quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Guiné 61/74 - P18297: Da Suécia com saudade (56): por não ter existido anteriormente um único "luso-lapão", sobrevivendo quatro décadas no Círculo Polar Ártico, e duvidando fortemente que outro venha a surgir, sinto-me obrigado a responder às vossas dúvidas sobre a Lapónia, os lapões... e o colonialismo sueco (José Belo)


S/d, s/l, sem legenda... Foi enviada pelo régulo da Tabanca da Lapónia, Joseph Belo, para os lapões, (Zé, simplesmente, para os amigos e camaradas da Guiné)... Não sabemos a quem atribuir os créditos fotográficos, dúvida que remetemos para o arquivo do José Belo... mas a verdade é que uma imagem vale mil palavras... Fica, entretanto, outra dúvida, se este é um dos "cães dos colonialistas"... suecos, ou se  é um dos "canitos" (lapões) que, corajosamente, enfrentou e afugentou a ursa (talvez russa, não se sabe...),  enquanto o Zé foi a correr a casa buscar a espingarda... Este foi, de resto,  um dos momentos dramáticos por que passou o nosso régulo luso-lapão, há uns meses atrás, e que originou um não menos (quase) épico soneto, assinado pelo nosso editor Luís Graça:

Infelizmente em Candoz os ursos foram extintos há mais de um século, pelo que eu nunca poderia sentir as emoções fortes do Zé Belo quando, lá na Lapónia, foi à pesca do salmão e deu de caras com uma ursa e duas crias... Valerem-lhe os seus nobres cães polares!...

Fico feliz por saber que a notícia da sua morte, comido por uma úrsula menor, foi um bocado exagerada... Mas fica o aviso e a lição: é preciso ter cuidados redobrados com os ursos e com o que se lê... na blogosfera.
 

Na ártica tundra do círculo polar
Vejo um temerário luso-lapão
Que, lesto, vai à pesca do salmão,
Não livre de um urso encontrar.

Não é urso, é ursa com seus filhotes,
Mas são os cães quem, com nobre coragem,
Salvam o dono de uma iminente carnagem,
O nosso Zé Belo, o último dos Dons Quixotes.

Sem pinga de sangue azul, instintivo,
Corre a casa, saca lá da G3,
E diz aos seus cães em tom efusivo:

"Amigos, hoje há rancho melhorado,
Falo com o meu coração português
Que pulsa sob este corpo assuecado." (*)



1. Em dia de anos, a 4 do corrente,  escrevi ao Joseph Belo o seguinte (**):

Zé Belo: que Deus, Alá e os bons irãs da nossa Tabanca Grande te continuem a proteger dos rigores do círculo polar ártico, das mudanças climatéricas, dos espirros e dos esbirros do Putin e do Trump, enfim, da peste, da fome e da guerra... e do bispo da nossa terra.

Olha, podes não acreditar, mas temos saudades tuas e das tuas renas... Bebo um vodca à tua, à nossa! À vida, à saúde, ao futuro e à amizade luso-lapónica!...
Luís Graça

PS - Zé, assalta-me um dúvida, logo no dia dos teus anos... Escrevi: "Bebo um vodca à tua, à nossa! À vida, à saúde, ao futuro e à amizade luso-lapónica!"...

Tu és o representante máximo dessa amizade, mais do que isso,  o embaixador dos "lapões" (povo sami...) na pátria lusa, mesmo que não te paguem o frete...

Mas eu pergunto: pode-se dizer "amizade luso-lapónica"? (Lapónia, lapónico, por analogia com Japão, japónico, embora a gente use mais o adjetivo "nipónico": amizade luso-nipónica... Não sei qual é o feminino de "lapão"... E o dicionário não me ajuda... Corrige-me lá tu... Entretanto, vou perguntar ao Ciberdúvidas da Língua Portuguesa...


Joseph Belo
2. Resposta do régulo da Lapónia (que só se representa a ele próprio, mas tudo somado são duas Nações, dois povos, duas culturas... ou se calhar três, já que ele é também cidadão sueco...) no dia 5 do corrente:

Colocaste no blogue algumas perguntas quanto a alguma "nomenclatura" lapónica.

Por saber não ter existido anteriormente um único "lusitano-lapäo", sobrevivendo quatro décadas no Círculo Polar Ártico e duvidando fortemente que outro venha a surgir... sinto-me mais do que "obrigado" a responder em futuro, e mais detalhadamente, por e-mail.

[Foto acima à direita: José Belo, ex-alf mil inf da CCAÇ 2381,Ingoré, Buba, Aldeia Formosa, Mampatá e Empada, 1968/70; cap inf ref, é jurista, vive na Suécia há 4 décadas, e onde formou família: reparte o seu tempo entre a Suécia, a Lapónia Sueca e os EUA, onde família tem negócios; tem cerca de 125 referências no nosso blogue]


3. Mail do dia 6, enviado pelo Joseph Belo (Zé, para os amigos e camaradas) e que eu interpreto como um sinal de  boa vontade,  a de querer "retomar" a sua série "Da Suécia com saudade", interrompida (ou dada mesmo por finda) em outubro de 2015] (***)

Data: 6 de fevereiro de 2018 às 02:36
Assunto: Colonialismo(s)

Como os "santos da casa não fazem milagres", a exploração colonial sueca na Lapónia, desde há muitos séculos, era acompanhada nos recentes anos sessenta (!) pelos contínuos votos anticolonialistas da delegação sueca nas Nações Unidas.

Eu diria, dentro de uma perspectiva humanista... ainda bem!

Só que, moral para o fazer (como muito gostavam de demonstrar),  talvez o tivessem unicamente  fora de fronteiras.

A julgares haver interesse em publicá-los num blogue sobre a Guiné, posso enviar-te alguns dados históricos que referem factos pouco conhecidos, e ventilados, tanto para a maioria dos suecos, hoje pouco interessados "nestas coisas", como para a quase totalidade dos que olham a sociedade sueca desde fora.

Um abraço.


4.  Resposta do nosso editor LG:

Pois é, Joseph, és um exemplar único de uma espécie que, se calhar, morre contigo... Não conheço mais nenhum luso-lapão... Obrigado pela foto do teu "canito" (como se diz no Alentejo)... 

Fico então a aguardar a douta lição sobre a arte lusitana de (sobre)viver na Lapónia e tudo o mais que queiras partilhar connosco... Espero bem que tenhas tido um dia de aniversário com doces lembranças e muito carinho dos teus filhos e amigos... 

Somos 'aquarianos', não é por acaso... Fiz a 29 de janeiro.
Alfabravo.
__________________

Notas do editor:

(*) Vd. poste de 12 de julho 2017 > Guiné 61/74 - P17572: Manuscrito(s) (Luís Graça) (120): A notícia da morte do Zé Belo, comido por uma úrsula menor quando ia à pesca do salmão lá na Lapónia... foi um bocado exagerada!

(**) Vd. poste de 4 de fevereiro de  2018 > Guiné 61/74 - P18282: Parabéns a você (1386): Cap Inf Ref José Belo, ex-Alf Mil Inf da CCAÇ 2381 (Guiné, 1968/70) e Mário Silva Bravo, ex-Alf Mil Médico da CCAÇ 6 (Guiné, 1971/72)

(***) Último poste da série > 20 de outubro de 2015 > Guiné 63/74 - P15270: Da Suécia com saudade (55): Despedida do blogue, dos editores e de todos os de mais camaradas... Afinal, também há 4 décadas saí do nosso querido Portugal sem bilhete de ida e volta... Os amigos terão sempre uma "casa portuguesa" ao dispor, na Lapónia sueca, em Estocolmo, ou em Key West, Flórida, EUA (José Belo)

1 comentário:

Tabanca Grande disse...

Resposta do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa_

Segundo o «Vocabulário da Língua Portuguesa» de Rebelo Gonçalves, o feminino de lapão é lapoa.

https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/lapoa/5263


... Mas confesso que a mim não se soa bem a expressão "amizade luso-lapoa"...

Vá um gajo entender a língua de Camões:

Japão, japonês, japonesa, japónico, japónica
Polónia, polaco, polaca,
Lapónia, lapão... lapoa.