quinta-feira, 22 de março de 2018

Guiné 61/74 - P18446: O nosso blogue como fonte de informação e conhecimento (54): A "mindjer grandi" Maria da Graça de Pina Monteiro, nascida em 1900, e que viveu em Bafatá e depois em Bissau... Conhecida pela Mariquinha, era casada com um chefe de posto português, sr. Eiras (Vieira), e tinha 3 filhas, e entre elas a Judite e a Linda Vieira... "Meus amigos da Tabanca Garandi, alguém por acaso chegou de conhecer algum membro dessa família?" (Ludmila Ferreira)


Foto nº 1 > A Mariquinha (Maria da Graça de Pina Monteiro,  nascida em 1900, em Cabo Verde, e que terá morrido nos anos 70, em Bissau, tal como o segundo marido, o português Vieira.


Foto nº 2 > A Mariquinha teve, do seu segundo casamento com um português, de apelido Vieira, chefe de posto, pelo menos duas filhas, Judite e Linda Vieira, aqui na foto. A família Vieira terá vivido na Guiné-Bissau até ao golpe de Estado de 1980.

Fotos (e legendas): © Ludmila Ferreira (2017). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].


Ludmila A. Ferreira
1. Mensagem de Ludmila A. Ferreira, a nossa já conhecida leitora, que vive em Cabo Verde, filha de mãe cabo-verdiana e pai guineense, e que anda em busca de informações sobre o passado da "mindjer grandi" Maria da Graça de Pina Monteiro. Pela sua dedicação, persistência e ternura mas também pela sua origem guineense, merece figurar na lista dos amigos e camaradas da Guiné que se sentam à sombra do poilão da Tabanca Grande. Aqui fica também o nosso convite formal. Mas gostávamos de saber um pouco mais sobre ela e as suas recordações da Guiné-Bissau,

Data: 22 de março de 2018 às 06:04

Bom dia

Nossa,  hoje o meu bom dia vem com muita alegria, depois de meses de procura consegui, através da Fernanda Alves (1932-), filha de um português, ex-tenente em Bolama, em 1927, Alberto Alves, descobrir quase tudo da família que procurava.

A Maria da Graça era conhecida pela Mariquinha e era casada com um chefe de posto português conhecido por Eiras (Vieira), em Bissau,  viviam em Achada,  perto da casa mortuária,  e tinha três filhas:

(i) a Judite trabalhava na farmácia do hospital Simão Mendes;

(ii) a Maria Luísa era enfermeira parteira, trabalhava em Farim (e depois foi transferida para Bissau, o marido dela era um português e tinham 2 filhos. Também tinham um restaurante que ficava no caminho de Aeroporto, a Dona Fernanda disse que os tropas comiam sempre nesse restaurante):

(iii)  a Maria Augusta, que nunca se casou.

A Maria Luísa e os filhos ainda vivem em Portugal. O Sr Eiras (Vieira) e a Mariquinha já faleceram nos anos 70.

Meus amigos da Tabanca Garandi, alguém por acaso chegou de conhecer algum membro dessa família?

Agradeceria qualquer informação. (**)

Mantenhas

Ludmila Ferreira
milaue@hotmail.com
_________________

Notas do editor:

(*) Vd. postes de:

5 de fevereiro de 2018 > Guiné 61/74 - P18288: O nosso blogue como fonte de informação e conhecimento (48): pedido de ajuda aos antigos antigos e atuais moradores de Lisboa: quem se lembra dos prédios dos nºs 36 da Rua de Santa Marta, e 50 da Rua Rodrigo da Fonseca, as duas últimas morada da "mindjer grandi" Maria Graça de Pina (Ludmila A. Ferreira, Cabo Verde)

13 de setembro de 2017 > Guiné 61/74 - P17764: O nosso blogue como fonte de informação e conhecimento (47): A "mindjer grandi" Maria da Graça de Pina Monteiro, nascida em 1900, e que viveu em Bissau e em Bafatá... Notícias de Edmond Malaval, empregado da "Maison Garnier", em Bafatá, c. 1918, e de sua filha Ana Malaval (Ludmila Ferreira, Cabo Verde)

11 de setembro de 2017 | Guiné 61/74 - P17755: O nosso blogue como fonte de informação e conhecimento (46): A "mindjer grandi" Maria da Graça de Pina Monteiro, nascida em 1900, e que viveu em Bissau e em Bafatá (Ludmila Ferreira, Cabo Verde)

7 de setembro de2017 > Guiné 61/74 - P17739: Em busca de... (278): informação sobre uma senhora cabo-verdiana, Maria da Graça de Pina Monteiro, nascida em 1900, e que teve 3 filhas: (i) Ana Gracia Malaval, nascida em 1918, em Bafatá, de uma união com o sr. Edmond Malaval; e (ii) Judite e Linda Vieira, em Bissau, de uma outra união com um sr. português ou cabo-verdiano, de apelido Vieira (Ludmila A. Ferreira)

(...) Maria da Graça de Pina Monteiro (sozinha na foto nº1), nascida no ano de 1900, é uma senhora cabo-verdiana que "casou" com um senhor cujo apelido era Vieira, em Bissau. Achamos que esse Vieira era um português ou cabo-verdiano e não um guineense. Teve duas filhas com um esse senhor: Judite e Linda Vieira [foto nº 2].

Por isso agradeceria caso souberem de alguma informação sobre algum português ou cabo-verdiano com esse apelido.

Mas antes de ter essas filhas com o Vieira, essa senhora, a Maria da Graça de Pina Monteiro, viveu antes em Bafatá e teve uma filha com um senhor que se chamava Edmond Malaval, da Maison Gurnier. Essa filha se chamava Ana Gracia Malaval (nascida em 2/4/1918).

Portanto: o que eu queria saber é quem era o Vieira que se casou e teve filhas com Maria da Graça de Pina Monteiro. E se por acaso já ouviu falar das duas filhas, Judite e Linda Vieira. (...)

3 comentários:

Antº Rosinha disse...

Todas estes milhares de famílias, muitos milhares principalmente em Angola e na Guiné, que vieram para Portugal em geral, no 25 de Abril, no golpe de Nino em 1980, na guerra de 1998 em Bissau, no "27 de Maio" em Luanda, e lentamente a fugir na imprevisibilidade daqueles regimes tribais, fugiram de uma descriminação "activa", para cair aqui numa descriminação "passiva".

Amilcar e outros também pensavam nesta gente, sabemos que pensavam, quando se meteram à aventura.

Tabanca Grande disse...

Caro Rosinha: dizes bem, foi um drama, é sempre um drama humano, o dos refugiados, neste caso os do ultramar português. "Restos de tuga" diziam, e ainda dizem, alguns (poucos guineenses) em relação aos "filhos do vento"... Uma e outra são expressões cruéis e racistas...

"Restos do império" foste tu, fomos todos nós... Podia-se ter antecipado e prevenido este cenário, sobretudo no sentido de minimizar os seus custos humanos ? Talvez...

Dizia-me hoje um general pilav reformado, presente no almoço da Tabanca da Linha, que a doutrina da descolonização não ´foi dos soviéticos, nem dos chineses nem do movimento dos não-alinhadios... Seria da autoria dos americanos, e é muito anterior inclusive à fundação das Nações Unidas... Os paladinos da descolonização foram os americanos, que a impuseram depois à ONU, aos não alinhados, ao próprio bloco soviético...

É uma tese que merece alguma atenção...

Antº Rosinha disse...

Luís, mas quantas vezes já se falou aqui e em toda a parte que os americanos queriam tomar das mãos de Salazar os destinos de Angola?

E não foi a América do Norte, Kennedy, o primeiro a lembrar-se de levar o caso de Angola para a ONU? depois de ter financiado e incentivado atravez das missões americanas, o Holden Roberto e a UPA em 1961?

Não foram os missionários americanos que transportaram clandestinamente os primeiros estudantes do Império atravez do norte de Portugal para lutarem em Paris, Dar-es-Salam etc.? pela independência das colónias portuguesas?

Depois esses estudantes puseram os cornos aos estúpidos dos americanos.

Luís, os custos humanos de que falas, foram muitos?

Não fossem os treze anos da nossa luta, hoje ninguém falava em PALOPes.

Os custos seriam outros que nem é bom imaginar.

Porque os vizinhos brancos e pretos não compreendiam que uns "atrasados portuguesitos" guardassem tantas riquezas, era assim que diziam, que não exploravam nem deixavam explorar.

Esse piloto com quem falaste, só falou aquilo que soubemos em Angola logo em 1961, tanto que houve um assédio à embaixada (consul)dos EUA em Luanda, e uma Igreja Evangelista americana foi arrasada pelo povo branco. Sabiamos que eram os americanos os "pioneiros"

Está tudo testemunhado e historiado.

Só que tanto a maioria, como a própria Europa colonial escondem estas verdades para denegrir a atitude colonial portuguesa, e beneficiar a atitude criminosa daquilo a que os outros chamavam a descolonização, quando aquilo não passou de um "alijar da carga", de um "cuspir o cascabulho", e de uma maneira mais fácil de explorar os recursos naturais.

Eu estava lá, eu vi, assisti a uma boa parte da bagunça.

Bagunça da ONU, EUA e Rússia, em Angola, Congo Belga e Guiné.

Os "Amílcar" que eram cidadãos dignos e considerados em Lisboa, Praia e Bissau, em Luanda, e se fossem a Lourenço Marques eram recebidos da mesma maneira, julgavam (sonhavam)que com as independências nas suas mãos, ia ser um paraíso nessas terras irmãs.

Mas aquele paraíso que eles conheciam e viviam, acabava com a saída (desistência) do português.

No nosso caso, nunca devemos deixar de relatar o que se passou, porque os resultados para África e Europa estão aí.

América e Rússia estão longe, nem querem saber, os chineses é que vão tomando conta de nós aqui e de Angola e da Nigéria, Moçambique, etc.

Os refugiados atravez do deserto para norte, não vão parar não, a Europa que se vá mentalizando.

Nós os retornados e a família do chefe de posto Vieira, assim como para o próprio Amílcar, fomos meia dúzia de gatos pingados, para quem tudo acabou.

Mas, os milhões que hoje não têm mais qualquer perspectiva de vida?

Luís, sei que tu e muitos ainda hoje pensam que Salazar devia negociar com um Amilcar por exemplo ou outros.

Mas eramos nós, depois de dar o "tiro de partida" que protegíamos o Amílcar, que se nem a potência Russa o protegeu nem a ele nem mais tarde ao irmão?

Foi o que foi, não haveria nada para contar, porque não sobrava nada, se não fosse a nossa luta.

Os americanos, com este TRUMP, e aquele boneco da Coreia do Norte dos mísseis, não te faz lembrar o Kennedy e o Kruschev e os misseis para Cuba?

Ou ainda eras muito novo para ligar ao Kennedy? Este tipo foi muito nefasto para África.