quinta-feira, 28 de junho de 2018

Guiné 61/74 - P18786: Álbum fotográfico de Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69) - Parte XXXVII: um efeméride: faz hoje 50 anos que vim de férias, pela primeira vez, à Metrópole... A família foi-me esperar ao aeroporto da Portela, passámos por Fátima, Alcobaça e Nazaré, a caminho de casa, no Porto...


Foto nº 1 > Guiné > Bissau > Bissalanca > 28 de junho de 1968 > O avião da TAP estacionado na placa


Foto nº 2 >  28 de junho de 1968 > A bordo do avião da TAP, Boeing 727 100, nos céus da costa de África, a caminho de casa, para gozar umas merecidas férias.


Foto nº 3 > 28 de junho de 1968 > Vista geral dentro do avião TAP, Boeing 727-100, os passageiros, não muitos, as malas de bordo quase não havia nada, aguardando a chegada.


 Foto nº 4 > 28 de junho de 1968 > Foto aérea da primeira vista de Portugal, a costa algarvia.


Foto nº 5 > 28 de junho de 1968 > Foto aérea da primeira vista de Lisboa, talvez a pista da Portela, o Rio Tejo, e a asa do avião. Preparação para a aterragem.

[Salvo melhor opinião...,  a vista parece-me ser a  da margem esquerda do estuário do Tejo,  e da pista da base aérea nº 6, do Montijo, com a serra da Arrábida ao fundo... Ou seria alguma estrada em construção, de acesso à ponte ?] (LG).


Foto nº 6 >  28 de junho de 1968 > Foto aérea do rio Tejo, Lisboa e Almada, com vistas da Ponte Salazar.


Foto nº 7  > Chegada e saída no aeroporto da Portela. A minha família. Eu levo uma grande mala, ao lado a minha mãe com um saco de documentos da TAP, atrás a minha irmã Filomena com uma mala branca, e no final de tudo a minha namorada Manuela.


Foto nº 8 >  Fátima > 28 de junho de 1968 > No Santuário , os meus pais a caminho da capelinha das aparições.


Foto nº 9 > Alcobaça > 28 de junho de 1968 >  Mosteiro de Alcobaça, o meu irmão mais novo, Sérgio, o meu pai e a seguir a minha mãe, num dia de muito calor. Íamos a caminho do Porto.


Foto nº 10 > Alcobaça > 28 de junho de 1968 >  Na porta do Mosteiro, os meus pais a saírem, sentada na beira do muro a minha irmã Filomena, e de lado a minha namorada, Manuela.


Foto nº 11 > Nazaré > 28 de junho de 1968 > Na praia,  depois de um almoço inesquecível, a Manuela, a minha mãe, o Sérgio, e a Filomena. Ainda não se falava do canhão... da Nazaré nem nas ondas gigantes...


Foto nº 12 > Porto >Julho de 1968 >  Na praia da Foz no Porto, com a minha namorada, e sempre seguido pelo meu irmão Sérgio, como vigilante, a mando da minha futura sogra...

Fotos (e legendas): © Virgílio Teixeira (2018). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Continuação da publicação do álbum fotográfico do Virgílio Teixeira (*), ex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69); natural do Porto, vive em Vila do Conde, sendo economista, reformado; tem já mais de 6 dezenas de referências no nosso blogue.


Guiné 1967/69 - Álbum de Temas: T 1000 – A primeira viagem de férias à metrópole

Anotações e Introdução ao tema:

(i) INTRODUÇÃO:

Trata-se de parte do álbum de fotos  e "slides" digitalizados, captados em Junho/Julho 1968, onde estiveram em Lisboa a esperar-me, os meus pais, os meus irmãos, Mena e Sérgio, e a minha namorada, Manuela.

Depois da chegada em 28 e Junho de 1968, fomos primeiro a Fátima, depois a Alcobaça e seguidamente para a Nazaré – ainda não havia lá o ‘canhão’.

Seleccionei algumas das fotos, para assinalar os 50 anos da minha primeira viagem num avião da TAP, e as minhas "férias de luxo" no Porto e arredores.


(ii) LEGENDAS:

F01 – O avião da TAP estacionado na pista de Bissalanca. Bissau, 28Jun68.

F02 – Dentro do avião da TAP, Boeing 727 100, nos céus da costa de África. Estou cheio de "roncos", já vinha meio marado, com barrete fula vermelho, pulseiras, anéis, colares, e a minha primeira polo Fred Perry, bebendo um copo. Ao lado um furriel do meu batalhão. 28Jun68.

F03 – Vista Geral dentro do avião TAP, Boeing 727-100, os passageiros, não muitos, as malas de bordo quase não havia nada, aguardando a chegada. Céus do mundo, 28Jun68.

F04 – Foto aérea da primeira vista de Portugal, a costa algarvia. Céus de Portugal, 28Jun68.

F05 – Foto aérea da primeira vista de Lisboa, talvez a pista da Portela, o Rio Tejo, e a asa do avião. Preparação para a aterragem. Céu de Lisboa, 28Jun68. [O nosso editor, LG. diz que não, que a vista é a da margem esquerda do estuário do Tejo,  e a pista não é da Portela, mas  da base aérea do Montijo, com a serra da Arrábida ao fundo...].

F06 – Foto aérea do rio Tejo e Lisboa, com vistas da Ponte Salazar. Céu de Lisboa, 28Jun68.

F07 – Chegada e saída no aeroporto da Portela. A minha família. Eu levo uma grande mala, ao lado a minha mãe com um saco de documentos da TAP, atrás a minha irmã Filomena, a Mena,  com uma mala branca, e no final de tudo a minha namorada Manuela, ainda com um pequeno saco que não se vê. Trazia manga de "roncos" para todos. A foto foi tirada pelo meu pai com uma máquina tipo caixote, mas que ficou marcada a imagem.

Curiosidade que todos devem ter passado por isso. Depois de o avião parar, a malta levanta-se e vai-se chegando para a porta, e entra um indivíduo com um instrumento tipo mata-moscas, borrifando tudo e todos com um produto qualquer, todos se riram, mas devia ser um antisséptico por causa da mazelas e bicharada que trazíamos connosco no corpo.

Nunca fiquei esclarecido, mas da 2ª vez, em 1969, já não aconteceu este estranho episódio. Lisboa, aeroporto da Portela, 28Jun68.

F08 – No Santuário de Fátima,  os meus pais a caminho da capelinha das aparições. Fátima, 28Jun68.

F09 – No Mosteiro de Alcobaça, o meu irmão mais novo, Sérgio, o meu pai e a seguir a minha mãe, num dia de muito calor. Alcobaça, 28Jun68.

F10 – Na porta do Mosteiro, os meus pais a saírem, sentada na beira do muro a minha irmã Filomena, e de lado a minha namorada, Manuela. Alcobaça, 28Jun68.

F11 – Na praia da Nazaré,  depois de um almoço inesquecível, a Manuela, a minha mãe, o Sérgio, e a Filomena. Ainda não havia o "canhão"! Nazaré, 28Jun68.

F12 – Mais tarde, já na praia da Foz no Porto, com a minha namorada, e sempre seguido pelo meu irmão Sérgio, como vigilante, a mando da minha futura sogra. Porto, Julho 68.

Em 2018-06-26

Virgílio Teixeira

«Propriedade, Autoria, Reserva e Direitos, de Virgílio Teixeira, Ex-alferes Miliciano do SAM – Chefe do Conselho Administrativo do BCAÇ 1933/RI15/Tomar, Guiné 67/69, Nova Lamego, Bissau e São Domingos, de 21SET67 a 04AGO69».
_____________

14 comentários:

Tabanca Grande disse...

Virgílio, aí está, como me pediste... "JUst in time"...

Quanto à foto nº 5, e salvo melhor opinião, acrescentei uma "adenda"...

Foto nº 5 > 28 de junho de 1968 > Foto aérea da primeira vista de Lisboa, talvez a pista da Portela, o Rio Tejo, e a asa do avião. Preparação para a aterragem. [A vista é a da margem esquerda do estuário do Tejo, e da pista da base aérea do Montigo, com a serra da Arrábida ao fundo...] (LG).

É bom fazer )e saber) lembrar, reviver... Parabéns, por teres chegado até aqui!.. 50 anos éum bº redondo!...

Um. beijinho para a Manela... A tua sogra era uma mulher avisada... e o "respeitinho" naquele tempo era muito bonito...

Um abração, Luis

Anónimo disse...

Magnifica partilha. Parabens e obrigado. IC

Tabanca Grande disse...

Virgílio, acho que a tua família foi mesmo uma ternura... Vir do Porto a Lisboa esperar o filho era uma "estirada" de mais de 300 km, na estrada nacional nº 1, passando por mil e uma povoações...

Eram horas e horas, pelo menos 10 anos depois... É verdade que em 1968 ainda havia poucos carros em circulação... E eu só comecei a ir ao Porto em 1975... sempre uma paragem "técnica" em Leiria, para almoçar...

O avião deve ter chegado de manhã, depois vocês foram nas calmas, passando por Fátima, Alcobaça, Nazaré onde molharam o pézinho e almoçaram... "Rezar, comer e amar", que bebo programa de férias!...

Alguns vão dizer (ou, melhor, pensar): "Sortudo!"... É verdade, tu, eu e aqueles de nós que pudemos darm-nos ao luxo de vir de férias, pelo menos uma vez (como foi o meu caso), fomos uns "sortudos"... A maior parte dos nossos camaradas, sobretudo os soldados, não podiam gastar seis meses do pré num bilhete de avião, de ida e volta, que custava 6 contos...

Lembro-me de ter chegado ao aeroporto de Lisboa, já ao fim da tarde ou à noite... Peguei num táxi e fiz 70 km para chegar a casa... Não avisei ninguém, foi uma surpresa... Nesse tempo, não se contavam os tostões nem havia telefones... Mas não tenho boas recordações, como as tuas, das minhas férias da guerra... Andava destroçado, e a minha cabeça não estava em lado nenhum...

Estes pequenos momentos, mais alegres ou mais tristes, da nossa "pequena história" também fazem parte da nossa "grande história"... E ninguém, a começar pelos historiadores que contam a história, nos podem roubá-los... É por isso que no nosso blogue ninguém é juiz de ninguém...

Um xicoração, Virgílio.

Anónimo disse...

Luís obrigado pelos comentários e a atenção dada ao meu pedido.
Havia respeitinho sim, hoje nem comento.

O anónimo atrás IC quem será?

De qualquer modo obrigado também.

Ab, Virgilio Teixeira

Anónimo disse...

Virgílio Teixeira
28 jun 2018 10h36

Já vi o Poste e está bem. Obrigado pelos comentários.

A minha sogra era uma mulher de outras gerações (...), só tinha aquela filha!

Foto 5> Eu não consegui identificar esta foto, como muitas outras que tenho e bem bonitas, eu dei a minha ideia sem saber, eu estava pela primeira vez na vida a sobrevoar Lisboa, por isso até agradeço que mandes para o Poste estas mensagens, para ver se alguém identifica melhor.

Também pensei naquela que me pareceu ou uma estrada em abertura ou até pensei ser a pista da Portela, como disse não conhecia nada dessas zonas e de vista aérea muito menos. E nas muitas vezes que já aterrei em Lisboa, quase não consigo identificar nada a não ser a Ponte. Eu não conhecia sequer a Portela, pois quando embarquei em 20Set67 foi em Figo Maduro, e o DC6 da Douglas foi logo em linha recta para Sul, não fiquei a saber nada, além disso era o meu baptismo de voo, e a minha disposição interior não era a melhor, como é óbvio, estava mais a pensar para trás. (...)

Obrigado,

Um abraço, Virgilio

Tabanca Grande disse...

Virgíluio, vendo melhor a foto nº 5 já não me parece ser a pista da base aérea nº 6, no Montijo... Vê aqui esta foto do estuário do Tejo....

http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=AeroportoMontIjoNAO

Valdemar Silva disse...

Vendo bem a foto nº. 5 parece ser a Portela.
A serra que se vê ao longe é a Serra de Sintra e em baixo, junto ao rio, avista-se os depósitos de combustível de Cabo Ruivo e os prédios altos dos Olivais.

Valdemar Queiroz

Tabanca Grande disse...

O anónimo IC... não sei quem seja... Em princípio, as pessoas devem identificar-se... Se for um camarada da Guiné, escuso de lembrar que na Tabanca Grande, neste blogue, toda a gente dá a cara, ninguém se esconde atrás do bagabaga... De qualquer modo, Virgílio, é um simpático comentário, um elogio à tua pessoa, à tua partilha... Mas fica sempre bem pôr o nome por baixo e, se possível, mais algum elemento de identificação... Eu, às vezes, também me esqueço, quando comento como "anónimo" (, quando não não estou com o meu PC, com a minha conta aberta...), e assino apenas LG...

Anónimo disse...

Pois o IC não sei, só por curiosidade. Mas acho que faz um comentário positivo, mas se não o fizesse, também já estou a ficar vacinado.
Está a acabar o dia, é S. Pedro na Povoa de Varzim, embora estou a 4 km, mas não vou meter-me em multidões, depois o trânsito, etc.
O S. João é aqui à porta de casa, não tenho de pegar em carro nem nada, só sair à rua e dar uma volta.
Uma boa continuação,
Virgilio

Anónimo disse...

Virgílio Teixeira

28 jun 2018 12h21

Luís:

Esta viagem dos meus pais e restante família teve de ser feita no dia anterior e ficaram num hotel em Lisboa. Só a viagem simples pela EN1, nesse tempo eram 6,7,8 horas, conforme o trânsito, os acidentes, as paragens comer e beber, também para vomitar, e ir ao WC, era uma aventura.

Certo que tiveram essa gentileza para comigo, mas isto tem outras histórias que agora não vale a pena falar mais nelas. Quando parti, sai de casa no dia 19Set67, os meus pais despediram-se mas nem à porta foram ver-me a ir a pé até ao electrico, depois até São Bento, e Comboio para Lisboa e depois Figo Maduro. Todos os que foram comigo, seriam 7 militares, eu era o único que não tinha lá ninguém, dá para perceber?

Não tenho muito boas recordações disto tudo, mas agora eles já estão do lado de lá, não adianta falar.

Realmente nós somos 5 irmãos: Jorge o mais velho, tem agora 76, está acamado (...); eu tenho 75 anos e vou tendo boa saúde; a minha irmã Cármen terá 73 anos; a Filomena tem a idade da minha mulher, 70 anos. O mais novo o Sérgio que se vê na foto, é bem mais novo, nasceu em 55 tem portanto 62 vais fazer 63. Todos moram no Porto, excepto a Filomena que vive aí em Lisboa, já depois do 25A, no bairro de Campo d'Ourique, com o marido, cruz de guerra em Moçambique, e tem uns 73 anos.

Um abraço,
Virgilio

28 de junho de 2018 às 21:54 Eliminar

Tabanca Grande disse...

Virgílio:

Eu tenho 3 manas, mais novas, a última com 19 anos de diferença... Sou o único rapaz de 4 filhos... Eu devo confessar-te que fui um mau filho e um mau mano, porque não lhes escrevia com a regularidade que eles esperavam e mereciam... E quando escrevia, mandava-lhes uma foto com uma legenda telegráfica, só para fazer "prova de vida"... Sei (soube mais tarde...) que rezavam o terço todos os dias por mim... Ainda hoje me sinto um pouco culpado quando penso nisso... Um gajo na guerra, com 22 ou 23 anos, torna-se um "bicho", um "egocêntrico", um "antissocial"...

A história que contas dos teus pais, que não vieram à rua despedir-se de ti... não é única. Muitos camaradas já contaram histórias semelhantes, alguns nem sequer quiseram despedir-se dos pais com medo de lhes quebrar o coração... Acho que era uma estratégia nossa, de parte a parte, para nos poupar, a todos, as emoções fortes de uma despedida para a guerra... Há pessoas (a começar pelos homens...) que não aguentam emoções fortes... O problema é que os nossos pais nos amavam demais... e tinham medo que o "coração rebentasse" na hora da despedida...

Assisti, na minha infância, a uma cena lancinante da despedida de um filho de uma vizinha, que foi para a Índia em meados dos anos 50... Estas cenas repetiram-se, no nosso país, ao longo de séculos.... É preciso pôr-nos hoje no papel dos nossos pais... Eles, sim, foram uma geração de heróis e heroínas... E depois lembra-te... "um homem não chora"!... Também não me lembro de me ter despedido dos meus pais... É cruel, mas é verdade...

Valdemar Silva disse...

Ao contrário, os pais, outros familiares e as esposas quando se despediam no
Cais de Alcântara ficavam ainda mais transtornados.
Todas as despedidas de quem vai para a guerra são comoventes.
Eu e muitos outros milhares não esqueceremos os momentos dramáticos da partida da
tropa para a guerra. O choro da mulheres, principalmente das mães, começava muito
antes da partida, depois com os soldados a embarcar começavam os gritos lancinantes
e os lenços do adeus com o navio a afastar-se ao som do Hino Nacional.
Muitos de nós ficamos por algum tempo paralisados… adeus ao Cais de Alcântara.
Inesquecível.

Valdemar Queiroz

Anónimo disse...

Luís, o que contas até pode ser verdade e ter sentido algum. Viviamos uma época muito complicada a todos os níveis, eu tinha como parentes militares, depois os namoradas das irmãs também milicianos e lá foram para África, pode parecer que isto já era uma rotina... uma fatalidade. Mas eu tenho muito mais para vos contar, só que não é aqui neste blogue que o farei, talvez um dia como um tema 'confidências'.
Mas para levantar um pouco o véu, este nó na garganta que sinto agora mesmo, eu contei neste blogue 'como consegui chegar a oficial miliciano'. Isso é apenas uma parte do muito que tenho escrito no livro 'A minha Vida'. Mas a verdade é que os meus pais - que Deus me perdoe - gostariam de ver esta minha carreira com o nome do seu filho 'Jorge' não o Virgilio! E fico por aqui.
Os homens não choram! É mentira, Eu ao ler estes comentários já estou com a lágrima no olho, é a minha sensibilidade, a minha angustia, mágoa, sei lá...
É verdade que o meu pai quando foi para a India em 1955 - esse teu vizinho pode ter ido no mesmo navio que o meu pai, o Quanza - também não se despediu de ninguém, pelo menos de mim não me lembro. A seguir o meu irmão foi também para a India em 60, e acho que ninguém se foi despedir dele, não havia este hábito, a guerra não tinha ainda começado.
(continua) ...

Anónimo disse...

... (continuação) ....
Depois de regressar da India, ele foi para Angola em 64, e eu fui despedir-me dele, fui até ao Cais de Alcântara, e assisti a esse cenário que todos já conhecem - os da nossa geração. Mas os pais não foram. Não me perguntem porquê, sei lá talvez caia neste complexo mundo de despedidas e barcos a partirem com soldados para a guerra. Eu não tive essa oportunidade de estar presente numa despedida destas, pois como já disse, fomos 7 no avião militar e só lá estavam uma dúzia de pessoas, mas eu estava sozinho.
Quando o meu pai partiu para Moçambique, em 69 eu ainda não tinha chegado da Guiné, e quando cheguei não tinha cá os pais, nem dois irmãos, esses das fotos. Estivemos separados portanto desde 68 até 72 são 5 anos, eu quase não tinha família junta.
Eu nunca tive uma boa relação com a minha família de criação. Eu era diferente, e já disse e repito que cabe aqui, custe o que custar, um pouquito de inveja, eu não era o filho e irmão amado.

Para o Valdemar Silva, essa descrição está uma realidade pura, só quem passou por isso sabe dar o valor, e depois há gente de muitas e variadas sensibilidades, que cabem também aqui.

Adeus e até o meu regresso...

Virgílio,

É claro que outros têm a sua história, mais dramática do que a dos outros.
Eu a partir de 1955 quase deixei de ter um ambiente familiar, pois passei a ser muito independente, e isso criou fricções de toda a ordem. Por isso eu tenho a minha opinião que já está escrita e não vou emendar nada, fica comigo e ponto.