quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Guiné 63/74 - P15093: Os nossos seres, saberes e lazeres (114): Un viaggio nel sud Italia (5): Em Tivoli, passeio alucinatório em Villa d’Este (Mário Beja Santos)

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), com data de 17 de Agosto de 2015:

Queridos amigos,
As pessoas abonadas do século XVIII faziam o Grand Tour, e a Itália era visita obrigatória para quem vinha das Prússias, Polónias ou Inglaterras.
Tivoli era um pólo magnético, foi aqui que o imperador Adriano mandou construir uma vila luxuosa neste local de clima privilegiado e recantos panorâmicos dramáticos. Um cardeal filho de Lucrécia Bórgia mandou construir uma vila imponente, mas o turista vem fundamentalmente atraído pelos jogos de água, água é coisa que aqui não falta e as canalizações fazem o resto, a água jorra das fontes e bicas, é uma melodia orquestral permanente.
E temos a Villa Gregoriana, aqui a natureza transcende-se com o famoso Vale do Inferno e cascatas com uma envolvente romântica, quando por aqui passou Goethe escreveu nos seus apontamentos que ver esta paisagem enriquece-nos o mais profundo da alma. É melhor ver para crer.
Hoje falamos só de Villa d'Este, no seu todo Tivoli precisa de pelo menos dois dias inteiros só para ver o essencial.

Um abraço do
Mário


Un viaggio nel sud Italia (5)

Beja Santos

Em Tivoli, passeio alucinatório em Villa d’Este


Três monumentos espetaculares, reconhecidos pela UNESCO, trazem-me a Tivoli, o Palácio e os jardins de Villa d’Este, Villa Adriana e Villa Gregoriana. Tivoli fica a pouco mais de 30 quilómetros de Roma, nos Montes Tiburtinos, é famosa desde a antiguidade pela sua riqueza em águas e pelos locais idílicos graças ao clima e à posição estratégica. A água corre por toda a parte, atravessa-se uma ponte e apanha-se logo este espetáculo, vou com o estômago a dar horas, qualquer coisa me serve para trincar, desde um esparguete a uma boa salada, mas não resisto a ficar especado e agradecer à mãe natureza o idílio que proporciona.


É a procurar um sítio onde se coma que deparo com mais esta reciclagem, tudo o que veio do império romano se aproveita, e Tivoli subsistiu a várias decadências, teve a sua posição na Idade Média, voltou a impor-se no Renascimento e ressuscitou no século XIX. Já tem nome feito no século IV antes de Cristo e é hoje um sítio arqueológico de primeiríssimo nível graças a uma construção monumental que atrai o turista: a Villa Adriana, em primeiro lugar. Agora vou comer e depois parto para o Renascimento, quero ir até aos jogos de água de Villa d’Este.


Cá estamos, ainda não desembolsei 12 euros (aliás, não pagaram a compensação que por aí vem) e já estou a ver maravilhas, é um espantoso trabalho em pedra no átrio da esplêndida vila que o Cardeal Hipólito II d’Este, filho de Lucrécia Bórgia e de Alfonse d’Este, governador do Tivoli aqui construiu e que irá desencadear um desenvolvimento urbanístico e o aparecimento de palácios patrícios.


Primeiro, a visita à vila, debruçada sobre Tivoli e com os Abruzos ao fundo, peço desculpa pela neblina, mas o inacreditável aconteceu, levo estes dias a suar a cerca de 40 graus, o céu turvou-se, a seguir vai chuviscar e teremos depois uma carga de água aliviadora. Aproveito para ver alguns aspetos que muito me interessam.




Já caem grossas bátegas, mas não me importo. Visito primeiro uma exposição dedicada a esse génio que foi Franco Zeffirelli, fez tudo muito bem como encenador, realizador, decorador, figurinista, aderecista, tocou em todas estas teclas primorosamente, e assim deliciou os seus aficionados e alguns dos maiores cantores de ópera e do cinema de todos os tempos. Captei uma imagem na capela da família d´Este e depois este fresco num dos enormes corredores que atravessam a vila. O cardeal devia ter dinheiro a rodos, construiu a sua vila num antigo bairro medieval e aproveitou um mosteiro beneditino, tudo somado temos um edifício monumental a beijar o mais espantoso jardim que vi em toda a minha vida, tipicamente italiano, só visto, neste resumo não dá para acreditar.


Oh, capricho dos deuses, os céus revoltados vão sendo conquistados pela luz. Não resisti a este feitiço, tivesse aqui o pintor Turner e teríamos um dos seus magníficos quadros. Como é que eu me posso esquecer deste céu magnífico?


Antes de descer para os jardins, não resisto a este plano, todo o verde estabelece um diálogo permanente com a arquitetura, sejam fontes, grutas, bicas a escorrer, água não falta, como se pode ver.




Na receção de Villa d’Este entregam ao turista uma folhinha com rosto e verso, as salas que se vão visitar e identificam-se os lugares do jardim. Obediente procurei as fontes mais importantes, mas cedo consenti em deixar-me confundir quanto a estes nomes que se leem uma vez e só se rememoram a título excecional quando o turista volta a pegar nestes materiais. Estou triste, tirei algumas dezenas de imagens, importa selecionar, alguns destes recantos têm aparecido em filmes, depois da chuva veio imensa luz, eu estava extasiado.




Não digam que eu não falo verdade a propósito da esplêndida encenação que a arquitetura empresta a este jardim inesquecível. Faltam minutos para fechar Villa d’Este, toda a minha fadiga está bem compensada. À saída, não me surpreendeu esta lápide evocativa de Liszt, um dos compositores pianísticos de que mais gosto. Recomendo aliás ao leitor que vá ao Youtube e escreva “Jogos de água em Villa d’Este”, aparecerão nomes reputadíssimos do piano a interpretar esta peça de uma quase execução transcendente, permite pensar quanto Liszt gostou de por aqui deambular nos seus anos de peregrinação em Itália.

(Continua)

Texto e fotos: © Mário Beja Santos
____________

Nota do editor

Poste anterior da série de 1 de setembro de 2015 > Guiné 63/74 - P15063: Os nossos seres, saberes e lazeres (113): Un viaggio nel sud Italia (4): Ver Nápoles por um canudo (Mário Beja Santos)

1 comentário:

Ambasciatore Amante da Rosa disse...

O meu local preferido de passeio aos Domingos, perto de Roma. Nunca me canso de lá ir e dar escapadelas ao Jardim d´Este. Os meus hóspedes, tal como eu da primeira vez, ficam deslumbrados com o que observam. Nunca me canso de fazer fotos. Repito as mesmas procurando ângulos e luz diferentes. Tivoli é uma cidade acolhedora. Gente simpática. Os becos, ruelas e casario da parte velha, alcantilada ao rio, são encantadores pelo sossego e paisagens. Vale a pena um almoço tranquilo no melhor Restaurante (para mim) de Tivoli. O "Sibila" bem por debaixo do templo do mesmo nome e sobre o Rio. Renomado. Pena o nosso "mais velho" Beja Santos, Tigre de Missirá, não ter dado fala. Como gostaria de lhe falar, fazendo paralelismo, do Rio Geba, no troço do Mato Cão com o riacho descontinuado de Tivoli. Talvez da próxima. Abrcs.