segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Guiné 63/74 - P15630: O que é feito de ti, camarada ? (5): C. Martins, o último artilheiro de Gadamael, cmdt do 23º Pel Art, 1973/74


Monte Real, Palace Hotel > 4 de Junho de 2011 > 
VI Encontro Nacional da Tabanca Grande > J. Casimiro Carvalho, 
à esquerda,  com  o C. Martins, dois homens de Gadamael... Uma das
raras foto do cmdt do 23º Pel Art (Gadamael, 1973/74). 
Foto: LG (2011)
1. Não sabemos o que se passa com o nosso leitor (e camarada) C. Martins, ex-comandante do 23º Pel Art de Gadamael (1973/74)... 

Deixou de mandar sinais à navegação, ou seja, deixou de fazer comentários no nosso blogue... 

Ele era relativamente assíduo, e tem pelo menos 20 referências no nosso blogue... Nunca quis aceitar o nosso convite para integrar a Tabanca  Grande, por razões da sua vida pessoal e profissional que respeitamos. É médico.  Mas já tivemos ocasião, por várias vezes, de estar  e de conviver com ele, nomeadamente nos últimos encontros nacionais da Tabanca Grande. Esteve, inclusive, no último, o X Encontro Nacional, que se realizou em 18 de abril de 2015... Lá está ele na lista, mas sempre avesso à fotografia... 

Apetece-nos perguntar: o que é feito de ti, camarada, C. Martins  ? (*)... 

Esta série é justamente para relembrar alguns de nós que temos andado mais arredados do convívio bloguístico... E vamos começar a perguntar por esses... Devagarinho, como quem não quer a coisa... Naturalmente que respeitamos o silêncio voluntários dos camaradas e amigos/as que, por esta ou aquela, andam mais arredios... Afinal, o blogue vai fazer 12 anos, o que na Net é já uma eternidade...

C. Martins, querido camarada, espero que estejas bem, de saúde. E que a vida profissional esteja a correr o melhor possível, tanto quanto te deixam. Temos saudades das tuas "lições de artilharia para os infantes",  da tua boa disposição, do teu sentido de humor de caserna, da tua saudável irreverência, enfim,  dos teus comentários, por vezes desconcertantes mas sempre certeiros, ou não fosses tu um artilheiro e, para mais, o último artilheiro de Gadamael!...Sei que alguns não te perdoam esse pequeno detalhe do teu currículo, mas a verdade é que alguém tinha que fechar a porta... E em Gadamael coube-te a ti, que nem sequer foste voluntário para a tropa...

Aproveitamos para reproduzir aqui uma das tuas histórias que na altura nos deliciou e que os mais novos, os "piras", nunca leram... Desconfiamos que esta "cena"  passou-se mesmo contigo, que tens um grande sentido de justiça,  e és um camarada de cinco estrelas, um beirão dos quatro costados, mas a verdade é que tu nunca te descoseste. Fica para o teu livro de memórias.

Dá notícias, camarada, se puderes!.. E promete que estás bem...


2. Lições de artilharia para os infantes: quando o oficial de dia fez uma levantamento de rancho (**)

por C. Martins



 (...) A propósito de rancho... Lembro-me de um caso passado num regimento de uma cidade alentejana. O oficial de dia fez um levantamento de rancho !!!

Este tinha por hábito não se limitar a provar a comidinha da bandeja, mas verificar as pesagens dos géneros segundo as NEP. Era vitela à jardineira: tanto de ervilhas, cenouras, batatas e a carne da dita.

Iniciado o repasto, que a bem da verdade o pessoal comia com sofreguidão, o dito oficial, olhando de soslaio para pratos e travessas, repara que havia ervilhas, cenouras, grande quantidade de batatas e, surpresa, a carne praticamente tinha-se evaporado!.
– NINGUÉM COME MAIS, CAR...!!! – berra o gajo com um galãozito transversal no ombro, e enceta uma corrida frenética até à cozinha onde se depara com grandes nacos de carne sobre a bancada.

Transtornado, enfia uma cabeçada no 1º sargento vago-mestre ou lá o que era:
–  Você está preso, seu f... da p...!. E estão todos presos, seus cabr...f...das p..., bandidos, gatunos! ...

Mais calmo, tenta contactar o comandante que não estava, o 2.º também não... Bem, a alternativa era o contacto com o QG da região militar. Atende o oficial de dia da respectiva:
–  ... Fez o quê ?!! Você já desgraçou a sua vida!

Nesse dia almoçou-se só às cinco da tarde.

O sorja f... da p... tinha por hábito gamar a carne e outros géneros que vendia a talhos e estabelecimentos civis, com a conivência dum cabo RD... Os outros elementos da cozinha eram ameaçados para se calarem. A justiça militar atuou com penas exemplares... O aspiranteco teve um elogio verbal e foi mobilizado para o CTIG.

Qualquer coincidência com a realidade não foi mera ficção. (**)

____________

Notas do editor:

(*) Postes da série > 

23 de fevereiro de 2013 > Guiné 63/74 - P11140: O que é feito de ti, camarada ? (1): Jorge Canhão, Oeiras (ex-fur mil at inf da 3ª CCAÇ/BCAÇ 4612/72, Mansoa e Gadamael, 1972/74)


26 de julho de 2013 > Guiné 63/74 - P11870: O que é feitio de ti, camarada ? (2): Afonso M. F. Sousa, residente em Maceda, Ovar, ex-fur mil, trms, CART 2412 (Bigene, Binta, Guidaje, Barro, 1968/70)

2 de janeiro de 2014 > Guiné 63/74 - P12535: O que é feito de ti, camarada ? (3): "Agora estou na trajetória do vôo livre da borboleta, seguindo outros horizontes da memória, despreocupadamente ! Felizmente com saúde"... (Afonso M.F. Sousa, a residir em Ovar, ex-fur mil trms, CART 2412, Bigene, Binta, Guidage e Barro, 1968/70)

3 comentários:

Vasco Pires disse...

Por favor volte C.Martins.
Já somos poucos!!!
Vasco Pires
Ex-soldado de Artilharia
Gadamael

Anónimo disse...

Calma..Calma..estou vivo
Apenas deixei de fumar "à má fila"..isto é depois de 42 anos a "esfumaçar" resolvi simplesmente parar... sem tomar nada,custou-me muito,mas consegui.
NÃO ACONSELHO A NINGUÉM...Vão ao médico que este prescreve uns medicamentos que ajudam bastante..também é preciso força de vontade.
Porque é que eu fiz desta maneira..ora feitio meu..
UM GRANDE ALFA BRAVO PARA TODOS

C.Martins

Luís Graça disse...

C. Martins: Aleluia! Aleluia!... Quem é vivo sempre aparece!... Fico feliz por saber notícias tuas... Duplamente feliz por teres deixado de fumar, e sem necessidade de "ajuda médica"... Não se pode nem deve dizer ao médico: "Médico, cura-te a ti mesmo!"... Sei quanto força de vontade é precisa para deixar de fumar... Estive 7 anos sem fumar, depois tive uma "estúpida" recaída... Não fumo hoje há mais de vinte e tal anos... Foi preciso estar doente, para deixar a merda do cigarro, "herança" da guerra...

Bom, espero que daqui a uns tempos se sintas com ganas de voltar ao nosso convívio bloguístico. Até lá respeitarei/respeitaremos o teu silêncio (e o teu direito à privacidade)... LG