quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Guiné 63/74 - P16677: Debates da nossa tertúlia (I): Nós e os desertores (17): o decreto-lei nº 180/74, de 2 de maio, da Junta de Salvação Nacional, que amnistiou o crime de deserção e outras infrações previstas na Lei do Serviço Militar, a lei nº 2135, de 11 de julho de 1968





Ver aqui o documento e outros com  ele relacionados (Lei do Serviço Militar, etc.)



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4 comentários:

Antº Rosinha disse...

Como os portugueses (metropolitanos) éramos tão poucos e tão fácil de contar que está visto, que se exceptuarmos os refractários, poucos faltaram à chamada.

E "estávamos lá os melhores", vai ser assim que a história vai classificar aqueles que lá estivemos ao lado de milhões de africanos (Angola e os outros palop's) que achavam que não "era a hora", e estavam ao nosso lado.

O que vai ficar registado para a história, para o futuro, para a colonização Europa/África, foi a colonização em si e a respectiva descolonização.

Ora o que deve ficar escrito em letras «garrafais», é que Portugal foi o primeiro a iniciar essa colonização (César e Cleópatra não contam para aqui)e fomos os últimos a desistir dessa mesma colonização.

E "estávamos lá os melhores", vai ser assim que a história vai classificar aqueles que lá estivemos ao lado de milhões de africanos (Angola e os outros palop's) que achavam que não "era a hora", e estavam ao nosso lado.

A Europa esteve errada a provocar aqueles partos prematuros, obrigando-nos a nós a cometer o mesmo erro, contra o qual gritámos durante treze anos.

Não se largam os filhos no meio da rua ainda crianças.

As consequências foram e estão a ser terríveis para todos, para a Europa e para África.

Diziam que eram os ventos da história...até a morte tem desculpa!



Tabanca Grande disse...

Não sei se muitos dos tais 200 mil refractários (?) e dos 8 mil desertores (?) de que tanto se fala por aí, tiveram oportunidade, em tempo útil (15 dias...) de regularizar a sua situação militar...

Confesso que na altura não me apercebi (ou já não me lembro) da promulgação deste diploma, assinado pelo... nosso antigo com-chefe, o gen Spínola, que tratava os desertores a murro e pontapé. Ironias da história...

Tabanca Grande disse...

Mais um caso "atípico" de deserção: o de David Ferreira de Jesus Costa, natural de Fânzeres, Gondomar: incorporado em Julho de 1966, regressou da Guiné em finais de Agosto de 1971... "Por aqui logo se pode ver que teve uma comissão com uma duração excepcional. Iremos saber porque é que foi mesmo uma comissão excepcional"...

(...) "Memórias de um soldado que foi julgado em tribunal como desertor, quando tudo começara por um gesto irreflectido, tendo mentido em diferentes momentos. Considera que foi condenado por um crime que não cometeu, sente-se inocente, em paz com a sua consciência, mas sabendo que a palavra “desertor” consta na sua caderneta militar. " (...)


Vd. 3 DE JULHO DE 2010

Guiné 63/74 - P6776: Notas de leitura (133): Desertor ou Patriota, de David Costa (Mário Beja Santos)

https://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/2010/07/guine-6374-p6776-notas-de-leitura-133.html

Antº Rosinha disse...

Na mortalidade infantil daqueles anos 40/50, as crianças que haviam sido registadas no seu nascimento, nem sempre era registado o seu óbito.

Nas grandes aldeias daquele tempo, os irmãos eram um por ano.

Houve casos em que o irmão que substituiu o falecido, herdou o mesmo nome, e ao apresentar-se à tropa, foi acusado de refractário por se apresentar um ano atrasado.

Para provar que ele não era o irmão falecido, como não havia o «simplex» era complicado vencer a burocracia do arre-macho.

Estou a falar de um caso concreto de um soldado que conheci em Luanda, agora imaginemos a quantidade de refractários que não apareceram porque "faleceram" após o baptismo e o registo, e a mãe não arranjou substituto no ano a seguir.

Esses é que não se apresentaram mesmo para regularizar nada.

Em vez de «soldado desconhecido» ficará o «refractário desconhecido».

Este é mesmo um assunto que poderia dar muito que falar, se os refractários criassem um blog semelhante a este.

Mas não têm um luisgraca quem quer! só quem merece.