terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Guiné 61/74 - P18290: No céu não há disto... Comes & bebes: sugestões dos 'vagomestres' da Tabanca Grande (1): Em Setúbal, o restaurante "Baluarte do Sado", peixinho grelhado, pois claro!...(Hélder Sousa / Luís Graça)


Setúbal > Mercado do Livramento > 3 de fevereiro de 2018 > É uma festa"... Inaugurado em 1930, e construído em estilo "art déco", é um dos ex-libris da cidade... O mercado do peixe, ao sábado, em especial, é uma espectáculo ao vivo!... Em primeiro plano, uma das esculturas de Augusto Cid, a vendedeira de criação (aves e ovos).


Setúbal > Mercado do Livramento > 3 de fevereiro de 2018 >  Um dos painéis de azulejos da entrada principal.


Setúbal > Mercado do Livramento > 3 de fevereiro de 2018 >  Painel de azulejos, da parede do fundo, junto às bancas de peixe. Cenas do mar, do estuário do Sado e dos campos...



Setúbal > Mercado do Livramento > 3 de fevereiro de 2018 >  Percebes do alto mar... Ao sábado os preços inflacionam-se, devido à procura externa... Aqui há de tudo, do camarão de rabo azul à lagosta e ao lavagante, mas o que ainda mais enche o olho é o peixe fresco, dos salmonetes às cabeças de cherne!...



Setúbal > Mercado do Livramento > 3 de fevereiro de 2018 >  Sapateiras  vivinhas da costa...



Setúbal > Mercado do Livramento > 3 de fevereiro de 2018 >  O espadarte...


Setúbal > Mercado do Livramento > 3 de fevereiro de 2018 >  As mangas sem fios... que não são seguramente de Setúbal nem da Guiné...

Foto (e legenda): © Luís Graça (2018). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



1. Vamos inaugurar uma nova série: "No céu não há disto...Comes & bebes: sugestões dos 'vagomestres' da Tabanca Grande"...

A ideia ocorreu-me há dias, quando me convidaram para ir a Setúbal para um almoço de aniversário... Fazia anos (, vinte e seis, ) o filho de um casal nosso amigo, meu e da Alice. Setúbal é peixe e marisco, pois claro, mesmo que o rapaz seja da geração do "fast food", das batatas fritas e dos hambúrgueres (sic) (assim é que se escreve, em bom português)... 

O rapaz é aquariano, como eu, tem a sorte de não fazer anos no píncaro do verão, altura em que eu fujo da ponte 25 de Abril, da Caparica, de Setúbal, da canícula e de tudo o que aponta para o sul, o sal, o sol... (A2, A12...). 

Foi no sábado passado, não era de prever uma enchente, mesmo com sol de inverno,  mas, pelo sim, pelo não, era conveniente reservar mesa para sete. Em que restaurante, Zé António ? Os meus amigos ainda estavam em Lisboa, quando eu e a Alice chegávamos à terra do Bocage. Pois que escolham à vontade, queremos é peixinho do bom, a saber a mar, e não a aquário... 

Os meus amigos acabavam de me passar a bola, e eu não os queria dececionar. Ainda por cima gente da Costa Nova... Falo do Zé António Paradela, meu amigo, meu "mano" e nosso grã-tabanqueiro. Mas eu não tinha sequer feito o trabalho de casa, o TPC, como costumo fazer antes de ir almoçar ou jantar fora: ver na Net os sítios mais convenientes para se comer, as comidinhas, a relação preço/qualidade, o que fazer depois do almoço, os percursos, etc. 

E para mais não tinha trazido comigo o meu PC!...  Não gosto de fazer consultas à Net através do telemóvel... Sou um tosco com o telemóvel... detesto o telemóvel... Bem, a solução, ali à mão de semear, era chatear o meu amigo, camarada e ilustre régulo da Tabanca de Setúbal, o Hélder Sousa...

Por azar, não tinha o número dele no meu telemóvel, tinha havido,  há uns tempos atrás,  uma troca de cartões entre mim e a Alice. Eu fiquei com a lista dela, e ela com a minha!... O telélé da Alice tinha, felizmente,  na lista o número do Hélder... Fizemos então uma chamada, ainda  dentro do carro... E nada, silêncio do outro lado da linha. Às 11 e picos já são horas de estar de pé, para mais em terra de gente laboriosa, mesmo ao sábado que é o dia de descanso do Senhor... Podia, o senhor engenheiro estar a tomar o seu duche de sábado de manhã... Ter ido ao SPA... Estar a dar formação... Ir à missa era menos provável... Bem, volta a ligar-se dentro de minutos...

E desta vez ele atendeu mesmo,  mas com a voz baixa: eh!, pá, estou em Lisboa, num reunião da secção regional sul da Ordem dos Engenheiros Técnicos...Já me esquecia que ele pertencia a uma lista candidata aos órgãos sociais da sua Ordem... Eh!, pá desculpa lá, não estou a reconhecer este número!... Como já estou meio surdo, gritei-lhe: é o número da Alice, do Luís Graça, da Tabanca Grande, desculpa tu o mau jeito... Tá-se mesmo a ver que o nosso camarada Hélder estava longe de me imaginar, a mim e à Alice,  por aquelas bandas e àquela hora...

E lá fomos trocando uns mimos, até eu chegar à questão central: onde é que se come à maneira na tua terra ?...E onde é que tu e a Alice estão? Eh,pá, aqui parados, estacionados, por detrás do mercado do Livramento e do Pingo Doce...Não precisas de ir mais longe, tens já aí o "Baluarte do Sado"... Peixinho  fresco, grelhadinhos, sardinha assada no verão...Boa relação qualidade / preço... Pronto, não digas mais, não te maces, vou já lá marcar uma mesa para a 1 da tarde, redonda, 7 pessoas... E desculpa lá qualquer coisinha... Talvez a gente ainda se veja logo à tarde, quando regressar de Lisboa... Obrigado, mas não precisas, estou numa festa de anos, fica para a próxima...

Como havia tempo de sobra, fomos visitar o mercado do Livramento que é um regalo para os cinco sentidos... É um dos pontos obrigatórias de qualquer visita a Setúbal, exceto à segunda feira que está fechado, como todos os mercados tradicionais...De preferência, venham ao sábado, e cedo... Ao meio dia já começam a desmontar a tenda, os vendedores de peixe, feito o negócio...

Fui ver as bancas do peixe e marisco, fotografei os azulejos todos, apreciei o vaivém de gente que entra e sai, procurei não perder pitada da "idiossincrasia" dos/as setubalenses que ali ganham a vida...Mas, ó querida, essas mangas sem fios não serão transgénicas ?... Ó cavalheiro, vê-se mesmo que é turista!... Não me venha cá estragar o negócio!... Qual transgénicas, qual carapuça, chupe-me aqui este mel... e deu-me um bocado de manga sem fios na ponta de um palito...Enfim, gente autêntica, que tem sempre a resposta pronta na ponta da língua, afiada, com todos os ss e rr... E diz a filha ao lado: Ainda tenho muito que aprender com a minha mãe...(que a punha a filha a um canto, medida de alto a baixo...).

Mas vamos ao almocinho, que já são horas, depois de algumas comprinhas feitas... O que é vamos pedir ? Para entrada uns camarões à guilho (num molhinho com pão frito) e depois uma cataplana de peixe para 3 pessoas, um sargo grelhado para mim e uma posta de cherne também grelhadinha para a Alice, que está meio adoentada... E para os nossos jovens (o aniversariante e um amigo), o costume, umas "febras" de porco com arroz e batatas fritas e uma saladinha... No fim, temos um bolinho de anos, que é para cantar os parabéns a você, que o rapaz faz 26 primaveras e é do Benfica...

Ó queridos, mas a gente aqui faz tudo na hora!... Podiam ter pedido a cataplana na altura em que reservaram a mesa,,, É coisa para demorar 40 a 45 minutos... Venha a cataplana, até lá, vamos petiscando. E, oiça, mande-nos um "Terras do Pó", branco, fresquinho, da Ermelinda Freitas, que é cá da terra, isto é, da península...

E pronto, a cataplana chegou "just in time", eu e a Alice fomos para os grelhadinhos... A banca de peixe do restaurante é um regalo para a vista, variada e colorida, como não se vê em muitos restauarantes XPTO do "Boa Coma e Boa Mesa" do Expresso, rapaziada que come com garfo e faca, nunca lhe passou seguramemte  pelos dentes a "bianda" da Guiné nem conheceu os "petiscos" dos nossos "vagomestres"... 

O serviço é simpatiquíssimo e eficiente, a casa estava cheia (2 salas, uma delas para fumadores), o ambiente é familiar,  ruidoso como convém, onde há povo, onde há "tugas"... As moças andam todas numa fona, mas a cozinha despacha bem e depressa... Nada de requintes, as próprias instalações têm o ar típico de muitos restaurantes à beira mar, de "design" popular(ucho)... O peixe do dia anda na casa dos 40 euros /quilo (com exceção do cherne que ontem estava no "super" do Corte Inglês a 60 e tal, e chega aos restaurantes dos ricos a centos e tais...).

Não sei quanto é que o meu amigo Paradela pagou mas não deve a extravagância do rebento aniversariante ter ultrapassado os 20 euros por cabeça, sem sobremesa... ( A sobremesa foi o bolo de anos, revestido com o emblema do Benfica, coitada da Helena, que nos serviu, e que é ferrenha do Setúbal, nunca lhe tinha acontecido fazer um frete daqueles, atravessar a sala com a "águia nas mãos"!...O que uma mulher faz para ganhar a vida!).

O "Baluarte do Sado" (com cerca de duas dezenas de anos de existência)  está provado e aprovado, camarada e amigo Hélder, engenheiro de energia e sistemas de potência, cistagano de nascimento, transtagano por casamento...  Sei que não há conflito de interesses, gostas de lá ir e recomendas aos teus amigos, com o único senão do verão, em que o povo faz bicha à porta do "Baluarte do Sado"...

Para os nossos leitores aqui ficam as coordenadas do "Baluarte do Sado":

O que se recomenda: cataplana de peixe / caldeiradas, choco frito, peixe grelhado (, afinal, a comida mais primitiva do mundo, mas o "grelhar peixe"  tem os seus segredos...);
Horário: das 10h00 às 17h00 (isto quer dizer, que não há jantares!);
Localização: Praça da República, 1, Setúbal 2900-587, Portugal;
Parque de estacionamento: público;
Multibanco: tem;
Telefone +351 265 238 780;
Tem página no Facebook.

PS - Uma chamada de atenção para o incauto turista que vem do Norte:  o "choco frito" é uma das especialidades da terra, mas o choco que aqui se frita e come não é de cá, é da... África do Sul e de Marrocos... Duro que nem cornos, servido em pedaços industriais... No "Baluarte do Sado" não sei como é... Prefiro o "choquinho frito" do meu amigo Vitor, do Peraltabar, na praia da Peralta, Lourinhã (108 km a norte), a quem, de resto,  já dediquei em tempos uns versinhos (*)... Mas nisto de comes & bebes, as paixões não se discutem: eu detesto peixe cru, outros lambem-se por lampreia, outros ainda dão a volta ao bilhar grande só para comer peixe seco... Os fãs do "Choco Frito" de Setúbal também direito à mesa... Logo, nossos companheiros e confrades são, que no céu não há disto... (dizem que há outras "iguarias", eu não sei, afinal nunca ninguém lá foi e voltou)...


2. Quanto aos nossos "vagomestres", aqui chamados à colação... Deixem-me recordá-los: tínhamos com eles uma relação de amor & ódio... 

Dar de comer a milhares e milhares de homens em guerra, no TO da Guiné, entre 1961 e 1974, não era tarefa fácil... Eram escassos os frescos, a carne era um luxo, e o peixe... resumia-se ao bacalhau, seco e feio, que nos chegava, de vez em quando, pela Intendência... Não havia câmaras frigoríficas, só coisas em lata e pó...

Em suma, passava-se fome na Guiné, nos nossos aquartelamentos e destacamentos, já não falo nas tabancas em autodefesa para onde éramos mandados às vezes, uma secção ou duas para reforçar o seu dispositivo de defesa... Os nossos soldados raparam fome, os graduados, esses, tinham um pouco mais de privilégios e de alternativas

Coitados dos nossos "vagomestres", entalados entre o "nosso primeiro" que era uma espécie de ministro das finanças da  companhia, e o batalhão de intendência que, de Bissau, nos fazia chegar os víveres, da cerveja ao chispe de porco, das batatas (um luxo!) às salsichas, da farinha para cozer o pão à massa, dos grelos em pó às conservas... 

A indústria conserveira deve ter ganho rios de dinheiro com a p... da guerra. Além dos mixordeiros do vinho a martelo que nos impingiram muito falso vinho verde... gaseificado à pressão, e vendido a peso de ouro!

Ainda me interrogo: como é que a minha/nossa geração suportou aquela maldita guerra ?!

Coitados dos nossos "vagomestres", obrigados a dar-nos massa com "estilhaços de frango", ou, invariavelmente arroz com filetes de cavala ou ainda arroz com salsichas... Hoje, voltei a comer conservas, sobretudo das boas, das nossas, mas durante anos e anos a fio não podia sequer suportar o seu cheiro... Conservas, salsichas, macarrão, chispe de porco... Como foi possível fazer uma guerra com a "barriga a dar horas" ?... 

No mato, em operações, muitos de nós estavam dois ou mais dias sem comer, porque eram incapazes de tragar as horríveis rações que nos davam... Eu pessoalmente nem sequer as levava para o mato!... Levei uma vez: ia ficando louco com a sede, provocada pelos "enlatados" e os "açucarados" (marmelada, fruta cristalizada)... Nunca mais quis a m... da ração de combate. 

Alguém fez fortuna com as rações de combate, intragáveis, que nos impingiam no TO da Guiné!... E nunca houve "levantamento de rancho" contra as malditas rações... O povo era manso...e tinha boa boca!

Claro que havia dias de festa!... Claro que havia dias em que se tirava a barriga de misérias!... Quando se arranjava um cabritinho ou um leitão, ou uns quilos de camarão ou lagostim do rio Geba...Ou quando o pai do Tony Levezinho lhe mandava, pelo barco da Sacor, a sua encomendida, em geral "bacalhau do especial" da Terra Nova...

É por estas e por outras que a gente tem o direito de, nesta caserna virtual,  mandar uns "bitaites" bem humorados e desabafar, sem risco de ser acusado de blasfémia: "Come, camarada, que no céu não há disto"...

Esperamos doravante que haja mais gente ("vagomestres da Tabanca Grande")  a ajudar a escrever roteiro gastronómico do país & arredores, respondendo ao nosso desafio: "diz-me lá, camarada, onde é que se come bem... e barato, na tua terra ?!"... De Ponta de Lima a Bissau, de Olhão ao Mindelo, todas as sugestões dos nossos "vagomestres", serão bem vindas... De resto, em matéria de comes & bebes, o "império" continua de pé, do Minho a Timor, o mesmo é dizer, o "império à mesa", da cachupa ao arroz de lampreia, das ameijoas à Bulhão Pato ao chabéu de galinha...

PS - A expressão "coma, que no céu não há disto", usava-a eu, muitas vezes, com o meu pai, mesmo na fase terminal da sua doença (,morreu de cancro no estômago, perto dos 92 anos)... A maior alegria, nessa altura, em que ele estava já num lar (entre 2008 e 2012), era levá-lo a almoçar fora, ao sábado (, peixinho, pois claro!, nunca vi aquele homem a comer um bife!), e depois beber um café e um cheirinho à beira mar... onde íamos os dois "lavar a vista"... 

Que saudades, meu pai, meu velho, meu camarada!...

3. Mais restaurantes em Setúbal

No "cartanito" que me deram, verifiquei que há mais dois restaurantes, do mesmo grupo, proprietário ou gerência... Tomem boa nota:

Baluarte da Avenida - Peixe grelhado | Av Luisa Todi 524, 2900-456 Setúbal | telef  265 573 470

Estuário do Sado - Choco frito e caldeiradas | R Guilherme Gomes Fernandes, 47 , 290-395 Setúbal | telef  265 573 068 (Aberto todos os dias da semana).
______________

Nota do editor:

(*) Vd. poste de 3 de agosto de 2014 > Guiné 63/74 - P13459: Manuscrito(s) (Luís Graça) (38): Que viva la (mo)vida... e o choco frito do Bar da Peralta!

9 comentários:

José Botelho Colaço disse...

Luís comentas os vários pratos de arroz mas esqueceste do tal arroz de salsichas olha que no Cachil era quase dia dia sim.Um abraço.

abilio duarte disse...

Bonito texto. Gostei e tomei em consideração as tuas recomendações, na Primavera, me apanham lá. Abraço.

Hélder Valério disse...

Ora bem.....

Que grande 'partida' que o Luís me pregou!
De facto estava em Lisboa, na sede da OET, numa reunião, e muito longe de um telefonema daquele género.
Com o telemóvel no silêncio, mas a vibrar, vi a primeira chamada com um número que não estava associado a nome, embora me parecesse familiar, e 'despachei' uma daquelas mensagens pré-escritas a dizer "estou em reunião".
Algum tempo, pouco depois, o mesmo número volta a insistir e como me parecer haver alguma urgência, saí discretamente da mesa e vim atender. Havia barulho tanto no local da emissão como na recepção e quando disseram que era a "Alice do Luís Graça" só percebi "Alice Graça", pessoa que em si mesma não estava a identificar.
Desfeito o imbróglio, reconhecidos os interlocutores e sabendo o que queriam e onde
estavam, lamentando não poder estar mais perto em tempo útil, sempre indiquei o restaurante referido que era de facto o mais perto e que pensei poderia satisfazer as pretensões a contento.
Não me 'responsabilizei' pelo preço pois sei que a rapaziada dos restaurantes só vendem 'especialidades' e isso normalmente acaba por induzir uma inflaçãozinha... mas sabia que em matéria de qualidade, em situação normal, não ficaria mal visto e como era sábado a possibilidade do "pexinho" ser fresco ainda era maior.
Aliás esse local é muito frequentado pelos senhores (e senhoras, que temos de ter cuidado com estas questões de género) juízes e outros funcionários do Tribunal, já que o "Baluarte do Sado" fica nas traseiras do mesmo.
Tem esse nome "Baluarte" porque está junto a um dos vários 'baluartes' que defendiam a povoação do que pudesse aparecer do lado do mar e/ou rio. Aliás, a zona de estacionamento em frente era em tempos zona de água... e do lado esquerdo de quem olha para o restaurante ainda se vêem panos de muralha.
O Luís refere que é só para 'almoços'.... é verdade, quem quiser 'jantar' que vá ao "Baluarte da Avenida", que é uma zona mais movimentada, na Avenida Luísa Todi, já que o "do Sado" fica, à noite, muito isolado e exposto à possibilidade de ocorrências...
Claro que, felizmente, há mais, bastantes mais, locais para repasto, dependendo do tipo de comida que se pretende.
Um dia destes, aceitando o desafio do Luís Graça, tentarei dar uma (pequena) lista de alguns desses espaços para quem quiser conhecer.

Já agora, de passagem, é bem verdade que o Mercado é bonito visualmente, tanto por fora como por dentro, em termos construtivos e de decoração e é, também normalmente, um regalo para a vista, tanto a zona das bancas de peixe e mariscos (já vos falei da "pedra da Odete", já que por aqui referem as bancas como 'pedras'), como as frutas e legumes.
Também é verdade que ao sábado os preços sobem um bocadinho para poderem 'sacar' mais alguma coisa ao visitante mas isso também funciona para os 'nativos' que não têm possibilidade de se abastecerem à 5ª ou 6ª....

Quando vim para Setúbal, os amigos da Sapec para onde vim trabalhar, afadigaram-se a instruir-me sobre as melhores 'pedras' e sobre a conveniência de dar sempre uma volta geral para perceber como as coisas estavam em termos de quantidade e qualidade e recordo sempre com um sorriso (interior) uma das frases mais descuidadas que às vezes ouvia quando espreitava numa 'pedra' e depois seguia em frente "ó freguês, venha cá, o pexinho é fresco, cheira mal é da vasilha", ou seja, uma tentativa tosca e inútil já que continha em si mesma a confissão da menor qualidade do artigo....ingenuidades!

Hélder Sousa

Tabanca Grande disse...

Hélder, o teu texto vai servir de introdução às próximas sugestões de "vagomestre da Tabanca Grande"... A ideia é termos uma lista de sítios, de norte a sul do país, onde a rapaziada, em passeio, possa ir com a recomendação de um camarada...

Eu sei que Setúbal tem outros encantos gastronómicos e não só... Andei, por exemplo, na parte velha e vejo os progressos que têm sido feitos na reabilitação.. Pena é que os fios da eletricidade e telecomunicações não tenham sido enterrados na altura... São um "cancro inestético" nas nossas vilas e cidades históricas...

Sei que vocês têm um belo Museu de Arqueologia e Etnografia, que ainda não conheço... Conheço o Museu do Trabalho, e quero lá voltar. Por outro lado, também quero ir ao Moinho de Maré de Mourisca e observatório de aves...

Não cheguei a perceber se fostes eleito para os órgãos sociais da tua Ordem, ou se ainda estás em campanha eleitoral... Em qualquer dos casos, muita saúde e bom trabalho... E obrigado, mais uma vez, pela tua disponibilidade e gentileza... Luís

Tabanca Grande disse...

Isto não é publicidade, muito menos encapotada... Falando do "Baluarte do Sado", o nosso "vagomestre" Hélder Sousa escreveu e muito bem:


(...) "Aliás esse local é muito frequentado pelos senhores (e senhoras, que temos de ter cuidado com estas questões de género) juízes e outros funcionários do Tribunal, já que o 'Baluarte do Sado' fica nas traseiras do mesmo.

Tem esse nome 'Baluarte' porque está junto a um dos vários 'baluartes' que defendiam a povoação do que pudesse aparecer do lado do mar e/ou rio. Aliás, a zona de estacionamento em frente era em tempos zona de água... e do lado esquerdo de quem olha para o restaurante ainda se vêem panos de muralha." (...)

Hélder, não é "garantia de qualidade", mas é um indício: onde há "gajos" (e "gajas"...) das finanças e dos tribunais, estás bem "acompanhado"...pelo menos em matéria "gastronómica"... Normalmente, essa malta tem faro para os "comes & bebes"... Falo de cátedra, andei quinze anos na direção geral das contribuições e impostos (, acabei a minha carreira como técnico superior do Centro de Estudos Fiscais, a "nata dos fiscalistas")...Passei pela Lourinhã e por Mafra, antes de vir para Lisboa, até que em 1985 troquei este "paraíso" pela... saúde pública, o ensino superior...

Enfim, vamos lá acrescentar mais meia estrela ao "Baluarte do Sado"... O "sítio" é feioso, espero que arranjem uma solução urbanística e arquitectónica para aquele buraco... hoje é um parque de estacionamento "ad hoc"... Setúbal não está bem servido de parques de estacionamento (públicos), e a frente "ribeirinha" está ainda um bocado "atamancada"...

Obrigado pelas tuas "dicas"... LG

Valdemar Silva disse...

Hélder, então e o choco frrito?
Ir a Setúbal e não provar o choco frrito é como ir à Bairrada e não comer Leitão.
Valdemar Queiroz

Hélder Valério disse...

Olá Valdemar

Tens razão. "Chôque frrite".... mas lá chegaremos também.
Durante uns tempos (9 anos...) fiz férias em Monte Gordo e, naturalmente, para quebrar a rotina casa-praia, lá se faziam umas 'romarias' a Nossa Senhora da Asneira, ou seja, Ayamonte, beber 'umas cervejas e umas coisas fritas' mas inevitavelmente lá vinha a comparação com o choco frito.... nem primo!
Claro que por aqui "todos" fazem o melhor choco, todos acham que o melhor 'é o deles' mas quem decide isso é o cliente....
Sem interesse publicitário lá direi de minha opinião que, naturalmente, valerá o que valer.
Abraço
Hélder Sousa

José Marcelino Martins disse...

è bom referir que os vaguemestres tinham instruções rigorosas, para não repetir as ementas.
Assim, não sendo ou tendo sido vageuenestre, venho em defesa do mesmo da minha companhia que, por sinal promontório, se chama CALDEIRA, Vítor Caldeira.

Aquele homem nunca repetiu uma ementa, e é de referir que só havia um rancho que era servido a toda a gente.

Se ao almoço servia "arroz com salsicha", tinha o cuidado de à noite servir "salsicha com guarnição de arroz". Como vêm é simples.

Quando acabavam as salsichas, substituía as mesas por rodelas de chouriço, mantendo o arroz e a rotatividade da ementa até que, por falta de arroz, substituía este por feijão e marcava-se uma "coluna de reabastecimento".

Não esquecer as célebres "batatas desidratadas" que, por falta de hidratação era uma boa porcaria. Mas quando o dito vaguemestre descobriu que, após hidratadas durante dois dias, se conseguia elaborar a ementa com menos matéria prima, passou a ser quase obrigatória a sua introdução.

Portanto não digam mal da alimentação, que não sendo gourmet, era comparável a um restaurante *****.

E rezava-se sempre antes de comer, não fosse a mesma fazer algum desequilibro intestinal.

Tabanca Grande disse...

Ó Hélder, eu sou fã do "choco frito"... mas puxo a brasa à minha sardinha, ou mesmo é dizer, à minha terra, onde o choco frito também é popular... O do "Peraltabar" , na praia da Peralta, Lourinhã, é a minha bitola...

Diz lá qual é, publicidade parte, o teu cantinho favorito p'ró choco frito, na tua terra de adoção... Temos dificuldade em escolher, aí em Setúbal, já que porta sim, porta não, há um um "rei do choco frito"...

Fui há dias à Carrasqueira, a tal aldeia do cais palafítico, a 5 km da Comporta, que fica na maregm esquerda do estuário do Sado... E, estupidamente, em vez de pedir "choquinhps de coentrada", fui pedir choco frito, ameijoas e enguias fritas... A matéria-prima era boa, a cozinha é que é mazinha... Ou então tibve azar... Dizem que não se pode ter tudo... Se calhar fui que escolhi mal... O choco era duro, as ameijoas apanharam calor a mais, as enguias fritas demais... A Alice ficou doente... E paguei 30 morteiradas, o que seria excelente se a confecção fosse boa...

O sítio era proleta, tipo tasca (que eu adoro, à partida, mas tambéms e apanham barretes): "O Retiro do Pescador"... Levava uma referência: "O Rei do Choco Frito"... mas estava fechado... (ou será que só abre no verão ?).

A prova de que os pobres não cozinham mal é o nosso Alentejo... Mas agora que os "Chefs" (e não "os chefes"...) estão na moda e são as profissões mais bem pagas em Portugal (, tirando banqueiros, administradores das EDP, CTT e outras empresas quejandas...), não temos motivos para comer mal... Ah!, e para mais temos o Chef Avillez, o chef do ano!... O "zé tuga" cai de cu no pico do Evareste, quando há um estrangeiro a repare nele... (E, a propósito, parabéns ao "chef" Avillez e à sua equipa!... Ninguém marca golos sozinho!)...

Lá em cima, no Norte, na nossa Quinta de Candoz, cozinha-se bem e eu gosto de tirar umas "chapas" às nossas comidinhas... Um dia destes ainda vou abrir um restaurante virtual com o nome "Oh! Avillez, não tens cá disto?!..."