segunda-feira, 14 de maio de 2018

Guiné 61/74 - P18633 Álbum fotográfico de Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69) - Parte XXXI: As minhas estadias por Bissau (iv): janeiro-fevereiro de 1968


Foto nº 44 A > Bissau, feveiro de 1968 > O autor, à direita, com o seu camarada Verde, junto à estátua de Diogo Cão, com as muralhas da Amura, por detrás (*).


Foto nº 44 >  Bissau, fevereiro de 1968 < Praça e estátua de Diogo Cão


Foto nº 45 > Bissau, janeiro de 1968 > Passeio de motorizada pela marginal


Foto nº 46 > Bissau,  c. janeiro de 1968 > O Virgílio Teixeira e o seu camarada Verde, em passeio com motorizada. Ao fundo, o famoso restaurante "O Solar dos Dez" que era frequentada pelas altas patentes militares do CTIG.


Foto nº 46 A > Bissau,  c. janeiro de 1968 >  Ao fundo, o restaurante "O Solar dos Dez"


Foto nº 47 > Bissau, fevereiro de 1968 > Em primeiro pleno, à direita: o alferes mil Fragateiro, do presidente do CA do BCAV 1915, ao lado Fragateiro, o alf mil Alberto Fontão, comandante de um PINT [Pelotão de Intendência]; e depois o fur mil Nelson, ajudante do Fragateiro; eu, do lado esquerdo, de óculos, e à minha direita, um furriel de quem não me lembro o nome.


Foto nº 62 > Bissau, fevereiro de 1968 > No café Bento petiscando qualquer coisa. No extremo esquerdo sou eu, no direito é o meu amigo do Porto e do  café Cenáculo, hoje  economista, o alferes Pinto Gomes, que estava na Chefia da Contabilidade. Ao lado dele está o furriel Riquito.do meu CA, e os outros dois são também oficiais da Chefia de Contabilidade. Éramos todos do Porto.


 Foto nº 54 > Bissau, 2 de fevereiro de 1968 > O N/M Funchal, ao fundo. Transportou o alm Américo Tomás, e sua comitiva na visita presidencial à Guiné, ainda no tempo do gen Schulz


Foto nº 59 > Bissau, 2 de fevereiro de 1968 > Visita do alm Américo Tomás >  Final da Av da República, hoje, Av Amílcar Cabral. A estátua que se vê era a de Nuno Tristão, erigida por ocasião do 5º centenário do seu desembarque em terras da Guiné (1446).


Foto nº 64 > Bissau, fevereiro de 1968 > Num domingo,  sentado na marginal junto ao porto cais de Bissau, com um camarada, parece-me o irmão do furriel Riquito,  do meu CA [, Conselho de Administração], mas não tenho a certeza.

Guiné > Bissau > CCS/BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69).

Fotos (e legendas): © Virgílio Teixeira (2018). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

1. Continuação da publicação do álbum fotográfico do Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69); natural do Porto, vive em Vila do Conde, sendo economista, reformado; tem já mais de meia centena de referências no nosso blogue.

Recorde-se que o Virgílio Teixeira, de acordo com o seu CV militar:

(i) entrou em Mafra, na Escola Prática de Infantaria (EPI), em 3 de janeiro de 1967, ainda antes de completar os 24 anos de idade:

(ii) como habilitações literárias, tinha já os dois primeiros anos da Faculdade de Economia do Porto (, licenciatura que completou depois da tropa);

(iii) ao fim de 9 meses, partíu de Figo Maduro,  em 20 de setembro de 1967,  num avião militar, com o comando avançado do BCAÇ 1933,  para render o outro batalhão, o BCAV 1915, que seguiu para Bula;

(iv) fez o serviço no CTIG como alferes miliciano, sendo a sua especialidade o serviço de administração militar (SAM);

(v) nessa qualidade, foi chefe do conselho administrativo (CA) do BCAÇ 1933, ou seja, o oficial mais perto do comandante de batalhão, que era um tenente-coronel;

(vi) não tendo sido um "operacional" propriamente dito, por isso, "contar muita coisa sobre operações em concreto, embora tivesse feito muitas colunas militares de reabastecimentos, quer por rio ou por estrada", além de muitas patrulhas à volta dos aquartelamentos, e vivendo muitas vezes os bombardeamentos contínuos às  posições [das NT]";

(vii) faz questão também de declarar que dá "um valor enorme ao sacrifício das nossas tropas": "conheço, por aquilo que leio agora, o que se passou e nós não sabíamos quase nada. Passaram mais de 40 anos até se perceber o que foi aquela guerra";

(viii) "esta reportagem - Bissau, parte I - pretende focar apenas a cidade e arredores de Bissau, as suas várias escapadelas, outras deslocações em serviço, as vivências e acima de tudo as loucuras da juventude, por esta cidade-capital, que, apesar de tudo, ficou marcada para o resto da vida";

(ix) "os comentários que são feitos às fotos, são apenas de memória, o que veio à cabeça, e por consulta a vários elementos escritos, em especial aquilo que está escrito nas costas das fotos";

(x) a esta parte o autor chama-lhe “As minhas Estadias por Bissau” ; deixa, para futura reportagem , o tema "Bissau – Parte II"; e aí sim, vai dar-lhe um nome sonante: “As minhas férias na Guiné”... que engloba tudo, Bissau, Nova Lamego e São Domingos, incluindo os aquartelamentos de Cacheu, Susana e as praias de Varela.


Guiné 1967/69 - Álbum de Temas: T031 – Bissau - Parte 1 > (iv) Jan / fev  1968 > Legendagem (**)

F44 – Numa praça junto ao Hotel Portugal, com a imagem de um navegador português, que vergonhosamente não me lembra o nome, (,talvez Diogo Cão? Pero Vaz de Caminha?)... Estou eu e o meu camarada Verde do BCAÇ 1932. a imitar o nosso navegador. Bissau, Fev68.

[Observação do editor Vd. poste P14211 (*)

Praça e estátua de Diogo Gomes frente à ponte cais de Bissau... Ao fundo, muralhas da fortaleza da Amura. Segundo Ana Vaz Milheiro, especialista em arquitetura colonial do Estado Novo, o pedestal (agora vazio) da estátua do Diogo Gomes ainda lá está, tal como a inscrição, um exerto do canto VII dos Lusíadas, "Mais mundo houvera"... O pedestal é obra do Gabinete de Urbanização do Ultramar. A estátua (removida, depois da independência,  para o forte do Cacheu) deve ser da autoria do escultor Joaquim Correia, autor de monumento análogo que ainda hoje está de pé na cidade da Praia, Cabo Verde. 

Esta e outras estátuas (Honório Barreto, Nuno Tristão, Teixeira Pinto) faziam parte de "um escrupuloso programa de 'aformoseamento' do espaço público", integrado nas comemorações do 5º centenário do desembarque de Nuno Tristão. na altura do governo de Sarmento Rodrigues (1945-48). No entanto, a colocação das estátuas destas figuras históricas da colonização só será efetuada na segunda metade da década de 1950 [Vd. Ana Vaz Milheiro - 2011, Guiné-Bissau. Lisboa, Círculo de Ideias, 2012. (Coleção Viagens, 5), pp. 32-33].


F45 – Um passeio de motorizada, num Domingo de manhã, na marginal do porto, com as palmeiras bem grandes e arranjadas, verdejantes, com pouca gente nas ruas. Bissau, Janeiro68.

 F46 – Uma volta de motorizada com o amigo e camarada Alferes Verde, na marginal, junto aos Estaleiros Navais da Marinha, com excelente e privilegiada localização, como mandam as normas da Marinha. Ao fundo fica então o famoso Restaurante ‘O Solar dos Dez’ que frequentava muitas vezes e que também era poiso habitual das altas patentes militares, incluindo o Spínola e seus convidados. Recorda-me, entre outras especiarias, a famosa Mousse de chocolate gelada, a colher espetada ficava de pé. Bissau. Foto tirada entre Jan-Março 68.

F47 – No café Bento [, a famosa 5ª Rep.] em noite quente. Um grupo de amigos e camaradas. Tem 3 elementos do CA [Conselho Administrativo]  do BCAV 1915, que eu fui render em Set67 em Nova Lamego, e encontrámo-nos depois em Bissau. Os da frente, à direita o alferes Fragateiro,  Chefe do CA do BCav1915; do lado esquerdo,  o ajudante Furriel Nelson (Já meu conhecido do Instituto Comercial do Porto); em frente outro furriel de que não sei o nome. Ao lado do Fragateiro temos o alferes Alberto Fontão, Comandante de um Pelotão Independente de Reabastecimentos e Intendência, era meu amigo antes da guerra e continua a ser, fomos colegas da Faculdade de Economia do Porto, frequentávamos o mesmo café Cenáculo desde 1961 quando inaugurou, e ainda hoje existe, por ali estudávamos à noite até muito tarde, no dia seguinte era dia de trabalho.

O Fontão vivia lá em Bissau com a mulher e uma filha pequena, visitei-o algumas vezes e levei a passear a filha Eunice, com apenas 2 anos na minha motorizada, ela ainda se lembra hoje de mim, apesar de não haver qualquer convívio posterior.

Não tive boas recordações do Fragateiro, não sei porquê, mas vê-se pela fotografia que não estamos risonhos, e apesar de ele ser também do Porto: trabalhou na propaganda médica e encontrei-o uma vez e não falámos, quase nada.  Penso que não nos entendemos lá muito bem por causa das "contas" do batalhão,  que eu recusei, eu não sabia nada daquilo, Depois ele foi para Bula e regressou uns meses antes do nosso batalhão. Dizem que nunca mais quis falar da Guiné. Bissau, Fev68.

F54 – No porto de Bissau, atracado o Paquete Funchal que transportou a comitiva da visita do Presidente Tomaz à Guiné. Sobre este acontecimento já existe uma grande reportagem com os Postes e roncos da visita. Bissau, 02Fev68.

F59 – Junto a uma estátua que não consigo identificar quem é a personagem [, é a do navador Nuno Tristão, no final da Avda República].  Captada na Praça do Império junto ao Palácio do Governador, na visita do Presidente Almirante Américo Tomaz à Guiné. Bissau, 02Fev68.

F62 – No café Bento petiscando qualquer coisa. No extremo esquerdo sou eu, no direito é o meu amigo do Porto e do café Cenáculo, hoje conomista, o alferes Pinto Gomes, que estava na Chefia da Contabilidade, tinha lá a mulher, a Acácia, e tinha como companhia na mesma casa onde viviam, a irmã Amélia, o marido, cunhado, o alferes Fontão, já com uma filha pequena, Eunice.

Ao lado do Pinto Gomes,  está o furriel Riquito.  do meu CA, e os outros dois são também oficiais da Chefia de Contabilidade. Éramos todos do Porto. Bissau, Fev68.

F64 – Num domingo sentado na marginal junto ao porto cais de Bissau, com um camarada, parece-me o irmão do furriel Riquito do CA, mas não tenho a certeza. Bissau, Fev68.
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Notas do editor:

(*) Último poste da série > 4 de maio de 2018 > Guiné 61/74 - P18604: Álbum fotográfico de Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69) - Parte XXXI: As minhas estadias por Bissau (iii): 4º trimestre de 1967

(**) Vd. poste de  2 de fevereiro de 2015 > Guiné 63/74 - P14211: Memória dos lugares (285): Fortaleza da Amura, estátua de Diogo Gomes, ponte cais de Bissau e edifício da Alfândega (Arménio Estorninho / Agostinho Gaspar / António Bastos)

6 comentários:

Tabanca Grande disse...

Virgílio, a propósito do Conselho Adninistrativo dos batalhões... Vejo pelo BCAÇ 2852 (Bambadinca, 1968/70), a que esteve adida a minhya CCAÇ 12, de julho der 1969 a maio de 1970), que tinha a seguinte orgânica: Comanmdo, Companhia de Comando e Serviços; mais 3 subunidades de quadríclau (CCAÇ 2404, 2405, 2406)

Estrura de: I Comando (c. de 3 dezenas de militares):

(i) Comandante;

(ii) Estadio Maior;

(iii) Secretria:

(iv) Conselho Administrativo;

(v) Secçãod e Op / Info;

(vi) Secção de Pes / Reab.

Estrutura do CA (Conselho Adfministrativo) (7 militares):

Presidente: 2º comandante, major
Chefe de contabilidade: 1 alf mil SAM (presume-se)
Tesoureiro: 1 alf mil SAM (presume-se)
Amanuenses: 2 fur mil
Escriturários: 2 1ºs cabos


Bate certo com o teu BCAÇ 1933 ?

Ab, LG

Tabanca Grande disse...

Virgílio, não há dúvida que é N/M Funchal, pelo perfil... Só o vi ao longe, mas em Lisboa...

http://paquetefunchal.blogspot.pt/

Valdemar Silva disse...

Virgílio
...mais uma vez e como diria o outro, o outro salvo seja, o Antº. Rosinha, mais umas passeatas por Bissau à conta e os outros a alinhar no mato....
Evidentemente que não chegou a acontecer, e ainda bem, que pareceria Saigão no limite, andarmos todos de camuflado, G3, granadas à cintura e escondidos/emboscados em cada rua de Bissau.
Afinal, bons tempos passados na Guiné que todos, que por lá passaram, bem o mereciam.
Ab. e venham mais fotos
Valdemar Queiroz

Mário Santos disse...

Belas recordações de locais que se me apagaram totalmente da memória. Também tenho algumas das muitas dezenas de vezes que por lá andei, mas não consigo dar nome a nenhum lugar.
Por isso, parabéns a quem ainda conserva memória tão fresca e sobretudo à logística. Dar nome e identificar locais, restaurantes, paisagens e até nomes de ruas é obra!
É um bom activo para a nossa memória colectiva!

Parabens camarada Virgilio.

Tabanca Grande disse...

Concordo com o elogio do Mário Santos...O nosso camarada Virgílio Teixeira, com os seus 75 anos, tem um feito um belo e precioso trabalho, ao digitalizar as suas fotos e "slides"...

Não menos importante, tem a preocupação de legendar, com todo o rigor factual, todas as imagens que nos tem mandado, e já são muitas...

Enfim, o nosso álbum coletivo de Bissau e demais cidades, vilas e tabancas da Guiné, da época de 1961/74. vai aumentando todos os dias e sobretudo vai-se enriquecendo...Não creio que haja outra fonte, na Net, com tantas imagens sobre Bissau de 1961/74, como o nosso blogue...

Um abraçoa para os dois, LG

Anónimo disse...

Obrigado a todos pelos vossos comentários, particularmente ao Mário Santos.
Já não me preocupa assim tanto algumas 'dicas' sei que são brincadeiras, e isso é melhor do que nada dizer, ficar calado e mudo. Quando falam de nós é porque temos algum valor, somos gente, o pior que podia acontecer era o desprezo por tudo. Os trabalhos que vou publicando, da 'minha vivência' na Guiné, são meus, não dos outros, e é com orgulho e cada vez mais gosto que os vou publicando, e sim, legendando aquilo que me vem à cabeça e à memória, e que está relacionada de algum modo com cada foto, mas algumas não têm história nenhuma. Lamento apenas faltar tanta coisa que poderia ter feito, se fosse hoje, fotografar o Pilão por exemplo, andei dezenas de vezes por lá e não tenho uma única foto minha, julgo que teria algum receio em levar a máquina, não me fossem roubar ou esquecê-la. Mas andava de motorizada, e ficava por lá noites, com a dita à porta da tabanca... Loucuras.
Não tenho uma foto das grandes tarde de domingo a comer montes de ostras, o melhor petisco que me lembro da Guiné, e não sei porquê. Hoje gostaria de mostrar à família como eram essas ostras, mas não consigo, pensam sempre que são essas cruas de aviário que se vendem por essa Europa fora.
Sobre o trabalho (e custos) das digitalizações, isso só foi possível devido à minha participação nesta grande Tabanca, se assim não fosse, nem eu conhecia a maioria delas, em especial os mais de 500 slides, esquecidos numa caixa. Também reconheço que o meu 'pequeno' contributo enriqueceu de algum modo o espolio da Tabanca.
Vou responder ao Luís a várias questões colocadas, mas vou para o mail, pois isto aqui às vezes escrevo tanto e depois não cabe e perco tudo.
Ele depois pode editar aqui nos comentários.

Ab,
Virgilio