guardar-lhe as costas.(13 anos)
Os brancos não enganavam os pretos, eu digo sempre que há gente que teima em chamar ignorantes aos pretos, digo sempre a essa gente para não ser insultuosa.
Desde Chefes de Posto e Administradores de circunscrição, Governadores e Intendentes, Militares e Polícia, esperavam (im)pacientemente, uns, 2 anos pelo fim da Comissão, outros 4 anos, pelo direito aos 6 meses de licença graciosa ao puto, com direito a uma baixa médica para mais 3 meses, enganavam o tempo como podiam. (O que não deixa de ser interessante, comento eu.)
E lá ficava o pequeno comerciante, o pequeno industrial, agricultor e pescador, a ocupar(?) o espaço, até que tudo acabou.

Um Ab.
António J. P. Costa

Anónimo disse...

A "portuguesíssima" Guiné nunca teve "400 anos de civilização no activo". A civilização, tal como a entendemos hoje, foi, e é, um estado que se adquire por um processo lento, que verdadeiramente só se iniciou nos anos 1920 naquela Guiné que restou depois da fixação de fronteiras com a França em 1886 (a delimitação no terreno só terminou em 1905, ou seja passados cerca de 20 anos!), após as campanhas de Teixeira Pinto, com o governo de Vellez Caroço. E se quiserem saber as dificuldades que se lhe depararam podem ler o seu primeiro relatório publicado em 1923.

Armando Tavares da Silva

Tabanca Grande disse...


Uma parte destes colonos eram cabo-verdianos ou de origem sírio-libanesda. Veja-se o caso do Álvaro Boaventura Camacho, sobre quem encontrei a seguinte referência na Net, no blogue João Laurence / Bedanda. ( João Augusto Laurence viveu, na infãncia erm Catió. Em 1956 andava na escola. presumo que seja de origem cabo-verdiana).


http://joaolaurence.blogs.sapo.pt/2016/08/30/



Dezembro 13, 2007

Cufar

Cufar fica localizada na zona Sul da Guiné-Bissau, pertence a região de Tombalí. Antes do início da guerra colonial possuía um aeródromo que pertencia a um comerciante português de origem caboverdiano de nome Álvaro Boaventura Camacho; Depois cedida à Administração Colonial Portuguesa para instalar equipamento militar. Os largos fogos potentes e profundos da artilharia pesada que fustigavam o espaço aéreo de BEDANDA ENCOSSA partiam de Cufar com um único destino: Zona de Curá, Caboxanche, Cantanhede e limítrofes. Zona de mata densa, pantanosa e de difícil penetração, ocupada pelos guerrilheiros do PAIGC – Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo-Verde. As Zonas eram referenciadas por “TCHOM” – chão -
Por exemplo : Tchom de manjhaco,thom de nalú que específicamente é a região de Tombali.

Tabanca Grande disse...

Sobre o missionário italiano, do PIME, Mario Faccioli (1922-2015), vd.

http://www.didinho.org/Arquivo/UNAVITAMISSIONARIA.htm

António José Pereira da Costa disse...

OK Camarada Tavares da Silva

A pouco e pouco vamos desmontando o "mito" da portuguesíssima terra com mais de 400 anos de civilização e progresso(!) por isso que defendo a leitura das "revistas" jornais e livros deve ser feita partindo do princípio de que tudo ou quase tudo o que dizem é verdadeiro.
Afinal a Guiné era uma espécie de barril de pólvora e nós fumávamos comodamente sentados em cima dele.
A velocidade a que todos os acontecimentos se passavam e a evolução se dava tinha duas velocidades: aquela e outra mais devagar...
Ler de outra maneira é tapar o sol com a peneira.
Um Ab.

António J. P. Costa

Tabanca Grande disse...

Temos que dedicar mais atenção à atuação dos missionários italianos, do PIME ((Pontifício Instituto para as Missões Exteriores), no território da Guiné, antes e depois da independência...

Temos menos de duas dezenas de referências no nossos blogue aos "missionários".

https://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/search/label/Mission%C3%A1rios

Os italianos, algunes deles, tiveram problemas com as "autoridades portuguesas": foi o caso do padre António Grillo (1925-2014), que esteve em Bambadinca e que era particularmente acarinhado pelos balantas de Samba Silate, uma enorme tabanca que será destruídas pelas NT no princípio da guerra...

Recorde-se: foi detido pela então polícia política portuguesa, a PIDE, a 23 fevereiro de 1963, sob a acusação de atividades subversivas; esteve preso em Bissau e depois em Lisboa; acabou por ser libertado em 4 de julho de 1963 em homenagem de Portugal, ao novo pontífice, o Papa Paulo VI (1898-1978), que em 21 de junho de 1963 tinha sucedido a João XXIII, na cátedra de São Pedro... Com a independência da Guiné-Bissau, volta a Bambadinca, onde trabalha, de 1975 a 1986, associado ao PIME... Visitou Bamnbadinca em 2010, quatro anos antes de morrer.

O missionário que estava em Catió, o Mário Facciolli (1922-2015) também teve problemas com a PIDE e, depois da independência, com o 'Nino' que o expulsou da Guiné-Bissau...


Valdemar Silva disse...

Ó caro Tavares da Silva então isso diz-se da civilização cristã e ocidental.
(O Infante, coitado, só cria o trato do ouro e escravos prá Ordem de Cristo, nem uma única Igreja durante mais de 400 anos.)

Abraços
Valdemar Queiroz

Tabanca Grande disse...

Excerto do livro de Mário Faccioli (e não Facciolli...), "Una vita missionaria: in Guinea Bissau 1956-2008".

Tradução da versão original em italiano para o português: Filomena Embaló. Reproduzido com a devida vénia da página de Fernando Casimiro (Didinho):


http://www.didinho.org/Arquivo/UNAVITAMISSIONARIA.htm


(...) A 25 de maio de 1947, em plena estação das grandes chuvas, desembarcaram no porto de Bissau, os primeiros sete missionários do PIME: Settimio Munno, o chefe do grupo, Arturo Biasutti, Luigi Andreoletti, Filippo Croci, Efrem Stevanin, Spartaco Marmugi e o irmão Vicenzo Benassi. A coragem e zelo destes primeiros homens enviados para a Guiné Bissau manifestaram de maneira brilhante e vivaz a força do carisma das gentes do PIME, de que deram provas desde o primeiro ano.
De 1947 a 1974 (data da independência da Guiné), o PIME enfrentou situações que não foram nada fáceis.

O regime colonial condicionava a vida e as ações dos missionários "estrangeiros" (como nos chamavam os Portugueses): as dificuldades não eram só socioeconómicas, mas sobretudo ao nível da evangelização, pois a presença dos colonizadores, "senhores e patrões", era um contra-testemunho extremamente negativo da mensagem cristã que nós trazíamos. A este respeito, eu digo "nós" porque, em 1956, nove anos depois da chegada dos sete primeiros, chegámos eu e o Irmão Luís Capelli.

A minha primeira experiência missionária na Guiné foi em Catió, cidade ao sul do país, no seio dos Balantas (uma das tribos mais numerosas), alguns muçulmanos e vários Portugueses, empregados comerciais e funcionários. O uso exclusivo da língua portuguesa era obrigatório e o relacionamento com os nativos da aldeia era bastante reduzido. Eu trabalhei na escola e no ensino e procurei conhecer pessoas, como também ajudá-las materialmente, enquanto continuava a acreditar que o caminho deveria ser outro (,..)

Tabanca Grande disse...

Outro comerciante de origem cabo-verdiana, com estabelecimento em Belim (!)m Fulacunda, é o António Amante Rosa, p+ai do nosso camarada e atual embaixador de Cabo Verde em Itália, Manuel Amante da Rosa!... Com a guerra, deixa a região de Quínara e estabelece-se em Bolama ou Bissau, já não precisar... E dedica-se aos transportes marítimos... Operou, entre outras, carreira Bissau-Xime-Bambadinca...

https://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/search/label/Manuel%20Amante%20da%20Rosa

Anónimo disse...

A Guiné uma espécie de barril de pólvora!? E onde estava a pólvora?

Armando Tavares da Silva

António José Pereira da Costa disse...

Não chegou a explodir, mas esteve quase...
As tensões sociais acumulam-se ao longo dos tempos e, às vezes, rebentam. Outras vezes lá se diluem...
Numa "Guiné Melhor" as coisas nunca deram sinais de "melhorar".
Antes pelo contrário, mas se não nos púnhamos a pau, a malta ainda ganhava aquela m***a.
Um Ab.
António J. P. Costa