segunda-feira, 25 de junho de 2018

Guiné 61/74 - P18777: Fotos à procura de...uma legenda (106): "As sobras do rancho da tropa"... e as latas de conservas, "made in Portugal", que as crianças levavam à cabeça (Valdemar Queiroz / Museu de Portimão / Virgílio Teixeira)


Foto nº 1 A


Foto nº 1

Guiné > Região de Cacheu > São Domingos > CCS/BCAÇ 1933 > 1968 > "As sobras do rancho da tropa"... [as crianças da vizinhança que vinham, de lata, à cabeça, recolher as sobras dos ranchos e das messes dos nossos aquartelamentos; na foto, pelo menos três delas trazem latas, amarelas, de vários tamanhos,  de conservas de peixe, da marca (branca) "Manos" ou "[Her]manos", da empresa conserveira de Portimão La Rose - Feu Hermanos, fundada em 1902]


Foto (e legenda): © Virgílio Teixeira (2018). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]




1. Mensagem, com data de 22 do corrente,  do Valdemar Queiroz [ex-fur mil, CART 2479 /CART 11, Contuboel, Nova Lamego, Canquelifá, Paunca, Guiro Iero Bocari, 1969/70]:

Assunto: Esclarecimento de uma curiosidade

Boa tarde Luís Graça.

Antes de mais os meus cumprimentos e bom regresso de férias.

A interessante fotografia 'rancho dos pobres' [foto nº 1], do Virgílio Teixeira (*), dá pano para mangas. Eu, que sempre fui bom observador, descobri o... 'MANOS' na lata amarela à cabeça do rapaz ao lado da rapariga de vestido branco [vd. foto nº 1A].

Depois lembrei-me do Museu de Portimão, quase todo ele inserido na antiga Fábrica de Conservas Feu Hermanos.

Depois contactei com o Museu para esclarecimento da minha curiosidade.

Parece muito provável que o djubi tenha à cabeça uma peça de museu.

Luis, se achares interessante publica esta minha troca de emails, com o Museu de Portimão, para esclarecimento da minha curiosidade.

Um grande abraço
Valdemar Queiroz


2. Mensagem de 21 do corrente, enviada pelo Valdemar Queiroz ao Museu de Portimão:

Assunto: Esclarecimento de uma curiosidade

Exmos. Senhores

Boa tarde.

Antes de mais quero enaltecer o extraordinário desempenho para a Cultura a actividade do Museu de Portimão.

Assisti há dias, na RTP2, ao programa 'Visita Guiada' no Museu de Portimão e fiquei encantado.

Agora e por razões de frequentador/comentador no Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné, cujo principal conteúdo é o convívio/recordações dos tempos passados na guerra colonial, na Guiné, e não só, surgiu uma curiosidade sobre a extraordinário fotografia 'o rancho dos pobres', de autoria do ex-alferes miliciano Virgílio Teixeira (*).

A fotografia, do ano de 1968, é uma chapa do que habitualmente acontecia: crianças de lata na mão à espera das sobras do rancho da tropa.

Esta fotografia, embora comovente, não representa aparência real e apenas tem um ar sério por se tratar de 'vamos a estar quietos para todos ficarem na foto', bem pelo contrário do que, agora, acontece com as crianças engaioladas nos EUA.

Mas a fotografia levantou-me a curiosidade de me parecer que o rapaz mais crescido, que está ao lado da rapariga de vestido branco, ter à cabeça uma lata amarela de conservas Feu Hermanos. Será?

É esta curiosidade que eu gostava ficar esclarecido e ter um motivo, não só para enaltecer o Museu de Portimão, mas também dar a conhecer que na fotografia aparece um rapaz com uma peça de museu á cabeça.

Agradeço a Vossa melhor atenção.

Os meus respeitosos cumprimentos.

Valdemar Queiroz da Silva


Foto da página inicial do sítio Museu de Portimão (que está instalado na antiga fábrica de conservas La Rose - Feu Hermanos. fundada em 1902). Foto reproduzida com a devida vénia...

[É um dos museus portugueses mais premiados, a nível nacional e internacional, tendo-lhe sido atribuídos, desde a sua abertura em 2008, tendo ganho nomeadamente o Prémio “Museu Conselho da Europa 2010”, atribuído pelo Conselho da Europa, o Prémio “DASA – Mundo do Trabalho 2011”, primeira edição deste prémio atribuído na cidade de Dortmund, na Alemanha.]

3. Resposta do Museu de Portimão:

Boa tarde,  Valdemar Silva,

De facto parece ser uma das latas produzidas pela Feu Hermanos, só é pena que o braço do jovem não permite mais leitura, mas tendo em conta que a política de exportação para África era mais "marca branca" do que enviar outras marcas prestigiadas como era o caso da "La Rose", é bastante provável. E obrigado pelos elogios que nos coloca!

Votos de um bom fim-de-semana.

Com os melhores cumprimentos,

Pedro Branco
Museu de Portimão
Rua D. Carlos I – Zona Ribeirinha
8500-607 Portimão

Portugal

Tel: +351 282 405 232 | Fax: +351 282 405 277
museu@cm-portimao.pt
www.cm-portimao.pt


4. Comentário do editor:

Parabéns, Valdemar, és um grande observador, ou não fosses um "comercial", batido, treinado e experimentado... Pois claro que vamos publicar... Ampliando a foto, não há dúvida que a lata, amarela, que o miúdo (o "djubi", à esquerda da miúda de branco) leva à cabeça, ostenta as letras da marca "MANOS" (ou "[HER]MANOS"... Inclino-me mais para a primeira hipótese, "MANOS", e de se tratar de um lata de atum, talvez de um quilo... A lata que a "bajudinha" leva à cabeça, embora também de cor amarela, parece ser de outra marca, e de outro produto...

A indústria conserveira portuguesa sempre ganhou com as guerras... Muito conserva de peixe (atum, cavala e sardinha...) se consumiu nos nossos "ranchos", de todas as maneiras e feitios, acompanhadas com feijão, arroz, massa, esparguete,  etc. Hoje adoro conservas de peixe ("portuguesas", que são as melhores do mundo, e um autêntico produto "gourmet"...), mas durante anos não suportava sequer o seu cheiro... O que chegava à Guiné, no tempo da guerra,  devia ser o que não se exportava...

Já mandei ao Virgílio Teixeira, em primeira mão, para ele poder comentar. Ab, Luis


5. Comentário do Virgílio Teixeira, com data de 23 do corrente:



Olá, Luís.

Obrigado pela prioridade. Realmente esta foto não vai ficar por aqui.

Acho que o Valdemar Silva tem olho clínico, para mim isto é mais uma das 1000 fotos que estavam no baú das recordações que iriam para o lixo um dia, quando passasse para o lado daqueles "que da lei da morte se foram libertando"...

Sucintamente, já não tenho duvidas de que se trata dessa peça de museu, já vi na página do Museu de Portimão, caixas muito parecidas e a cor amarela e o tipo de letra não deixa margem para dúvidas. Mas vou mais longe, acho que estão lá mais 3 latas dessas, só que não se percebe o nome, mas o estilo é o mesmo.

Como foram lá parar à tropa conservas de tanta qualidade? Não sei. Eu nunca vi, mas eram latas grandes para servir nas messes e cantinas, não era uso individual. Posso adiantar,  por exemplo, que poderão ter vindo da África do Sul, país de onde vinha tanta coisa que não havia em Portugal, as águas Perrier, a Coca Cola, todas as bebidas e tabaco do mais caro na altura no mundo, bem como, tanta lata de conservas de frutas, ananás, pêssego, pêra,  tudo em calda, isso lembro-me bem, comia muita fruta dessa.

Se não era da Africa do Sul, poderia ser de outro país europeu para onde a marca exportava, e porque eram latas de qualidade, pela amostra que vemos, ali na foto estão 4 dessas espécies.

Vamos explorar mais este assunto, e podes á vontade publicar no Blogue, podem vir mais comentários para chegarmos lá, e ainda vamos mandar para o Museu de Portimão a foto representativa daquilo que agora vou chamar de «As sobras do rancho da tropa na Guiné" (**).
Vou mandar cópias disto para a minha nora, pois ela é especialista em Museus etc.... Pode ser que ela nos dê uma ajuda, e assim o nosso trabalho nunca será esquecido. 

Ab, Virgílio





Guiné-Bissau > Região de Tombali > Guileje > 2006 > "Laranjada Convento / Mafra / Marca registada"... Restos arqueológicos de uma guerra... e que hoje figuram no Núcleo Museológico Memória de Guiledje. Foram-nos enviadas pelo nosso saudoso amigo e grã-trabanqueiro Pepito, o o engº Carlos Schwarz da Silva (1949-2012), na altura diretor executivo da ONG AD - Acção para o Desenvolvimento, com sede em Bissau.

Na imagem pode ler-se: "Composição: Sumo - Popa e óleo de laranja - Açúcar granulado - Água esterelizada / Corado artificialmente / Fabricado por Francisco Alves & Filho Lda / Venda do Pinheiro"...

Houve muita gente, na Metrópole, a ganhar dinheiro com a guerra, a começar pelos industriais do sector agroalimentar ... Ainda conheci o Sr. Francisco Alves e um dos seus filhos, quando trabalhei na administração fiscal em Mafra, em dezembro de 1973, num "jantar de Natal" que ele ofereceu ao "pessoal das Finanças", como era da tradição: foi na fábrica, em Venda o Pinheiro, tudo muito bem "regado", eu, que era "novato" no ofício e na repartição, não me membro de ter bebido "produtos da casa"... Constava que o seu sucesso, nos negócios, tinha começado no tempo da guerra de Espanha (1936-1939)...

Uma das marcas famosas da firma era a Laranjinha C, cuja história, ao que parece, remontava  já  a 1926, "ano da fundação da empresa Francisco Alves e Filhos, na Venda do Pinheiro", e "em que o empresário Francisco Alves começou a produzir pirolitos, para além de outros refrigerantes".

(...) "As garrafas da empresa ostentavam a forma da mole granítica de Mafra e a designação de Convento, mas apesar da fama conquistada, só ocasionalmente, a distribuição das bebidas ultrapassava os limites do concelho de Mafra. Com o final da 2ª Guerra Mundial, a empresa dá o grande passo e lança no mercado a Laranjina C, com a sua garrafa original e distribuição a nível nacional. A marca Larangina C, teve um período de ouro, com publicidade constante na televisão, um grande prémio de ciclismo, e chegou a patrocionar a equipa de ciclismo do Sporting.  No ano de 1970, através de um acordo com a multinacional Gesfor, é introduzida em Portugal a marca TriNaranjus, um produto natural, SEM BORBULHAS e com verdadeiro sumo de fruta. Nesta altura, a família Alves vê-se forçada a optar por uma das marcas produzidas. Em 1990, a empresa da família Alves, foi adquirida pelo grupo Cadbury-Schweppes Portugal, SA." (...)

Na Guiné (como de resto nos outros Teatros Operacionais), o "ventre da guerra" obrigava, por seu turno, a uma tremenda logística... Quantos camaradas nossos não terão morrido ou sofrido para que esta garrafa de laranjada "Convento de Mafra" chegasse a Guileje, no sul da Guiné ? Ou as latas de conservas da marca "[Her]Manos" chegasse a São Domingos, no norte ?

5. Comentário de LG:

Virgílio, já descobrimos outras marcas de produtos portugueses, usados pelas NT... Por exemplo, a laranjinha C e outros refrigerantes, em garrafas que ficaram enterradas sob as ruínas do quartel de Guileje,  arrasado pela nossa aviação... Deves lembra-te de mais marcas, de fornecedores das NT, até pelas tuas funções, para além das que já mencionaste, oriundas da África do Sul (a Coca-Cola, a Fanta, etc.).

______________

Notas do editor:

(*) Vd. poste de 19 de junho de 2018 > Guiné 61/74 - P18758: Álbum fotográfico de Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69) - Parte XXXVI: História e imagens de São Domingos: fotos de 1 a 8

(***) Último poste da série > 21 de junho de 2018 Guiné 61/74 - P18762: Fotos à procura de...uma legenda (105): O 'rancho dos pobres'... (Virgílio Teixeira / Luís Graça / Cherno Baldé / Valdemar Queiroz)

12 comentários:

Anónimo disse...

Excelente artigo que se deve em primeira mão ao Valdemar, fez a primeira pesquisa e depois foste tu Luis a compilar isto tudo. Eu só forneci a foto, agora reconheço que tem pano para mangas.
Eu não posso ajudar muito mais, a minha função como dizes, não era esta, as compras e alimentação era uma função do Vagomestre, eu não fazia ideia do que ele mandava vir, nem onde comprava. Eu só tinha de 'auditar' as contas, nada mais.
Agora lendo melhor esta marca que é seguramente 'Hermanos' e mais pelo menos outras duas latas, vejo que é linha branca, eu tinha percebido que eram de topo, por isso a minha estranheza. Nunca tive na mão uma lata destas, vejo agora apenas nas fotos.
O que eu me lembro eram todas as bebidas alcoólicas, de todo o tipo até às mais caras, nem preciso de dizer os nomes pois era de tudo. O tabaco a mesma coisa, desde o Português Suave até ao Gitane e outras. Bebidas só me lembro das seguintes que eram misturadas com o álcool. Águas Perrier, Vichy, ambas francesas e Castelo Portuguesa, para misturar com o Whisky. Depois a Tónica da Schweppes para o Gin, normalmente Gordons. Outras bebidas, tipo Fanta também me lembro, Laranjinha ou Laranjina C, Cocas, eu não era cliente destas bebidas doces. A laranjada Convento não me parece ter visto. Quase nem me lembro de que marca era a cerveja, normal ou bazuca, Sagres ou Cristal? Agua apenas raramente bebia, só mesmo misturada com whisky e muito gelo. Vinhos verdes também tinha, mas mandava vir para mim, de Bissau ou da Metrópole. Com isto fazia inveja e inimizades com os oficiais superiores que bebiam aquela zurapa das pipas de vinho branco feito a martelo e misturadas com água do Rio Geba. Ninguém se embebedava com aquilo, além disso era servido 'Ao quente'.
As latas de que falei de frutas da Africa do Sul, isso havia muita lata, mas não sei o nome de nenhuma marca. lamento.
Estas latas, também nós a utilizávamos, como 'tipo chuveiro' . Na casa de banho, havia um bidão de 500 litros, do gasóleo, depois enchia-se diariamente de água que vinha dos camiões, como não havia sistema de chuveiro, utilizávamos estas latas de frutas para deitar pela cabeça abaixo e assim tomava-se o banho. Muito mais tarde inventou-se um sistema de os bidões ficarem por cima do telhado, uns tubos umas grelhas e uma torneira e lá tínhamos os chuveiros, um luxo. Só que no banho de fim de tarde era uma desilusão, a água saia muito quente, pois estava exposta ao sol, não servia. Então voltamos ao bidão no WC, para os banhos da tarde, e para os da manhã já servia o chuveiro, pois durante a noite não baixava mais do que 20º, talvez. Enfim, histórias.
Vamos ver o que dá este Poste, o Nome está bem, mais completo.
Um Ab, a todos os colaborantes.
Virgílio Teixeira



Tabanca Grande disse...

(...)" aquela zurapa das pipas de vinho branco feito a martelo e misturadas com água do Rio Geba" (...). Dizes bem, Virgílio.

Foi na Guiné que eu, e muitos de nós, aprendemos a conhecer o "vinho verde branco"... Marcas como a Aveleda, as Três Marias, o Gatões, o Lagosta... eram muito procuradas. E eram caras, quase tanto como um garrafa de uísque novo... Aquela "trampa", gazeificada, fresca, sabia "pela vida"... E os otários pagavam 35 pesos por uma garrafa!... Um luxo!... Ora, eu suspeito que muito do vinho verde que a gente lá bebia era feito "a martelo"... Uma parte seria da minha região, a Estremadura Oeste, que tinham vinhos brancos, de baixo grau alcoólico... e que seguiam para o Porto, em camiões-cisterna, para depois serem misturados com os verdes, gaseificados e exportados para a Guiné, para a tropa...

Hoje sou produtor de vinho verde, uma aventura que se aconteceu por via...uterina. E sei um pouco mais da história do vinho verde... Nos anos 60, pouco vinho branco se fazia, talvez 10% no total... O forte era o "tinto", muito dele oriundo de "produtores diretos" como o Jaquect, que resistiam a tudo e não precisava de "tratamento"... Hoje é proibido, felizmente...

Fizeram-se grandes fortunas com os "engarrafados" e os "entalados", durante a "guerra do Ultramar".. Infelizmente é assim, em todas as guerras... O "vinho verde" (mas também as "conservas de peixe") foi o "volfrâmio" de alguns, poucos, que encheram os bolsos...

Nós, o Zé Soldado, fez a guerra, comeu e bebeu merda... Como sempre, em todas as guerras... LG

Tabanca Grande disse...

Peço desculpa, não era o Gatões, mas o Gatão... Tinha a ideia que era de Amarante...

Tem um "site! que diz:

(...) história
Embaixador de Portugal no mundo, o Gatão sedimentou-se ao longo do tempo como uma das marcas mais representativas dos vinhos portugueses nos mercados internacionais e está hoje presente em cerca de 50 países dos 5 continentes. Para isso muito contribuiu uma história que começou a ser construída em 1895… (...)

http://www.gatao.pt/

Tabanca Grande disse...

Também aprendemos a beber o "Mateus Rosé"... Em dia de festa, lá se puxava pela nota e mandava-se vir um "Mateus Rosé"... Que chique!... O dinheiro escorria, sujo e feio, era o "patacão da guerra"...

Tabanca Grande disse...

Na página do Facebook, "Arquivo", encontrei os seguintes elementos sobre a história da Fábrica de Conservas Feu Hermanos, de Portimão, hoje Museu de Portimão:

Archivo, 10 de Abril de 2014

Fábrica de Conservas Feu Hermanos

Fábrica de Conservas La Rose

(i) 2 de agosto de 1882: nasce em Ayamonte, Espaha, Cayetano Feu, filho de António Feu Casanova e de Cristobalina Marchena Vasquez;

(ii) 1889 - os netos de Cayetano Feu, António e Manuel Feu Casanova, fundam a "Feu Hermanos", dedicada ao comércio e indústria das conservas de peixe;

(iii) 1912 - Cayetano Feu é eleito Presidente da Câmara de Ayamonte; posteriormente fixa residência na Praia da Rocha, em Portugal, impulsionando então o negócio com o aumento da frota pesqueira, construção de um estaleiro naval e oficinas de mecânica e de vazio para a fabricação das embalagens em lata das conservas "la Rose";

(iv) 1930 - é concedida a Cayetano Feu a nacionalidade portuguesa, tendo então a Associação Comercial e Industrial de Portimão organizado um banquete em sua honra, nas Caldas de Monchique;

(v) 2 de julho de 1946 - falecimento de Cayetano Feu, vítima da febre da carraça;

(vi) 1996 - autarquia de Portimão adquire o imóvel ao empresário António Feu;

(vii) 1997 - é criada a Divisão de Museus, Património e Arquivo Histórico da CM Portimão;

(viii) 1999 - é elaborado o programa museológico, específico para o antigo espaço industrial e lançado o concurso para o projecto de arquitectura, das novas instalações;

(ix) 27 de agosto de 2004 - tem lugar a cerimónia de consignação e lançamento da obra de empreitada de construção do museu;

(x) 17 de maio 2008, 17 de Maio - inauguração do Museu com apresença do Ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro e do Presidente da Câmara Municipal de Portimão, Manuel da Luz;

(xi) 2009 - candidatura do Museu ao Museum of the Year Award 2010 (EMYA 201o) lançado pelo European Museum Forum;

(xii) 2010 - vencedor do Prémio Museu do Ano 2010 do Conselho da Europa atribuído por recomendação do European Museum Forum (EMF);

(xiii) 2011 - o museu vence a primeira edição do DASA - Prémio do Mundo do Trabalho 2011; 2013, 18 fevereiro - Despacho n.º 2579 do Secretário de Estado da Cultura, publicado no DR, 2.º série, n.º 34, autorizando a incorporação definitiva da moeda romana Áureos de Faustina no Museu.


https://www.facebook.com/archivoportugal/posts/481085915352666

Anónimo disse...

Valdemar Silva
25 jun 2018 14:17

Ok. Luís
Por agora, oferece-me dizer que, talvez, não fosse má ideia enviares ao Pedro Branco, do Museu de Portimão, esta publicação do Blogue e, como editor, apresentares o nosso Blogue com um comentário da sua actividade não só da questão principal da guerra colonial, mas também de outros

vários temas interessantes que apresentamos. Afinal, quase já somos uma peça de museu.
Ab.

Tabanca Grande disse...

A marca "La Rose" hoje é propriedade da Ramirez, que a relançou há uns anos atrás... A produção da "La Rose" deve ter terminado a seguir ao 25 de abril... A conserveira La Rose / Feu Hermanos comercializava os seus produtos de prestígio (sardinha, atum, cavalas em azeite de oliveira...) sob a marca "La Rose"... "Manos (ou "Hermanos") seria mesmo "marca branca", para a tropa... "Manos" faz mais sentido... é português, "Hermanos" é espanhol...

http://ramirez.pt/categoria-produto/marcas/la-rose/

Anónimo disse...

(...)" aquela zurapa das pipas de vinho branco feito a martelo e misturadas com água do Rio Geba" (...). Dizes bem, Virgílio.

- Quero esclarecer que bebi muita daquela zurapa, era vinho branco escuro, sem sabor, misturado com gelo, ou ao natural, com um pouco mais de álcool. O vinho verde, mandava vir de vez em quando, e bebia mesmo na messe fazendo natural inveja, digo eu agora, mas não era essa a ideia.
Aquela zurapa, normalmente dava volta aos intestinos, e as diarreias e outros males intestinais, era devido também a esse vinho, isto para 'pessoas mais delicadas'!!!
Li que os pretos nos barcos com os abastecimentos, furavam as pipas, bebiam metade e emborrachavam-se e depois para pôr ao nível juntavam água do rio, e por vezes álcool etílico e assim enganavam as tropas. E fizeram-se como bem dizes grandes fortunas às custas disto, mas quem nesse tempo pensava nisso? Eu não.

Virgilio Teixeira

Anónimo disse...

Havia nos vinhos verdes vários tipos de 1ª classe:
- Em primeiro o Casal Garcia - já o bebia antes da tropa, e ainda hoje está na moda - o Gatão, o Aveleda e o Lagosta tudo dentro do mesmo nível.
Depois os 3 Marias, eram garrafas de 2ª classe, eram de 1 litro, e não era de rolha, mas sim de cápsula. Vendia-se muito em Bissau, quando ia comer ao Zé d' Ámura os passarinhos fritos com molho picante, ele servia esse vinho e bebia-se uma garrafa num abrir e fechar de olhos. Os outros eram servidos nos melhores restaurantes, portanto mais caros, talvez fossem ao preço de uma garrafa de whisky da tropa.
O Mateus Rosé nunca bebi isso na Guiné, porque pensava que era doce. Aliás só comecei a beber cá depois da tropa, quando casei em 1970; lembro-me bem que nos dias 25 de cada mês - data do meu casamento e dia de receber o pré no meu emprego - ia a um restaurante na Povoa de Varzim - O Ricardo, hoje é mais um Tourigalo - comer uns camarões tigre fritos com piripiri, quando eles ainda eram relativamente baratos, e bebíamos uma garrafa de Mateus Rosé, e até fiz uma pequena coleção delas vazias. Coisas do passado.
Virgilio Teixeira

Anónimo disse...

Na página do Facebook, "Arquivo", encontrei os seguintes elementos sobre a história da Fábrica de Conservas Feu Hermanos, de Portimão, hoje Museu de Portimão:
- Eu já tinha lido alguma coisa na página da Internet, mas esta história está mais pormenorizada.
Também já tinha lido que passou a ser fabricada pela Ramirez o atum La Rose, agora não sei, mas deve ter acabado. Eu tenho um livro da história da Ramirez, e vou ver se encontro lá alguma coisa.
Quanto ao nome, também estou agora mais virado para ser 'MANOS' a marca das conservas linha branca, faz sentido por ser português. Admira-me bastante lá as pessoas do Museu não saberem mais do assunto, ou então não querem saber disto para nada, não lhes dá dinheiro nem imagem...
Virgilio Teixeira

Anónimo disse...

Valdemar Silva
25 jun 2018 14:17

Ok. Luís
Por agora, oferece-me dizer que, talvez, não fosse má ideia enviares ao Pedro Branco, do Museu de Portimão, esta publicação do Blogue e, como editor, apresentares o nosso Blogue com um comentário da sua actividade não só da questão principal da guerra colonial, mas também de outros vários temas interessantes que apresentamos. Afinal, quase já somos uma peça de museu.
Ab.

Comentário:

Acho bem esta ideia do Valdemar Silva, apertar com os responsáveis do Museu, eles afinal servem para isso, por lá peças de museu, como nós todos...

Ab, Virgilio Teixeira

Anónimo disse...


Transcrição de uma passagem do que escrevi no livro acerca do vinho, copiei agora, e não está longe do que tinha dito atrás.
A mistura que faziam nas barcaças, era com água salgada, não era álcool etílico como disse, aliás se eles o tivessem bebiam mesmo álcool puro, penso eu!


- O vinho gelado em garrafa e as invejas na messe de oficiais:

Durante muito tempo eu mandava vir da metrópole caixas de vinho verde branco que era nessa altura o célebre Casal Garcia em garrafa ou então o Aveleda em botijas tipo garrafão redondas. E mais tarde vinha mesmo do comércio local de Bissau, caixas e caixas de vinho verde. O que era servido na messe de oficiais era de pipa, e era rasca, muito fraco, era misturado com água salgada e fazia-se negócio com ele, mas ainda bebi muito quando não havia outro e sinto ainda hoje esse cheiro e sabor, pois normalmente não estava gelado nem fresco por falta de frio nos frigoríficos, e por isso as canecas com essa bebida que vinham para a mesa eram acrescentadas de blocos de gelo das arcas, mais fácil de conseguir e por isso era meio vinho e meio água. Eu não gostava nada daquilo. Sinto ainda o sabor amargo desse líquido de cor castanha a que chamavam de vinho branco.
As minhas garrafas eram metidas na arca frigorifica, e para mim vinha uma garrafa com vinho geladinho, às vezes até era mesmo congelado, e a pingar no copo, aquilo fazia uma inveja de morte a todos, mas em especial ao meu inimigo especial, o major Henriques, que no meio da refeição perguntava alto onde é que eu arranjava esse vinho, ao que eu respondia que o comprava com o meu dinheiro, mas ele insistia que isso custava muito, e eu lá lhe respondia que em vez de deixar a maior parte do meu vencimento em casa, ficava sim com ele todo na guiné, e então preferia comer e beber bem em vez de ter dinheiro para quando regressasse, pois nem sequer sabia se regressava ou não.

Ab, Virgilio