terça-feira, 13 de julho de 2010

Guiné 63/74 - P6725: O discurso de António Barreto no dia 10 de Junho de 2010 (6): É tempo de dizer BASTA! (António Martins de Matos)

1. O nosso Camarada António Martins de Matos (ex-Ten Pilav, BA12, Bissalanca, 1972/74, hoje Ten Gen PilAv Res), enviou-me, em 12 de Julho último, as suas conclusões sobre a matéria publicada nos postes – P6618 e P6705, a propósito do dia 10 de Junho e dos ex-Combatentes da Guerra do Ultramar.
Dada a importância da comunicação pedi-lhe a devida autorização para passar a publicá-la, o que foi concedido de imediato.
Assim, com os devidos agradecimentos ao Autor, segue-se o texto:
É TEMPO DE DIZER BASTA!
Caro amigo,

Confesso ter ficado algo surpreendido com a aceitação que os meus textos dos postes P6618 e P6705 originaram.

Não que isso me autorize a olhar para o umbigo da vaidade, antes pelo contrário, que me permita ver o futuro de uma outra maneira.

Mas se os meus textos servirem para acordar alguns amigos menos atentos, óptimo.

E lá vem outra pergunta, que a perguntar é que a gente se entende:

- Quantos são os antigos combatentes? Alguém sabe?

Há dados referentes à Guerra Colonial que andam quase sempre escondidos e quem os conhece tenta normalmente manipulá-los de modo a daí tirar o devido proveito.

Diz o Carlos Matos Gomes e o Aniceto Simões no seu livro sobre “Os anos da Guerra Colonial” que mantínhamos em África anualmente cerca de 80.000 homens.

Ora, se a tropa era rodada a cada 2 anos e a guerra durou 13, num cálculo empírico e a arredondar por baixo poderei concluir que deve ter havido mais de 500.000 portugueses que passaram por África.

Já perceberam porque razão volta não volta vos dão pancadinhas nas costas?

Ou julgam que os 150 euros ou o desfile em Faro foram sem segundas intenções?

E não, não estou a fazer a apologia de nos transformarmos em partido, nós ex-militares somos apartidários, mas não somos nem apolíticos nem parvos (ou somos?).

E se há Instituições ou partidos ou entidades que nos querem manipular, é tempo de dizer BASTA.

Só queremos que nos respeitem e que prestem homenagem aos cerca de 10.000 que deram a vida em nome de uma Pátria que os quer esquecer.

Um Abraço,
António Martins de Matos
Ten PilAv na BA12 
__________

12 comentários:

Anónimo disse...

Ora bem, senhor e amigo!
Já se vê.
Ainda assim sempre uns tantos vão na conversa.
Cumprimentos
José Brás

Anónimo disse...

Então,
o que é que propõe que se faça para arregimentar essa 'malta toda'?
Agora, tarde e a más horas, depois de termos andado 40 anos nas bocas do mundo - dos 'da esquerda' por sermos tropa colonial (toma lá a etiqueta e cala a boca de vergonha...) e dos 'da direita' porque 'aquilo' não passava de acções de polícia.´Andámos (salvo seja eu que sempre assumi a minha participação declaradamente), desde o fim da guerra, de nariz no chão para evitar julgamentos locais, sempre condenatórios, até de amigos.

Onde é que pensa que se pode chegar, para além do tal folclore que muito bem descreve/denuncia?
A massa é a mesma; do nosso lado (esquecido o execrado militarismo colonialista) é agora inutilmente evocada a presença em África; do lado 'deles', dos civis (ex-combatentes, muitos, embora já cada vez menos) que governam a coisa nacional e 'daí tiram proveito', como diz, é só manter... daqui a vinte anos morre o último.

SNogueira

PS em todo o caso felicito-o pelo ânimo e pela palavra de solidariedade e de revolta.

Luís Graça disse...

Meu caro António:

Julgo que não é (nem nunca foi) tua intenção contar e recontar as espingardas… Até por que, em parte nenhuma do mundo (com excepção talvez da nossa sofrida e querida Guiné-Bissau…), os antigos combatentes têm hoje uma papel político activo… O caso da Guiné-Bissau não sei se é atípico, mas a verdade é que os antigos combatentes (ou pelo menos, uma fracção ou elite) transformaram-se em exército nacional, com todos os problemas em cadeia que essa situação gerou: passaram a dar periodicamente golpes de Estado, a assassinar-se uns aos outros e a impor-se ao poder político saído das eleições… A situação não é virgem em África, onde não havia forças armadas profissionalizadas e as guerrilhas vitoriosas tomaram o poder ou sobrepuseram-se à facção política dos partidos ou movimentos revolucionários… (Em boa verdade, não foram os antigos combatentes do PAIGC, mas sim uma fracção, dirigida pelo oficialato balanta, depois de eliminada a concorrência, nomeadamente caboverdiana; mas o grosso da força combatente do PAIGC entregou as suas Kalash e voltou às suas aldeias; enfim, faltam-me dados estatísticos para suportar este raciocínio, mas parece ser esta a verdade dos factos).

Voltando às cabeças (que em democracia valem mais ou são mais preciosas que as espingardas, já que valem pelo menos 1 voto cada uma), a tua pergunta é pertinente:

- Afinal, quantos são os antigos combatentes? Alguém sabe?

Eu não sei responder a essa pergunta que, de resto, deve ser antecedida de uma oura:
- Quem são os antigos combatentes ? Quais são os critérios de inclusão e de exclusão ? Só os que fizeram a guerra de África ? Ou guerra do ultranmar ? Ou guerra colonial ? Vamos incluir a Índia, Timor, e por que não outros territórios sob administração portuguesa: Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe , Macau… sem esquecer a Metrópole ?

Citas Carlos Matos Gomes e Aniceto Afonso. No seu último livro (“Os anos da guerra colonial”, 2009, "Vol 15: 1974-1975: A revolta dos capitães e o fim da guerra"), eles apresentam um quadro sobre os efectivos das Forças Armadas Portuguesas em 31 de Março de 1974, que deve merecer a nossa atenção (p. 57).

No conjunto dos territórios ultramarinos e em Portugal, os efectivos das FAP ultrapassavam os 230 mil homens em armas, assim distribuídos (por economia de espaço não se desagregam os dados pelos 3 ramos das FAP):

Cabo Verde: 1956
Guiné: 34408
Angola: 68941
Moçambique: 51265
S. Tomé: 1140
Macau: 718
Timor: 3742
Portugal: 74285
Total: 236455 (das quais 162170 eram tropas ultramarinas, ou sejam, 68,8%)

Resumindo, nos três TO (Angola, Guiné e Moçambique) tínhamos cerca de 170 mil em armas, dos quais 100 mil (grosso modo, 2/3) eram do recrutamento metropolitano… A tua estimativa não deve estar errada: pelo meno meio milhão de portugueses , metropolitanos, devem ter passado por África… entre 1961/1975…

Mas por que não começar a contar desde 1959 ? Ficam de fora os combatentes do recrutamento local, que deverão ter chegado a 1/3... Pelas minhas contas, por alto, 800 mil é o efectivo total da guerra colonial…

A tua estimativa (500 mil) para os militares metropolitanos parece-me pois aceitável… É 1 em cada 20 portugueses a residir em Portugal... Uma minoria que poderia, de facto, tornar-se num poderoso lóbi, mas quem sempre faltou uma estratégia de "lobbying" vencedora...

Um Alfa Bravo. Luís

J.Belo disse...

Caro Camarada. Ao ler:"E se há instituicoes ou partidos ou entidades que nos querem manipular...." creio ser afirmacao comprovada. Noutros tempos,mesmo num "caldo de cultura" muito propício,o dito apartidário Congresso dos Combatentes,foi o que foi,e deu o que deu.Tanto entao,como agora,curiosamente,a "Ninguém"(!)interessava/interessa/interessará tais sucessos.No meu "ninguém" incluo forcas políticas de interesses bem opostos,e nao menos....a própria... instituicao militar.E esta última afirmacao,nas suas origens já em 1973, é passível de um bom,e sério,debate. Um abraco amigo.

Joaquim Mexia Alves disse...

Caro camarigo António

Temos mesmo que fazer alguma coisa de palpável.

É até, digo eu, nossa obrigação perante a história!

E merecem-no os nossos filhos e netos.

Um grande abraço

Anónimo disse...

Luis,
(ainda um detalhe...)
Nem no estúpido diferendo acerca da designação a gente s'entende... o que mostra que não é para entender, é para discutir ad aeternum, a fortiori et a lusitanum!
Já ouviste chamar Guerra Colonial à Guerra da Argélia (1954-62)? NÃO; nem em França nem cá... é 'La Guerre d'Algérie', apesar de en France também ter havido forte propaganda anti-colonialista. O que também apareceu foi uma OAS... execrada mas sem semelhanças por cá; e o que também terá havido foi uma postura diferente, de Estado -civil e militar- e dos ex-combatentes, na forma como se integraram e foram integrados.
(quaisquer que sejam as deficiências lá, que também as há)

São apenas referências recentes e em casos idênticos, para reflexão; apesar de a colónia francesa o ser mais formalmente. Ora, uma de duas ou se opta pelo Estatuto e se diz Guerra de Angola, idem da Guiné etc., ou se opta pela propaganda anacrónica e se diz Guerra Colonial ou, por fim, generalizamos e dizemos Guerra d'África para não ser fastidioso e na medida em que se trata do mesmpo Estado -Portugal- em guerra em várias regiões.

SNogueira

Luís Graça disse...

Ah! o risco da adjectivação... Ao fim de 6 anos de blogue, não nos temos dado mal com a co-existência (semântica e ideológica, relativamente pacífica) das três expressões: guerra do ultramar, guerra colonial ou luta de libertação (dependendo da bancada de onde se vê o "jogo" ou dos "óculos" que cada usa...).

Ficou, claro, desde o princípio que eu pessoalmente nunca quis impor a ninguém nenhuma "visão da História", muito menos uma visão redutora e unilateral da "guerra da Guiné"... Este não é um blogue de causas, mas de pontes...

Não me choca (nem tem que me chocar) que na Guiné o pai da Cadi seja "antigo combatente da liberdade da Pátria", e que até haja ainda um Ministério dos Antigos Combatentes da Liberdade da Pátria...

Não me choca que o meu amigo Pepito fale em "luta de libertação", ou que um ex-pára-quedista do BCP 12, como o Manuel Rebocho, fale em "guerra de África" ou que o historiógrafo militar Aniceto Afonso fale em "guerra colonial"...

Não me parece que seja importante a gente entender-se sobre questões de adjectivação. Este blogue não tem essa vocação. Não foi com essa intenção que o criei e já nele gastei 10% dos anos da minha vida ( o que equivale a 3 comissões em África)...

Talvez um dia os historiadores se entendem sobre as questões terminológicas (o que eu duvido, não sendo a história uma "ciência pura e dura")...O que importa, isso, sim, que esse debatae se faça cada mais em português, no espaço da lusofonia...

Quanto ao conceito de "antigos combatentes" (e porque não também "soldados do império" - alguém escreveu um livro sobre os últimos...), parece que a actuação num dos 3 TO de África chega e sobra... Mas tenho pena do meu primo Luís Maçarico, natural de Ribamar, Lourinhã, que foi cozinheiro dos seus camaradas de cativeiro na Índia...

António Martins de Matos disse...

Caros amigos
Os meus textos são para unir e nunca para dividir, são um tributo à Ana Duarte que sendo mulher e vendo muito mais que nós, me sensibilizou para o que está mal e tem de ser modificado.
Limitei-me a pensar um pouco, apresentando uma das possíveis soluções para modificar o estado das coisas, basta ler os meus últimos posts (não só com os olhos mas também com a cabeça).
E, já agora, deixem-me fazer um comentário “personalizado”
Ao S Nogueira
“O que se faça?”
As associações A, B, C, ..., que se deixem de pruridos e se juntem, contabilizando voluntários para desfilar em Belém em 2011.
A partir de um número significativo de” marchadores”, exijam à entidade organizadora um 10 Junho em Belém, diferente da pasmaceira a que nos têm habituado.
Ao Luis Graça
“Contar espingardas?”
Ó Luís, essa nem parece tua, claro que estou a contar espingardas, se forem muitas podemos “falar grosso”, caso contrário continuamos tão só discutir os problemas do Madail e do Queirós.
Ao José Brás
Escreveste as “Vindimas no capim”.
Não tendo o teu dom de comunicabilidade, a missão que me propus foi apenas a de lançar fogo ao meu, ao teu, ao nosso “capim”.
Aos restantes companheiros e amigos
O fogo está lançado, o capim a arder.
Agora é só esperar e ver se incendeia a floresta ou se pelo contrário, acaba por se extinguir num fuminho
Os fósforos agora estão do vosso lado...

Um abraço
António Martins de Matos

MANUELMAIA disse...

CAMARADAS,

O TEXTO DO ANTÓNIO MARTINS DE MATOS É UM ALERTA PARA TODOS.
DEFINITIVAMENTE,APROVEITEMOS ESTA OPORTUNIDADE E SAIBAMOS SER DIGNOS DOS NOSSO MORTOS.

TENHO,DE HÁ MUITO TEMPO A ESTA PARTE, A FIRME CONVICÇÃO DE QUE PARA SE COMBATER A CORJA( LEIA-SE CLASSE POLÍTICA...)A SOLUÇÃO PASSA POR UMA LUTA INTERIOR...
AQUI FALARÁ MAIS ALTO A VOZ DOS ESTRATEGAS,MAS ESTOU A LEMBRAR-ME POR EXEMPLO DO "CAVALO DE TROIA",QUE FUNCIONOU EM PLENO...

É PRECISO COMBATER POR DENTRO,LOGO O SURGIMENTO DE UM PARTIDO POLÍTICO TERIA VANTAGEM,ATÉ PORQUE COM OS VOTOS DOS FAMILIARES PRÓXIMOS,ESTOU EM CRER QUE SERÍAMOS RÁPIDAMENTE O MAIOR PARTIDO POLÍTICO.
DIR-SE-Á QUE SOMOS APOLÍTICOS ENQUANTO EX-COMBATENTES,COMO REFERE O AUTOR DO TEXTO,NO ENTANTO
A ALTERNATIVA A FUNCIONAR COMO UM CENTRO DE PRESSÃO,UM LOBBY,NÃO ME PARECE QUE SEJA FUNCIONAL.

É TEMPO DE NOS DEIXARMOS DE MEIAS MEDIDAS, DE MEIAS TINTAS,E AGIRMOS ENQUANTO AINDA SOMOS BASTANTES.

AMANHÃ SERÁ TARDE ESTAREMOS TODOS COM OS PÉS PARA A COVA,REMOENDO E REMOENDO,MAS SEM PASSARMOS DESSA FASE...

HÁ CONCERTEZA VÁRIOS ADVOGADOS ENTRE O PESSOAL DA TABANCA,QUE FÁCILMENTE PODERIAM REDIGIR UM TEXTO BASE A FORNECER A TODA ESTA "FAMÍLIA".

NUMA SEGUNDA FASE CONVIDARÍAMOS EX-COMBATENTES DE ANGOLA,MOÇAMBIQUE E INDIA( NÃO DEVEREMOS ALARGAR O "RECRUTAMENTO" NEM A MERCENÁRIOS
NEM A MILITARES DE MACAU,S.TOMÉ,CABO-VERDE,OU "CONTINENTE")

TEMOS PELA FRENTE DOIS ANOS PARA CRIAR UMA ESTRUTURA SÓLIDA A NÍVEL NACIONAL,HAJA VONTADE E CORAGEM...

SEI QUE ALGUNS DIRÃO SER EMPRESA DIFICIL,ATÉ PORQUE ALGUNS EX-COMBATENTES ESTÃO JÁ ARREGIMENTADOS NOS PARTIDOS POLITICOS EXISTENTES,MAS NA HORA DA VERDADE,FALARÁ MAIS ALTO A NOSSA VOZ...
DE UMA COISA PODEREMOS TER A CERTEZA,OS PARTIDOS EXISTENTES ESTREMECERÃO,SENTIRÃO QUE É HORA DE DAR POR FINDO O INSULTO A QUE NOS TÊM VOTADO DESDE SEMPRE.

LEVANTEM-SE OS COMUNICADORES,FALEM MAIS ALTO OS HOMENS DO DIREITO,ELEVEM-SE OS FILÓSOFOS E SOCIÓLOGOS,IRMANEMO-NOS NUM AMPLEXO FORTE DE SOLIDARIEDADE.
SAIBAMOS HONRAR OS NOSSOS MORTOS,NÃO PERSISTAMOS NESTE SILÊNCIO CÚMPLICE EM QUE TEMOS VEGETADO...

QUE DIABO,TANTOS DE NÓS MORRERAM NA MELHOR FASE DAS SUAS VIDAS E QUE FEZ O ESTADO?
NADA!!!
INSUL
TOU AS SUAS MEMÓRIAS COM O SEU ABJECTO E PROPOSITADO ESQUECIMENTO...
INSULTOU IGUALMENTE TODOS NÓS QUE POR AQUI VAMOS RESISTINDO,E INSULTOU-NOS MAIS AO INSULTÁ-LOS...

SERÁ QUE VAMOS CONTINUAR A ASSOBIAR PARA O LADO E BAIXAR OS BRAÇOS EM SINAL DE RESIGNAÇÃO?

AS BATALHAS,MUITAS,QUE VENCEMOS,O SOFRIMENTO QUE PASSAMOS,AS LÁGRIMAS QUE DERRAMAMOS PELOS NOSSOS MORTOS CAÍDOS AO NOSSO LADO,IMBUÍDOS QUE ESTAVAM TAMBÉM NO MESMO OBJECTIVO QUE NOS NORTEOU,
NÃO PODEM PASSAR DEFINITIVAMENTE PARA O ROL DO ESQUECIMENTO.

SERIA CRIMINOSO DA NOSSA PARTE,SILENCIARMOS POR MAIS TEMPO,OS GRITOS QUE TODOS TEMOS PRESENTES DO CAMARADA QUE MORREU AO NOSSO LADO...
TODOS TEMOS GRAVADO NA MEMÓRIA O OLHAR PERDIDO E VAZIO
QUE ANTES DA PARTIDA NOS CONTEMPLOU,E A LÁGRIMA DERRADEIRA QUE SOLTARAM ENQUANTO BUSCAVAM A PRESENÇA DOS SEUS FAMILIARES AUSENTES...

TEMOS O DEVER DE FAZER ALGO POR ELES E POR NÓS QUE NOS VAMOS ARRASTANDO NESTA VIVÊNCIA DE CONTEMPLAÇÃO E ALHEAMENTO,TÃO PRÓXIMA AFINAL DAQUELES QUE ACERBAMENTE CRITICAMOS...

SEJAMOS HONESTOS PARA CONNOSCO PRÓPRIOS,E ABALEMOS AS ESTRUTURAS PARTIDÁRIAS EXISTENTES COM O NOSSO PARTIDO DOS EX-COMBATENTES.(PEC)

É TEMPO DE FICARMOS DE BEM COM O NOSSO INTERIOR...
SAIBAMOS SER DIGNOS DA AMIZADE QUE OS NOSSOS MORTOS NOS SOUBERAM DAR ENQUANTO COMBATENTES.

APROVEITEMOS ESTA ONDA DE SENTIMENTO DE REVOLTA QUE NOS ENVOLVE A TODOS E AVANCEMOS.

ESTOU CERTO QUE A CORJA ESTREMECERÁ!

ABRAÇO A TODOS

MANUEL MAIA

MANUELMAIA disse...

CAMARADAS,

O TEXTO DO ANTÓNIO MARTINS DE MATOS É UM ALERTA PARA TODOS.
DEFINITIVAMENTE,APROVEITEMOS ESTA OPORTUNIDADE E SAIBAMOS SER DIGNOS DOS NOSSO MORTOS.

TENHO,DE HÁ MUITO TEMPO A ESTA PARTE, A FIRME CONVICÇÃO DE QUE PARA SE COMBATER A CORJA( LEIA-SE CLASSE POLÍTICA...)A SOLUÇÃO PASSA POR UMA LUTA INTERIOR...
AQUI FALARÁ MAIS ALTO A VOZ DOS ESTRATEGAS,MAS ESTOU A LEMBRAR-ME POR EXEMPLO DO "CAVALO DE TROIA",QUE FUNCIONOU EM PLENO...

É PRECISO COMBATER POR DENTRO,LOGO O SURGIMENTO DE UM PARTIDO POLÍTICO TERIA VANTAGEM,ATÉ PORQUE COM OS VOTOS DOS FAMILIARES PRÓXIMOS,ESTOU EM CRER QUE SERÍAMOS RÁPIDAMENTE O MAIOR PARTIDO POLÍTICO.
DIR-SE-Á QUE SOMOS APOLÍTICOS ENQUANTO EX-COMBATENTES,COMO REFERE O AUTOR DO TEXTO,NO ENTANTO
A ALTERNATIVA A FUNCIONAR COMO UM CENTRO DE PRESSÃO,UM LOBBY,NÃO ME PARECE QUE SEJA FUNCIONAL.

É TEMPO DE NOS DEIXARMOS DE MEIAS MEDIDAS, DE MEIAS TINTAS,E AGIRMOS ENQUANTO AINDA SOMOS BASTANTES.

AMANHÃ SERÁ TARDE ESTAREMOS TODOS COM OS PÉS PARA A COVA,REMOENDO E REMOENDO,MAS SEM PASSARMOS DESSA FASE...

HÁ CONCERTEZA VÁRIOS ADVOGADOS ENTRE O PESSOAL DA TABANCA,QUE FÁCILMENTE PODERIAM REDIGIR UM TEXTO BASE A FORNECER A TODA ESTA "FAMÍLIA".

NUMA SEGUNDA FASE CONVIDARÍAMOS EX-COMBATENTES DE ANGOLA,MOÇAMBIQUE E INDIA( NÃO DEVEREMOS ALARGAR O "RECRUTAMENTO" NEM A MERCENÁRIOS
NEM A MILITARES DE MACAU,S.TOMÉ,CABO-VERDE,OU "CONTINENTE")

TEMOS PELA FRENTE DOIS ANOS PARA CRIAR UMA ESTRUTURA SÓLIDA A NÍVEL NACIONAL,HAJA VONTADE E CORAGEM...

SEI QUE ALGUNS DIRÃO SER EMPRESA DIFICIL,ATÉ PORQUE ALGUNS EX-COMBATENTES ESTÃO JÁ ARREGIMENTADOS NOS PARTIDOS POLITICOS EXISTENTES,MAS NA HORA DA VERDADE,FALARÁ MAIS ALTO A NOSSA VOZ...
DE UMA COISA PODEREMOS TER A CERTEZA,OS PARTIDOS EXISTENTES ESTREMECERÃO,SENTIRÃO QUE É HORA DE DAR POR FINDO O INSULTO A QUE NOS TÊM VOTADO DESDE SEMPRE.

LEVANTEM-SE OS COMUNICADORES,FALEM MAIS ALTO OS HOMENS DO DIREITO,ELEVEM-SE OS FILÓSOFOS E SOCIÓLOGOS,IRMANEMO-NOS NUM AMPLEXO FORTE DE SOLIDARIEDADE.
SAIBAMOS HONRAR OS NOSSOS MORTOS,NÃO PERSISTAMOS NESTE SILÊNCIO CÚMPLICE EM QUE TEMOS VEGETADO...

QUE DIABO,TANTOS DE NÓS MORRERAM NA MELHOR FASE DAS SUAS VIDAS E QUE FEZ O ESTADO?
NADA!!!
INSUL
TOU AS SUAS MEMÓRIAS COM O SEU ABJECTO E PROPOSITADO ESQUECIMENTO...
INSULTOU IGUALMENTE TODOS NÓS QUE POR AQUI VAMOS RESISTINDO,E INSULTOU-NOS MAIS AO INSULTÁ-LOS...

SERÁ QUE VAMOS CONTINUAR A ASSOBIAR PARA O LADO E BAIXAR OS BRAÇOS EM SINAL DE RESIGNAÇÃO?

AS BATALHAS,MUITAS,QUE VENCEMOS,O SOFRIMENTO QUE PASSAMOS,AS LÁGRIMAS QUE DERRAMAMOS PELOS NOSSOS MORTOS CAÍDOS AO NOSSO LADO,IMBUÍDOS QUE ESTAVAM TAMBÉM NO MESMO OBJECTIVO QUE NOS NORTEOU,
NÃO PODEM PASSAR DEFINITIVAMENTE PARA O ROL DO ESQUECIMENTO.

SERIA CRIMINOSO DA NOSSA PARTE,SILENCIARMOS POR MAIS TEMPO,OS GRITOS QUE TODOS TEMOS PRESENTES DO CAMARADA QUE MORREU AO NOSSO LADO...
TODOS TEMOS GRAVADO NA MEMÓRIA O OLHAR PERDIDO E VAZIO
QUE ANTES DA PARTIDA NOS CONTEMPLOU,E A LÁGRIMA DERRADEIRA QUE SOLTARAM ENQUANTO BUSCAVAM A PRESENÇA DOS SEUS FAMILIARES AUSENTES...

TEMOS O DEVER DE FAZER ALGO POR ELES E POR NÓS QUE NOS VAMOS ARRASTANDO NESTA VIVÊNCIA DE CONTEMPLAÇÃO E ALHEAMENTO,TÃO PRÓXIMA AFINAL DAQUELES QUE ACERBAMENTE CRITICAMOS...

SEJAMOS HONESTOS PARA CONNOSCO PRÓPRIOS,E ABALEMOS AS ESTRUTURAS PARTIDÁRIAS EXISTENTES COM O NOSSO PARTIDO DOS EX-COMBATENTES.(PEC)

É TEMPO DE FICARMOS DE BEM COM O NOSSO INTERIOR...
SAIBAMOS SER DIGNOS DA AMIZADE QUE OS NOSSOS MORTOS NOS SOUBERAM DAR ENQUANTO COMBATENTES.

APROVEITEMOS ESTA ONDA DE SENTIMENTO DE REVOLTA QUE NOS ENVOLVE A TODOS E AVANCEMOS.

ESTOU CERTO QUE A CORJA ESTREMECERÁ!

ABRAÇO A TODOS

MANUEL MAIA

Anónimo disse...

Caro António Martins Matos.

O tema é muito actual e eu percebendo muitas das justas questões que os nossos camaradas comentaram aos teus posts (6618 e 6705), não quero deixar de acrescentar o seguinte.

A técnica utilizada para dividir é sobejamente conhecida e infelizmente colhe os seus desígnios porque nos falta o hábito salutar (dever) de questionar quem representa quem e como.

Multiplicam-se as organizações (siglas), formam-se federações, qualquer dia nascem confederações, e os ex-combatentes (Guiné, Angola, Moçambique), não se sentem representados por ninguém, mas fazem desta questão uma doença clubística, pagando as cotas, sem questionar nada.

Eu já fui sócio de uma associação de combatentes, e por algumas das razões que apontas (e não só), deixei de imediato de pagar cotas, já dei para esses peditórios e não estou interessado em promover gente que não gosta de afrontar os poderes instituídos a troco de promessas nunca cumpridas.

Ao contrário de camaradas que legitimamente estão desanimados com o actual modelo das comemorações do dia do combatente, sugiro que para o ano, a malta desta enorme Tabanca, se junte em Belém com um pano identificador de ex-combatentes da Guiné, sem apoio de nenhuma organização, seremos muitos e de certeza que começaremos a incomodar.

Muito mais poderia adiantar, mas acho que vou ficar por aqui, com a devida solidariedade aos teus escritos.

Um abraço para todos

Manuel Marinho

Anónimo disse...

Caro Luis,
não é adjectivação, é nome e deveria ser tido por bem próprio.
Todavia, não se trata aqui da análise sintáctica e menos ainda da dimensão ou alcance deste blog na consideração do assunto.
Trata-se de evitar a continuidade da dissipação dos conceitos, por divisão das referências e das opiniões decorrentes; daí o 'ao deus dará' em que tudo ficou até hoje e que vai sendo mantidopela diatribe dispersa e pouco concludente - alguma vez ouviste, em França, designar a guerra da Argélia de outro modo que não fosse La Guerre d'Algérie?
Não!
Q.E.D.

SNogueira