quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Guiné 61/74 - P21818: In Memoriam (387): José Eduardo Oliveira (JERO) (1940-2021), que eu conheci em 2010, na Tabanca do Centro, em 27/1/2010... Na formatura do recolher de hoje, respondo "Presente!", com o meu poema "Reencontros" (José Belo, Suécia)


Leiria > Monte Real > 1º Convívio da Tabanca do Centro > 27 de janeiro de 2010 > Chegada do José Belo a terras de Monte Real.  Da esquerda  para a direita: José Teixeira, José Belo, Vasco Ferreira e Manuel Reis.


Leiria > Monte Real > 1º Convívio da Tabanca do Centro > 27 de janeiro de 2010 > Sentados, no topo da da mesa o José Belo e Joaquim Mexia Alves, régulo da Tabanca do Centro; em último plano, de pé, da esquerda para a direita, José Teixeira, Vasco da Gama e Silvério Lobo.


Leiria > Monte Real > 1º Convívio da Tabanca do Centro > 27 de janeiro de 2010 > À mesa, no topo, José Belo e Joaquim Mexia Alves.



Leiria > Monte Real > 1º  Convívio da Tabanca do Centro > 27 de janeiro de 2010 > À mesa, da direita para aesquerda: Miguel Pessoa (a tapar a cara do Luís), Carlos Narciso, Joaquim Mexia Alves, JERO, José Belo e Carlos Santos (de que só vê parte da cabeça) (O relógio da máquina fotográfica estava atrasado um dia.)


Fotos (e legendas): © Joaquim Mexia Alves / Tabanca do Centro (201o). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Mensagem de José Belo, o nosso camarada que vive na Suécia há 40, tendo voltado à Pátria / Mátria / Fátria só em 2010, depois de 30 anos de autoexílio:

Date: quarta, 27/01/2021 à(s) 22:41
Subject: Reencontros. 

Depois de mais de 30 anos sem por lá passar,  estive no nosso Portugal 24 horas para estar presente num almoço do aniversário da Tabanca do Centro. 

Creio ter sido em 2010 [, em 27 de janeiro, em Monte Real, Leiria] (*)

O JERO, na sua maneira discreta e amiga, chamou-me “de lado” entregando-me uma coletânea de textos meus publicados em vários blogues.

De entre eles escolhera o texto “Reencontros” que separou em folha especial, informando-me ser este o seu favorito.

Até aí não o conhecia pessoalmente, tendo ficado sensibilizado por esta sua atitude, e não menos pela maneira discreta e sincera com que me entregou as cópias dos textos por ele encadernados.

Na triste “formatura do recolher” de hoje,  o meu..."Presente" à chamada...é o tal texto, “Reencontros”

Um abraço do J.Belo
____________

Reencontros

por José Belo


Algures no estuário do Tejo,
a montante,
em enseada perdida na vasa,
ouvem-se madeiras ranger,
bater de cordames,
espadanar de velas.

Algures no estuário do Tejo há vozes abafadas,
ordens secas,
passadas fortes em invisível convés.
Sombras furtivas vigiam da gávea...

Algures no estuário do Tejo,
a montante,
entre bancos de névoa há uma nau ancorada!

Algures, no estuário do Tejo,  marinheiros de outrora...
aguardam!

Sol poente sobre a barra.
Ventos de limo e sal.
Silenciosa armada em regresso...
Naus, caravelas, galeões, vapores, 
e até modernos paquetes
voltam de marés longínquos,
de naufrágios esquecidos,
de viagens de pesadelo...
Os mortos das descobertas, 
das guarnições de Marrocos, 
do Forte da Mina
de Ormuz, de Malaca, de Goa,
da China, das Capitanias
dos bandeirantes da Amazónia,
de Marracuene, Chaimite,
das trincheiras da Flandres,
dos desterrados na ilha maldita do Sal,
de Angola, das picadas dos Dembos,
do Rovuma,
de Gandembel, Madina do Boé e tantas outras guarnições mártires...

Algures no estuário do Tejo,
a montante,
os raios vermelhos do poente reflectem-se em bandeiras esfarrapadas,
armaduras amolgadas, espadas quebradas,
elmos sangrentos de Alcácer Quibir,
nos corpos macilentos dos exilados,
em camuflados empastados com sangue e lama,
em camisolas toscas de pescadores desbotadas pelos ventos gelados da                     
                                                                                                         [Groenlândia,
em fatos de macaco rotos e remendados 
dos emigrantes perdidos na solidão de todos os atalhos do mundo...

Algures no estuário do Tejo,
a montante,
em enseada perdida na vasa,
cobertos de neblinas
estão os que...ficaram!

Os que desesperando..., esperaram!
Mães, noivas, filhos, irmãos, amigos.


ALGURES NO ESTUÁRIO DO TEJO ARDE UMA NAU ANCORADA!


5 comentários:

José Teixeira disse...

Desconhecia a veia poética do meu comandante. Belo poema para honrar o amigo comum o Jero, de partida para a eternidade.
Espero que o meu "alfero" esteja bem protegido do covid e sobretudo com saúde.
fraternal abraço do Maioral.
Zé Teixeira

Anónimo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Tabanca Grande Luís Graça disse...

"Os que desesperando..., esperaram!
Mães, noivas, filhos, irmãos, amigos."

... Está aqui (quase) toda a nossa história com o Tejo como metáfora... Até 1147, foi fronteira...

O estuário do Tejo é, metaforicamente, a partir daí, o ponto de partida dos portugueses das sete partidas...

Mantenhas. Luís

Anónimo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anónimo disse...

Caros Camaradas

Retirei os dois meus comentários anteriores por não enquadrados no contexto.

Um abraço.
J.Belo