quarta-feira, 15 de junho de 2016

Guiné 63/74 - P16204: Agenda cultural (490): Livro de Jorge Sales Golias, "A descolonização da Guiné-Bissau e o movimento dos capitães" (Edições Colibri, 2016): apresentação por A. Marques Lopes, 5.ª feira, dia 16, pelas 18,00 horas, Biblioteca Municipal Florbela Espanca, Matosinhos



Com pedido de divulgação do nosso amigo e camarada, grã-tabanqueiro da primeira hora, A. Marques Lopes, coronel DFA ref, ex-alf mil art (CART 1690, Geba, 1967/68; e CCAÇ 3, Barro, 1968), que vai apresentar a obra.
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Noat do editor:

Último poste da série > 12 de junho de  2016 > aGuiné 63/74 - P16194: Agenda cultural (482): Os Melech Mechaya hoje em Serpa, à meia-noite, a encerrar o festival XIII Encontro de Culturas (9-12 de junho de 2016)... Celebra-se a cultura como factor de desenvolvimento e de união entre os povos. Entrada livre

10 comentários:

JD disse...

Eu adquiri o livro, e por ele constatei que o MFA começou numa viagem de avião para Bissau, em 1 de Julho de 1972, que reuniu o autor, Carlos Matos Gomes ("um camarada informado, lúcido e consciente da ditadura e da inutilidade da guerra"), bem como José Manuel Barroso jornalista do República, respectivamente capitães do QP e capitão miliciano. "A conversa evoluíu no sentido de mantermos a ligação e a firme intenção de nos reunirmos em Bissau para análise da situação politico-militar e eventual trabalho político com vista a uma tomada de posição do Exército no futuro do país. E assim havia de ser!" - pag.33, a primeira do texto.
Categoricamente fica agora desmentida a questão da carreira dos capitães-milicianos, que durante tanto tempo serviu de justificação para o movimento dos "prejudicados" capitães do QP, onde, aliás, já não encaixavam muito bem no argumento os oficiais de patentes superiores.
Ao longo do texto não se constata outra preocupação, que não seja a da concretização do golpe que libertaria os militares do QP, que era a preocupação do conjunto de promotores que, segundo a descrição, foi aumentado com mais adesões de oficiais de mais elevadas patentes, golpe que encaixava nas ambições pessoais de Spínola, que deu apoio, e terá provocado perplexidade determinante no Governo.
Nestes termos, ganha realce o meu argumento de que os elementos do MFA apenas queriam recolher ao conforto dos respectivos lares, onde as famílias os esperavam com desejo, pois os envolvidos não tiveram preocupações sérias com o destino dos povos das colónias onde havia Forças Armadas, mesmo em Angola praticamente pacificada. Longe das mulheres e dos filhos é que residiam as preocupações. Esta e outras razões parecem encaminhar as causas do 25 de Abril para a tese de Manuel Godinho Rebocho, constante da publicação "Elites Militares e a Guerra de África".
Também em nenhum lugar do livro de Golias foi aflorada a questão da sobrevivência da nação, cuja economia pujante era estruturada nas três mais importantes parcelas, a metrópolo, Angola e Moçambique. Naquele tempo Portugal só recorreu a um empréstimo externo para financiar Cahora-Bassa, e a metrópole tinha os mercados africanos portugueses como preferentes para a colocação dos seus produtos incapazes de concorrerem noutros mercados. Além disso, havia um importante mercado de invisíveis correntes provenientes de matérias-primas africanas e davam conforto aos cofres do Banco de Portugal. Assim, nem o intelectual Antunes vislumbrou qualquer problema com o desmembramento do conjunto, situação relevante do ponto de vista da metrópole. Ainda somos afectados por essa decisão, pois aos resultados positivos das execuções orçamentais, Portugal não voltou a conseguir idêntico desiderato durante o regime alegadamente democrático, 42 anos depois.
Como dizia o brasuca, "pimenta no cú do outro, para mim é refresco", pelo que ninguém deve admirar-se do abandono ostensivo e surpreendente para os movimentos, pois o importante era o regresso urgente. Sobre os argumentos de "democracia, desenvolvimento e descolonização" já me referi bastante, e há muitas outras ilações sérias sobre a matéria, que evidenciam que a democracia nem sequer era seguida entre o que os revoltosos decidiam.
Os irresponsáveis capitães aparecem agora a propor-nos compreensão, esquecendo que não foram vítimas de nada, nem do regime opressivo, nem das escolhas que fizeram, salvo, se essas escolhas não foram sérias, como, aliás, parece e avulta das traições praticadas
JD.

antonio graça de abreu disse...

E já agora, no livro do capitão Golias, não nos podemos esquecer daquelas "excelentes páginas" sobre a perda da supremacia aérea por parte das NT, nos céus da Guiné, quando não perdemos nenhuma supremacia aérea e, de vrredade continuámos a bombardear e a voar como nunca. Não é foi, meu caro tenente-general piloto aviador, meu bom amigo António Martins de Matos?. Enviesa-se a nossa História, para bem da leitura dos manéis alegres, dos lourenços vascos,(25 de Abril sempre!) dos
matos gomes, das boas almas como o nosso Beja Santos.

Abraço,

António Graça de Abreu

Carlos Vinhal disse...

Há aqui algo que me faz lembrar a ordem unida na instrução: Esquerda, direita, um, dois; esquerda, direita, um, dois...
Abraço
Carlos Vinhal
Leça da Palmeira

Vasco Pires disse...

...ou, respeitadas as devidas distâncias, um Benfica x Sporting...
Forte abraço.
VP

JD disse...

Caros amigos Carlos e Vasco,
No que a mim possa dizer respeito, refiro que não se trata de marcar passo nem de derby, nem de hostilidade em relação ao autor que não conheço. Também volto a acrescentar, que a minha formação até ao 25 de Abril foi de esquerda, apesar de nunca ter pertencido a qualquer agremiação política. Agora, há quem me confunda com reaça ou com esquerdóide.
O 25 de Abril foi um golpe militar que só aos militares dizia respeito, mas que se tornou uma revolução, porque as circunstâncias sociais encarregaram-se de dar expressão a imensas manifestações reivindicativas e "em nome do povo", o que não permitiu o golpe asseado de deixar as colónias, pôr um fim à guerra, e fazer uma vidinha de casa-trabalho, para além da turbulência internacional da época que imprimiu determinadas condutas e acontecimentos.
Objectivamente, o MFA fez o jogo do IN, e do ponto de vista interno só aparenta ter melhorado a condição de vida dos portugueses, pelo recurso a empréstimos externos com vista ao consumo. Paralelamente, os portugueses aburguesaram-se por via dos patrimónios adquiridos, designadamente casas e viaturas, o que nos tolhe o sentido crítico e aumenta o medo de perturbações.
Politicamente, podemos considerar uma parte significativa de desiludidos que não votam, e as decisões ficam por conta da outra metade que vai a votos como quem vai à bola, com cachecóis, provocações e cantigas de engano. E que sem dinheiro na gaveta, no meu tempo não havia pão para malucos. Isto tem custos, que já vão nos 600 ou 700 mil milhões de euros, dívida ocultada para não fazer ondas. Os impostos directos e indirectos aumentam em conformidade, até que atinjamos o ponto da insolvência, quando não houver recursos genuínos para o serviço da dívida. Quanto tempo falta, não sei responder.
A minha orientação, volto a afirmar, é pela dignidade humana, só possível numa sociedade produtora com super-avit, com a preocupação sobre a educação cívica e o desenvolvimento do sentido crítico e da cidadania activa (livre dos jogos de influência), e com a prossecução do bem comum e do Interesse Público como objectivo.
Abraços fraternos
JD

António José Pereira da Costa disse...

Para os inefáveis JD e AGA, um abraço.

Se não "ganháramos" a guerra, pelo menos "ficaramos" em segundo...
E se não no púnhamos a pau ainda ganhávamos "aquilo".
Como não sei, mas lá que esteve quase, quase, quase... isso esteve.
Até digo mais: quando foi o 25ABR "'tava na mala"!...

Um Ab.
António Costa
PS: Não vão à bola! Porque aquilo com a Islândia não correu bem. Mas se forem levem o cachecol.

Vasco Pires disse...

Bom dia JD,
Cordiais saudades.
Muito obrigado por responder.
Forte abraço.
VP

Vasco Pires disse...

Digo:
Cordiais saudações.
VP

Manuel Bernardo disse...

Apenas quero esclarecer JD que o termo MFA apenas surgiu em 25 ABR74. Até aí o tal movimento era Movimento dos Capitães, que, alguns a partir de certa altura designaram por MOFA. E quem propôs o termo MFA foi o então General António de Spínola para que fosse um movimento mais abrangente (confirmado por Otelo e Vasco Lourenço num colóquio em Oeiras/2004) . Isto entre o 16MAR e o 25ABR. Numa intervenção de Jorge Golias a propósito do mesmo assunto e na divulgação do lançamento, confirmou que no seu livro, até ao 25ABR de facto usou essa terminologia - Mov. Cap.s.
Manuel Bernardo

JD disse...

Caro Manuel bernardo,
Tem razão, mas por uma questão de generalização do termo identificativo, que não rejeita as designações anteriores, MFA é para o cidadão comum a designação geralmente identificativa do movimento, sem que as fases do desenvolvimento sejam do conhecimento comum.
Muito obrigado
JD