domingo, 8 de maio de 2022

Guiné 61/74 - P23243: Convívios (924): A Tabanca de Matosinhos, que tem um historial de convívio entre combatentes, está vivinha da costa como a sardinha. Está a comemorar 17 anos de vida (José Teixeira, ex-1.º Cabo Aux Enfermeiro)

1. Mensagem do nosso camarada José Teixeira (ex-1.º Cabo Aux Enfermeiro da CCAÇ 2381, Buba, QueboMampatá e Empada, 1968/70) com data de 6 de Maio de 2022, trazendo-nos notícias da Tabanca de Matosinhos:

Meus caros amigos editores.

A Tabanca de Matosinhos está vivinha da costa como a sardinha. 
Está a comemorar 17 anos de vida.
Tem um historial de convívio entre combatentes que merece ser lembrado.

No seu seio nasceu a Associação Tabanca Pequena - Grupo de amigos da Guiné-Bissau, que tem desenvolvido um trabalho de ajuda às populações na Guiné. Num próximo poste daremos informações sobre o trabalho desenvolvido nos últimos temos.

Abraço fraterno
José Teixeira



A Tabanca de Matosinhos comemora 17 anos de vida

Como os combatentes leitores do nosso Blogue sabem, todas as Quartas-Feiras do ano, quer chova, haja ventania ou faça sol (e nem o Covid nos assustou), marcamos encontro para almoçar e conviver no Restaurante O Espigueiro em Matosinhos.

Uma fonte inesgotável para criar laços de amizade, ou estreitar os laços que já existiam; falar das nossas aventuras, desventuras, alegrias e tristezas vividas na Guiné em tempo de guerra; falar das terras por onde passamos, das pessoas que se cruzaram connosco na vida militar; falar daquela gente que tão simpaticamente nos acolhiam nas suas tabancas, nas suas casas. Contar estórias que nos marcaram para a vida toda; mazelas que em alguns de nós ficaram para sempre; viver a saudade de tempos que não voltam mais...

Outras tabancas foram aparecendo, e ainda bem, depois da Tabanca de Matosinhos ter surgido muito naturalmente, sem qualquer plano ou projeto. Simplesmente porque três carolas tinham voltado à Guiné por terra, atravessando meia África em romagem de saudade e quiseram encontrar-se com os pés debaixo da mesa da Casa Teresa em Matosinhos para saborear uma sardinhada em jeito de festejar e avaliar a sua aventura. A necessidade de se reencontrarem mais vezes falou alto e marcaram novo encontro para a semana seguinte, mas já não vierem sós… e marcaram novo encontro para a semana seguinte. Depois deixaram de marcar, simplesmente apareciam à quarta-feira e já eram tantos que até o dono do restaurante não tinha mesas para tanta gente. Mudamos de poiso e continuamos pelo tempo fora, até hoje.

Mudamos para o Milho Rei, que se transformou em Espigueiro, mas lá está à espera dos combatentes da Guiné e porque não toda a gente que goste de comunicar, conviver e apreciar um bom petisco, sobretudo se passou pelas terras da África que foi portuguesa.

Muitos dos nossos tabanqueiros já voltaram à Guiné e alguns mais que uma vez, em romagem de saudade, ao encontro dos lugares por onde passaram, onde sofreram e lutaram para sobreviverem e regressarem a casa e porque não, aos lugares onde se sentiram felizes, porque também os houve. Foram à procura de pessoas africanas com quem conviveram e em muitos casas a sorte foi-lhe madrinha. (Pessoalmente sinto-me um felizardo, pois não só reencontrei amigos como fiz mais amigos – os filhos, os netos e muitos mais.)

Através do convívio, das conversas e das vivências em grupo; através do regresso aos locais que mais nos marcaram na dura luta que travamos na flor da idade, fomos fazendo a catarse. O nosso estado de espírito mudou, tornou-se mais aberto, correram-se os fantasmas que nos atrancavam a mente

Sentimos que a velhice continua a ser um posto, mas agora está a tornar-se um empecilho que nos assusta. Alguns camaradas já partiram para o eterno aquartelamento contra a sua vontade; outros há que a doença os marcou e sofremos com eles a dua dor e o seu afastamento.

… E há sempre gente que vem pela primeira vez, trazidos por um camarada amigo ou da Companhia a que pertenceram. Outros vêm por simples curiosidade, porque ouviram falar e…voltam. Às vezes vêm em magotes e há sempre lugar para mais um.

É assim a vida na Tabanca de Matosinhos.

Ainda na última quarta-feira éramos 21 convivas. Talvez porque chegou a bela e saborosa sardinha de Matosinhos.

Esta é a história da Tabanca de Matosinhos de que muito nos orgulhamos.

Mas, se a necessidade de nos reencontrarmos foi um fator de união, outro fator nos uniu – a solidariedade.

No seio da Tabanca de Matosinhos nasceu A TABANCA PEQUENA DE MATOSINHOS – Grupo de Amigos da Guiné-Bissau.

Sobre a sua ação nos últimos tempos falaremos no próximo poste.

José Teixeira


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Nota do editor

Último poste da série de 23 DE ABRIL DE 2022 > Guiné 61/74 - P23192: Convívios (923): XII Almoço/Convívio do pessoal do BCAÇ 2893 (Nova Lamego, 1969/71), dia 28 de Maio de 2022 em Venda da Serra-Mouronho-Tábua (Constantino Neves, ex-1.º Cabo Escriturário)

2 comentários:

Tabanca Grande Luís Graça disse...

(i) É fantástico ver que o bom apetite voltou à gloriosa Tabanca de Matosinhos que nasceu "pequena", há 17 anos, e hoje é já uma... Nação.

Um grande abraço para os bons amigos e camaradas do Norte. E parabéns aos régulos. Luis Graça.

(ii) Um abraço muito especial para dois velhos amigos e camaradas, veteranos da Tabanca Grande e da Tabanca Pequena que passaram (o Xico Allen) ou estão a passar (A. Marques Lopes) um "mau bocado", com problemas de saúde. Espero poder falar com eles em breve, dando (e recebendo) ânimo. Conheci-os pessoalmente no Norte, no Natal de 2005 ainda o nosso blogue era uma criança...

Zé Teixeira, dá-lhes por mim uma palavrinha calorosa neste momento difícil. Luís

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Recomheço o Xico Allen na 5ª foto a contar de cima...Está a dizer ao fotográfo: "Tudo bem, mas não ganhei...para o susto!"... Para ele, que é mais novo do que eu, quero-lhe dizer que, na devida altura, irei convidá-lo para festa do meu...centenário!... Força, Xico!... Luis