terça-feira, 3 de julho de 2018

Guiné 61/74 - P18806: Ser solidário (214): SOS!!!... SOS!!!... Por Timor Leste e pela língua portuguesa... Há um esforço (deliberado) da Austrália para fomentar o uso do inglês, e da Indonésia, para promover o bahasa... Camarada, manda até ao fim do dia um email ao Senhor Presidente da República para que envolva Portugal e os portugueses nesta campanha em defesa da educação, em português, na pátria de Xanana Gusmão e Ramos Horta... O verdadeiro "campeonato do mundo", não o da bola mas o do futuro, joga-se e ganha-se aqui... (João Crisóstomo, Nova Iorque)

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Timor-Leste > Símbolos Nacionais > Bandeira: "A bandeira nacional é rectangular e formada por dois triângulos isósceles de bases sobrepostas, sendo um triângulo preto com altura igual a um terço do comprimento que se sobrepõe ao amarelo, cuja altura é metade do comprimento da bandeira. No centro do triângulo de cor preta fica colocada uma estrela branca de cinco pontas, que simboliza a luz que guia. A estrela branca apresenta uma das pontas viradas para a extremidade superior esquerda da bandeira. A parte restante da bandeira tem a cor vermelha. Amarelo - os rastos do colonialismo; Preto - o obscurantismo que é preciso vencer; Vermelho - a luta pela libertação nacional; Branco - a paz. Iin "Constituição da República Democrática de Timor-Leste", Parte 1, Artigo 15º".

(Fonte: Portal do Governo de Timor-Leste, que é em Tetum, em Português e em Inglês)

João Crisóstomo
1. Mensagem do nosso amigo e camarada João Crisóstomo (Nova Iorque), a quem o saudoso cardeal patriarca de Lisboa,  Dom José Policarpo (1936-2014) chamava "o berbequim", devido à persistência, teimosia e coerência com que luta(va) pelas causas em que se empenha(va):

Data: 3 de julho de 2018 às 13:02
Assunto: SOS! SOS!

SOS...SOS....

Para quem vacila, eu quero responder a uma pergunta que me puseram sobre o porquê da minha campanha por Timor Leste (*)  quando outras nações da CPLP também precisam de ajuda. 

É que, no que se refere à língua portuguesa, Timor Leste é um caso único de muita preocupação: eu constatei -  e muitos outros me dizem terem verificado o mesmo - que há aí um esforço deliberado de muitas partes, especialmente da Austrália, fomentando o uso do Inglês, e da Indonésia que promove o uso língua indonésia bahasa, para acabar com o uso da língua portuguesa. 

Eu quero citar um exemplo deste evidente esforço que eu mesmo experimentei e sou testemunha: mesmo no centro de Dili, com cinismo, irónico e premeditado, pois foi nada mais nada menos que dentro do "Centro Alexandre Gusmão! - o que pode parecer parece incrível, mas é pura verdade. 

Foi aí mesmo que isto sucedeu: quando eu fiz uma pergunta em português,  houve um indivíduo aí presente nesse momento que veio ter comigo e me disse para falar inglês: "Aqui não se fala português, que é uma língua sem importância". 

Evidentemente que causei um "alvoroço tremendo " que não dá para descrever aqui. Mas se alguém ainda vacila, na nossa campanha (*), pensem no que vai suceder se cruzarmos os braços. 
______________

Nota do editor:

(*) Vd. poste da série > 27 de junho de 2018 > Guiné 61/74 - P18784: Ser solidário (213): Petição, urgentíssima (até 3 de julho), ao sr Presidente da Republica, para instruir os seus serviços a apresentarem, na próxima reunião cimeira da CPLP em Julho próximo, em Cabo Verde, uma proposta visando a implementação dum plano extraordinário para os próximos dez anos no campo da educação em Timor Leste (João Crisóstomo, Nova Iorque)


(...) Mensagem por email a enviar à Presidência da República (até ao fim do dia 3 de julho de 2018)

(...) Endereço de email: belem@presidencia.pt

Exmo Senhor Presidente Marcelo Rebelo de Sousa,

Senhor Presidente,

A situação da educação em Timor Leste, especialmente para todos os que seguimos e partilhamos os anseios deste país, é de muita preocupação. É com muita confiança e esperança que viemos pedir o favor da sua ajuda para o que segue:

Uma vez que a promoção da Língua Portuguesa é um dos objectivos para que a CPLP foi criada e dada a necessidade e urgência dum esforço extraordinário no ensino da língua portuguesa no jovem país de Timor Leste, venho pedir ao Senhor Presidente o seguinte: que instrua os seus assistentes para prepararem uma proposta a ser apresentada na próxima reunião cimeira da CPLP em Julho próximo em Cabo Verde, visando a implementação dum plano extraordinário para os próximos dez anos no campo da educação em Timor Leste.

O fim deste é de que no 25.º aniversário deste país (em 2027) o acesso à educação esteja já ao alcance de toda a juventude e o uso da língua portuguesa seja mais generalizado, no seguimento da premissa de que a língua portuguesa e a religião católica foram os grandes pilares na luta pela reaquisição da Independência de Timor Leste.

Portugueses, e todos para quem Timor Leste e a língua portuguesa estão no coração – e porque sabemos que podemos contar com a sua ajuda –, estamos desde já antecipadamente muito gratos.

Com muita confiança aceite, Senhor Presidente, os meus respeitosos cumprimentos.

Local, Data, Nome (e mais algum dado, se achar bem incluir como ID: Nº de BI, Cidadão, Passaporte, Profissão... )

11 comentários:

Tabanca Grande disse...

João: Obrigado pelo teu "berbequim"... Somos cada vez mais um povo "descrente"...A tua energia é um suplemento de alma... Um abraço do tamanho de Lisboa a Nova Iorque... Até à próxima reunião da Tabanca de Porto Dinheiro, Lourinhã, em setembro .. LG

PS - Dou conhecimento a alguns amigos e camaradas da Guiné... dos muitos (774) que estão registados na nossa "mailing list"... Esperando que eles passem a palavra.... Postei também no nosso facebook,Tabanca Grande Luís Graça

Antº Rosinha disse...

Há um sentimento bastante negativo a nível nacional, em certas consciências, quanto a esta ideia de nos "preocuparmos" com o desaparecimento da lingua portuguesa no antigo "Ultramar" português.

Uma pena não se investir e se desperdice a oportunidade de ajudar a preservar esta riqueza, o nosso idioma.

Nem preciso explicar os "grandes motivos" que provocaram tal sentimento e quem provocou isso.

Anónimo disse...

António José Pereira da Costa
3 jul 2018 19h26

Olá, Camaradas

Fico com a ideia de que o problema é o da divulgação e consolidação da língua portuguesa.
Lembro aos camaradas que em 400 ou 500 anos não conseguimos implantá-la e que, depois da independência. não conseguimos divulgá-la e torná-la (realmente) no idioma oficial desses países.

Não tivemos dinheiro. Essa foi a questão crucial. Mesmo que a vontade política existisse (que não existia) não creio que as populações dos novos países estivessem interessadas em aprender português correctamente e aos diferentes níveis (primário, secundário e universitário). Tornava-se necessário que o parque escolar de cada ex-colónia fosse guarnecido por professores portugueses.

Não é porque não os haja e, certamente, muitos iriam nem que fosse para fazerem face ao desemprego, mas punha-se sempre a questão de quem pagava e eu não estou a ver os novos governos a pagar ordenados aos professores para lhes ensinar uma língua que não tinham aprendido ao longo dos séculos.

Era mais um reflexo "anti-colonialista" por parte dos jovens governos.

Nesta conformidade só nos resta deixar as coisas como estão, pois não creio que se tenham alterado as premissas para a resolução deste assunto.

Vai acontecer o mesmo que na Índia ex-portuguesa e em Macau.

Conformemo-nos!

Não há nada a fazer, sejamos realistas.
Um Ab.

Tabanca Grande disse...

Tó Zé: aqui repete-se a velha história: dar o peixe ou ensinar a pescar ? Exportar professores para Timor ou formar professores timorenses ? Como estamos a fazer com os quadros militares, com os médicos... Os melhores médicos angolanos são os que se formaram em Portugal, não em Cuba, ou na Rússsia...

Aqueles que "lutaram" pela independência de Timor-Leste, de muitas formas, também não podem cruzar os braços, desmoralizados, só porque Portugal é um país pequeno, de recursos limitados... E depois as necessidades são muitas e dramáticas: há Moçambique, com 11 milhões de habitantes que não falam português, e se calhar outros tantos em Angola... E na Guiné ? Talvez só 5 a 10% falem a "nossa" língua... Claro que há o crioulo... Mas esse problema é também das próprias elites, dos governos, da CPLP... A língua não é nossa... E não adianta diabolizar a colonização... Se não fossemos colonizados pelos romanos, não falaríamos hoje português...

Manter um blogue um blogue como o nosso em Português já é também uma pequena aos nossos amigos e irmãos timorenses... Deixemos aos políticos e aos especialistas encontrar soluções
viáveis, exequíveis, para problemas momentosos como este... Discutir o problema já é um princípio de solução... O luso-americano João Crisóstomo não está a pedir a Portugal que mande para Timor Leste um "contentor de professores de português"...

Abraço, boa noite. LG

Antº Rosinha disse...

Umas vezes há "Grandes" portugueses pensando pequeno, outras vezes temos "Insignificantes" portugueses pensando em grande.

Mas o pior de nós, é não pensarmos no longo prazo...ou neste caso no não expansionismo linguístico, até pensaremos a longínquo prazo, já não sei nada.

Veja-se que só relutantemente os "Migrantes" aprendem um pouquinho de português quando são recebidos em Portugal, e na primeira ocasião que têm, auto-excluem-se e desaparecem e vão falar inglês, francês ou alemão para outras bandas...para nosso "alívio" (?)

Teremos nós um instinto especial de auto-defesa?

Anónimo disse...

On Jul 3, 2018, at 4:08 PM, Joao Crisostomo wrote:


Meus caros,

Gostava de ser um bom advogado e ter mais facilidades de expressão-- que me faltam -- para responder cabalmente à mensagem do nosso camarada António Costa. Limito-me a dizer o que sinto: não me pertence nem vou estar a comentar o que foi feito no passado: uns "vivem das glórias do passado” e queixam-se de, segundo eles, “ da pouca importância que temos hoje” mas não fazem mais do que queixarem-se. Outros queixam-se do “que não foi feito e deveria ter sido feito; e agora não há nada a fazer"...

“Viver" só só das glórias do passado está errado. Mas muito errado está também não querer fazer nada— e aconselhar outros a não fazer nada também, simplesmente porque o passado foi mal amanhado ou no passado não foi feito aquilo que na opinião de uns ou outros deveria ter sido feito. "Conformemo-nos! Não há nada a fazer, Sejamos realistas". COM ISTO EU NAO CONCORDO! ISTO NA MINHA OPINIÃO ESTA MUITO ERRADO.

Vamos viver o presente e construir o futuro , dentro das nossa possibilidades— e isso exige uma atitude positiva, esforço e muita coragem.

A língua portuguesa foi um dos pilares que possibilitou, ou pelo menos ajudou muito, conforme os próprios timorenses conscientes e esclarecidos apontam com orgulho, a restauração da Independência de Timor. Quando esta foi readquirida, a língua portuguesa foi escolhida para ser, junto com o tetum , a língua oficial do país. Está portanto oficialmente reconhecida.

Parece que os australianos e indonésios têm direito a trabalhar e esforçarem-se para se apoderarem do que não é e nunca foi deles. Mas quanto a nós … segundo depreendo pelas palavras do nosso camarada António Costa, tentar guardar, promover a nossa lingua, a língua que os timorenses escolheram para ser a língua deles também… "Oo melhor a fazer é “nada”." <<<Conformemo-nos! Não há nada a fazer, Sejamos realistas. "

Nada de lutar pelos nossos valores, nada de fazer um pouco ( ou muito ) esforço por aquilo que é nosso…

Nao tenho palavras para exprimir o que sinto por tal atitude. Não sei o que hei de dizer!

Há meses passados fui a Timor para junto com um grande português, Rui Chamusco e Gaspar Sobral,um grande timorense que reside em Portugal . Fomos inaugurar uma escola que foi construída nas montanhas remotas onde não há escolas para as crianças. Quem construiu /pagou essa escola foi o Rui Chamusco, com ajuda do Gaspar Sobral e minha também. Sabe o que sucedeu logo? passados dias a escola ficou lotada e as pessoas adultas pediam se era possível construir mais uma escola para que eles pudessem também aprender a falar português. En tetum e na lingua local contavam com orgulho o que fizeram durante vinte anos para readquirirem a sua independência. E que sabem (,era a sua opinião e assim o diziam,) o muito que os portugueses fizeram por eles , que os portugueses foram sempre amigos deles e agora querem aprender a língua portuguesa.

Eu não quero ouvir dizer a ninguém outra vez numa terra onde a língua oficial é português para eu falar inglês. Eu quero poder sempre dizer e berrar como berrei ao meu interlocutor em Dili, usando, feitas as devida alterações, as palavras que ele usou: "NAO. Aqui não se fala inglês; aqui fala-se português. O inglês aqui é pouco importante".

Por Portugal, pelos timorenses, pela língua portuguesa, a todos um abraço amigo do
João.

Anónimo disse...


António José Pereira da Costa
3 jul 2018 21:51


Boa noite Camaradas

Começo por esclarecer que não sou contra o ensino de português onde quer que seja. Antes pelo contrário e não aplaudo de todo o desinvestimento do nosso governo naquela actividade.
Em relação às ex-colónias portuguesas é que o problema se me põe.

Fiquei satisfeito quando o Xanana Gusmão declarou que o português é a língua oficial de Timor. Era a sua maneira de marcar a diferença relativamente às grandes nações que por ali se situam.

Porém, quando anos mais tarde vi que os out-doors da campanha eleitoral do Cmdt Matan Ruak estavam escritos em tétum, não tive dúvidas: dentro de pouco tempo (uma geração(?)) deixaremos de ouvir falar português em Timor. Não aplaudo que assim seja, mas não tenho dúvidas de que a sociedade internacional em que vivemos tem uma dinâmica que não se compadece com sentimentalismos e tradições.

Talvez pudéssemos ter investido em força e muita qualidade no ensino da língua portuguesa em Timor se aquela fosse a única ex-colónia, mas não é, e por isso, inexoravelmente o português vai deixar de se falar. Pouco importa que aquela seja a "língua oficial" se não se praticar no dia-a-dia isto não passará de uma declaração "oficial" que vale o que vale até deixar de valer o que quer que seja no dia em que alguém pergunte para que serve falar português.

Nesse dia a história do banco pintado de fresco repete-se...

A aprendizagem do português pode vir a ser uma actividade lúdica sem mais consequência do que o estudo do latim em Portugal (mal comparado). é um acto de cultura, uma curiosidade, mas nada mais do que isso.

Recentemente descobriu-se que em Moçambique existem 11 milhões de pessoas que não falam português e especialmente nos meios rurais (precisamente os que menos acesso têm à cultura e onde o ensino é mais difícil de de fazer).

O português é a 3.ª língua em uso na Guiné e, contudo, passaram pouco mais de 40 anos sobre a independência...

A culpa é de quem? De todos! Dos portugueses porque não espalharam a sua língua (não quiseram fazê-lo na sua "acção civilizadora" e depois era tarde) e dos governos das diferentes ex-colónias que, tendo optado pelo português como expressão oficial dos seus países, não se aplicaram a desenvolvê-la. Nada lhes impunha aquela solução. E para cúmulo até a Guiné Equatorial aderiu à CPLP...

É triste? Se calhar, mas nós até podemos perguntar se a divulgação do português nas ex-colónias não será um tique do colonialismo?

Admitamos que o não seja, mas apenas um vestígios da passagem dos portugueses por aquelas terras.

Um Ab.

António Costa

Carlos Vinhal disse...

Se calhar Portugal não faz mais porque não pode. No caso de Timor, o irmão da minha mulher foi há anos integrado numa equipa enviada pelo Governo de Portugal com a missão de ali organizar os Tribunais, a seguir à independência. Acabou a sua missão e ainda hoje lá continua a dar o seu melhor. Trabalhou posteriormente para os australianos e mais tarde para o Governo timorense, na área da Justiça e não só. A sua mulher esteve também lá uns anos como professora, vindo há dois anos para mais perto, para Cabo Verde.
Podemos, contudo, perguntar que vantagem tem Timor em ter como língua oficial a portuguesa se tem como vizinhos colossos como a Austrália e a Indonésia onde o inglês é língua corrente. Exemplo do meu cunhado que teve que aprender à pressão a falar fluentemente inglês, caso contrário tinha que vir embora.
E Moçambique, na costa leste de África? Que vantagens tira do uso do português, língua totalmente desconhecida naquelas longitudes?
Vale mais esses países escolherem a língua que quiserem do que imporem a Portugal uma aberrante "língua portuguesa" como é o caso do brasileirês incluído no pacote do chamado AO.
Abraço
Carlos Vinhal

António José Pereira da Costa disse...

Olá Camaradas

Faço minhas as palavras do orador anterior.
É uma questão de censo.
Como já disse o sentimentalismo e a tradição não têm lugar aqui.

Um Ab.
António J. P. Costa

Anónimo disse...

Aqui vai um abraço de consolo ao Carlos Vinhal.
Afinal não estou só nesta luta, cada um que se cuide, são todos independentes!

Acho que não há lugar para este tipo de sentimentalismo, quem souber Inglês fluente é que se safa neste mundo global. Eu por acaso não falo assim, por isso calo-me.
Ab, Virgilio


Antº Rosinha disse...


«João: Obrigado pelo teu "berbequim"... Somos cada vez mais um povo "descrente"...»

Tomei a liberdade de fazer minhas as palavras de Luís Graça.