segunda-feira, 30 de maio de 2016

Guiné 63/74 - P16147: Revisitando o "chão fula", e ligando o passado com o futuro (Patrício Ribeiro, Impar Lda) - Parte I: Bafatá

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 Foto nº 1A > Maio de 2016 > Bafatá, ao fundo o rio Geba


Foto nº 2 > Maio de 2016 > Bafatá, a catedral (1)


Foto nº 2A > Maio de 2016 > Bafatá, a catedral (2)


Fotos: © Patrício Ribeiro (2016). Todos os direitos reservados. [Edição: LG]



1. Mensagem, de ontem,  do nosso grã-tabanqueiro de Bissau (ou melhor, de Bafatá, onde agora vive) Patrício Ribeiro


[ Patrício Ribeiro,foto à esquerda: português, natural de Águeda, criado desde terra idade e casado em Angola, com família no Huambo, ex-fuzileiro em Angola durante a guerra colonial, a viver na Guiné-Bissau desde 1984, fundador, sócio-gerente e director técnico da firma Impar, Lda, especilazada em energias alternativas; também conhecido carinhosamente como "pai dos tugas"; vive temporariamente em Bafatá, enquanto a sua empresa leva a luz e a água poyável a quase um cenetnas de tabancas do chão fula, no leste]


Assunto - Canquelifa - P16127,  de 23 de maio de 2016, de Jorge Araújo


Depois de ler este Post, junto fotos deste quartel. Vou enviar por 3 vezes as fotos.

Em um dos meus passeios,  no fim de semana passado, andei a estragar o carro e as costas, de Bafatá para Gabú, Piche, Buruntuma, Canquelifa, etc.

Enquanto a chuva não chega, para não nos complicar mais estas viagens na lama... A estrada está boa até Buruntuma, mas difícil até Canquelifá.

Ao ler o P16127 (*), resolvi enviar algumas fotos recentes, desta tabanca e também, ao longo das viagens quase diárias, que faço para esta zona [,  a partir de Bafatá, onde moro temporariamente].

Há quem goste de recordar, em especial o meu amigo António Rosinha, que também por aqui morou e trabalhou [, na TECNIL]. Nestas estradas de pó que, daqui por uns dias serão de lama...

Ambos estivemos na tropa em Angola, tivemos a sorte de não estar cá na guerra. Mas vamos deixar algumas obras feitas, em benefício da população. Que na sua maioria são Fulas, que sempre estiveram, ao longo dos séculos, ligados aos Portugueses.

E que nos ficam muito agradecidos. Neste caso vão ficar com água potável em 88 tabancas. Neste momento, já a têm em 75, já falta pouco…

Em outros tempos, o António Rosinha reparou as estradas para Pirada e Ché-Ché.

Como sempre, encontro antigos militares Portugueses, quando tiro fotos aos antigos quarteis destes locais, vão me contando as histórias desse tempo. Alguns eram milícias, outros militares, ainda outros ex-comandos Portugueses, que estiveram refugiados muitos anos no Senegal, viram muitos colegas seus serem lá capturados, enviados para a Guiné, onde tiveram um fim triste.

Junto algumas fotos das viagens desde: Bafatá, Piche, Canquelifa, e também do meu trabalho para publicarem, se tiver interesse.

Elas vão numeradas para identificação.

Abraço, desde o calor.
Patrício Ribeiro

Impar Lda  | Bissau

impar_bissau@hotmail.com
http://www.imparbissau.com/ 




Guiné > Zona leste > Bafatá >c. 1969/70 >  Vista aérea > Em primeiro plano, o rio Geba e a piscina de Bafatá (que tinha o nome do administrador Guerra Ribeiro e foi inaugurada em 1962, tendo sido construído - segundo a informação que temos - por militares de uma unidade aqui estacionada ainda antes do início da guerra).

Do lado esquerdo, o cais fluvial, uma zona ajardinada, a estátua do governador Oliveira Muzanty (1906-1909)... Ao centro, a rua principal da cidade. Vê-se, ao fundo, a estrada que conduz à saída para Nova Lamego (Gabu), à direita, e Bambadinca-Xime, à esquerda. À entrada de Bafatá, havia rotunda. Para quem entrava, o café do Teófilo, o "desterrado", era à esquerda..

Do lado direito pode observar-se a traseira do mercado. Do lado esquerdo, no início da rua, um belo edifício, de arquitetura tipicamente colonial, pertencente à famosa Casa Gouveia, que representava os interesses da CUF, e que, no nosso tempo, era o principal bazar da cidade, tendo florescido com o patacão (dinheiro) da tropa e, claro, dos produtos coloniais de exportação, como a mancarra e outars oleaginosas.  Por aqui passaram milhares e milhares de homens ao longo da guerra,  que aqui faziam as suas compras, iam aos restaurantes, iam ao cinema (!) e até se divertiam... com as meninas do Bataclã (que ficava no bairro da Rocha), já fora da cidadezinha  colonial, como convinha. Em Bambdainca, hvia uma filial ou sucursal do Bataclã, que em tempo de guerra a indústria do amor é a sempre a última a morrer... (LG)


Guiné > Zona leste > Bafatá >c. 1969/70 > Vista aérea > Rua Principal de Bafatá, com início na Casa Gouveia... Ao fundo do lado esquerdo, a igreja católica de Bafatá. chamavamos-lhe a catedral... E em em frente, do outro lado da rua, a sede da autarquia local... Mais acima, ao fundo, do lado direito, o hospital da cidade... À frente à Casa Gouveia, rm ptimeiro planmo, do outro lado da rua, o Mercado de Bafatá, de estilo revivalista. (LG) 

Foto do álbum do Humberto Reis, ex-fur mil inf op esp, CCAÇ 12 (Contuboel e Bambadinca, 1969/71)


Fotos: © Humberto Reis (2006). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: L.G.]


2. Comentário de LG:


Bafatá é hoje uma "dor de alma", oxalá/inshallah/enxalé tu, Patrício Ribeiro,  e outros empresários ainda possam vir a reanimá-la!... Dizem-me que foi destronada pelo Gabu onde quem mais ordena são os comerciantes do "chão de francês"... C'est vrai ?

A nossa doce e tranquila princesa do Geba!... É a localidade, do nosso tempo, mais fotografada, ou pelo menos mais divulgada no nosso blogue em grande parte devido às excelentes fotos (e memórias) de camaradas como o Fernando Gouveia (arquiteto) ou o Humberto Reis (engenheiro), entre outros.

Sobre Bafatá  temos mais de 300 (!) referências no nosso blogue... E no Google Imagens a maior parte das fotos disponíveis (incluindo vistas aéreas) são nossas...

Obrigado, Patrício, em nome da Tabanca Grande e de toda rapaziada que passou pelo leste!... Vamos publicar as outras fotos que mandaste (de Piche e e sobretudo de Canquelifá)... Dá uma apitadela quando vieres de férias, ao "Puto". E se passares por outro sítios do leste (Bambadinca, Contuboel, Sonaco, Gabu, Pirada...)  tira-me umas chapas, com boa resolução como estas!... Como sabes, temos uma ligação forte a essa gente maravilhosa do chão fula!... Mantenhas!... LG
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Nota do editor:

(*) Vd. poste de 23 de maio de  2016 > Guiné 63/74 - P16127: (De)Caras (40): A Canquelifá da CCAÇ 3545 (1972-1974) e os acontecimentos de janeiro de 1974: a morte do "ranger" fur mil op esp Luís Filipe Pinto Soares (Jorge Araújo, ex-fur mil op esp, CART 3494, Xime e Mansambo, 1972/74)

4 comentários:

Tabanca Grande disse...

Era uma rampa íngreme, aquela, as marcas dos pneus das nossas viaturas estavam lá bem vincadas, na foto do Humberto Reis... Não sei se alguma viatura foi parar ao Geba, naquela época, a malta tinha pé de chumbo, e a crise do "pitróleo" ainda não tinha chegado à Guiné...

A ideia que guardo de Bafatá, quando a conhecui em meados de 1969, era a de uma cidade do Faroeste americano... A malta vinha do "mato" com fome de viver... A depressão dava para comer e beber e.. apanhar esquentamentos.

Antº Rosinha disse...

Visto no Google Earth Gabu cresceu para o dobro estes últimos 20 anos.
Tanto o Quartel como o aeroporto que estavam nos arredores, já estão envolvidos por habitações.

Mas para bem da Guiné, não estão a surgir enormes cidades como nas capitais africanas com a mania de grandezas com os diamantes e petróleo.

Como Lagos, Luanda, Kinshassa etc.

Em África, quanto menos diamante, mais tranquilidade.

(Àfrica do Sul é uma excepção, por enquanto)

alma disse...

Existiam 2 Bafatás. O meu era o Teófilo e as Libanesas, mais umas apressadas damas que trabalhavam na horizontal. Ia lá desenfiado, com a desculpa de buscar o correio. O outro Bafatá, da piscina, do cinema, dos restaurantes, não conheci.Dizem-me que a cidade se degradou, perdendo a importancia, para o Gabu. Abraço. J.Cabral

Anónimo disse...

Fernando Gouveia
31 mai 2016 00:10

Agradeço, Luís, mas não precisavas mandar o poste, pois, apesar de ultimamente não me ter manifestado, todos os dias vou ao blogue.

Abraço