sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Guiné 61/74 - P18178: Álbum fotográfico de Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69) - Parte VI: Perdidos no rio Cacheu, em maio de 1968 (1)



Foto nº 816 > Guiné > Região de Cacheu > Rio Cacheu > Maio de 1968 > Perdidos no rio... mas encontrando por fim uma saída... com regresso a casa, sãos e salvos, a São Domingos... Força comandada pelo alf mil SAM Virgílio Teixeira, CCS/BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69)... Não sabemos como é que cabiam num sintex, com 2 potentes motores, uam secção (9/10 homens), além dos mantimentos (incluindo uma vaca!) trazidos para São Domingos...



Foto nº 801 > Guiné > Região de Cacheu > Rio Cacheu > Maio de 1968 > Perdidos no rio: o sintex...


Foto nº 801 A > Guiné > Região de Cacheu > Rio Cacheu > Maio de 1968 > Susana > Perdidos no rio: o sintex... Detalhe: em primeiro plano, o alf mil SAM Virgílio Teixeira,  cmdt da força (CCS/BCAÇ 1933, Nova Lamego e São Domingos, 1967/69


Foto nº 802  > Guiné > Região de Cacheu > Rio Cacheu > Maio de 1968  > Susana > Perdidos no rio: o sintex... Detalhe: em primeiro plano, o alf mil SAM Virgílio Teixeira,  cmdt da força (CCS/BCAÇ 1933, Nova Lamego e São Domingos, 1967/69)... Apreensivo mas não amedrontado...



Foto nº 815  > Guiné > Região de Cacheu > Rio Cacheu > Maio de 1968 > Perdidos no rio:  aguardando ajuda em Susana...


Foto nº 803  > Guiné > Região de Cacheu > Rio Cacheu > Maio de 1968  > Susana > Perdidos no rio: o sintex... Detalhe: em primeiro plano, o alf mil SAM Virgílio Teixeira,  cmdt da força (CCS/BCAÇ 1933, Nova Lamego e São Domingos, 1967/69)..., bebendo uma cerveja Cristal.


Foto nº 804  > Guiné > Região de Cacheu > Rio Cacheu > Maio de 1968  > Susana > Perdidos no rio: o sintex... O pessoal dormitando (1)...


Foto nº 817  > Guiné > Região de Cacheu > Rio Cacheu > Maio de 1968 > Susana > Perdidos no rio: o sintex... O pessoal dormitando (2)...


Foto nº 813  > Guiné > Região de Cacheu > Rio Cacheu > Maio de 1968  > Perdidos no rio: estuário e foz do rio Cacheu...


Fotos (e legendas): © Virgílio Teixeira (2017). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Continuação da publicação do álbum fotográfico do  nosso camarada Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69):


Fotos, de 801 a 817: Fazem parte da minha colecção especial e do capítulo  ‘perdidos no rio’ [, de iremos publicar dois ou três postes].

Foi uma missão que o nosso novo comandante, após a evacuação do meu comandante inicial, tenente coronel Saraiva,  ter sido evacuado por ferimentos em combate, não encarou bem comigo, nem eu com ele, e então deu-me como missão ir comandar um sintex até Susana para carregar alguns mantimentos, pois o nosso aquartelamento [, em São Domingos,]  estava sem nada, após uma tempestade tropical ter destruído quase tudo o que era perecível.

Até uma vaca viva veio no pequeno barco. Só que no regresso, e após uma visita a Varela, uma praia lindíssima mas abandonada, quando regressamos passados uns dias, o piloto perdeu-se naquele emaranhado de dezenas de rios e braços de rio, e sem rádio – nem telemóvel, naquele tempo... – fomos parar a uma aldeia indígena felupe, muito atrasada, nem sei o nome, e por lá ficamos. 

Até ser dada a nossa falta por lá ficamos a esperar até de manhã. Veio um heli e localizou-nos e fomos encaminhados para um local onde o piloto já conhecia melhor, e assim chegamos a São Domingos, a salvo, de sermos comidos vivos, pelos felupes ou pelos jacarés…

Este episódio não consta na História da Unidade, pois soube mais tarde que o comandante, coronel Renato Xavier, ficou aflito, por ter dado esta responsabilidade a um oficial não operacional, e assim, apesar de todos tomarem conhecimento, nunca foi divulgado nem escrito, foi um sonho ou pesadelo. Mas não me lembro de ter ficado amedrontado. 

Ficaram as várias fotos que tenho desta aventura no Norte da Guiné, e na fronteira com o Senegal até Cabo Roxo, que visitamos também. Não foi tudo mau, mas poderia ser!

Deu tempo para conhecer também o estuário e foz do rio Cacheu, muito maior do que o Tejo. Uma coisa deslumbrante, pois estamos quase em cima do Atlântico e o clima é muito melhor.

(Continua)

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3 comentários:

Anónimo disse...


jorge araujo
5 jan 2018 16:04


Luís,
Por lapso, nas legendas das fotos é referida a data de «maio de 1978. Deve-se corrigir para «maio de 1968».

Ab. Jorge Araújo

Tabanca Grande disse...

Virgílio, o sintex era uma "autêntica" banheira, de fundo chato, sem quilha...Não podia atingir grande velocidade em caso de ataque e, além disso, estava longe de ser... "blindado". Um simples tiro de arma automática, junto à linha de água, era suficiente para metê-lo ao fundo... Andava mais de piroga / canoa, na cambança do rio Geba, entre Bambadinca e Finete, do que de sintex...Deve ter havido acidentes com o sintex...

Anónimo disse...

Li agora este comentário, mas acho que já expliquei noutro sitio. Eu andei muitas vezes no Sintex, era fibra, talvez de vidro, não sei. Não tinha velocidade nenhuma, era quase andar a remo, mas 2 potentes motores de 50cv.
É verdade que um simples tiro de arco e flexa, atirava com aquilo ao fundo, e passamos tantas vezes em locais onde a margem estava a dois braços, e o tarrafo ali mesmo, nem dava para desembarcar, mas não me lembro de ter pensado nisso, era da idade...
Esta era a única forma de eu poder sair dali, dos poucos metros quadrados dentro do arame farpado, a não ser de avião, que já precisava de 'guia de marcha' assinado pelo comandante. Esta missão foi ordenada por ele, mas foi a única, eu 'desenfiava-me' muitas vezes, e junto com o Alferes Gatinho da CART1744 eu lá ia muitas vezes com ele para diversos sítios, quando havia lugar, em especial Cacheu de que gostava muito, era muito melhor que S.Domingos. Esta coisa do 'desenfiar' já vem de longe, eu nunca fui cumpridor de ordens estabelecidas, era como se fosse um 'fora da lei' apesar de a minha família ser militar e o meu pai oficial do exército, mesmo assim eu sempre quis fazer tudo como queria, e não como me mandavam. É esta a minha sina, e agora é tarde para mudar.
Ainda sobre a missão a Suzana, e visita à estância e resort de Varela, apenas fomos 4 homens com armas e bagagens, e para cá - S. Domingos - é que vínhamos carregados de mantimentos, e a tal vaca viva. Numa das fotos eu estou a dormitar mesmo em cima de sacos com batatas, que não tínhamos.
Andei muito nas pirogas feitas de tronco de árvores, mas era ali perto no rio, mais como veraneio. Uma vez fui à 'ilha maldita' mais tarde vim a saber que se chamava a 'ilha dos felupes' através de um contacto com uma cooperante da AD. A malta de S. Domingos tinha medo de lá ir, dizia-se muita coisa, até que eles eram canibais... Mas ao fim de um ano, arranjei forças e fomos lá numa piroga e deparamos com uma vida totalmente primitiva, só me lembro das cascas das ostras, o melhor petisco em toda a Guiné, ainda hoje sinto saudades delas. Quando lá estive em 1985, fomos com uns 'camaradas' da Guine até Quinhamel, de madrugada, e trouxemos um saco de 50 kgs, e passamos o domingo todo a comer ostras assadas na brasa, com umas luvas especiais, e a faca de gume curo, a abrir, e com aquele molho de piripiri, sal e limão da guine, foi um dia em cheio. Com algumas grades de cerveja que fomos comprar à fábrica, isto é 'trocar' por sapatos e calças que era a moeda de troca.
Já falei demais sobre estas coisas e a saudade não passa, como dizia o outro 'jamais' !
Um abraço Ab,
Virgilio Teixeira