domingo, 27 de maio de 2018

Guiné 61/74 - P18685: Agenda cultural (638): Lançamento do novo livro de Catarina Gomes, "Furriel Não É Nome de Pai: Os filhos que os militares portugueses deixaram na Guerra Colonial" (Tinta da China, 2018, 224 pp.): Em Lisboa, na Feira do Livro, domingo, 3 de junho, 16h00; no Porto, Mira - Artes Performtivas, sábado, dia 2 de junho, 15h00






1. Mensagem da nossa amiga, jornalista e escritora, Catarina Gomes (, que tem cerca de 3 dezenas de referências no nosso blogue), com data de 21 do corrente:

Caro professor Luís Graça,

Como está?

Venho convidá-lo para o lançamento do meu novo livro "Furriel não é nome de pai-Os filhos que os militares deixaram na Guerra Colonial", que vai ter lugar na Feira do Livro de Lisboa dia 3 de Junho às 16h00 (o convite segue em anexo) e no Porto a 2 de Junho na Mira Artes Performativas (na zona de Campanhã), o convite também segue em anexo. Ambos os eventos são abertos e todos são bem-vindos.

Venho também pedir-lhe divulgue no blogue o livro que começa a ser vendida nas livrarias dia 25 de Junho (envio em baixo o comunicado de imprensa), mas que pode também ser comprado à distância através do portal da editora Tinta da China com portes gratuitos: 
Tudo começou no vosso blogue.

Faz este ano cinco anos que fui à Guiné-Bissau para escrever pela primeira vez sobre “os filhos do vento”, como lhes começou a chamar o José Saúde no vosso blogue. Não imaginam a quantidade de emails que recebi desde então, de filhos africanos em busca de pais, de alguns portugueses em busca dos seus irmãos africanos. 

Depois dessa primeira reportagem senti que a história tinha ficado incompleta. Que era preciso voltar sozinha à Guiné e continuar a contar as suas histórias. Chamo-lhe um livro de pós-reportagem porque trata do que aconteceu depois da reportagem e por causa dela:

por causa da reportagem Fernando Hedgar da Silva - um homem que um dia pensou que “furriel” era nome de pai e a quem este livro é dedicado - conheceu dezenas de outros “filhos de tuga” como ele e decidiu criar a associação “Filho de Tuga”;

por causa da reportagem Filomena decidiu trazer o sobrinho desconhecido para Lisboa e obrigar o irmão, ex-militar, a fazer um teste de DNA;

por causa da reportagem Emília descobriu os seus dois irmãos gémeos guineenses, Celestino e Celestina.

Ao último capítulo chamei “Pais Procuráveis”. Aqui volto à reportagem que fiz em Angola, em que acompanhei António Bento ao encontro do seu filho angolano desconhecido, e explico também o que aconteceu antes e depois.

Muito obrigada por tudo. Não poderia deixar de estar, juntamente com o José Saúde, nos agradecimentos.

Um abraço,

Catarina




_____________

Nota do editor:

7 comentários:

Tabanca Grande disse...

Catarina, você é formidável!...Uma verdadeira corredora de fundo.. Parabéns!...

É uma boa altura para finalmente se lançar a petição pública à Assembelia da República com vista à atribuição da nacionalidade portuguesa aos filhos dos militares que fizeram a guerra colonial...

Infelizmente, não poderei estar nem no Porto nem em Lisboa, para o lançamento do seu livro... De 30 de maio a 4 de junho, estarei pelo Norte, e a 3 estarei em Candoz, numa festa de família...

Entretanto, daremos o máximo de cobertura ao livro, no blogue e no facebook... Mande mais qulquer coisa (um xecrto, uma nota, uma história...) para publicação no blogue...

Ainda há dias falámos em si...

Um beijinho. Luis

José Saúde disse...

Catarina, companheira das lides jornalistas

Uf, que o tempo, sem tempo, é sobejamente merecedor de inegáveis realidades conhecidas e que jamais ofuscarão certezas vividas por jovens soldados entregues à sorte nas três frentes de guerra em solo africano: Angola, Moçambique e Guiné.

Ousei trazer à opinião pública um mundo de crianças, hoje homens e mulheres, que por lá ficaram e que transportaram ao longo das suas vidas a incógnita interrogação em saber, e conhecer, o homem que lhes deu o ser.

Sei, e reconheço, que a receção da notícia não foi consensual. Todavia, hoje sinto-me feliz pela brilhante ideia, assim como na indeclinável persistência que coloquei num tema quiçá intitulado de tabu.

"Filhos do vento", desígnio do qual fui pai, movimentou através de ti, Catarina, um mar de notícias que resvalaram para certezas que o mundo agora conhece. Força, amiga e segue em frente quando as nossas convicções são porta estandartes de realidades e não de utopias.

Que o teu livro seja um sucesso. Ah, o nosso blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné é, afinal, um armazém de indeléveis notícias feitas por camaradas que estiveram no terreno.

Um abraço,

José Saúde

Tabanca Grande disse...

Zé Saúde:

Já em tempos reconheci os teus pergaminhos como pai... do termo "filhos do vento"... N arealidade, terás sido tu o primeiro a usar, no nosso blogue, a expressão "filhos do vento"... Que fique aqui registado para a história ou para memória futura, como se diz agora... Se um dia vieres a precisar deste dado, por qualquer motivo, para pôr no teu vasto e riquíssimo "currriculum vitae", passo-te uma declaração (*)....

E a propósito, também escrevi mais ou menos isto, há cinco anos atrás (**):

(...) "Filhos do vento" é uma metáfora, uma expressão que nada tem de romãntico ou de desculpabilizador, como já vi escrito por aí, algures... "Children of dust", dizem os anglo-saxónicos... "Filhos do pó" é até bem mais duro, ou depreciativo... Enfim, concordo que é um eufemismo, ajudando-nos de algum modo a suportar melhor o "desconforto" destas situações...

E na altura, eu já defendia a opinião favorável à atribuição da nacionalidade portuguesa a todos os "filhos do vento" bem como a "todos os nossos camaradas da Guiné"... Embora fosse cético em relação às consequências práticas... Seria mais uma "reparação moral"....

Se isso tivesse acontecido, no devido tempo, ter-se-ia evitado algums das tragédias do pós-independência, como os julgamentos populares e os fuzilamentos... Ou não ?

Não sei... Acho que fomos, todos ou quase todos, ingénuos em relação à "boa fé" dos dirigentes do PAIGC pós-indepemdência... Mas, provavelmente, os carrascos do PAIGC teriam pensado duas vezes, se tivessem que execuyar "cidadãos portugueses"...

Também é verdade que o PAIGC, logo a seguir à indepemdênica da Guiné, poderia não estar disposto a ter 27 mil estrangeiros, nascidos na Guiné, e que serviram a pátria do "tuga"...

Repatriá-los para Portugal ? E as suas famílias ? E as suas raízes ? E os seus poilões ? E os seus antepassados ?... (Além de que, do ponto económico e logístico, não era uma operação fácil...).

Na realidade, era fácil fazer mapas a regra a esquadro, nos gabinetes da geopolítica colonial; é fácil (mas perigoso) era usar, "avant la lettre", a folha de Excel sem nenhuma "modelo de análise"... Enfim, é sempre grande a tentação de reduzir tudo (e sobretudo as pessoas) a números...

E a verdade é que os fulas, os manjacos, etc. nunca foram nem poderiam ser tugas de alma e coração...

_______________

(*) Vd. poste de 19 de setembro de 2011

Guiné 63/74 - P8798: Memórias de Gabú (José Saúde) (3): “Filhos do vento”: reflexos de uma guerra que deixou marcas no tempo

https://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/2011/09/guine-6374-p8798-memorias-de-gabu-jose.html



(**) Vd. poste de 14 de julho de 2013

Guiné 63/74 - P11838: Os filhos do vento (13): Em busca do pai tuga: um reportagem, 3 vídeos, 19 histórias, 19 rostos, 19 nomes à procura do apelido paterno... Hoje no "Público", domingo, dia 14. A não perder.

https://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/2013/07/guine-6374-p11838-os-filhos-do-vento-13.html

Anónimo disse...

Como querem dignificar esses filhos chamando-lhes filhos de tuga, se tuga 'e um termo pejorativo que já vem do tempo dos "nossos amigos anti-colonialistas.
J.Dias

Anónimo disse...

Lamento vir a terreiro discordar do título do livro, desculpem, mas a interpretação, queira-se ou não pesa sobre os furriéis, quando o José Saúde, e bem, em meu entender tinha chamado a todos aqueles filhos de portugueses brancos que por lá ficaram "filhos do vento".
Não me compete nem tenho que o fazer, defender uma classe que acredito até poder ter sido a que mais contribuiu para esses "filhos sem pais", mas como título de livro discordo completamente, até porque todos sabemos que houve outras realidades.
Não conheço o conteúdo do texto, espero que seja mais feliz e realista que o título agora apresentado, independentemente dos prémios jornalísticos da sua autora.
Acredito que tudo tenha sido feito na melhor das intenções, por isso espero que corresponda minimamente à realidade e ajude a escrever mais uma página séria sobre este assunto.
BS

Anónimo disse...

"Filhos de tuga" não é uma escolha de nome, estes filhos sempre foram insultados com este termo, chamavam-lhes "filhos de tuga" ou "restos de tuga". Mas na Guiné decidiram usar recentemente essa expressão insultuosa para se dignificarem criando a associação Filho de Tuga, cuja história conto no livro.
Catarina Gomes

Manuel Luís Lomba disse...

Catarina:
Estou curioso de ler o livro e espero não colher a decepção do alinhamento pelas turmas de "cientistas sociais", na sua descoberta de que não houve Descobrimentos - já existia tudo - mas sim a expansão dos portugueses e das suas malandrices.
A atitude de não reconhecer os seus filhos é atitude do indivíduo, tão anti-natural como crime; a omissão do Estado português em não os reconhecer de facto e de direito e em não lhes conceder a cidadania e às suas mães ainda será mais que isso.
Qual a dimensão do caso? Os militares deixaram assim tantos "filhos do vento" ou "restos de tuga"?
No meu tempo de tropa, a disciplina militar velava por esses assuntos.
Em Tavira havia poucos homens - em 1 200 instruendos havia apenas um tavirense - enquanto as mulheres abundavam nas janelas, varandas, ruas, janelas, jardins e esplanadas, expondo a sua famigerada formosura, apelativa a "lançarmos a escada". O conhecimento foi-nos transmitido logo na palestra da recepção, em linguagem de caserna, mais ou menos nestes termos: "As mulheres daqui são um perigo; o nosso comandante (o tavirense major Castro e Sousa) não perdoa. Tenham cuidado! Lembrem-se que muitas já fizeram algumas recrutas..."
Não obstante, houve casamentos coercivos, que a caserna comentava: fulano vai daqui miliciano e chifrudo...
Na Guiné o procedimento era idêntico e diz-se que o General Spínola ainda o tornara mais rigoroso.
Abr.
Manuel Luís Lomba