quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Guiné 63/74 - P15096: (Ex)citações (292): Cruzei-me, por certo, com o José Matos, pai, entre março e maio de 1964, no RC 7, e depois no sul da Guiné... E aviões estranhos, só vi os das rotas aéreas internacionais (Manuel Lomba, ex-fur mil, CCAV 703 / BCAV 705, Bissau, Cufar e Buruntuma, 1964/66; autor do livro "Guerra da Guiné: a batalha de Cufar Nalu", Faria, Barcelos, 2012)

1. Mensagem de hoje que nos chega do Manuel Lomba e que reencaminhámos para o José Matos, com o seguinte comentário: "Zé: como vês o Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca é Grande... Ab. Luis".

[Manuel Lomba, ex-fur mil da CCAV 703 / BCAV 705, Bissau, Cufare Buruntuma, 1964/66; autor do livro "Guerra da Guiné: a batalha de Cufar Nalu". Faria, Barcelos, Terras de Faria, Lda: 2012, 314 pp.]


O camarigo José Matos acaba de nos facultar um notável trabalho específico e histórico e aproveito para referir haver privado com um cabo miliciano Matos, na messe do acanhado RC 7 (mas que comportava o refeitório de rancho geral e três messes, de oficiais, sargentos e cabos milicianos...), entre Março e Maio de 1964.  Seguramente que me cruzei com o seu pai [, José Matos].

José Matos, filho
Em finais de 1964 fomos lançados, como força de intervenção, numa operação creio que à mata de Cafine, com a missão de "emboscar" um reabastecimento de armas e munições ao PAIGC por helicóptero.

Ao fim de dois dias e duas noites emboscados em torno de uma clareira, nem turras nem helicóptero compareceram e, no reconhecimento que precedeu a retirada, topámos vestígios dos seus patins e uma granada de RPG espoletada, que teria sido largada pelo seu carregador...

Em sequela da Operação Tridente, o general Schulz levou o ferro e o fogo ao sul da Guiné: fomos recorrentes nos matos de  Fulacunda, Buba, Cantanhez, Cafine e, depois, Cufar.

Na nomadização em Cufar, de Janeiro a Março de de 1965, víamos passar aviões e dizia-se que estávamos sob as rotas aéreas, nomeadamente de Angola. Tínhamos as aludidas metralhadoras ligeiras Dreyse e nunca lhe aplicamos as miras anti-aéreas.

No seu conhecido livro "Crónica da Libertação", Luís Cabral não só não refere a sua aviação turra como desdenha da eficácia da nossa, enquanto Nino Vieira dizia ter tido muito medo e muitas cautelas em relação à mesma.

Abraço
Manuel Luís Lomba
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Notas

Último poste da série > 9 de setembro de 2015 > Guiné 63/74 - P15095: (Ex)citações (291) Os célebres MiG russos que o PAIGG nunca teve mas que foram uma ameaça percebida no final da guerra... (José Matos / Luís Gonçalves Vaz / Manuel Lomba)

3 comentários:

Luís Graça disse...


Manuel: esclarece este parágrafo que pode não corresponder ao que tu quetias dizer:

"No seu conhecido livro "Crónica da Libertação", Luís Cabral não só não refere a sua aviação turra como desdenha da eficácia da nossa, enquanto Nino Vieira dizia ter tido muito medo e muitas cautelas em relação à mesma."


A tua mensagem original foi a seguinte, e penso que está truncada:


Assunto - Sondagem relativa sua aviação como desdenha da nossa.ua aviação turra na Guiné

(..) "No seu conhecido livro 'Crónica da Libertação', Luís Cabral não não refere a sua aviação como desdenha da eficácia da mesma, enquanto Nino Vieira dizia ter tido muito medo e muitas cautelas em relação à mesma." (...)

Manuel Luís Lomba disse...

Oh Luís, foi mesmo truncamento. Obrigado pela correcção.

Escrevinhador velho
E tecnologia nova
Dão erros
Até à cova...
Abraço
Manuel Luís Lomba

Manuel Bernardo disse...

José Matos fala em guineanos... Como não tinha visto antes em lado nenhum, pergunto se não será lapso ou se o novo acordo ortográfico o "permite"...