sábado, 7 de julho de 2018

Guiné 61/74 - P18820: Fotos à procura de...uma legenda (106): O milagre do vinho, ontem, do Cartaxo (que chegava ao Cacheu...), hoje de... Pias, que entope as prateleiras das nossas superfícies comerciais, em caixas de cartão... (Virgílio Teixeira / Luís Graça)


Foto nº 60 >

Foto nº 60A


Foto nº 60 B

Guiné > Região de Cacheu > São Domingos > CCS/BCAÇ 1933 > Novembro de 1968 > O alf mil SAM Virgílio Teixeira (o segundo a contar da esquerda), a ajudar a descarregar garrafões de vinho, alguns dos quais têm o rótulo do Cartaxo (presumivelmente, da Adega Cooperativa do Cartaxo).

Foto (e legenda): © Virgílio Teixeira (2018) / Blogue Luís Graça & Caramadas da Guiné (2013). Todos os direitos reservados


1. Mensagem. de 3 do corrente, enviada pelo nosso grã-tabanqueiro Virgílio Teixeira , ex-alf mil,  SAM, CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69) [natural do Porto, vive em Vila do Conde, sendo economista, reformado; tem já cerca de 7 dezenas de referências no nosso blogue]:

Assunto - Os vinhos a martelo para as tropas da Guiné

Luís no seguimento dos assuntos vinícolas (*), que são da tua nova especialidade, aqui vai uma foto na luta da "trasfega" dos garrafões de 10 [ ou 5 ?] litros do barco para os camiões com destino ao armazém geral.

Consigo ler 'Cartaxo' e outro parece dizer 'Paladar' mas este último não me recorda de ver ou se existe. Podes dar uma ajuda?

Os vinhos Cartaxo não são lá da tua região de nascença? E o Paladar?

Foto recolhida no cais de S. Domingos em Novembro de 68. Está nos Postes de São Domingos.

Um abraço,
Virgílio


2. Comentário de LG:

Virgílio, mais uma foto do teu álbum, que é uma caixinha de surpresas... E esta vale ouro...  O Cartaxo, na época, e durante muitos anos, era a terra do milagre do vinho.  Tinha muita parra e muita uva... De resto, o Ribatejo e a Estremadura produziam grandes quantidades de vinho, sem se olhar à qualidade... Não havia piquenique, nos anos 60, onde não pontificasse o "tintol" do Cartaxo... Era a época em que beber vinho era dar de comer a um milhão de portugueses...

Hoje o milagre chama-se "Pias", uma terrinha, uma freguesia,  que fica lá para o Alentejoo profundo, concelho de Serpa, na margem esquerda do Guadiana... E que eu saiba só tem dois produtores e engarrafadores de vinho, mas há mais de um dúzia de marcas de vinho (em embalagem de cartão...) que começam por Pias. e que são tudo menos vinho regional alentejano. O seu sucesso é tal que inundas as grandes superfícies... Ora trata-se de vinhos provenientes da UE (União Europeu), o que não é "ilegal", mas é "eticamente" reprovável do ponto de vista comercial... É que vinho alentejano é que não deve ser, e muito menos de Pias... E os armazéns são aqui da grande Lisboa e região centro: Pias é uma "mina"...

Não direi que são "vinho a martelo" (, a expressão é forte, e tecnicamente incorreta...)  mas a verdade é que o uso e abuso do topónimo Pias engana muito consumidor desprevenido, que não lê os rótulos... Pode ser vinho (e é, já o provei, a contra-gosto...). Não, não é "vinho regional do Alentejo", mesmo que tenha 13º...  Hoje bebe-se "Pias" como no passado se bebia "Cartaxo"... Só que na época não havia a famosa "bag in box" (caixa de cartão) que, como se sabe, não deixa o vinho oxidar (ou "azedar"):  a torneirinha, de plástico, é um vedante, deixa sair o precioso líquido, mas impede a entrada de ar, evitando por isso o nosso conhecido fenómeno da  "oxidação"...

Diz o "Jornal dos Sabores", em edição digital de 6 de julho de 2017: 

(...) “Leva este que é alentejano, é de Pias” sugeria o acompanhante de um cliente de uma grande superfície, indicando um vinho, em bag in box, que ostentava na marca a palavra ‘Pias’. A avaliar pelo número de marcas que fazem parte da atual oferta, a localidade de Pias está ‘em alta’ na cotação vinícola. Numa pesquisa (pouco aprofundada), identificámos 12 marcas de vinho acondicionado em bag in box em que é usada a palavra que pretende «identificar» aquela freguesia alentejana do concelho de Serpa. Mas é provável que existam mais algumas."...

O jornal identificou pelo menos uma dúzia de "marcas" de pretensos vinhos de Pias: Arca de Pias; Amigos de Pias; Anta de Pias; Alma de Pias; Castelo de Pias; Chão de Pias; Ermida de Pias; Lagar de Pias; Ouro de Pias; Porta de Pias; Só Pias; Vinhos de Pias... Mas parece haver mais...

Ora, e tanto quanto eu sei, só há dois produtores de Pias, de resto, com excelentes vinhos, honra seja feita àquela terra... Um deles é Sociedade Agrícola de Pias, que produz e comercializa os vinhos Margaça. Depois há outra marca, que é o Encostas de Pias.

Virgílio, eu sou da Estremadura, o Cartaxo, perto de Santarém,  fica no Ribatejo, a uma horita de caminho (c. 60 km), no sentido nordeste.  Hoje felizmente fazem-se belíssimos vinhos nas duas regiões... E o Cartaxo puxa pelos seus pergaminhos históricos  quer voltar a ser a "capital do vinho", enquanto  a minha terra, Lourinhã (, no passado também com má fama de "marteleira", mas que sempre produziu vinhos desde há pelo menos 800 anos...)  é hoje a capital dos dinossauros e... da aguardente DOC Lourinhã... (Coisa que muita gente não sabe: só há três regiões DOC de aguardente vínica no mundo: Cognac, Armagnac e... Lourinhã!)...

Mas as regiões vitívinícolas em Portugal são apenas as seguintes: Vinhos Verdes, Trás-os-Montes, Douro, Bairrada, Dão, Beira Interior, Távora-Varosa e Lafões, Lisboa, Ribatejo, Península de Setúbal, Alentejo, Algarve, Madeira, Açores...

Conselho ao consumidor: quando comprar (e/ou beber) vinho,  leia por favor os rótulos das garrafas...

Virgílio, o outro vinho , marca "Paladar", nunca ouvi falar... Fica o desafio aos nossos leitores: estes fotos merecem uma boa legenda (**)...
_____________

Notas do editor

14 comentários:

Tabanca Grande disse...

Virgílio, no meu tempo havia uns garrafões de vidro, revestidos a madeira (a 3/4 do corpo do garrafão) que deviam levar 20 a 25 litros de vinho... Vinham aos encontrões nos barcos "turras", desde Bissua, pelo Geba acima, até chegarem ao destacamento de intendência de Bambadinca. Dali seguiam para todos os aquartelamentos do leste, em colunas logísticas... Quando havia minas e/ou emboscados, era ver vinho a espichar pelos garrafões... Mais uns autos de ru+ina, mais uns dias a pão e água... Era assim a vida de um cristão naquelas terras de Alé e dos irãs...Crosto, de facto, não parou por ali...

Tabanca Grande disse...

Pode ser que alguns dos nossos "intendentes", dos nossos vagomestres e dos nossos médicos, queira e possa um dia explicar ou desmontar este "mito": dizia-se, na tropa e na guerra, que o vinho era "batizado" de muitas maneiras... E usava-se a "cânfora" como "saborizante"...

Realmente, na época, os nossos vinhos eram uma merda e o que chegava à Intendência devia ser pior que merda... Mas a rapaziada nunca se conformou com o raio da cânfora, achava que era mesmo para tirar a "tusa ao pessoal"...

Afinal, onde está ou estava a verdade ?

Tabanca Grande disse...

Pelo contrário, já li qualqier coisa sobre os efeitos medicinas da cânfora... Sob a forma de óleo, até é considerado um afrodisíaco... Em que é que ficamos ?

PS - É preciso ter cuidados com os "sites manhosos" dos vendedores de banha da cobra... Por isso apelo aos nossos farmacêutcos e aos nossos médicos...

Anónimo disse...

Puro mito..a canfora

Nem é afrodisíaco nem inibidor da coisa (libido --tusa etc e tal).

Foi utilizada com fins medicinais em tempos idos em forma de óleo, misturada com álcool etc, em excesso até é tóxica.
Parece que tem efeito repelente para insectos .
Quanto ao vinho de Pias, é produzido pela "sociedade agrícola Margaça" que comprou aos herdeiros de João Brás Rogado.
Pias nos anos 50 tinha 6 mil habitantes e devido a circunstâncias da minha vida pessoal vivi lá um ano, onde fiz a 1.ª classe

C.Martins

Tabanca Grande disse...

C. Martins, sê bem vindo e obrigado pelo teu esclarecimentpo sobre a cânfora... LG

Tabanca Grande disse...

Vou pedir aos nossos camaradas do Batalhão de Intendência, o Fernando Franco, o Antonio Baia, o João Lourenço - cito de cor - para esclarecer esta "momentosa" questão do vinho e da cânfora... E já agora:

- Qual era a ração diária de um soldado na Guiné ? UM decilitro, dois,à refeição ? (Dois decilítros por dia dava, a mulplicar por 160 homens, dava 32 litros por companhia, ou sejam, 6 garraões de vinho... ao fim do mês eram 180 garrafões, o que obrigava a uma logística complicada... transporte, armazenamento...

- como é que o vinho era transportado desde Bissau ? Em garrafões, de 5 litros, 20 litros ? Em meias pipas ? Ou outro vasilhame ?

- O vinho levava aditivos ? Cânfora, por exemplo ? Era batizado, com "água do Geba" ?

- Lembram- se de alguma marca, como por exmeplo o "Cartaxo" ?

Obrigado, em nome da Tabanca Grande e em honra da memória dos nossos valororos "intendentes".

LG

Anónimo disse...


joao lourenco
8 julho 2018 11:27


Bom dia Luís

A cânfora é, quanto a mim, e fui responsável pelo tacho, fui comandante de um PINT, um mito.

O vinho era fornecido pela MM [Manutenção Militar] em bidons de 215 Lts, salvo erro, e usado assim mesmo, devido ao calor havia por vezes o hábito de usar um bidon sem a tampa onde eram colocadas barras de gelo feitas com água tratada e potável claro, o que dava sobras....

Havia algum controle para evitar grandes "bubas". Em especial em Bissau, no mato.....dependia.

Um alfa bravo
João Lourenço

ze manel cancela disse...

Em Buba,68-69,nunca vi vinho em garrafões.
Vinha em barris,que depois de vazios,davam para
fazer umas comodas cadeiras,como toda a gente conhece.

Abriam a tampa,tiravam o vinho,para os compadres,
e depois era baptisado,com água do poço,porque
gelo…….Cá tem,na Buba….Era uma bebida horrível
por estar quente e sem gosto,graças á agua.Eu deixei se beber aquela mistela……

Valdemar Silva disse...

Quanto a vasilhame.
Lembro-me quando a CART 2479, depois CART 11, chegou/fixou no Quartel de Baixo, em Nova Lamego, haver, logo à entrada no lado esquerdo, uns barris, talvez uns dez, de
50? litros que tinham vindo aquando da evacuação de Madina do Boé e para ali foram arrumados. Evidentemente que estavam vazios e todos com orifícios provenientes de tiros ou estilhaços. Depois o nosso 1º. Cabo Coutinho, grande jogador de futebol e
excelente carpinteiro, fez uma séria de mobiliário com as aduelas. O balcão e os bancos altos do nosso Bar foram feitos com aduelas dos barris. Aliás, havia em vários Quarteis a celebres cadeias de balanço feitas com aduelas de barris.
Quanto ao tintol.
Já não tenho bem presente a qualidade do vinho que todos os dias acompanhava as refeições de toda a Companhia. Desde o soldado ao capitão todos comíamos do mesmo tacho e bebíamos do mesmo vinho. Julgo que haveria alguns que bebiam cerveja, coca cola ou fanta.
Quanto ao tintol com cânfora.
Já desde o tempo da recruta, se falava em mistura da cânfora no vinho, mas o que era um facto é que fome, sono e tusa nunca faltou à rapaziada da tropa.
Ab.
Valdemar Queiroz

Anónimo disse...

Bom, temos aqui pano para mangas, vamos por partes:
Pias, conheço o nome e já bebi esporadicamente, mas julgo ser do verdadeiro. Vou ter de futuro mais cuidado quando comprar este vinho. Não tenho nenhuma lembrança se é bom ou mau, como diz o outro 'Escorrega pela garganta, logo é bom...'.
Canfora: Já ouvi falar, mas não sei o que é, agora vou ficando mais esclarecido, nunca soube que isto era utilizado seja para o que for, misturado em vinhos, não conheço, nada posso acrescentar.
Mas tenho dois colegas/camaradas que foram comandantes de PINT - Pelotão de Intendência. Um estava em Bissau, ainda falamos aqui no Porto, o ex-alferes Fontão, foi evacuado a meio da comissão, estava lá comigo, encontrava-o sempre que ia a Bissau, ele tinha lá a mulher e uma filhinha, que cheguei a levar na minha motorizada. Enfim, achou que andava a correr riscos desnecessários, meteu baixa ao HMR241, e foi evacuado, com outro meu amigo ex-alferes Alberto (do Cenáculo) que também lá tinha a mulher - recém casados - estavam na Pensão da Dona Berta, logo acima do Bento, mas ele era mesmo tolo, e ainda é hoje, e também foi evacuado por razões óbvias, vieram os dois no mesmo avião militar, e chegaram a Lisboa, como também eram amigos, foram directos para o Algarve, em vez de irem para a Estrela, e em resultado disso tiveram algumas chatices, mas estão vivos. Vou falar com ele.
O Outro é mesmo o Ramos - o Raminhos como lhe chamávamos, encontrei-o em Bambadinca do dia 4 de Outubro de 67, quando o meu batalhão se deslocava de Bissau para Nova Lamego.

Anónimo disse...

Posteriormente eu vim várias vezes a Bambadinca, na colunas de reabastecimentos, encontrávamo-nos mas a conversa nunca foi de bebidas nem comidas. Mas ele sabe muito disso, eu encontrei-o novamente em 26FEV68, quando regressamos a Bissau e passamos em Bambadinca, como é natural para apanhar os barcos de turra - já existem postes destas andanças, mas tenho mais ainda.
Encontrei-o muito mais tarde no Porto, ele tinha uma galeria de arte na Foz, eu andava a comprar umas coisas para pendurar nas paredes do meu escritório na Avenida da Boavista, e assim dei com ele. Estava numa em grande, não sei como conseguiu lá chegar, não me parece que fosse de famílias abastadas, estivemos ao mesmo tempo nas recrutas de Mafria e EPAM, não o conhecia de lado nenhum, mas ele não vinha ao Porto como eu todas as semanas, não sei porquê. Depois andava sempre atrás de mim para me vender alguma coisa, mas nunca lhe comprei nada, acabei por comprar noutras galerias. Agora reformados e velhos, encontramo-nos esporadicamente em alguns restaurantes do Porto. Como tenho o contacto dele, vou saber mais coisas, se ele contar, mas não estou certo.

Conforme o Valdemar diz, eu conheço esses garrafões de 20 litros, aliás tenho essas fotos, mas nunca vi os tais de 200 litros como disse outro comandante de um PINT. Claro que não devia ser tudo igual, quem me poderia ajudar era o nosso Vagomestre,o Paiva Matos, estivemos muitas vezes em Vila do Conde, mas agora deixei de o ver no Verão, vou perguntar a um amigo dele que encontro aqui em Vila do Conde, para me dar algumas informações.
Todos os apetrechos dos bidões eram sim utilizados em várias aplicações, cadeiras, mesas, etc. Tenho fotos no bar de sargentos com cadeiras altas, feitas com esses restos de bidões, como hoje, também já se faz reciclagem, com as Paletes, dá para tudo, é barato e reciclável.

Anónimo disse...

Mais uns autos de ru+ina, mais uns dias a pão e água, palavras do Luis. Não sei mas devees referir-te a 'Autos de Destruição'? Certo?
Isso é uma história que eu conheço bem, os 'autos fabricados a martelo' para alguns meterem algum ao bolso. Acho que já falei disso, mas não quero adiantar-me. Os autos de destruição eram elaborados pelas companhias, e quando existia um ataque - Em Madina do Boe era um por dia - era tudo 'destruído', e logo mais um auto, e depois não preciso de contar tudo. Isso passava pelas minhas mãos, e o CA do Batalhão tinha de dar o seu aval, mas quem ia lá confirmar algumas coisa?

Também não conheço quais eram as rações de combate - bebidas - per/capita, mas não faltava vinho, ou qualquer coisa com sabor a esse néctar dos Deuses, só que os deuses não estavam na Guiné...
Vinho Tinto?
Não me lembro de o ver! será que serviam vinho tinto com aquele calor, devia ser caldo, e com a água benta devia ficar bonito de se beber.
Azar para a malta de Buba e outros locais, que não tinham gelo, mas a guerra do gelo era uma constante em todas as unidades, só se fabricava quando havia energia elétrica, que só trabalhava meio dia, depois as camaras frigorificas, quem as tivesse a petróleo, estava desenrascado, mas não era à balda.

Por agora é tudo,

Ab, Virgilio

Tabanca Grande disse...

Virgílio, tu que és um homem do Norte, um camaradão, e que "tens mundo", vê lá então se esclareces, com os teus amigos e camaradas desse tempo, estes pontos em aberto...

Se não fores tu, se não formos nós, serão os putos dos departamentos de história das nossas faculdades, bolseiros, doutorados, a 900 euros por mês, os escravos dos prof que lá mandam...

Quanto aos autos, deviam ser de "destruição" e não de "ruína", peço deculpela pela gralha ou "lapsus lingaue"...

A burocracia militar tinha muitos palavrões e sobretudo maneiras de justificar a perda, o extravio, o roubo, a destruição... total ou parcial de tudo e mais alguma coisa, desde géneros alimentícios a viaturas, ou de armamento a munições... E até a perda de homens, que quando eram apanhados à unha pelo IN, nunca eram referidos como "prisioneiros de guerra" mas como "retidos pelo IN"... A lógica era imbatível: oficialmente não guerra, a gente não estava em guerra contra nenhum Estado ou país independente... Logo, não podia haver "prisioneiros de guerra", de parte a parte...

Segundo o dicionário, "reter" alguém ou alguma coisa é "guardar alguém contra a sua vontade" ou "guardar o que é de outrem contra a vontade do dono".

Toma lá mais esta, humor com humor se paga... LG

Anónimo disse...


Bom dia ao pessoal disponível, vamos aos vinhos:


joao lourenco em 8 julho 2018 11:27, disse:


Bom dia Luís

A cânfora é, quanto a mim, e fui responsável pelo tacho, fui comandante de um PINT, um mito. Também acho que isso era um mito embora não ouvi falar nisso.

O vinho era fornecido pela MM [Manutenção Militar] em bidons de 215 Lts, salvo erro, e usado assim mesmo, devido ao calor havia por vezes o hábito de usar um bidon sem a tampa onde eram colocadas barras de gelo feitas com água tratada e potável claro, o que dava sobras....
Segundo o meu camarada da Companhia de Transportes, que levava esse vinho até qualquer parte incluindo BUBA, ele diz que, 'bidons' só para a gasolina, o vinho só poderia ir de barris no máximo de 200 litros. Ele diz que levou alguns, poucos, só se lembra de 5 litros e aqueles com madeira á volta de 10 litros, nada mais, e foram 2 anos a transportar para todo o lado. Aliás o vinho em bidões e latão oxidava logo, certo?
Havia algum controle para evitar grandes "bubas". Em especial em Bissau, no mato.....dependia. Pois o tal controle devia existir mas só com acesso de alguns, os que mexiam nisso, vagometres etc. Não tenho opinião. Que o vinho era uma droga isso sei, por isso não bebia.
Espero a confirmação.

Ab, Virgilio