sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Guiné 61/74 - P22840: Depois de Canchungo, Mansoa e Cufar, 1972/74: No Espelho do Mundo (António Graça de Abreu) - Parte XXIII: Atenas, Grécia, 2010







Grécia, Antenas, 2010

Fotos (e legenda): © António Graça de Abreu (2021) Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
 


1. Continuação da série "Depois de Canchungo, Mansoa e Cufar, 1972/74: No Espelho do Mundo" (*), da autoria de António Graca de Abreu [, ex-alf mil, CAOP1, Canchungo, Mansoa e Cufar, 1972/74. Texto e fotos recebidos em 27 de setembro  último.

Escritor e docente universitário, sinólogo (especialista em língua, literatura e história da China); natural do Porto, vive em Cascais; é autor de mais de 20 títulos, entre eles, "Diário da Guiné: Lama, Sangue e Água Pura" (Lisboa: Guerra & Paz Editores, 2007, 220 pp); "globetrotter", viajante compulsivo com duas voltas ao mundo, em cruzeiros. É membro da nossa Tabanca Grande desde 2007, tem já perto de 300 referências no blogue.


Atenas, Grécia, 2010


Na capital da pequena/grande Grécia, tentando desvendar esplendores do passado. Com o olhar, ouvir o testemunho de pedras com voz.

Em 2010, a Acrópole em obras, são vinte e cinco séculos de História levantada, esboroada no tempo. No Parténon, conto quarenta e seis colunas sustentando o azul do céu. Frisos depurados em queda, a memória de Fídias, o escultor, transformando o mármore em divindades perfeitas. As cariátades, damas como colunas segurando com a cabeça telhados de alabastro.

Aristóteles, Platão, Sócrates, a democracia, o governo pelo povo, excluindo parte do povo. Quase nada sei. Dos velhos deuses gregos sei que sei ainda menos. Infindáveis parentelas entre as divindades, exemplos de sinuosas e nem sempre edificantes vidas, mitologias de estranha exegese. Muitos destes deuses viajaram para Roma e mudaram de nome. Vénus é a Afrodite grega, que nasceu e cresceu nos arredores da velhíssima Atenas, contemplando o Olimpo. Amamentava o filho Eros, o Cupido romano, desenlaçava um cinto mágico, era esbelta e vingativa. O sinuoso enamoramento do mundo.

Passeio no coração da cidade moderna. Um Stadium, cópia do mesmo de outras eras, algumas igrejas ortodoxas, tudo de passagem. Nossa Senhora, grave e recatada, mais a solenidade faiscante de Jesus e os dourados de Deus, ao modo helénico.

Os guardas do Parlamento, na Praça Syntagma, usam indumentárias estranhas, gorros vermelhos, saias plissadas, meias altas de lã, pompons negros nos sapatos. Desconfio do zelo destes homens.

Bebo um cálice de ouzo, anisado grego para perfumar o sangue. Caminho ao acaso com sandálias de corda. Em Atenas, perto do mar, a sede dos dias, o descambar de utopias face à realidade, apenas o conforto de estar.

António Graça de Abreu
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2 comentários:

Tabanca Grande Luís Graça disse...

A última foto a contar de cim, é junto ao túmulo do Soldado Desconhecido frente à sede do Parlamento Grego, na Praça Sintagma. Os "evzones", soldados da Guarda Presidencial trajados com fardas históricas, fazem a guarda. O monumento data de 1932. É formado por um grande nicho onde está um baixo-relevo mostrando uma figura deitada, um soldado grego da Grécia antigua. Ao pé está um altar e em ambos os lados diversas inscrições comemorativas.

https://pt.wikipedia.org/wiki/T%C3%BAmulo_do_Soldado_Desconhecido_(Atenas)

Tabanca Grande Luís Graça disse...

A praça Sintagma (em grego: Πλατεία Συντάγματος, Platía Sindágmatos, que significa Praça da Constituição) é uma das principais praças da capital da Grécia.

Recebeu o seu nome depois da Constituição que o rei Oto I da Grécia foi forçado a aceitar depois da rebelião militar de 3 de Setembro de 1843.

O túmulo do soldado desconhecido da Grécia e o Parlamento Helénico localizam-se nesta praça.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Pra%C3%A7a_Sintagma