domingo, 13 de novembro de 2016

Guiné 63/74 - P16713: Inquérito 'on line' (83): Pelo menos mais de metade dos respondentes, até agora, dizem que "nunca comeram macaco-cão"... A proporção é mais elevada aqui, no blogue (63%), do que na página do Facebook (55%)... No blogue é que importa responder.... Até 5ª feira, às 7h32, faltam 26 para chegar às 100 respostas...



 Foto nº 1


Foto nº 2

Guiné-Bissau > Bissau > Abril de 2006 > Viagem Porto-Bissau > Na foto nº 1 um chimanpanzé (que não é macaco, é símio, "dari", em crioulo),  em cativeiro, o que é ilegal; na foto, aparece também a Inés,  filha do Xico Allen... Na foto nº2, um babuíno, macaco-cão (sancu, em crioulo), segura a mão de outro elemento da comitiva [, talvez o Hugo Costa]... O dari, o sancu e a Inês pertencem à ordem dos Primatas... O dari é um símio e a Inês um(a)hominídeo(a), ambos têm 99%  do mesmo ADN... O dari é um Pan (género) Troglodytes (espécie). A Inês,  um exemplar da espécie Homo Sapiens Sapiens. Por sua vez, o macaco-cão (babuíno) é um antropóide cercopitecídeo do género Papio... Os três têm eomum um antepassado longínquo,  que remonta há 70 milhões, antes da extinção dos dinossauros... O  sanctu e o dari são espécies ameaçdas, o  dari é seguramente o que vai desaparecer primeiro...

De um modo geral, as populações da Guiné-Bissau, não muçulmanas, caçam e comem o sancu. Sobretudo depois de 1980, a caça (ilegal) ao macaco-cão aumentou. Quanto ao dari, o chimpanzé da matas do Cantanhez e do Boé , há em princípio um maior respeito pelas suas semelhanças com o ser humano.  Mas os juvenis são objeto de tráfico...  O habitat do dari está condicionado pelas atividades humanas (além da caça, o risco de epidemias, a expansão das áreas de cultivo, e nomeadamente do caju, e a desmatação ilegal para extração de madeiras exóticas,  como  o pau de sangue, exportado para a China).

Fotos (e legendas) : © Hugo Costa / Albano Costa (2006). Todos direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].



I. INQUÉRITO 'ON LINE':

"NUNCA COMI MACACO-CÃO (BABUÍNO) NA GUINÉ"  




Resposta no nosso blogue (até às 23h00 ontem, sábado, 12/11/2016) (n=74)
1. Nunca comi  > 47 (63,5%)

2. Comi e não gostei  > 6 (8,1%)

3. Comi e gostei  > 13 (17,6%)

4. Não tenho a certeza se comi  > 8 (10,8%)


Total > 74 (100,0%)

Respostas na nossa página do Fabebook (até ontem) (n=98)

1. Nunca comi >  54 (55,1%) 

2. Comi e não gostei >  9 (9,2%)

3. Comi e gostei = 30 (30,6%) 

4. Não a certeza se comi = 5 (5,1%) 

Total > 98 (100,0%)

II. Alguns comentários selecionados (10) da nossa página no Facebook e do blogue:


(i) António Branco

Numa companhia africana como a CCAÇ 16 onde estive, não era dificil passar por experiências de gastronomia diferenciadas. Recordo-me de ter comido macaco pelo menos por duas vezes.
A primeira na companhia, embora com alguma relutância , acedi à experiência, confeccionada por furriéis africanos. Depois.  e numa das idas a Bissau, numa tasquinha da qual não me recordo o nome que fornecia bitoque de macaco com batata frita por um preço bastante acessível. [resposta 3] (...)


(ii) Mário Gualter Pinto

Não tenho a certeza se comi [ resposta 4]. Em Bissau falava-se na altura que vários restaurantes serviam bifes de macaco cão por vaca nos bitoques. Agora uma coisa é certa, por diversas vezes vi no mato, macacos esquartejados dos traseiros! Porquê? Não sei! (...)

(iii) Manuel Amaro

Eu penso que não, mas a D. Carlota de Nhacra dizia que alguns de nós já tinham comido.... Nunca me preocupei com isso [resposta 4].

(iv) Joaquim Pinto Ferreira

A maior parte da minha tropa foi passada em Aldeia Formosa. Passei aquele tempo onde os abastecimentos eram raros e os fumadores tiveram muita dificuldade em comprar tabaco. Comi gazela, comi porco bravo (javali), comi muitas galinhas roubadas na população. Mas macaco, nunca! [resposta 1].

(v) Manuel Mendes-Ponte

Vi matar muitos mas nunca comi [resposta 1]. em Farim,  na tasca do Pedro Turra,  diziam que comiam pensando que era gazela.

(vi) Candido Cunha

[Resposta 1] Quem, sabendo comeu, mesmo passados quarenta e cinco anos, não era, nem é boa rolha. Isso se se passou, envergonha-nos !

(vii) Luís Mourato Oliveira


Segundo a opinião do Cândido Cunha.  não sou boa rolha! Comi e gostei [resposta 3].

(viii) Ernesto Marques

Vi comer muitos e gatos também, eu nunca consegui, nem queria ver matá-los. [resposta 1].

(ix) Valdemar Queiroz

(...) Na nossa CART 11,  'Os Lacraus',  os nossos soldados eram todos fulas e nunca ouvi, que me lembre, alguém dizer ter comido carne de macaco [resposta 1]. A sua alimentação era,
essencialmente,  uma papa de farinha de milho painço, depois como eram desarranchados passaram a comer arroz que compravam na cantina, acompanhado com um preparado de umas 'ervas', ou com um 'guisado' de carne de 3ª. (muita tripa e pouca carne) de galinha ou vaca. (...)

(x) Cherno Baldé:

(...) Para vossa informação, os muçulmanos em geral estão interditos pela tradiço e sobretudo pela religão de comer macacos e pelo facto de um ou outro o fazer não invalida esta proibição que, como deverão saber, vem dos tempos hebraicos (Tora de Moisés) onde consta a listagem dos animais que seriam lícitos e ilícitos aos filhos de Israel e que por herança passa também para os seguidores do Profeta Mohamed. (...).

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4 comentários:

Tabanca Grande disse...

Extraordinárias fotos, as do Hugo Costa, registando para a história (do nosso blogue...) o encontro entre hominídeos (ele próprio e a Inês Allen), um símio (chimpanzé ou "dari") e um macaco do velho mundo ("sanctu", em crioulo). A foto nº 1 "toca"-nos de sobremaneira porque são dois rostos, um humano e outro quase humano, separados por 1% de diferenças de ADN... Há entre eles a barreira da espécie... São espécies diferentes. A Inês pertence aos hominídeos (Homo Sapiens Sapiens, o último dos hominídeos), o "dari" é um símio... Ambos são primatas, sociais, territoriais e predadores....São capazes de caçar, matar e comer um juvenil de macaco-cão...

jpscandeias disse...

Comi sim, em Bambadinca e na 12. Já não recordo o nome do nosso cozinheiro africano que nos presenteou com uma caldeirada de macaco cão. Estava bom mas a carne era pouca em relação aos ossos que eram muitos. A messe de oficiais e sargentos era separada do batalhão e tinha ementa diferente, consequência do estatuto da companhia de caçadores 12. Este menu não se voltou a repetir, deduzo que pela falta de sucesso perante o pessoal ou por determinação do capitão Simão. No fim deste verão estive com ele na casa de um amigo comum que é companheiro dele em Évora onde ambos são ortopedistas e não me recordei deste banquete.

João Silva, Guiné de abril de 72 a maio de 74

Anónimo disse...

Julgo que numa das minhas recordações publicadas nesta nossa Tabanca Grande, referi o que me aconteceu num certo final de dia, lá no magnifico "resort" de Cutia, bem ao lado do Morés.
Quando já preparado para o lauto banquete de fim da tarde, no magnifico restaurante ao ar livre, sob as frondosas copas daquelas esbeltas e grandes árvores que ladeavam a estrada, aguardava calmamente a hora do repasto...sou surpreendido por um "alegre rancho" de nativas, esposas dos camaradas guineenses do Pel Caç Nat 61, "chefiadas" pelo respectivo Cmdt do mesmo, que me vinham presentear com uns nacos de "saborosa carne fresca" - segundo diziam - e por elas preparados.
Apanharam-me "descalço" como por vezes se diz, pois eu bem sabia que se tratava de "peças de caça" obtidas no decorrer da coluna de manhã para Mansabá e que tanto me marcara pela negativa.
Mas, "capitan, tem de provar"; "é uma oferta de nós". E o malandro do Simeão a ajudar...é preciso ter atenção com a Psico, meu capitão...e retribuir com algum vinho que elas querem...
E foi assim que eu passei a ser também "um dos que não merecem confiança".
Engoli dois pedaços de carne e enfiei logo uma boa golada de "um qualquer Barca Velha" que por lá abundava, retribuindo generosamente, possivelmente com um garrafão de tintol baptizado.
Não sei qual a espécie em causa, mas para a questão em causa tanto faz.
Ab
JPicado

Anónimo disse...

De: Augusto Silva Santos

Tanto quanto me recordo, julgo que comi uma vez macaco por engano... Por engano, porque me garantiram estar a comer cabra de mato, e só no fim me disseram tratar-se realmente de macaco. O que é certo é que me soube muito bem, e até parecia cabrito. Recordo ainda de comer outras "iguarias" tais como, pombos verdes, rolas, periquitos, hipopótamo, cabra de mato, porco-espinho, etc. bem como outra "bicharada" com que o Dandi (comandante da milícia) nos brindava depois das suas caçadas nocturnas. Como se costuma dizer, "tudo o que vinha à rede era peixe", ou seja, tudo o que pudesse evitar as conservas das rações de combate, e até o arroz com marmelada (que cheguei a comer) ou com "estilhaços" de carne ou peixe, era bom. Abraço.