Das causas da guerra civil Bissau-guineense, de 7 de Junho de 1998 a 7 de Maio de 1999 - 3/3
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Há, pois, a meu ver, um factor muito importante de afirmação patriótica, incipiente, rudimentar e difusa, perante uma ameaça externa, não só económica e militar (a presença e constante pressão do Senegal na fronteira Norte), mas creio que, principalmente, cultural que, em última análise, destruiria, inclusive, os laços afectivos com Portugal e com o mundo lusófono e que constitui uma causa profunda (numa fase inicial, quiçá, apenas assumida subconscientemente) do levantamento. Aliás, a evolução do conflito e o reforço dos laços a Lisboa e à CPLP, por parte da Junta Militar (JM), do Governo de Unidade Nacional (GUN) e do Povo em geral viriam a ilustrar eloquentemente este ponto.
A confluência das causas imediatas com factores profundos da própria sociedade guineense explicam o 7 de Junho que é no fundo uma revolta popular e patriótica, em todos os domínios: militar, político, social e económico, contra o “status quo”, a procura de uma saída – ou de saídas – para um sistema bloqueado.
O problema pessoal tem sido amiúde citado, como uma das causas próximas, senão como a causa imediata do conflito, ou seja a rivalidade entre velhos companheiros de armas: “Nino” Vieira e Ansumane Mané, em que o primeiro, enquanto Chefe do Estado e Comandante Supremo das Forças Armadas, demite o segundo de CEMGFA, acusando-o de negligência no tráfego de armas para os rebeldes de Casamansa, o que teria sido a verdadeira chispa para o acender do conflito. A acusação ia mais longe, na medida em que, de forma deturpada, se dava a entender, como se deu, para o exterior, de um envolvimento directo de Mané no comércio de armas para os rebeldes de Casamansa – o que era absolutamente falso e “Nino” Vieira sabia-o - , mas que calou fundo junto do ex-Presidente Abdou Diouf e da hierarquia militar senegalesa e que está na razão directa da celeridade da intervenção armada de Dakar. A meu ver, o factor pessoal terá desempenhado um papel na revolta de Ansumane Mané contra “Kabi”, mas não um papel determinante, porque, como parece estar demonstrado, o movimento era bastante mais vasto e complexo e as causas menos superficiais do que pareciam ser numa primeira leitura.
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Nota de CV:
(*) Vd. postes de:
17 de Fevereiro de 2011 > Guiné 63/74 - P7803: Das causas da guerra civil Bissau-guineense, de 7 de Junho de 1998 a 7 de Maio de 1999 (1) (Francisco Henriques da Silva)
e
18 de Fevereiro de 2011 Guiné 63/74 - P7814: Das causas da guerra civil Bissau-guineense, de 7 de Junho de 1998 a 7 de Maio de 1999 (2) (Francisco Henriques da Silva)
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