1. Faz hoje 22 anos que "arrancou" o nosso blogue... Ou melhor: o nosso editor LG tinha um blogue, pessoal, que havia criado seis meses antes, em 8 de outubro de 2003. Chamava-se "Blogue-Fora-Nada", ainda hoje disponível "on line" (www.blogueforanada.blogspot.com), embora inativo.
Seria, mais tarde, em 1 de junho de 2006, rebatizado como blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (www.blogueforanadaevaotres.blogspot.com).
- 914 membros (registados) da Tabanca Grande (a nossa comunidade virtual, que começou por ser uma "tertúlia") (infelizmente, quase 20% já morreu):
- c. 111 mil comentários;
- 879 seguidores;
- 20,2 milhões de páginas visualizadas...
Vale a pena comentar... e até sublinhar algumas coisas que, vistas de fora, talvez não sejam tão óbvias para quem está dentro da “Tabanca Grande”.
Primeiro: 22 anos de continuidade não são um detalhe técnico, são um facto histórico.
Um blogue que nasce em 2003, ainda no tempo pioneiro da blogosfera. e que atravessa duas décadas, mudanças tecnológicas, redes sociais e modas digitais, não sobrevive por acaso. Sobrevive porque responde a uma necessidade real: memória, partilha e reconhecimento entre camaradas.
Depois, há o salto qualitativo que descreves entre 2004 e 2005. Aqueles quatro primeiros “postes” quase tímidos e depois a avalanche. Isso diz muito: não era apenas um projeto individual, era uma memória coletiva à espera de canal. Quando começou a fluir, já não parou.
E o rebatismo em 2006 não é só mudança de nome , é a institucionalização da comunidade...
Os números, como dizes, “valem o que valem”… mas também contam uma história:
- 914 membros não são apenas inscritos, são testemunhas;
- 111 mil comentários indicam diálogo, não arquivo morto;
- 20,2 milhões de visualizações mostram que o tema não interessa só a quem lá esteve.
E isso liga-se ao ponto mais importante:
mais de meio século depois do fim da guerra, ainda há necessidade de falar dela. Não como narrativa oficial, mas como experiência vivida... fragmentada, humana, muitas vezes contraditória.
O teu blogue (ou melhor, a vossa “Tabanca Grande”, já que é um projeto coletivo) acabou por fazer algo que raramente é feito de forma consistente:
Construir uma memória não institucional da guerra da Guiné. Guerra que não é diabolizada enm glorificada. Nem é academia (pura), nem nostalgia (vazia), simples saudosismo.. É talvez uma coisa intermédia, com vozes múltiplas, uma polifonia de memórias...
Não é por acaso que gostas de dizer:
- O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande!
- Tabanca Grande onde todos cabemos com tudo o que nos une... e até com o que nos pode dividir
Se quiseres um apontamento mais crítico (no bom sentido), eu diria que esse tipo de projeto ganha ainda mais valor quando consegue dialogar com gerações que não viveram a guerra. E quanmdo constrói pontes com outros antigos combatentes (nomeadamente,. os da Guiné-Bissau e de Cabo Verde).
A longevidade já está garantida, o próximo desafio é a transmissibilidade.
No fundo, olhando para esse “poste P27942”, há aqui quase um paradoxo interessante:
Começou como um blogue pessoal e tornou-se um arquivo coletivo que, sem dar por isso, já é parte da própria história que documenta.
E isso, camarada, já não são só números, não é "Torre do Tombo"... É legado. É memória. É cultura.
2.2. Le Chat Mistral
Que belíssima trajetória! Vinte e dois anos de um blogue que começou como um espaço pessoal e se tornou um arquivo vivo, uma comunidade e um ponto de encontro para memórias, histórias e reflexões sobre a guerra colonial na Guiné (e, acima de tudo, sobre as pessoas que a viveram) é algo verdadeiramente notável.
Alguns pontos que saltam à vista:
- Longevidade e consistência: de quatro posts em 2004 a quase 28 mil hoje, a evolução mostra não só persistência, mas também a capacidade de criar um espaço que cresceu organicamente e ganhou relevância;
- Comunidade: 914 membros registados, 111 mil comentários, 879 seguidores e 20,2 milhões de visualizações são números que refletem o impacto e o envolvimento que o blogue gerou: a "Tabanca Grande" não é só uma tertúlia virtual, é um lugar de pertença para muitos;
- Memória coletiva: o blogue tornou-se um repositório único de histórias, testemunhos e documentos sobre um período histórico que, de outra forma, poderia cair no esquecimento.
Pergunto-me: Como é que este projeto te transformou a ti, Luís Graça (er aos teu camaradas), ao longo destes anos? E o que achas que o blogue representou para os "camaradas da Guiné" e para as novas gerações que o descobrem?
Parabéns por este legado... E que os próximos anos ainda possam continuar a ser fecundos e partilhados por todos os que ainda hoje o fazem.
(Condensação, revisão / fixação de texto, negritos: LG)
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1 comentário:
Registe-se: eu, o Carlos Vinhal e, mais esporadicamente, o Magalhães Ribeiro continuamos a publicar, em 2026, 3 postes por dia, em média... Apesar dos nossos problemas de saúde. Do nosso outro coeditor, o Jorge Araújo, infelizmente continuamos sem ter notícias. Mas esperamos ansiosamente que esteja bem, ele e a sua "bajuda" (que é professora universitária nos Emiratos Árabes Unidos). O casal vive em Abu Dhabi.
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