quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Guiné 63/74 - P16675: Inquérito 'on line' (80): a avaliar pelas 80 respostas até às 19h00 de hoje, só uma minoria (15%) refere a existência de casos de deserção (13) na sua unidade (companhia ou equivalente), no TO da Guiné. O prazo de resposta termina amanhã às 15h34. Vamos tentar chegar à centena de respostas...



Guiné > Região do Cacheu  > COP 3 > Base de Canturé > CF (Companhia de Fuzileiros] 10  (1969/71) >  O grumete José Sentieiro é o quarto a contar da esquerda.  

Foto da  página do José Sentieiro no Facebook. (Com a devida vénia...)


O José Sentieiro é um dos três fuzileiros que desertou da base de Canturé em 1970.  E é o único que está vivo:  natural de Torres Novas, é empresário no Brasil. vive em Eusébio, Ceará, e tem página no Facebook [José Sentieiro].  Já nos contactou e já o contactámos, mas ainda não temos a sua versão dos factos, relacionados com a sua deserção.



Senegal > PAIGC> Panfleto do PAIGC > s/d > Três fuzileiros portugueses que desertaram da base naval de Ganturé, COP 3, na região do Cacheu.  Legenda: "A satisfação dos fuzileiros navais Pinto, Alfaiate e Sentieiro, fotografados em lugar seguro, após terem abandonado a base fluvial de Ganturé".

Documento digitalizado que nos chegou, em 2007,  por mão do Fernando Barata, ex-alf mil da CCAÇ 2700 (Dulombi, 1970/72) (*).

Na imagem, de péssima qualidade , o alentejano António José Vieira  Pinto é o do meio, identificado por  um amigo (no blogue Água Lisa, do João Tunes).  O Alberto Costa Alfaiate seria o da esquerda e o José Armindo, o da direita.  

Foto: © Fernando Barata (2007). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guine]


I. INQUÉRITO 'ON LINE':

"NA MINHA UNIDADE (COMPANHIA OU EQUIVALENTE) NÃO HÁ CASOS DE DESERÇÃO"


Os 80 primeiros resultados (às 19h00 de hoje) 




1. Nenhum, na metrópole > 40 (50%)

2. Nenhum, no TO da Guiné  > 51 (63%)


3. Um, na metrópole  > 15 (18%)



4. Dois, na metrópole  > 4 (5%)


5. Três ou mais, na metrópole  > 3 (3%)

6. Um, no TO da Guiné  > 11 (13%)

7. Dois, no TO da Guiné  > 1 (1%)

8. Três ou mais, no TO da Guiné  > 0 (0%)




O prazo de resposta termina 5ª feira, dia 3, às 15h34 (**).

_____________

Notas do editor:

(*) Vd. poste de 4 de Fevereiro de 2007 > Guiné 63/74 - P1496: PAIGC - Propaganda (2): Notícia da deserção de três fuzileiros navais (Fernando Barata)

Vd. também postes de:

3 de março de 2007 > Guiné 63/74 - P1560: Questões politicamente (in)correctas (25): O ex-fuzileiro naval António Pinto, meu camarada desertor (João Tunes)

12 de Setembro de 2007 > Guiné 63/74 - P2097: Em busca de... (11): José Armindo Sentieiro, ex-fuzileiro, o único sobrevivente dos três desertores de Ganturé (Fernando Barata)

9 de novembro de  2009 > Guiné 63/74 - P5241: Controvérsias (50): O estranho caso dos três desertores da base naval de Ganturé (Serafim Lobato)

(...) Chamo-me Serafim Lobato. Fui jornalista, hoje reformado, e, na altura da deserção dos grumetes era oficial fuzileiro especial e estava sedeado em Ganturé, tal como eles.

A sua deserção deu-se meia dúzia dias da minha chegada àquela base naval, situada nas margens do rio Cacheu, dois quilómetros para sul da sede do Comando Operacional 3  [COP 3] que, então, era comandado pelo capitão-tenente Alpoim Calvão, que veio a ser o comandante da citada operação [ Op Mar Verde, invasão de Conacri, 22 de novembro de 1970].

Fui uma testemunha. (...) Os desertores pertenciam a um pelotão independente de fuzileiros navais, que faziam as tarefas logísticas naquela base. Tinham sido punidos pelo comando do COP 3 e estavam a capinar o exterior da mesma, por delitos cometidos. Não eram meninos de coro que debitavam slogans contra a guerra. Aliás, na ocasião, o comandante Calvão não ficou preocupado com a deserção. (...) 

O panfleto do PAIGC, que ele [, Fernando Barata,] vos entregou, eu tive, na minha posse, um idêntico. Dias depois da deserção, umas largas dezenas foram deixadas em Ganturé. Acrescento uma informação: eu ouvi-os depois na rádio do movimento guerrilheiro [ a Rádio Libertação, em Conacri,] dissertando [sobre] a sua deserção. (...)

 Só que a razão da deserção desses homens - que diziam estar contra a guerra, Alfaiate reafirmou-o na rádio PAIGC em Conacri - não se coadunam com o facto descrito pelo comandante Calvão no seu livro 'De Conakry ao MDLP', no qual assinala que o citado Alfaiate (um dos desertores), libertado pelo PAIGC e colocado em Paris, fora capturado, mas que "ao mesmo tempo se entregou voluntariamente às nossas autoridades, vindo de Conakry há três semanas" (p. 70).

Ora, eu sei por fontes que participaram na Op Mar Verde, que a bordo dos navios que zarparam para a capital guineense em 1970 não ia somente o Alfaiate, mas, pelo menos, um outro. Eu pensei que era o Pinto, mas podia ter sido o Sentieiro. (A notícia de que o Pinto apareceu ligado à LUAR e, posteriormente, à segurança do Vasco Gonçalves,  não me convence, à priori, do seu antifascismo. Os partidos de esquerda estavam cheios de infiltrados.)

O Calvão, no livro, chama a Alfaiate "colaborador de valor". Ou seja, sabia coisas. (...)

(**) Último poste da série > 1 de novembro de 2016 > Guiné 63/74 - P16665: Inquérito 'on line' (79): Com 60 respostas, até ontem às 18h, e a dois dias de "fecharem as urnas", temos apenas 11 casos de deserção no CTIG... Precisamos de chegar às 100 respostas... e nomear a(s) companhia(s), no CTIG, em que tenha havido um ou mais casos de desertores, antes do embarque e/ou depois do embarque: depoimentos, precisam-se!

8 comentários:

Tabanca Grande disse...

Há deserções que têm, por móbil, "problemas disciplinares", e não propriamente "motivações político-ideológicas"...

O aproveitamento, ou a leitura político-ideológica, vem depois, tanto por parte do PAIGC como de movimentos que combatiam então o Estado Novo e a guerra colonial, como por exemplo a Frente Patriótica de Libertação Nacional (FPLN), com sede em Argel.

Parece ser esse o caso do soldado básico auxiliar de cozinheiro Miranda (, aqui contado pelo Tino Neves, ex- 1º cabo escriturário da CCS / BCAÇ 2893, Nova Lamego, 1969/71, no poste P16672), como também o caso dos 3 grumetes da base naval de Ganturé, COP 3, altura em que era o comandante o Alpoim Calvão, cérebro da Op Mar Verde... (Estes quatro casos ocorreram em 1970, uns meses antes da invasão de Conacri.)

Tabanca Grande disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Tabanca Grande disse...

O Alberto Costa Alfaiate acabou por colaborar com o comandante Alpoim Calvão na Op Mar Verde (invasão de Conacri, em 22 de novembro de 1970). Acompanhou a força invasora e o seu conhecimento da prisão do PAIGC, em Conacri, terá sido decisivo para o sucesso da libertação dos prisioneiros portugueses...

O alentejano António Pinto seria, dos três, o que teria mais informação e consciência políticas... Integraria, mais tarde, "a luta armada contra a ditadura portuguesa nas fileiras da LUAR, liderada por Palma Inácio", segundo João Tunes.

"Tendo entrado clandestinamente em Portugal, foi preso pela PIDE, sendo prisioneiro na Prisão de Caxias quando do 25 de Abril. Libertado, integrou-se na revolução e foi segurança do general Vasco Gonçalves. Após o 25 de Novembro de 1975, temendo voltar à prisão, foi viver para a Holanda, onde ganhou a vida como cobrador dos transportes colectivos. Faleceu há 4 anos [, ou seja, em 2003]."

Fonte: poste de 3 de março de 2007 > Guiné 63/74 - P1560: Questões politicamente (in)correctas (25): O ex-fuzileiro naval António Pinto, meu camarada desertor (João Tunes)

https://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/2007/03/guin-6374-p1560-questes-
politicamente.html?showComment=1370870693855

Tabanca Grande disse...

O Sentieiro contactou com connosco, em 15/4/2008, em, comentário ao poste de 4 de Fevereiro de 2007 > Guiné 63/74 - P1496: PAIGC - Propaganda (2): Notícia da deserção de três fuzileiros navais (Fernando Barata)

https://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/2007/02/guin-6374-p1496-paigc-2-propaganda.html


"Eu sou o José Armindo Gonçalves Sentieiro, ex fuzileiro 1225/67. No momento estou no Brasil mas por pouco tempo estarei em Portugal. Gostaria de encontrar com vocês, obrigado pelo seu trabalho, meu e-mail é josesentieiro@hotmail.com

12 de abril de 2008 às 00:21".

Tabanca Grande disse...

O Alberto Costa Alfaiate terá morrido, em Paris, de acidente, segundo informação prestada pelo Alpoim Calvão ao jornalista e antigo oficila fuzileiro especial Serafim Lobato...

Seria um Alfaiate um "agente duplo" ? Poderá a deserção dos 3 grumetes ter sido "ensaiada" ou "consentida" por Alpoim Calvão ? Terá o PAIGC comprado "gato por lebre" ?...

O único que ainda pode falar é o José Armindo Gonçalves Sentieira, um homem que vive no Brasil, aparentemente bem instalado na vida e feliz, pai e avô babado, como se pode deduzir da visita à sua página no Facebook.

https://www.facebook.com/jose.sentieiro?fref=ts

Tabanca Grande disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Tabanca Grande disse...

1. Excerto de um comentário nosso, com data de 9/11/2009...


(...) Seguiu já, para o Sentieiro, o seguinte mail:

"Meu caro José Sentieiro:

"Há um comentário teu, no nosso blogue, que lamentavelmente nos passou na altura despercebido... Data já de 12 de Abril de 2008 (!).

"Dizias o seguinte: 'Eu sou o Jose Armindo Gonçalves Sentieiro, ex fuzileiro 1225/67; no momento estou no Brasil mas por pouco tempo, estarei em Portugal, gostaria de encontrar com vocês. Obrigado pelo seu trabalho. Meu e-mail é josesentieiro@hotmail.com"

"4 de Fevereiro de 2007 > Guiné 63/74 - P1496: PAIGC - Propaganda (2): Notícia da deserção de três fuzileiros navais (Fernando Barata)


"Saiu entretanto um texto do nosso camarada Serafim Lobato que estava contigo em Ganturé quando vocês desertaram... Ele acha que a vossa história está mal contada... Infelizmente, como deves saber (ou talvez não) o Alberto Alfaiate e o António Pinto já nos deixaram, não podendo falar, repor a verdade, defender-se ... Restas tu... É muito importante a tua versão, a tua história... Diz como posso falar contigo: aqui tens os meus números de telefone (...)

"9 de Novembro de 2009 > Guiné 63/74 - P5241: Controvérsias (36): O estranho caso dos três desertores da base naval de Ganturé (Serafim Lobato) (...)

9 de novembro de 2009 às 23:44


2. O Sentieiro respondeu-me logo passado uma hora:


"Sim, ainda estou no Brasil, ou melhor, já fui, regressei e estou voltando dentro de 30 dias. Quando chegar, entrarei em contacto contigo, qualquer coisa este é o meu msn. Até lá um abraço".

jose armindo sentieiro josesentieiro@hotmail.com


... mas depois disso não tivemos mais notícias. Está na altura de tentar de novo, sete anos depois... LG

Juvenal Amado disse...

Desde cedo se falou nas deserções e dos refractários. Ouvi falar ou tive conhecimento de vários.
Eu próprio, estive numa situação delicada sem culpa nenhuma quando destacado numa diligência em Sta Margarida, os responsáveis pelo meu depois batalhão 3872 que se estava a formar em Abrantes, andaram mais de 8 dias à minha procura. Quando me apresentei vindo directamente de Sta Margarida, ainda levei um raspanete do capitão e tive de explicar onde tinha estado.
Em Alcobaça logo no início da guerra, desertou na noite do embarque um individuo filho de um dos mais prestigiados médicos ligados à oposição.
Segundo creio, foi apanhado por suspeitas de atitudes conspiratórias clandestinas na universidade como militante ligado ao PCP e foi incorporado e mobilizado para Angola.
Naquela noite desertou e mais tarde se lhe juntou a irmã, também perseguida pelas mesmas razões.
Depois do 25 de Abril a irmã regressou e foi dirigente do MDP-CDE mas ele só regressou alguns anos depois. Vim a saber que a sua fuga não foi aceite pela organização no exílio e durante muito tempo esteve entregue à sua sorte, gravemente doente a correr perigo de vida. As infiltrações pela pide eram temidas e assim, quem desertava por sua conta e risco acabava, por passar muito mal sem a solidariedade militante.
Mais tarde já em 1972 tive o conhecimento do desaparecimento quando fui a Cancolim do seu capitão. Na altura ainda se falava há boca pequena como se costuma dizer. Do desaparecimento do alferes também lá soube. Não era coisa que as autoridades fizessem grande publicidade como facilmente se compreende.
O soldado Rodrigues devo aqui reafirmar que se deveu a loucura com sitio e hora errada pelo menos era essa a ideia com que fiquei. Outros motivos só mais tarde foram falados e "esticados"
Cancolim veio a receber alguns soldados que tendo sido refractários, acabaram por beneficiar de amnistia de Marcelo Caetano e resolveram assim regressar. Também alguns saíram das prisões por delitos vários para serem embarcados e assim serem indultados dos castigos que tinham sido impostos.
Bem se ir para a Guiné se poderá chamar de indulto, é discutível