domingo, 21 de agosto de 2016

Guiné 63/74 - P16409: A guerra vista do outro lado... Explorando o Arquivo Amílcar Cabral e outros / Casa Comum (20): A fábula do lobo, do boi e do elefante, contada aos pioneiros do PAIGC (Blufo, nº 7, jun-dez 1966, p. 3)




A Escola-Piloto, localizada em Conacri, foi criada na sequência do I Congresso do  PAIGC, realizado em Cassacá, na península de Quitafine, de 13 a 17 de fevereiro de 1964. Foi essencialmente um escola dos filhos da elite dirigente do PAIGC (quadros e militantes no exterior da Guiné).

"Os seus primeiros alunos foram, precisamente, muitas das crianças que aí tinham acorrido, acompanhando os dirigentes das diferentes regiões e que, de acordo com as orientações de Amílcar Cabral, foram levadas para Conakry, a fim de aí poderem receber instrução". 

"Luís Cabral foi o principal impulsionador da criação do Blufo, orgão dos pioneiros do PAIGC - o que lhe advinha das suas responsabilidades no Secretariado Permanente do Conselho Executivo da Luta em matéria de informação e propaganda". 

O Arquivo & Biblioteca da Fundação Mário Soares disponibiliza um CD-ROM com a série completa  do jornal "Blufo".  Esssa coleção de originais foi, por sua, disponibilizada por Luís Cabral.

 O "Blufo" publicou-se ao longo de cinco anos, de aneiro de 1966 a dezembro de 1970). Tinha pequena tiragem,  e a sua edição irregular. mas foi uma iniciativa meritória  da Escola-Piloto. Era escrito em bom português e ilistrado com algumas fotografias, Não sabemos em rigor qual o seu impacto na formação político-ideológica dos jovens do PAIGC.  Recorde.se que “Blufo”, em balanta, significa o jovem  ainda não circunsisado,  que transporta em si o passado, o presente e o futuro.





Portal Casa Comum > Arquivo Amílcar Cabral > Fábula africana, "A história do lobo, do boi e do elefante" > Blufo, nº 7, junho-dezembro de 1966, p. 7 (Reproduzido com a devida vénia...)


Fonte:

Portal Casa Comum
Instituição > Fundação Mário Soares
Pasta: 04693.007 [Disponível aqui]
Título: Blufo - Orgão dos Pioneiros do PAIGC
Número: 07
Data: Junho de 1966 - Dezembro de 1966
Observações: Publicação da Escola-Piloto
Fundo: DAC - Documentos Amílcar Cabral - Luís Cabral
Tipo Documental: IMPRENSA
Direitos:
A publicação, total ou parcial, deste documento exige prévia autorização da entidade detentora.

Arquivo Amílcar Cabral > 06. Organização Civil > Ensino > Escola-Piloto > Blufo
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4 comentários:

Antº Rosinha disse...

Eram uns "gabarolas" e uns "vaidosos" os estudantes do ultramar.
O português correcto eram eles que o falavam e escreviam melhor.
Os metropolitanos nem sabiam dizer «água» nem «MPLA»
Dizem «a iágua» e o «MPLIA».

Tabanca Grande disse...

Rosinha, seria interessante poder sabermos quantos quadros, hoje, da Guiné-Bissau passaram pela Escola-Piloto do PAIGC, em Conacri, e "aprenderam a ler e a escrever e a falar português"
também com a ajuda do "Blufo"...

O título desta publicação, "Blufo", também não é "inocente": o PAIGC claramente privilegiava os "balantas", donde recrutou os "homens do mato", os que fizeram a guerrilha, os que mataram e morreram...

Os "balantas" foram a carne para canhão do PAIGC...

Antº Rosinha disse...

De facto a ideia desse título "Blufo" foi de muita originalidade.
Não deve ter sido ideia de Cubanos nem de Amílcar.
Eles não falavam balanta.
No tempo da fome cabralista a UNICEF distribuia pelas escolas umas embalagens de leite em pó com esse nome "Blufo".
Muitas crianças mais água e vice-versa.

Manuel Luís Lomba disse...

A guerra da Guiné terá começado pelo ... ensino da Língua portuguesa no "Lar do Combatente", no bairro do Bonfim, Conacri, o primeiro centro de treino e formação militar do PAIGC, cujo primeiro professor foi o herói bissau-guineense Domingos Ramos; e a desgraça pessoal de Amílcar Cabral terá sido efeito dessa sua determinação, que ousadamente respondera à pressão de Skou Touré pelo ensino do francês de que se a sua terra tivesse de continuar colónia, preferia a colonização portuguesa...
Ainda recentemente ouvi a declaração pública do nosso camarada Henriques da Silva, embaixador em Bissau, que geriu magistralmente a crise a "crise Ansumane Mané", de que a instabilidade naquele país era objectivada a servir os interesses da França, pela hegemonia naquela região!