
Guiné > s/l > s/d (c. 1968/70) > Algures sob os céus da Guiné, aos comandos de um AL III, o nosso camarada Jorge Félix (ex-alf mil pil, AL III, Esq 122, BA 12, Bissalanca, 1968/70; frequentou o 1º curso de pilotos de helicóptero, em Tancos, em 1967, aberto a milicianos... Entre os colegas de curso, estava o Duarte Nuno de Bragança.
Guiné > s/l > s/d (c. 1968/70) > O Com-chefe António Spínola, numa das viagens a bordo do helicóptero do Jorge Félix. Dizia-se que este era um dos pilotos preferidos do nosso comandante.
A caderneta de voo do Jorge Félix, onde consta a operação em que foi capturado o prisioneiro a que se refere esta história (Op Nada Consta, 18 de agosto de 1969)
Fotos (e legendas): © Jorge Félix (2008). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
Fotos (e legendas): © Jorge Félix (2008). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Carta de Duas Fontes (Bengacia) (1959) / Escala 1/50 mil > Posição relativa de Galomaro, onde ocorreu a história do Malan Mané, capturado pelos páras (BCP 12) (Op Nada Consta, 18 de agosto de 1969)... O PAIGC tinha uma "barraca" na mata próxima da bolanha do Rio Biesse (a vermelho). O Jorge Félix sinalizou duas povoações, a azul: Dulo Gengéle e Sinchã Lomá, a sudoeste de Galomaro.
Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)
Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Sector L1 > Mansambo > CART 2339 (1968/69) > "Interrogatório" /que mais parece um exame oral da 3ª classe no Posto Esacolar Militar...) ao prisioneiro, Malan Mané (sentado, à esquerda). Quem preside ao ato é o nosso saudoso alf mil at art Torcato Mendonça (1944-2021) (à direita), visivelmente bem disposto tal como o militar guineense que faz de intérprete (de pé, ao centro). Assistem à cena 3 "viriatos" da CART 2339... O seu olhar é de espanto e curiosidade... A foto foi tirada pelo alf mil Cardoso, e chegou-nos à mão através do ex-fur mil Carlos Marques dos Santos, de Coimbra (1943-2019). "Pela disposição dos presentes é fácil imaginar a brutalidade do interrogatório. O militar das patilhas sou eu, na escrita, Torcato Mendonça"
Foto (e legenda): © Carlos Marques dos Santos (2006) Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
1. Recuperamos e reeditamos uma mensagem e uma história do Rui Felício (1944-2026) (*), ex- alf mil at inf, CCAÇ 2405 (Galomaro e Dulombi, 1968/70), autor da série "Estórias de Dulombi", e recentemente falecido:Data - 12 de março de 2008:
Meu Caro Amigo Luís Graça,
Depois de vários anos sem notícias do Jorge Félix (**), tive a felicidade de o reencontrar há dias através de e-mail que ele me enviou.
Soube do meu endereço, por meio do nosso blogue, que ele tem lido...
Relembrou-me uma história curiosa que se passou em Galomaro numa operação militar em que ele esteve envolvido e da qual resultou um prisioneiro do PAIGC que pernoitou na sede da CCAÇ 2405.
É essa história que, no seguimento de outras anteriores te tenho enviado, que agora te peço que tenhas o incómodo de ler e decidir se lhe achas interesse para publicação no blogue.
Além da história propriamente dita, juntei-lhe algumas fotos cedidas pelo Jorge Felix, cuja publicação autorizou, bem como do endereço de um filme do YouTube.
Aceita os meus melhores cumprimentos, depois de tão longa ausência e os parabéns renovados pelo esforço que tens dedicado ao blogue que de muita utilidade tem sido para tantos de nós.
2. Série Humor de Caserna
Meu Caro Amigo Luís Graça,
Depois de vários anos sem notícias do Jorge Félix (**), tive a felicidade de o reencontrar há dias através de e-mail que ele me enviou.
Soube do meu endereço, por meio do nosso blogue, que ele tem lido...
Relembrou-me uma história curiosa que se passou em Galomaro numa operação militar em que ele esteve envolvido e da qual resultou um prisioneiro do PAIGC que pernoitou na sede da CCAÇ 2405.
É essa história que, no seguimento de outras anteriores te tenho enviado, que agora te peço que tenhas o incómodo de ler e decidir se lhe achas interesse para publicação no blogue.
Além da história propriamente dita, juntei-lhe algumas fotos cedidas pelo Jorge Felix, cuja publicação autorizou, bem como do endereço de um filme do YouTube.
Aceita os meus melhores cumprimentos, depois de tão longa ausência e os parabéns renovados pelo esforço que tens dedicado ao blogue que de muita utilidade tem sido para tantos de nós.
2. Série Humor de Caserna
O Piloto de Al III, Jorge Félix, e o prisioneiro Malan Mané
por Rui Felício (1944-2026)
(i) Preâmbulo
Durante cerca de 3 semanas estacionou na sede da nossa CCAÇ 2405, em Galomaro / COP 7, uma companhia de paraquedistas (aliás, duas, CCP 122 e 123 / BCP 12), para fazer limpeza de alguns objectivos do PAIGC, que as informações militares detectaram nas imediações da zona operacional da CCAÇ 2405.
No apoio a essa Companhia de paraquedistas, incluía-se o helicóptero pilotado pelo meu grande amigo alferes mil piloto Jorge Félix.
O episódio que vou contar poderia ter resultado em catástrofe, como mais adiante se compreenderá, mas o que permanece na memória, é de facto a situação picaresca que, passado o perigo, a seguir se desenvolveu.
Antes do relato dos factos, é importante dar a conhecer a personalidade do Jorge Félix. Sem ela, esta história não teria o sal e a pimenta que a maneira de ser dele lhe conferem.
(ii) A personalidade do Jorge Félix
O Jorge Félix, a quem ainda hoje me ligam laços de grande amizade, foi piloto de helicópteros da Força Aérea em Bissalanca, BA 12, nos anos de 1968 a 1970.
Para além do seu elevado profissionalismo, capacidade técnica e conhecimento do território, que o tornaram, na opinião generalizada, como um dos melhores, senão o melhor piloto de helicópteros que terão passado pela guerra da Guiné, reunia e ainda reúne, invulgares qualidades difíceis de encontrar todas concentradas numa mesma pessoa.
Aquelas que mais apreciei foram e ainda são, apesar dos anos passados;
- um apurado sentido de humor;
- uma jovial e permanente boa disposição que alastrava a quantos o rodeavam;
- um permanente lenço de seda colorido em volta do pescoço que era a sua imagem de marca;
- e uma aptidão especial para rapidamente aprender a dominar as técnicas das mais variadas especialidades.
(iii) A Op Nada Consta (18 de agosto de 1969: destruir um acampamento nas matas do Rio Biesse)
Mas vamos à história de cuja parte final fui testemunha.
A parte inicial foi-me descrita pelo próprio Jorge Felix e confirmada pelos paraquedistas intervenientes.
Em 18 de agosto de 1969, às 09h30, o Jorge Félix transportou no seu helicóptero um grupo de paraquedistas que iam fazer um assalto, a uma base do PAIGC, identificada pelos serviços de informações militares da Guiné, como estando localizada na região de Galomaro.
Ao procurar local para a aterragem perto do objectivo, em plena mata, o Jorge Felix foi descendo o helicóptero e, a uns 5 metros do chão, a deslocação de ar provocada pelo movimento das pás do aparelho, afastou uma série de ramos de arbustos deixando a descoberto um guerrilheiro do PAIGC que ali se havia emboscado.
O homem estava armado com um RPG7, e a granada colocada, apontando para o helicóptero, o que naturalmente deixou em pânico o piloto e os tripulantes.
Na verdade, se o gatilho tivesse sido premido, era o destruição do helicóptero e de algumas vidas, senão todas, daqueles que o tripulavam.
O Jorge Félix que foi quem primeiro avistou o guerrilheiro, gritou aos paraquedistas que de imediato saltaram do heli e aprisionaram o homem sem necessidade de dispararem um único tiro, desarmando-o acto contínuo.
Pelos vistos, o susto e a surpresa dele foram tão grandes, ao avistar inesperadamente o helicóptero sobre a sua cabeça, que lhe devem ter paralisado os movimentos e o raciocínio... para sorte dos militares que enchiam o aparelho...
(iv) O regresso a Galomaro
E a partir daqui já fui testemunha ocular...
Regressados a Galomaro, o prisioneiro (4) foi fechado numa sala da casa onde funcionava a secretaria da CCAÇ 2405, aguardando ali que lhe fosse dado o destino que os altos comandos de Bissau lhe determinassem.
Como nunca antes na CCAÇ 2405 tivéssemos feito prisioneiros, aquele homem mais parecia uma ave rara enjaulada em jardim zoológico em dia de grande afluência de visitantes.
Todos queriam vê-lo e o seu aspecto era o de um animal acossado e aterrorizado, certamente porque a propaganda que lhe tinham enfiado no cérebro, lhe fixara a ideia de que os soldados colonialistas haviam de o torturar até à morte...
A verdade é que ninguém lhe fez mal... Pelo contrário, vendo-o assim aterrorizado, procurámos tranquilizá-lo e dar-lhe de comer, o que foi sempre recusando, possivelmente porque pensava que a comida estaria envenenada.
Assisti a dada altura, a um diálogo que jamais esquecerei e que não resisto a tentar reproduzir tanto quanto a memória mo permita, passados já tantos anos.
(v) A conversa do Jorge Félix com o prisioneiro
O Jorge Felix entrou na sala, onde eu me encontrava com o prisioneiro e com mais um ou dois soldados, com o lenço de seda esvoaçando, o habitual ar sorridente e descontraído, e dirigiu-se cordatamente ao prisioneiro:
− Então como vai, meu amigo? Está tudo bem consigo?
O prisioneiro, consciente de que aquele piloto tinha todas as razões do mundo para se sentir revoltado pelo sucedido uma ou duas horas antes, encolheu-se receoso e ficou, tenso e em silêncio, esperando a vingança...
O Jorge Félix, insistiu:
− O senhor é casado?
O homem fez um sinal de assentimento com a cabeça, e o Jorge Felix prosseguiu:
O homem fez um sinal de assentimento com a cabeça, e o Jorge Felix prosseguiu:
− Pois é, a sua esposa lá em casa a remendar-lhe as peúgas, coitada, e o senhor anda para aqui a brincar às guerras... E tem filhos?
Mais um movimento afirmativo do prisioneiro incentivou o Jorge Felix a prosseguir:
− Sabe, o senhor parece ser uma pessoa de bem, por isso devia estar em casa a ajudar a sua esposa, a acompanhar os estudos dos seus filhos... Em lugar disso, anda por aí com uma arma daquelas nas mãos, sujeito a que ela se dispare sem querer e ainda vir a magoar alguém, ou magoar-se a si próprio... Já viu em que situação a sua família ficaria se o senhor viesse a sofrer algum acidente? Quem iria depois cuidar deles? Já pensou nisso?
O homem cada vez entendia menos daquela conversa mansa, daqueles conselhos simpáticos vindos de um oficial português que se habituara a considerar como seres desumanos e cruéis.
Quanto mais o Félix falava, mais ele se encolhia, sentado a um canto contra a parede, se calhar a pensar em que momento lhe iriam fazer mal...
O Félix não desistia da sua prelecção, tentando que o prisioneiro se descontraísse e estabelecesse com ele algum diálogo.
− Ora diga-me lá, o senhor estava com aquela perigosa arma nas mãos, para quê? Se era para disparar uma bazucada contra nós, porque não o fez?
Finalmente o prisioneiro sentiu-se na obrigação de responder:
− Porqui tem medo! Helicóptero é suma mosca... quando olha a gente nunca mais despega di nós...
O Jorge Felix ripostou de imediato:
− Isso é verdade! Mas nunca faríamos mal a uma pessoa como o senhor, que tem família constituída, que aparenta ser uma pessoa de bem... E porque é que não quer comer?... Sabe que tem que se alimentar para poder dar assistência aos seus filhos... A menos que não lhe agrade a comida... Realmente esse esparquete que lhe deram, não tem grande aspecto... E os olhos também comem, não é? Quer vir jantar fora comigo? Um frango de churrasco e umas cervejolas? Eu pago!
Brincando ou não, a verdade é que com toda esta conversa o Félix conseguiu que a tensão do prisioneiro se distendesse e, inacreditavelmente, este aceitou o convite!
O Felix, saiu para pedir autorização aos paraquedistas para levar o homem a comer um franguinho no restaurante do Regala, o único aliás que existia em Galomaro. Estes autorizaram desde que o prisioneiro fosse acompanhado por um soldado, para se garantir que não fugiria...
E foi assim que o Jorge Felix, à falta de melhor companhia, saiu para a night de Galomaro com o novo amigo conquistado às hostes do PAIGC que poucas horas antes podia tê-lo mandado para os anjinhos...
E jantaram juntos... E trocaram confidências que só o Felix poderá revelar...
O Jorge Félix pagou o jantar, como prometera! Com exclusivo recurso aos seus capitais próprios.
É uma divida que, segundo me disse, gostaria de lhe cobrar se o homem ainda estiver vivo e se lhe for possível reencontrá-lo.
Anexo três fotos que o Félix me enviou.
Rui Felício
Ex-alf mil inf, CCAÇ 2405 (Galomaro e Dulombi, 1968/70)
Lisboa, 11 de Março de 2008
(Revisão / fixação de texto, título: LG)
3. Comentário do editor LG:
Meus amigos e camaradas:
É uma história a ler e reler. Uma daquelas de partir o coco a rir... Não me canso de a revisitar (***). E o mérito é tanto do narrador como do Jorge Félix e, de algum modo, do pobre Malan Mané que, três semanas depois, ia morrendo ao meu lado, um jovem a quem deram uma bandeira, um hino, um RPG 2, enfim, uma causa para lutar, viver e morrer. (Era biafada, da região de Quínara, tal como o seu comandante, o Mamadu Indjai, futuro carrasco de Amílcar Cabral, e que morrerá a seguir, em 1973, fuzilado sem honra nem glória, no ajuste de contas entre "cavalos" e "cavaleiros" do PAIGC).
O Malan Mané era apontador de RPG 2 (e não 7), se bem me lembro. Foi, de facto, capturado pelos paraquedistas do BCP 12, em operação conjunta do Sector L1 (BCAÇ 28252, Bambadinca, 1968/70) e COP 7 (Bafatá) (Op Nada Consta, 18 de Agoso de 1969) (em que também participei, tal como o Torcato Mendonça e o Carlos Marques dos Santos) (****) ...
As forças paraquedistas eram a CCP 123, a 2 Gr Comb, e a CCP 122, a 1 Gr Comb. Ambas as unidades estavam aquarteladas temporariamente em Galomaro. O Malan Mané, depois de Galomaro, foi levado para Bambadinca, para interrogatórios. Também esteve em Mansambo. Estava ao meu lado, no 2º Gr Comb, CCAÇ 2590 / CCAÇ 12, que gravemente ferido (Op Pato Rufia, no Xime, a 7 de Setembro de 1969, o "meu batismo de fogo").
Esta história, "escrita" a quatro mãos" (Rui Felício e Jorge Félix), é um tesouro de humanidade, sensibilidade, inteligência emocional e humor pícaro no meio daquela merda de guerra. Bem merecia mais comentários dos nossos leitores, cada vez mais cansados e distraídos.
É uma história a ler e reler. Uma daquelas de partir o coco a rir... Não me canso de a revisitar (***). E o mérito é tanto do narrador como do Jorge Félix e, de algum modo, do pobre Malan Mané que, três semanas depois, ia morrendo ao meu lado, um jovem a quem deram uma bandeira, um hino, um RPG 2, enfim, uma causa para lutar, viver e morrer. (Era biafada, da região de Quínara, tal como o seu comandante, o Mamadu Indjai, futuro carrasco de Amílcar Cabral, e que morrerá a seguir, em 1973, fuzilado sem honra nem glória, no ajuste de contas entre "cavalos" e "cavaleiros" do PAIGC).
O Malan Mané era apontador de RPG 2 (e não 7), se bem me lembro. Foi, de facto, capturado pelos paraquedistas do BCP 12, em operação conjunta do Sector L1 (BCAÇ 28252, Bambadinca, 1968/70) e COP 7 (Bafatá) (Op Nada Consta, 18 de Agoso de 1969) (em que também participei, tal como o Torcato Mendonça e o Carlos Marques dos Santos) (****) ...
As forças paraquedistas eram a CCP 123, a 2 Gr Comb, e a CCP 122, a 1 Gr Comb. Ambas as unidades estavam aquarteladas temporariamente em Galomaro. O Malan Mané, depois de Galomaro, foi levado para Bambadinca, para interrogatórios. Também esteve em Mansambo. Estava ao meu lado, no 2º Gr Comb, CCAÇ 2590 / CCAÇ 12, que gravemente ferido (Op Pato Rufia, no Xime, a 7 de Setembro de 1969, o "meu batismo de fogo").
Esta história, "escrita" a quatro mãos" (Rui Felício e Jorge Félix), é um tesouro de humanidade, sensibilidade, inteligência emocional e humor pícaro no meio daquela merda de guerra. Bem merecia mais comentários dos nossos leitores, cada vez mais cansados e distraídos.
É uma história que nos honra e nos delicia, e que diz muito sobre a nossa maneira de ser e de estar, como portugueses, mesmo em situações-limite como a guerra... Voltaremos a ela num próximo poste da série "Nomadizações de um marginal-secante".
_______________
Notas do editor LG:
(*) O Rui Felício (1944-2026), juntamente com o Paulo Raposo, o Victor David (1944-2024) e o Jorge Rijo (de quem não sabemos nada há muito), fazia parte dos famosos baixinhos de Dulombi, os quatro alferes milicianos da CCAÇ 2405 / BCAÇ 2852 (Galomaro e Dulombi, 1968/70), reunidos sob o poilão da Tabanca Grande...
Vd. poste de 8 de Dezembro de 2006 > Guiné 63/74 - P1352: Estórias de Dulombi (7): Perigos vários, a divisa dos Baixinhos de Dulombi (Rui Felício)
(**) Vd. postes de:
28 de Fevereiro de 2008 > Guiné 63/74 - P2592: Voando sob os céus de Bambadinca, na Op Lança Afiada, em Março de 1969 (Jorge Félix, ex-Alf Pil Av Al III)
12 de Março de 2008 > Guiné 63/74 - P2627: Vídeos da Guerra (8): Nha Bolanha (Jorge Félix, ex-Alf Mil Piloto Aviador, 1968/70)
18 de Março de 2008 > Guiné 63/74 - P2660: Notas de leitura (10): Jorge Félix, o nosso piloto aviador, fala do livro do Beja Santos e evoca o Alf Mil Brandão (CCAÇ 2403)
(***) Último poste da série : 4 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27793: Humor de caserna (242): "Está a ver, meu alferes ? Era melhor ter limpado o sebo ao gajo" (Alberto Branquinho, "Cambança Final, 2013, pp. 77-79)
(****) Vd. postes de:
25 de Junho de 2006 > Guiné 63/74 - P906: CART 2339 e Malan Mané, duas estórias para duas fotos (Torcato Mendonça)
23 de setembro de 2016 > Guiné 63/74 - P16519: Manuscrito(s) (Luís Graça) (97): O 'prisioneiro' Malan Mané... a quem cedo, talvez demasiado cedo, deram um arma e uma bandeira e um hino
Notas do editor LG:
(*) O Rui Felício (1944-2026), juntamente com o Paulo Raposo, o Victor David (1944-2024) e o Jorge Rijo (de quem não sabemos nada há muito), fazia parte dos famosos baixinhos de Dulombi, os quatro alferes milicianos da CCAÇ 2405 / BCAÇ 2852 (Galomaro e Dulombi, 1968/70), reunidos sob o poilão da Tabanca Grande...
Vd. poste de 8 de Dezembro de 2006 > Guiné 63/74 - P1352: Estórias de Dulombi (7): Perigos vários, a divisa dos Baixinhos de Dulombi (Rui Felício)
(**) Vd. postes de:
28 de Fevereiro de 2008 > Guiné 63/74 - P2592: Voando sob os céus de Bambadinca, na Op Lança Afiada, em Março de 1969 (Jorge Félix, ex-Alf Pil Av Al III)
12 de Março de 2008 > Guiné 63/74 - P2627: Vídeos da Guerra (8): Nha Bolanha (Jorge Félix, ex-Alf Mil Piloto Aviador, 1968/70)
18 de Março de 2008 > Guiné 63/74 - P2660: Notas de leitura (10): Jorge Félix, o nosso piloto aviador, fala do livro do Beja Santos e evoca o Alf Mil Brandão (CCAÇ 2403)
(***) Último poste da série : 4 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27793: Humor de caserna (242): "Está a ver, meu alferes ? Era melhor ter limpado o sebo ao gajo" (Alberto Branquinho, "Cambança Final, 2013, pp. 77-79)
(****) Vd. postes de:
25 de Junho de 2006 > Guiné 63/74 - P906: CART 2339 e Malan Mané, duas estórias para duas fotos (Torcato Mendonça)
23 de setembro de 2016 > Guiné 63/74 - P16519: Manuscrito(s) (Luís Graça) (97): O 'prisioneiro' Malan Mané... a quem cedo, talvez demasiado cedo, deram um arma e uma bandeira e um hino

10 comentários:
Muito Português percebia o Malan Mane
Muito Português percebia o Malan Mane
Caro Luís Graça,
É sem dúvida, como dizes “ uma história que nos honra e nos delicia, “. E me faz pensar. Primeiro porque esta guerra nunca precisava de ter existido, tivera a nossa mentalidade sido outra desde o início das nossas viagens de exploração, tratando os territórios descobertos ( colónias ) com o devido respeito, preparando e dando educação aos novos povos que iam aparecendo!.
Já imaginaste o mundo diferente que hoje seria ? Mas concedendo que (apesar da afirmação de que a finalidade das explorações eram de "estender a fé e o império") e as viagens nos primeiros séculos tivessem resultado em exageros e explorações… quando Salazar tomou as rédeas do país , ele que era ( se dizia ) profundamente cristão/católico,… ele que tinha tido uma preparação esmerada e portanto com obrigação de saber o que estava a fazer, não devia ter providenciado uma viragem completa não só no nosso Portugal, --com a criação de escolas/educação para todos, construção de estradas e infra-estruturas etc mas também nas (ainda) colónias, futuras províncias ultramarinas? Concedendo ainda que não lhe tivesse sido possível fazer uma viragem imediata quando tomou o poder: quando começou o movimento de emancipação nas colónias dos outros países, ele, como homem inteligente que era, devia ter-se apercebido que se queria conservar as tais províncias ultramarinas devia, embora tarde, começar a dar-lhes essa tardia educação e tratar os seus habitantes como portugueses? E quando começaram os primeiros indícios de descontentamento, porque não aceitar diálogo e conversações em vez de imposições baseadas em força bruta, que foi a estúpida guerra que se seguiu ?
Eu sei que até deve parecer idiótico o que acabo de dizer, mas não posso deixar de pensar que o mundo de hoje seria bem diferente se os homens se tivessem guiado pelos princípios humanos e cristãos que apregoavam em vez de terem dado, não só nas colónias mas também em Portugal e mundo fora, em exploradores sem escrúpulos, onde os valores primeiros (e quase únicos) eram/são o egoísmo descontrolado de ganância e poder?
Desculpa este arrazoado! mas como te queixas e com razão que "Esta história, (…) é um tesouro de humanidade>>> (que) bem merecia mais comentários dos nossos leitores, cada vez mais cansados e distraídos.”... aqui vai o que me veio à minha cuca já velha e cansada.
João Crisóstomo
São questões pertinentes mas,
Quem vive as situações e sofre com elas, está mais bem preparado para as avaliar e sendo assim nada melhor que ler o que José António Saraiva diz sobre Salazar. Filho de um opositor e sobrinho de um apoiante do Regime.
No livro ( a queda de uma cadeira que não existiu) e referindo-se ao fim da 2ª Guerra Mundial, diz ele na pág.247. Marcadas as eleições, Salazar regressara como vimos a Santa Comba. E a depressão não passara. Como todos os deprimidos, Salazar sente que tem o mundo inteiro contra si. Vê-se rodeado de inimigos, interna e externamente. Cá dentro é a oposição, lá fora são as forças antifaxistas triunfantes. Salazar vê-se politicamente cercado. E acha-se injustiçado. Ofende-o a ingratidão de muitos perante os seus esforços para manter o País a salvo. É verdade que o Povo em geral continua a idolatrá-lo , mas quem enche as ruas é a oposição.
Aconselho que leiam as obras deste senhor, para verem que as Elites e o Povo têm objectivos diferentes.
Victor, a "história", com h pequeno, Victor, não a História H grande!... A história do Jorge Félix, que tirou o curso de piloto de helicóptero com o Duarte Nuno de Bragança, "tugas", tudo gente de carne e osso como o biafada Malan Mané que apanhou com um dilagrama nos cornos, ao meu lado... Eu tive mais sorte do que ele (nem um estilhaço!), e ele mais sorte do que o nosso soldado, fula, que o levava preso por uma corda... Safou-se daquela, em 7 de setembro de 1969, mas já deve ter morrido, pela "ordem natural das coisas" (?) (... que é os guineenses terem menor esperança média de vida do que nós, os da nossa geração... que fez a guerra contra os Malam e os Mané).
Luis, o meu rádio de pilhas estava a ouvir a Rádio Argel.
A verdade vem sempre ao de cima: Quem vive as situações e sofre com elas, está mais bem preparado para as avaliar.
Quer dizer, ou melhor, quere-se dizer...
Mas, afinal, o que é que eu queria dizer?
Ah, já me recordo. Era o seguinte: - Que eu saiba, o Senhor Presidente do Conselho, Professor Doutor António Oliveira Salazar, não tinha "carta de condução" de helicópteros.
PÓIS!
Não é facil encontrar advogados com humor. Normalmente não escrevem assim, porque podem perder clientes.
O Rui Felício era advogado, e tinha pilhas de humor... No que escrevia ou escreveu (no nosso blogue e nbo seu facebook). No dia a dia, não sei, só convivi com ele um dia, no nosso I Encontro Nacional, em 14 de outubro de 2006, na Ameira, Montemor-O-Novo.
O nosso camarada (e colaborador permanente deste blogue), Joaquim Pinto de Carvalho, que é o régulo da divertida Tabanca do Atira-te ao Mar... e Não Tenhas Medo, é advogado (ainda no ativo), cultiva o humor fino, "British" (ou não fosse ele o "Duque do Cadaval"), é um observador atento e irónico, é uma delícia ouvi-lo, nas conversas à mesa, mas não escreve como o Rui Felício, o Alberto Branquinho, o Zé Ferreira ou o nosso impagável "alfero Cabral"... Escreve muito bem mas não exatamente o "humor de caserna"... O Branquinho também é advogado, o Cabral idem aspas, além de professor de direito penal...
Como vês, Vitor, já temos aqui quatro advogados que cultivam o humor (ou cultivavam, no caso do Cabral, infelizmente já falecido).
Luis, obrigado peço esclarecimento.
Os meus parabéns aos ilustres advogados, que dominam o português.
Eu, sou um ignorante a português e por isso mereço ser absolvido.
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