quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Guiné 63/74 - P16730: Inquérito 'on line': Num total de 110 respondentes, apenas 16% disse que provou (e gostou de) carne de macaco-cão... Pelo lado dos "tugas", o "sancu" está safo... Agora é preciso que os nossos amigos guineenses façam o seu trabalho de casa...







Guiné > Região de Quínara > Nova Sintra > 1972 > Babuíno, "macaco-cão"  (em cativeiro), Herlander Simões (hominídeo, da espécie "Homo Sapiens Sapiens" e cão (doméstico). (*)

Fotos do nosso camarada Herlander Simões, fur mil, que passou pelo CTIG entre maio de 72 e janeiro de 74. Destinado à CCAÇ 16 (onde nunca chegou a ser colocado) foi primeiro para os "Duros" de Nova Sintra (CART 2771, onde esteve seis meses) e posteriormente para os "Gringos" de Guileje (CCAÇ 3477, 1971/73), entretanto já sediados em Nhacra.

Fotos : © Herlânder Simões (2008). Todos os direitos reservados [dição: Blogue Lu+ís Graça & Camaradas da Guiné]

I. INQUÉRITO 'ON LINE': 

"NUNCA COMI MACACO-CÃO (BABUÍNO) NA GUINÉ"





Total de respostas > 110 (100,0%)


1. Nunca comi > 71 (64,5%)

2. Comi e não gostei > 10 (9, 1%)

3. Comi e gostei 18 (16,4%)

4. Não tenho a certeza se comi > 11 (10,0%)




O inquérito terminou em 17/11/2016, às 7h32. (**)



II. Comentários:

(i) Tabanca Grande

Os mais cínicos ou os mais realistas dirão: "Quando a fome aperta, vai tudo!"... Os europeus, que conheceram a tragédia da II Guerra Mundial, e tiveram os seus países ocupados, e raparam fome da mais negra (por ex, os russos na Estalinegrado cercada pelo exército nazi...) comeram tudo o que era comestível e tudo o que era intragável, desde animais domésticos, a ratos e a cadáveres humanos...

Quem somos nós, descendente de ainda recentes recoletores-caçadores (... ainda não há muito, c. 10 mil anos!), para dizer: "Macaco, nunca!"... Por isso,o meu juízo sobre os comedores de macaco é muito relativo...Os meus amigos do Norte são incapazes de comer caracóis e caracoletas...


(ii) Augusto Silva Santos


Tanto quanto me recordo, julgo que comi uma vez macaco por engano... Por engano, porque me garantiram estar a comer cabra de mato, e só no fim me disseram tratar-se realmente de macaco. O que é certo é que me soube muito bem, e até parecia cabrito. Recordo ainda de comer outras "iguarias",  tais como  pombos verdes, rolas, periquitos, hipopótamo, cabra de mato, porco-espinho, etc. bem como outra "bicharada" com que o Dandi (comandante da milícia) nos brindava depois das suas caçadas nocturnas. Como se costuma dizer, "tudo o que vinha à rede era peixe", ou seja, tudo o que pudesse evitar as conservas das rações de combate, e até o arroz com marmelada (que cheguei a comer) ou com "estilhaços" de carne ou peixe, era bom.

(iii) Jorge Picado

Julgo que numa das minhas recordações publicadas nesta nossa Tabanca Grande, referi o que me aconteceu num certo final de dia, lá no magnifico "resort" de Cutia, bem ao lado do Morés. Quando já preparado para o lauto banquete de fim da tarde, no magnifico restaurante ao ar livre, sob as frondosas copas daquelas esbeltas e grandes árvores que ladeavam a estrada, aguardava calmamente a hora do repasto...,sou surpreendido por um "alegre rancho" de nativas, esposas dos camaradas guineenses do Pel Caç Nat 61, "chefiadas" pelo respectivo cmdt do mesmo, que me vinham presentear com uns nacos de "saborosa carne fresca" - segundo diziam - e por elas preparados. 

Apanharam-me "descalço",  como por vezes se diz, pois eu bem sabia que se tratava de "peças de caça" obtidas no decorrer da coluna de manhã para Mansabá e que tanto me marcara pela negativa (***).

Mas, "capitan, tem de provar"; "é uma oferta di nós". E o malandro do Simeão Ferreira (***) a ajudar... é preciso ter atenção com a Psico, meu capitão... e retribuir com algum vinho que elas querem...

E foi assim que eu passei a ser também "um dos que não merecem confiança". Engoli dois pedaços de carne e enfiei logo uma boa golada de "um qualquer Barca Velha" que por lá abundava, retribuindo generosamente, possivelmente com um garrafão de tintol baptizado.

Não sei qual a espécie em causa, mas para a questão em causa tanto faz. 


(iv) João Silva

Comi, sim, em Bambadinca e na [CCAÇ] 12. Já não recordo o nome do nosso cozinheiro africano que nos presenteou com uma caldeirada de macaco-cão. Estava bom mas a carne era pouca em relação aos ossos que eram muitos. A messe de oficiais e sargentos era separada do batalhão e tinha ementa diferente, consequência do estatuto da companhia de caçadores 12. Este menu não se voltou a repetir, deduzo que pela falta de sucesso perante o pessoal ou por determinação do capitão Simão. No fim deste verão estive com ele na casa de um amigo comum que é companheiro dele em Évora,  onde ambos são ortopedistas,  e não me recordei deste banquete.


Sim,  nós,  Marados,  uma vez em Gadamael  cozinhámos um., com esparguete. É uma carne doce. Não gostei.

(vi) Candido Cunha 

Tal como nós , é um dos 163 primatas conhecidos. Uma grande vergonha, que eu desconhecia que tinha acontecido.

(vii) Antº Rosinha

O Com, não o "avec", mas o macaco, macaco-kom, foi a "ração de combate",  por excelência e por necessidade, dos Combatentes da Liberdade da Pátria, pois que havendo já alguma tradição no consumo desse "petisco", tornou-se como que prato nacional.

Nos primeiros anos de independência, era vulgar ver alguém, caminhando ao longo dos caminhos com um animal amarrado a um pau ao ombro e uma Kalash na mão.

O povo compreendia este consumo com a maior naturalidade.

_____________

Notas do editor:

(*) Vd. poste de  16 de janeiro de  2009 > Guiné 63/74 - P3750: Fauna & flora (10): Um par de Macacos à solta em Nova Sintra. (Herlander Simões)


(**) Últimos postes da série: 



Vd. também poste de 14 de novembro de 2016 > Guiné 63/74 - P16717: Manuscrito(s) (Luís Graça) (101): Comer macacos... só os do nariz!... Ajudemos os guineenses a proteger o "sancu" (macaco) e o "dari" (chimpanzé)...Ficaremos todos mais pobres quando eles se extinguirem... e quando as areias do deserto do Sará chegarem às portas de Bissau!... Ficaremos todos mais pobres, os guineenses, os amigos da Guiné, todos nós, os últimos dos hominídeos.

(...) Não posso precisar o dia, mas foi um daqueles em que saímos de Cutia para Mansabá afim de receber a coluna que íamos escoltar até Mansoa. Eram ainda só as viaturas militares, as duas primeiras com soldados africanos (que julgo seriam do Pel Caç Nat 61) e eu, invariavelmente na terceira com pessoal da CCaç 2589, seguindo-se as restantes, quando por alturas da zona (não "aldeia") de Mamboncó rebenta um tiroteio de G-3 à minha frente. Mas que valente susto me pregaram aqueles guineenses... e tudo para ver quem conseguia matar mais macacos.

Um grande bando, adultos, jovens e muito jovens (alguns pela mão talvez de fêmeas), atravessaram a estrada que, naquele local,  era ladeada por revestimento arbóreo relativamente denso, mesmo à frente do início da coluna e os soldados africanos não estiveram com meias medidas. Atiraram a matar, de rajada e tudo, incitando os condutores a passarem por cima deles, ao mesmo tempo que saltavam dos Unimogs e atiravam com os mortos e feridos para cima das viaturas.

O choro dos feridos, grandes ou pequenos, era nitidamente humano. Posso garantir que os mais pequeninos gemiam nitidamente como os nossos bébés. E eu que tinha os meus filhos ainda bem pequenos, lembrava-me bem desses gemidos e choro...Fiquei bastante traumatizado e nem quis olhar para "os troféus" que os soldados exibiam. Sei que lhes passei uma descompostura, mas eles nem ligaram. (...) 

(***) Alf Mil Simeão Ferreira, hoje médico nas Termas de Monte Real... Foi cmdt do Pel Caç Nat 61 (Cutia, 1970/72 )

9 comentários:

Tabanca Grande disse...

Dá-me licença, meu capitão ?

Esse relato sobre o "massacre dos macacos-cães" em Mamboncó merece ser reeditado. A rapaziada do Pel Caç Nat 61, de Cutia, comandados pelo nosso amigo Simeão, hoje médico (a propósito, ele ainda não está formalmente registado como membro da Tabanca Grande...) não era de etnia fula, deviam ser balantas... Digo isto porque, em troca do "petisco" que foste obrigado a provar (!), tiveste que lhes dar "água de Lisboa"... Ora o fula,pro ser muçulmano, não bebia "água de Lisboa"...

Certo ?

Um abraço matinal, LG

Tabanca Grande disse...

Cândido Cunha, bom dia... Pelo menos em África já é dia... Como estou com insónias, lembrei-me de vir aqui ao blogue para te dizer o seguinte:

(i) Ainda estou à espera que aceites o meu/nosso convite para te sentares à sombra do poilão da Tabanca Grande: já sabes qual é a jóia e a quota: 2 fotos da praxe e um pequeno texto com uma história ou simples apresentação... Como padrinho, tens o Valdemar Queiroz.


(2) Como grã-tabanqueiros que somos, antigos camaradas de armas na Guiné, não fazemos juízos de valor sobre o comportamento um dos outros... É a regra basilar da Tabanca Grande: aqui não há heróis nem vilões... Somos simplesmente camaradas...

Também houve "comedores de macaco" entre nós ? Pois, não há mal nisso, não tem que ser "vergonha": registamos o facto, contamos histórias, percebemos melhor as circunstâncias em que vivemos (mal) e sobrevivemos (melhor)... há 50 anos atrás!

Se fizermos um inquérito sobre "petiscos", de certeza que vai aparecer mais de metade da malta (os do Norte) a dizerem que nunca comeram caracóis e caracoletas (coisa de "mouros"...

Somos fruts das nossas respetivas "culturas": os fulas não comem carne de porco, a malta do Norte é mais carneira do que peixeira, e alguns de nós são vegetarianos... NO Butão, pequeno país encravado nos Himalaias (onde foi há dias o meu filho), é proibido caçar e o bife que o turista come é importado da Índia, sendo parte da população, budista, vegetariana (creio que 1/4)...

É verdade que o babuíno é uma das espécies da "nossa" ordem dos Primatas...Somos parentes muito afastados...do ponto de vista genético...Mas também é verdade que o hominídeo tem um passado de muitas centenas de milhares de anos de recoletor-caçador... oportunístico. Fomo-nos "requintando à mesa", mas só há alguns escassos milhares ou centenas de anos...Até há 10 mil anos nem sequer havia "mesa"... A mesa só existe quando a gente se torna agricultor, logo sedentário... A partir do momento em que temos "segurança alimentar", podemos sentar-nos "à mesa"... Até então, "onde almoçávamos, nunca juntávamos"...

Enquanto recoletores-caçadores comíamos toda a "merda comestível" que surgisse no caminho (desde larvas a pequenos mamíferos e a caça grossa)... Hoje continuamos a "comer merda" mas é mais "fina", e vem "embalada", e tem nome pomposo: "fast food"... A grande epidemia do séc. XXI tem muito a ver com isto_ (i) passamos a vida sentados,
a volta de um computador, ou ao volante de um carro; e (ii) e adoramos batatas fritas e hambúrgueres... Somos a civilização da "hamburgueria"... que nos está a matar. Um milhão de diabéticos, em Portugal, 60 mil novos casos por ano...

Tens razão, grande Cândido, diz-me o que comes dir-te-ei quem és... Só que aqui no blogue somos "amorais"... É proibido fazer "juízos de valor" sobre os camaradas (e camaradas são todos os que andaram connosco no mato, do soldado ao comandante operacional...).


Claro que isso nos impede de exprimir os nossos sentimentos...

Um abraço e um bom dia. Luis

Tabanca Grande disse...

Reconheço que a pergunta do inquérito está mal formulada... O macaco-cão ("Papio papio", segundo a classificação científica) não é o único a ser caçado e comido na Guiné... Há mais espécies de primatas na Guiné-Bissau (ao todo, são dez, incluindo o "dari", o nome em crioulo para o chimpanzé).

Segundo um estudo relativamente recente (nov 2013), de cientistas do Reino Unido e Portugal [onde está também a nossa amiga Maria J. Ferreira da Silva (CIBIO/InBio, Research Center in Biodiversity and Genetic Resources, Porto University, Campus Agrário de Vairão, 4485-661 Vairão, Portugal)], estima-se que todos os anos, pela época seca, cheguem aos mercados urbanos da Guiné-Bissau 1550 primatas, de seis espécies diferentes.

A equipa de investigação usou os marcadores de ADN, a partir de uma amostra de 50 carcassas, em 2 mercados urbanos da Guiné-Bissau, para identificar as espécies e corrigir os erros, frequentes, de identificação feitos pelos comerciantes, com implicações para as políticas de conservação. A identificação dos leigos é feita, muitas vezes, pelo tamanho do corpo, o que leva a erros grosseiros.

(Continua)

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(*) Vd. Tânia Minhós, , Emily Wallace, , Maria J. Ferreira da Silva, Rui M. Sá, Marta Carmoe, , André Barata, , Michael W. Bruford - DNA identification of primate bushmeat from urban markets in Guinea-Bissau and its implications for conservation. "Biological Conservation"
Volume 167, November 2013, Pages 43–49.

http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0006320713002504#f0005


(**) Carne de mais de 1500 macacos chega aos mercados da Guiné-Bissau todos os anos"
LUSA 20/01/2014 - 14:28

Público, 20/1/2014

https://www.publico.pt/ciencia/noticia/carne-de-mais-de-1500-macacos-chega-aos-mercados-da-guinebissau-todos-os-anos-1620378

Tabanca Grande disse...

(Continuação)

Ver também notícia da Lusa, que veio no "Público", de 20/1/2014 (**). Ao que parece, não é o "nosso" macaco-cão que é o mais vendido nos mercados urbanos da Guiné-Bissau, mas sim o macaco-de Campbel:


Citando a peça da agência Lusa:

(..) "O estudo conclui que seis das dez espécies de primatas existentes na Guiné-Bissau são comercializadas, com uma estimativa mínima de 1550 animais vendidos nos mercados urbanos em cada época seca, período que dura cerca de nove meses. O macaco-de-campbell é a espécie mais vendida no país.

No entanto, explica Tânia Minhós à Lusa, o número de animais caçados será muito maior, já que aos mercados urbanos só chega uma pequena parte, entre 30 e 40%.

A investigadora – do Instituto Gulbenkian de Ciência de Oeiras e do Centro de Administração e Políticas Públicas do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), em Lisboa – diz que todas as populações estudadas pela sua equipa – de chimpanzés, babuínos e cólobos – “estão fortemente ameaçadas de extinção”.

“Estimei o número de indivíduos de cólobos e estão entre 200 e 300 indivíduos. Normalmente assume-se a regra, aplicável a todos os mamíferos, de que abaixo de 500 indivíduos a população não é viável. Quer dizer que estas populações vão desaparecer num futuro muito próximo se não se fizerem esforços muito focados na conservação”, alerta a bióloga.

Questionada sobre o que deve ser feito, a investigadora referiu que “o principal será parar as ameaças a que [as espécies] estão sujeitas”, nomeadamente a caça e a destruição do habitat. " (...)

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(**)Carne de mais de 1500 macacos chega aos mercados da Guiné-Bissau todos os anos"
LUSA 20/01/2014 - 14:28

Público, 20/1/2014

https://www.publico.pt/ciencia/noticia/carne-de-mais-de-1500-macacos-chega-aos-mercados-da-guinebissau-todos-os-anos-1620378

Tabanca Grande disse...

Mais um outro excerto da notícia da Lusa:

(...) Os cientistas constataram também que é difícil identificar as carcaças de primatas que chegam aos mercados urbanos, o que compromete os esforços de conservação. Como os cadáveres chegam alterados – é-lhes retirada a pele e são fumados para aguentarem o transporte –, é difícil identificá-los. Análises de ADN, realizadas pela equipa de Tânia Minhós e Maria Joana Ferreira da Silva, permitiram concluir que existe uma grande taxa de erro na identificação feita pelos vendedores.

“Vendem gato por lebre. Diziam estar a vender uma determinada espécie, mas depois a grande maioria pertencia a outra espécie”, conclui Maria Joana Ferreira da Silva, do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (Cibio) da Universidade do Porto.

Segundo a investigadora, isto tem consequências para a conservação: “Podemos estar a assumir que existe uma determinada espécie que é muito caçada e muito vendida nestes mercados, podemos estar a definir medidas de conservação tendo em conta esta espécie, mas na verdade são outras espécies as mais vendidas.” (..,)

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(**) Carne de mais de 1500 macacos chega aos mercados da Guiné-Bissau todos os anos"
LUSA 20/01/2014 - 14:28

Público, 20/1/2014

https://www.publico.pt/ciencia/noticia/carne-de-mais-de-1500-macacos-chega-aos-mercados-da-guinebissau-todos-os-anos-1620378

Tabanca Grande disse...

... Repare-se: a carne de macaco não mata a fome aos mais pobres!... É procurada como produto "gourmet", come-se como petisco...Apesar de proibida a caça, a venda e o consumo... Mas quem fiscaliza o quê e com que meios ? Não Guiné-Bissau não estado, não há administração pública, muito menos dinheiro para apoiar as políticas de conservação...

Macaco é só para quem tem poder de compra em Bissau!... Um pratinho custa 2/3 euros, o que é muito dinheiro para o comum dos guineenses que não têm nada de nada...

Um dia alguém (um extraterrestre) contará a amarga (e sem grandeza) história do "Homo Sapiens Sapiens", o último dos homínideos: "Primeiro, extinguiu-se o macaco, depois o símio e... depois o hominídeo.. e seguir desapareceu o arquipélago dos Bijagós"...

Amigos e camaradas, antes que seja tarde de mais... LG

alma disse...

Tem calma Luís! A extinção do nosso Planeta só está prevista para daqui a mil anos...Muitos anos antes,já os nossos descendentes terão emigrado para outras galáxias, assegurando a sobrevivência da nossa espécie. Abraço J.Cabral

Anónimo disse...


Já tarde para exprimir qualquer opinião transmissível a muitos camaradas eu direi que o meu voto foi de que comi carne de macaco, sem o saber, mas não apreciei. Também não fiquei escandalizado porque a minha cultura rural pela convivência que me obrigava a ter com vários tipos de animais, vacas, burros, mulas, ovelhas,porcos e outros, preparou-me também para aceitar as diferenças entre homens e animais e herdar o senso comum transmitido há milhares de séculos sobre qual a posição a adoptar em relação à utilidade dos outros animais, apesar da afectividade que esse convívio diário por vezes originava.Lavradores, e filhos, ao fim de um ano matávamos friamente o porco a quem diariamente dávamos comida. Com as vacas tínhamos uma relação tão próxima, era extraordinário ver como elas puxavam os carros carregados de cereal, de lenha ou de outros produtos, quase até à exaustão, obedecendo aos nossos incitamentos. Havia uma forte ligação entre os lavradores e as vacas que tinha só como finalidade o trabalho agrícola, os homens assim o entendiam , as vacas também não entendiam mais
Pelo respeito que tinha e tenho pelos meus semelhantes, animais parecidos comigo no aspecto e na cultura, somente me horrorizaria ter que comer carne humana.

Francisco Baptista

Anónimo disse...

A esta distância e sem ter outros elementos de consulta sobre a composição dos Pel Caç Nat, não sei se eles eram homogéneos ou havia mistura de etnias.
Quanto às CCaç Africanas, eram homógeneas e naquele período em que estive destacado em Cutia, tinha também um Pel da CCaç Balanta.
No "61" havia apelidos Insumbé, Candé, Nhaga, Cá, Indefa, Dambel, Seidi, Embaló, um João Lopes Moreno, Quintino Cardoso, entre outros.

Recordo que também no Natal ou seria na passagem do ano, um grupo de mulheres já muito animadas, igualmente acompanhadas pelo sempre presente Simeão, me vieram pedir mais "água do puto". Até está registada em foto.

O Simeão, depois do 1.º encontro com ele em Monte Real ficou de aderir, mas nunca o fez, por razões pessoais, que posteriormente me explicou.

Abraços

JPicado