domingo, 17 de novembro de 2019

Guiné 61/74 - P20359: Tabanca Grande (487): Leonel Teixeira, natural da Madeira, luso-americano, Vice-Cônsul, Vice-Consulado de Portugal em Providence, Conselheiro da Diáspora Madeirense para os EUA, ex-alf mil, CCAV 3364 (Ingoré e Cumeré, 1971/73)... Senta-se à sombra do nosso poilão, no lugar nº 799.




Guiné > Região de Cacheu > Sedengal > CCAV 3364 > Na foto, a partir da esquerda: capitão Saraiva, comandante da CCAV 3364 (, a companhia do Carlos Nóvoa) e presente no almoço [1]; major Sampaio, oficial de operações [2] ; major (tenente-coronel?) Mateus [3]; com barba, alf il Ribeiro,  da CCAV 3364 [4]; de frente, alf mil trms  Almeida 5]; com o copo na mão, alf mil Agostinho Miranda [6]; o oficial de óculos não foi identificado [entre o 6 e o 7];  alf mil art Vasco Pires [7]; o último à direita é o tenente Nobre da CCS [8]; de costas, alf mil Teixeira (?),  da CCAV 3364 [9].


1. Mensagem do João Crisóstomo, ex-alf mil, CCAÇ 1439 (Enxalé, Porto Gole e Missirá, 1965/67), nosso camarada da diáspora, a viver desde 1975 em Nova Iorque, conhecido ativista social (de causas como as Gravuras de Foz Coa, Timor Leste ou Aristides Sousa Mendes), recentemente promovido a régulo da Tabanca da Diáspora Lusófona (que é tão grande como o mundo):

Data - domingo, 10/11, 10:28

Assunto -  Camarada Leonel Teixeira



Caro Luis Graça, e demais camaradas, 

É com muito orgulho que vos apresento um novo camarada, Leonel Teixeira, um amigo que tenho o privilégio de conhecer há muitos anos, mas que em algumas coisas apenas "vim a conhecer melhor” há dias, quando me disse ser madeirense e ter estado na Guiné. 

 Imediatamente o convidei para membro da nova "Tabanca da Diáspora Lusófona ”e da Tabanca Grande (, com o nº 799),  o que, para grande satisfação minha e de todos nós evidentemente, aceitou.
É uma grande honra para nós, ( entre outras coisa já foi agraciado com a Ordem do Infante D. Henrique!) como podem ver por algumas palavras de apresentação que recebi há momentos. (São agora 04.27 da manhã… e eu tenho a infeliz mania de dormir muito pouco.). Como faço frequentemente a primeira coisa que fiz foi consultar o computador para ver os emails. E deparei com uma mensagem do Leonel Teixeira que com a devida vénia copio:



José Leonel Rodrigues Teixeira,  conselheiro da Diáspora Madeirense para os EUA. Nomeado em 2016, conforme resolução, de 4 de agosto, do Governo Regional da Madeira.  


Caro João Crisostomo,

Já conhecia o blog em boa hora criado pelo Luís Graça. Duas surpresas que vieram logo que comecei a ler:


Na foto, a partir da esquerda: Capitão Saraiva, Comandante da CCAV 3364 (a Companhia do Carlos Nóvoa) e presente no almoço; Major Sampaio, Oficial de Operações; Major (Tenente-Coronel?) Mateus; com barba, Alf Mil Ribeiro da CCAV 3364; de frente, Alf Mil de Transmissões Almeida; com o copo na mão, Alf Mil Agostinho Miranda; o Oficial de óculos não foi identificado; Alf Mil Vasco Pires; o último à direita é o Tenente Nobre da CCS; de costas, Alf Mil Teixeira (?) da CCAV 3364.

É verdade, 
sou eu. Leonel Teixeira,  que estou de costas. Era no aquartelamento do Sedengal onde a CCAV 3364 tinha 2 pelotões e os outros dois estavam na sede em Ingoré. O Capitão Saraiva foi o segundo comandante da companhia,  depois do primeiro (esqueço o nome) ter sido punido e foi transferido para algures na Guiné. 

O Capitão Saraiva depois de alguns meses, creio que foram 6, foi também transferido e fiquei o resto da comissão, cerca de 7 meses, a comandar a companhia em Ingoré. 

Antes de vir para os EUA, em 1980, participei em 3 jantares do Batalhão que eram organizados pelo capelão. Uma vez nos EUA,  nunca tive oportunidade de conviver com os camaradas,  acrescido que de Lisboa seguia quase de imediato para a Madeira donde sou natural e tenho família. 

Na semana passada estive em Lisboa alguns dias,  participando num convívio com os meus colegas do 7º ano (o ano passado celebramos os 50 anos) e consegui, graças a camaradas que vivem em Lisboa, reunir num almoço. Foram 11 e quem organizou foi o Carlos Nóvoa (Xina). A minha mulher também esteve presente. No final, de um longo e saudável almoço, concordamos que possivelmente já nos havíamos cruzado mas nem eu nem eles nos reconheciamo-nos.

Desde 1980 que exerço funções no Consulado de Portugal em Providence e, quando foi transformado em Vice-Consulado,  fui nomeado titular do Posto, em 2009, cargo que deixei quando decidi passar à aposentação em 2014. 

Ainda nesse ano, por ocasião do Dia de Portugal, no 10 de Junho de 2014, fui agraciado pelo Sr. Presidente da República com o grau Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.  Em jeito de brincadeira entre amigos, costumo dizer que jogo na mesma equipa do meu conterrâneo Cristiano Ronaldo, porquanto ele foi também agraciado com a Ordem do Infante, gau Grande Oficial. Presentemente, e já há alguns anos, sou o Conselheiro da Diáspora Madeirense para os EUA

Um muito obrigado e um grande abraço desde o mais pequeno Estado dos EUA.

Leonel Teixeira


__________________

Não preciso de dizer mais. Peço-vos o favor do "trabalho da papelada”, que sei vai ser um prazer para vocês.
Como ele me mencionou já ter conhecimento do nosso blogue,  fui logo procurar essa foto e a mencionada info que encontrei num post de 23 de Março de 2013, ( que junto a seguir só para vos poupar tempo, aliás seria mesmo "estar ensinar o padre nosso ao vigário”) (*)

Agradeço me incluam em cc , está bem?

João Crisóstomo

2. Comentário do editor LG:

Meu caro João: mais uma vez podemos repetir o aforismo: "O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande!"... Em boa hora, trouxeste.nos o Leonel Teixeira, que se reconheceu numa foto, tirada m Ingoré ou Sedengal... Enfim, estás a fazer o teu trabalho como régulo da Tabanca da Diáspora Lusófona (e não apenas lusitana, já que temos camaradas, que estiveram connosco no TO da Guiné, e que têm hoje outras nacionalidades: guineenses, cabo-verdianos, angolanos, moçambicanos, são tomenses, timorenses, chineses de Macau, luso-americanos, etc.). 

Meu caro Leonel Teixeira: tratamo-nos por tu, sem cerimónias, independentemente dos antigos e atuais títulos... A Guiné é  nosso traço de união. E este blogue foi criado, em 2004, justamente para a gente se ir reunindo debaixo de um simbólico poilão de uma Tabanca Grande virtual onde todos cabemos com tudo o que nos une e até com aquilo que nos pode separar... As nossas regras de convívio são simples e estão aqui disponiveis "on line".

Passas a sentar-te no lugar nº 799. à sombra do nosso poilão. Há mais de um mês que não entrava "sangue novo" (**)... Bem hajas!... E ficas desde já convidado para para nos mandares, por email, para efeitos de publicação (, tarefa que cabe aos editores,) memórias, histórias e fotos da tua comissão de serviço na Guiné.

Infelizmente temos poucos representantes do teu batalhão. E da tua companhia, és o primeiro a dar a cara... Vejo que conheceste o Vasco Pires, infelizmente já falecido no Brasil, em 2016.... Da tua companhia, só temos até agora 4 referências no nosso blogue... Do batalhão temos mais, cercade 3 dezenas.

Para tua / nossa informação, o BCAV 3846,  além da  CCAV 3364 (Ingoré, Cumeré), era composto pela CCAV 3365 (S. Domingos, Cumeré) e CCAC 3366 (Susana, Cumeré). A unidade mobilizadora foi o RC 3. O Comando e a CCS ficaram em Ingoré, o cmdt do batalhão era o ten cor cav António Lobato de Oliveira Guimarães. O pessoal do teu batalhão partiu para o TO da Guiné em 8/4/1971, no T/T Angra do Heroísmo, regressou a casa em 8/3/1973, exceto o da CCAV 3365 que embarcou mais tarde (17/3/1973). Tens aqui fotos dessa viagem para o CTIG.

CCAV 3364 teve, de facto,  3 comandantes, como tu dizes: (i) cap mil cav Rodrigo José Afreixo Ferreira; (ii) cap  cav José Rafael Lopes Saraiva; e (iii) tu próprio, alf mil inf José Leonel Rodrigues Teixeira, novo membro,  nº 799, da Tabanca Grande.

Fico duplamente feliz por já conheceres o nosso blogue e agora poderes passar a partilhar também, através dele, as tuas memórias, e, por outro lado,  por seres um madeirense e um português do mundo, com um bela força de serviços prestados à Pátria... Deixa-me dizer-te que tenho lá, na região autónoma da Madeira, alguns bons amigos (e também alguns camaradas), e acabo de ter uma neta, de mãe madeirense...

Quando puderes, arranjas-nos uma foto do teu tempo da Guiné, de preferência tipo passe. A foto atual que publico acima, fui pedi-la emprestada ao sítio do Centro das Comunidades Madeirenses e Migrações. Não hesites em escrever-nos e em "recrutar" para a Tabanca Grande mais camaradas da diáspora lusófona, a viver nos EUA, em particular madeirenses e açorianos, que estão aqui subrerrepresentados.

 Boa sorte para as tuas novas funções como conselheiro da Diáspora Madeirense nos EUA.
____________

Notas do editor:
(...) Em mensagem do dia 20 de Março de 2013, o nosso camarada Vasco Pires (ex-Alf Mil Art, CMDT do 23.º Pel Art, Gadamael, 1970/72), dá-nos conta dos resultados da investigação que lhe deu a certeza de não ter passado os seus últimos tempo de comissão em S. Domingos, como pensava, mas em Ingoré.

Colaboraram nesta pesquisa os camaradas Delfim Rodrigues e Carlos Nóvoa.

Caro Carlos,


Encerrando o assunto "São Domingos ?"... Em primeiro lugar quero agradecer a tua ajuda nesta busca, para encontrar o local dos últimos meses da minha comissão.

No P10525, fiz um resumo desses três meses, e sempre que via as os fotos desse tempo, o nome que vinha à minha memória era São Domingos, contudo, li mais tarde neste blogue, que São Dominngos não era sede de Batalhão.

No P11262 coloquei a dúvida, apesar de ser São Domingos o nome que assomava à minha memória. No dia em que publicaste a minha dúvida, coincidentemente, foi publicado o Convívio do BCAV 3846; o camarada Delfim Rodrigues, organizador do Convívio a quem recorreste, não pôde ajudar na confirmação de que os oficiais da foto eram desse BCAV, pois a sua CCAV esteve estacionada em Suzana e Varela. Forneceu o e-mail do Carlos Nóvoa, que tinha servido na sede do BCAV, e que levou a foto para o almoço em Estremoz.

E realmente o Mundo é Pequeno ...e a nossa Tabanca é Grande. O Major Sampaio, presente no almoço, se identificou e a quase todos os Oficiais da foto [, vd. foto acima, e respetiva legenda].
(...) Sim, os últimos meses da minha comissão foram em Ingoré, todavia, essa palavra continua "adormecida' no meu inconsciente... Vai saber...!!! (...)

(**) Último poste da serie > 8 de outubro de 2019 > Guiné 61/74 - P20216: Tabanca Grande (486): Manuel Viegas, algarvio de Faro, ex-fur mil, CCAÇ 1587 (Cachil, Empada, Bolama e Bissau, 1966/68)... Senta-se à sombra do nosso poilão, sob o nº 798. Padrinho: José António Viegas, régulo da Tabanca do Algarve.

11 comentários:

Anónimo disse...

João Crisóstomo:

Obrigado por me dares conhecimento, em C/C, da mensagem que enviaste ao Leonel Teixeira.

Como vocês fico contente com esta nova adição. Estamos a chegar ao numero 800, que espero seja também destes lados; espero poder dar notícias frescas brevemente.

E obrigado por teres mencionado "um dia feliz para a seleção nacional de futebol"--- o que me levou a procurar …. e consegui ainda ver no U Tube um resumo do jogo. Futebol é o único desporto que me leva a ligar a televisão ( conservo o canal da RTPI para esse efeito), mas como não sigo passo a passo, muitas vezes ando atrasado.

Foi com uma companhia de madeirenses (CCAÇ 1439) que fiz a Guiné, e foi esse facto que ocasionou a minha conversa com o Leonel Teixeira, e o trouxe à nossa Tabanca, quando este mencionou ter nascido na Madeira.

Com o madeirense Cristiano Ronaldo a fazer um golo de “confirmação” no mesmo dia em que é recebido na nossa Tabanca, o camarada Leonel Teixeira tem razão para redobrada satisfação.

Abraço a todos,
João

Tabanca Grande disse...

João:

Os nossos camaradas madeirenses e açorianos estão subrerrepresentados no blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné. Por várias razões, a começar pela dupla insularidade. E, depois, porque muitos deles emigraram, a seguir à tropa, para os EUA, o Canadá, a Venezuela, a África do Sul, o continente, etc. Muitos perderam identidade e raízes. Foram obrigados, depois de terem dados 3 anos da sua vida à Pátria, a procurar lá fora, na "estranja", a fonte do seu sustento. Não tiveram Pátria, nem Mátria, nem Fátria... Tiveram um má e feia Madrasta...

E, enfim, há os problemas comuns da "iliteracia" e da "iliteracia informática"... A malta náo escreve, e muito menos lida bem as "redes sociais"... Pelas minhas contas, tens 1 em 15o camaradas (1 por companhia(, em média, a deixar por escrito as suas memórias da Guiné... Num natalhão como o do Leonel Teixeira, em 450 / 500 homens, eu tenho dois camaradas registados na Tabanca Grande:

(i) Delfim Rodrigues (ex-1.º Cabo Auxiliar de Enfermagem da CCAV 3366/BCAV 3846, Suzana e Varela, 1971/73)

(ii) Armando Silva Alvoeiro da Costa (ex-Fur Mil Mec Auto da CCAV 3366/BCAV 3846, Susana, 1971/73):

... E agora temos o Leonel Teixeira, ex-alf mil inf, CCAV 3364 (Ingoré e Cumeré, 1971/73)...

Acredito que muitos mais gostariam de "passar a limpo" as suas memórias da Guiné... E se calhar outros tantos puseram um pedra e enterraram de vez essas memórias... Temos que os respeitar...



Tabanca Grande disse...

João, o Leonel não é um madeirense qualquer, é um... senhor comendador. Mas ele não nos leva a mal, por a gente aqui não olhar às comendas, nem aos títulos nem aos galões....

O segredo da nossa cumplicidade e autenticidade está aí: somos simplesmente "antigos camaradas de armas".... Há gente que tem dificuldade em perceber o que é isso de "camaradagem"... Os "camaradas" que se tratam como tal, por pertencem ao mesmo grupo "político-ideológico", em geral de esquerda (, a direita não o termo...), desconfiam, em geral, deste uso semântico e concetual do termo "camarada"...

Quem andou na guerra, tem o direito de usar o termo, sem pedir licença a ninguém... LG

Anónimo disse...

Bom dia camaradas:
Tal como já percebi pelo que acabo de ler, a palavra ou termo, 'camarada' também me sugerem ideologias politicas, e não foi fácil para mim começar a tratar a malta por camaradas, porque eu sempre tratei os 'meus camaradas' de batalhão por 'colegas', por isso tenho tentado aproximar-me mais às realidades. Eu sempre apresentei alguém que esteve comigo na tropa, cá e lá, como o meu colega X.

Mas o que me traz aqui é finalmente aparecer alguém a falar de S. Domingos e das suas sub unidades espalhadas pelos arredores, que sempre pertenceram ao meu batalhão (BCAÇ1933) que comandou a zona O1 - com sede em S. Domingos, embora Ingoré fosse superior em tudo, visitei apenas uma vez.
No meu tempo lá em SD (abril68-agosto69) fazia parte do comando do meu batalhão, liderado pelo Ten Coronel Armando Vasco de Campos Saraiva, ferido numa mina ao fundo da pista de SD, em Novembro de 68, depois substituído em Janeiro de 69 pelo Coronel Renato Xavier, de quem não tenho grandes memórias boas, as localidades de Ingoré, Sedengal, Barro, Suzana, Varela e outras mais de que não me lembro agora o nome, m as está tudo aqui escrito. Estive em todas elas, excepto Barro, não me lembro. Sei que depois de sairmos, mais tarde, a sede de batalhão passou a ser,em Ingoré, não faço ideia qual a posição estratégica de SD.

Tenho muitas histórias, aventuras passadas em 18 meses naquela terra à qual apelidei de 'Forte Álamo' porque era tudo tão pequeno, e poucos quilómetros quadrados dentro do arame. Por ali fiz mais de 1000 fotos, das quais estão já publicadas algumas dezenas, mas tenho ainda muitas mais, e não havia até agora 'grande freguesia' para as ver, ler e comentar, porque aquele sitio ficava mesmo no cu de judas, encostado à fronteira com o Senegal.

Depois de 5 meses de sonho em Nova Lamego, os 18 meses seguintes em São Domingos, foram muito monótonos, e seriam ainda mais, se não fosse eu me desenfiar e procurar novos locais, entre estes que indiquei mas especialmente ao Cacheu, sempre no velho SINTEX.

Vamos a ver se aparecem alguns comentários a este zona da Guiné, muito esquecida. E com razão, pois sou o único membro do meu batalhão que colabora como membro do Blogue.

Eu pertencia ao Comando, como Chefe do Conselho Administrativo, dependente exclusivamente do 2º comandante, era para muitos uma espécie de privilegiado, mas não tanto. Os Batalhões que se seguiram ao meu, já não tinham Conselhos Administrativos, foram extintos durante o ano de 1969 por iniciativa do Ministério da Defesa.

Um Alfa Bravo e Boas Vindas ao novo 'Camarada'.

Virgilio Teixeira



Carlos Vinhal disse...

Sobre o termo camarada, diz a Infopédia:
1.amigo
2.colega, parceiro
3.companheiro de escola, condiscípulo
4.indivíduo do mesmo ofício
5.tratamento entre militares e entre filiados de certos partidos políticos


Pessoalmente, quando me dirijo aos meus camaradas combatentes, para não ferir susceptibilidades, digo/escrevo: camarada de armas.

Para mim, camarada é ou foi aquele que comigo dormiu, salvo seja, que comigo acamaradou, aquele que me protegeu e eu protegi, isto na guerra a sério, aquele a quem as dificuldades extremas me uniu e que por muitos anos que viva não esqueço.
Mesmo na vida civil, no emprego, trabalhando uma vida num ambiente oficinal e numa profissão de risco quase diário, tratei sempre os meus semelhantes por camaradas nunca tendo tido nenhuma reacção de rejeição porque era conhecido pela minha independência política, clubística e religiosa. Tive muitas vezes a responsabilidade de proteger ou pelo menos de zelar pela vida dos meus colaboradores, quando tinha a meu cargo a exploração de uma rede de Média Tensão (15.000 volts) que manobrava ou mandava manobrar.
Para os meus camaradas de armas e de profissão, a minha eterna gratidão pela sua amizade e camaradagem.

Carlos Vinhal

Carlos Vinhal disse...

Caro Virgílio, pelo menos no curso de sargentos reagiam assim, suponho que no de oficiais seria igual, quando algum de nós, recrutas, dizia que tinha tinha sido o colega..., éramos logo atalhados com: nosso instruendo, estamos na tropa, colegas são as putas.
Carlos Vinhal

Anónimo disse...

Está boa esta última, mas parece-me sinceramente, que nunca ouvi este tratamento na tropa. Na vida civil já não me é estranha esta comparação, embora, como bem se diz acima, colega, parceiro, isso sim.
Mas concordo que, à parte outros adjectivos, posso considerar que 'camaradas de armas' é o mais acertado.

Virgilio Teixeira

Valdemar Silva disse...

Há uns anos, presenciei à entrada do Estádio da Luz uma conversa entre o Gen. Almeida Bruno e um homem, um pouco mais novo que ele, que depois dumas palavras o General disse-lhe 'meu camarada dá cá um abraço'. O homem era um soldado que tinha estado na guerra da Guiné. E lá fomos todos ver o Glorioso.
O Carlos Vinhal, como sempre, põe os pontos nos is. Realmente, quando eu entrei para a tropa, na EPC-Santarém, ficou logo muito claro que 'colegas são as putas'.
Pessoalmente não gosto do 'veterano', pois entendo tratar-se especialmente de antigos militares profissionais que estiveram na guerra.

Mas, o importante é ainda podermos dizer 'nunca nos vamos esquecer daqueles momentos de grande camaradagem'.

Saúde da boa
Valdemar Queiroz

paulo santiago disse...

Não era só no curso de sargentos,como informa o Vinhal,logo nos primeiros dias,em Mafra",recebemos a informação..."colegas são as putas"
Abraços

Anónimo disse...

Lamento, mas nunca tomei nota dessa mensagem em Mafra, nem em quartel nenhum por onde passei.
E para falar mal, à moda do Porto, estou também cá para as voltas, mas essa não e ponto final.

Virgilio Teixeira

Jose J. Macedo, DFE 21-Guine disse...


Na Marinha usa-se " Camarada" porque "Colega" so nas casas de putas e na costura.

Abracos

Jose J. Macedo
Tenente Fuzileiro Especial
DFE 21-Guine 1973-71
Cacheu, Bolama