Para nós, "antigos combatentes da Guiné", será sempre o "Caco Baldé", o "nosso general", o "Homem Grande de Bissau", o "Aponta Bruno", o "gajo que os tinha no sítio"...
De facto, fazemos uma distinção do Spínola antes e depois do 25 de Abril... Como se fossem duas figuras completamente distintas... O Spínola carismático, prussiano, populista, reformista, federalista, luso-tropicalista, "pai dos guinéus", que esteve à beira de ganhar a guerra da Guiné (!), e o Spínola desastrado, falhado, impopular, sinistro, do PREC e do exílio...
Por outro lado, há uma diferença entre "anedota" e "piada"...
Facto curioso: já não contamos anedotas do Salazar nem do Marcelo Caetano, quando muito ainda contamos piadas requentadas (como aquela do Salazar que andava sempre com mão esquerda no bolso das calças para manter a dita...dura!).
É certo, também já se passaram mais de 50 anos, o Estado Novo está enterrado (e bem enterrado) mas nem por isso as anedotas do final do regime salazarista deixam de ser fascinantes, davam para fazer uma tese de doutoramento (se a nossa Academia tivesse sentido de humor, que é coisa que não tem)...
Também dizem muito, essas anedotas, sobre as personalidades caricaturadas do regime de então:
- a "astúcia distante, provinciana, beata" de Salazar, o "Botas";
- a "eterna indecisão" de Marcelo Caetano, o professor;
- e, claro, a proverbial falta de perspicácia (real ou inventada pela sátira popular) do Américo Tomás, contra-almiranhte e depois almirante, o "Cabeça de Abóbora", o "Corta-Fitas"...
Aos olhos do Zé Povinho (e na televisão de então, a preto e branco) só aparecia em "inaugurações", a cortar fitas.
Curiosamente, o Marcelo Caetano nunca teve propriamente uma alcunha popular, de traço feio e cru, caricatural: era o senhor professor, o delfim, o continuador, o sorridente... e outros epítetos, mais ou menos neutros.. Mas não sabemos qual o seu cognome que ficará para a História.
Já o "venerando Chefe de Estado" Américo Tomás, o Almirante, tem uma série de anedotas, curtas, mas com pilhéria, muito focadas na sua obsessão em inaugurar tudo o que fosse obra pública ou privado para a qual fosse convidado a cortar a fita.... Daí o cognome "corta-fitas".
Contava-se que o Almirante foi visitar uma escola primária, cujo edifício tinha sido remodelado. A professora, excitadissima, nervosa, apresenta-lhe o melhor aluno da turma, o "Sabe-Tudo". Tomás olha para o menino, faz-lhe uma festa na cabeça e diz:
— Então, meu rapaz, já sabes ler e escrever?
— Saiba V. Excia que sim, senhor, senhor Presidente! — responde a criança, orgulhosa e devidamente industriada pela professora.
O Almirante, tirando uma tesoura do bolso, comenta:
— Muito bem, então vamos lá inaugurar esse caderno escolar que ainda está em branco!
2. Com a ajuda das ferramentas de IA ( que por enquanto ainda são de borla), vamos explorar alguns pontos de vista sobre as anedotas e as piadas que envolvem figuras históricas como o "nosso" general Spínola.
Mas comecemos pela distinção entre a "anedota" e a "piada".
A anedota, em geral:
- é uma pquena história real ou apresentada como real (tem uma base factual ou verosímil);
- é um episódio narrativo;
- é centrada em (ou ligada a) uma pessoa concreta (um general, como o Spínola, ou um político, como o Salazar, ou um escritor como António Lobo Antunes, que é fértil em cenas de cariz sexual);
- pode (ou tende a) ser humorística, visar ou não uma crítica social ou política;
- mas não precisa de "punchline" (em inglês) (final ou clímax engraçado)
- é mais curta e direta, é rápida;
- joga muitas vezes com trocadilhos ou situações engraçadas;
- é uma construção deliberadamente humorística (inventada para provocar riso);
- tem um estrutura de surpresa final ("punchline")
Exemplo típico: “Sabem qual é a diferença entre…?”
Muitas anedotas de caserna, militares, acabam por funcionar como piadas, mas a sua origem costuma ser um episódio real ou verosímil (de tropa ou de guerra).
Em termos latos, uma anedota é um relato breve de um acontecimento curioso, invulgar ou engraçado. No entanto, o seu sentido varia conforme o contexto:
- sentido popular: uma narrativa curta com um final inesperado (o "punchline"), cujo objetivo principal é provocar o riso; é sinónimo de "piada";
- sentido histórico e literário: um episódio particular ou pouco conhecido da vida de uma figura pública que ilustra um traço do seu caráter; aqui, a anedota não tem de ser necessariamente cómica, mas sim reveladora.
3. Origem da palavra anedota
A palavra vem do grego antigo: ἀνέκδοτα (anékdota). Componentes: an- = “não” + ekdotos / ekdidonai = “publicar, dar a público”
Significado literal: “coisas não publicadas” ou “factos inéditos” (que por isso não constam da biografia das figuras públicas...).
O termo ficou famoso no século VI com o historiador bizantino, Procópio de Cesareia, que escreveu um livro chamado Anekdota (que ficou conhecido em latim como "Historia Arcana"ou história secreta, em português).
Nesse livro reuniu episódios íntimos, secretos e escandalosos, sobre o imperador Justiniano I, a imperatriz Teodora e a corte bizantina que obviamente não podiam constar de uma publicação oficial...
Daí o termo "anedota" (facto escondido ou episódio revelador sobre alguém), distinto de "piada" (mecanismo humorístico para provocar o riso).
Quando nós, antigos combatentes, contamos histórias do general Spínola, na verdade estamos a fazer o uso clássico da anedota: pequenos episódios que revelam o carácter dessa figura (que foi nosso comandante-chefe e governador da Guiné) e que descrevem a atmosfera desse tempo.
Talvez valha a pena perguntarmo-nos por que é que a nossa cultura militar (ou castrense) (e muitos nós estiveram lá três ou quatro anos!), produz tantas anedotas sobre os nossos generais (Spínola) e demais oficiais (o Gasparinho, o Onze, o Metro e Meio), mas também sobre camaradas nossos (o Marcelino da Mata, o Piça, básicos, vagomestres, enfermeiros, médicos, capelães...) e até sobre o inimigo (a "Maria Turra", o 'Nino' Vieira). (São alguns exemplos que me ocorrem, e com referências no blogue.)
É material interessante para uma antropossociologia do humor de caserna!
O nosso General teve um pequeno acidente com o seu monóculo, enviou o seu impedido a um oculista da cidade, cuja empregada era familiar do proprietário, natural duma aldeia perto da minha.
Avisado depois de reparado o monóculo, foi ele mesmo levantá-lo com aquele seu ar austero, de camuflado engomado, sempre simpático para com as populações.
No a,to da entrega pergunta-lhe a empregada:
— Senhor Governador, quer que embrulhe ou leva no olho?
— Oh!, menina, dê-me cá o monóculo, que no olho levam vocês!...
A rapariga desmanchou-se a rir quando nos contou!
E um privilégio para nós poder publicar esta anedota que vem de um alentejano, um grão-tabanqueiro, que sabe como é que se conta uma história com sabor a terra e a guerra. Até parece que o Spínola, mesmo no meio daqueles anos todos de conflito, nunca perdeu o jeito para um gracejo que deixava todos a sorrir com o devido respeito (coisa que é diferente de rir até partir... o coco!)
Quem esteve na Guiné sabe que havia, em geral, uma certa cumplicidade entre quem mandava e quem obedecia. Pelo menos ao nível de companhia, 160 homens que eram obrigados a viver, a sobreviver, a lutar, a suportar-se uns aos outros, em condições duras, difíceis, num espaço delimitado por duas fiadas de arame farpado...
E é essa cumplicidade, mesmo que dúbia, que continuamos a celebrar (e cultivar) aqui. Sem qualquer preocupação (muito menos obrigação) com o "politicamente correto". É que o riso também ajudava a humanizar a situação de isolamento, de risco, de guerra, de abandono, em que vivíamos.
Notas do editor LG:
(*) Último poste da série > 12 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27817: Humor de caserna (244): O anedotário da Spinolândia (XVI): o horror à "guerra do ar condicionado"... "Senhores, se têm calor é porque estão vivos, os mortos não transpiram"
(**) Vd. poste de 1 de maio de 2022 > Guiné 61/74 - P23218: Humor de caserna (53): O anedotário da Spinolândia (IV): "quer que embrulhe... ou levo no olho ?" (António Ramalho, ex-fur mil at cav, CCAV 2639, Binar, Bula e Capunga, 1969/71)




9 comentários:
A vacuidade de pensamento do "mais alto magistrado da Nação", repetido tautologicamente "ad nauseam", era uma constante dos "discursos" de Américo Thomaz (1894-1987), último presidente da República (1958-1974), na vigência do Estado Novo...
O Zé Povinho (e não apenas o Zé Vilhena) causticou-o, antes e depois da sua queda política e do seu exílio, com montes de anedotas e piadas...
Convenhamos que "Cabeça de Abóbora" e "Corta-Fitas" não são os melhores cognomes para se figurar na história ao lado dos nosso maiores...
E, no entanto, parece ter sido um bom ministro da marinha (1944-1958), segundo a Wikipedia (que tem uma entrada sobre ele):
(...) "Durante o desempenho de funções como Ministro da Marinha, foi o principal responsável pela elaboração e aplicação do Despacho 100 (de 10 de agosto de 1945), diploma que reestruturou e modernizou a Marinha Mercante portuguesa, permitindo também a constituição da moderna indústria da construção naval no país. Esta ação fez com que, nos meios navais, ao contrário do resto da sociedade portuguesa, o nome do Almirante Américo Thomaz seja, ainda hoje, muito respeitado." (...)
O problema é que o senhor não podia abrir a boca... (Aliás, como muitos outros políticos da nossa praça, de autarcas, deputados, governantes, presidentes da república, reis, rainhas..., ao longo da nossa história.)
Eis algumas das suas melhores frases, que ficam para a posteridade... É uma pequena amostra:
(...) «Comemora-se em todo o país uma promulgação do despacho número Cem da Marinha Mercante Portuguesa, a que foi dado esse número não por acaso mas porque ele vem na sequência de outros noventa e nove anteriores promulgados....»
- in revista Opção, ano II, n.º 30
«...É uma terra [Manteigas] bem interessante, porque estando numa cova está a mais de 700 metros de altitude...»
- in O Século, 1/6/1964
«A minha boa vontade não tem felizmente limites. Só uma coisa não poderei fazer: o impossível. E tenho verdadeiramente pena de ele não estar ao meu alcance.»
- in Diário de Notícias, 23/6/1964
«O Sr. Prof. Oliveira Salazar, ao longo de mais de trinta anos, é uma vida inteiramente sacrificada em proveito do país, e desconhecendo completamente todos os prazeres da vida, é um homem excepcional que não aparece, infelizmente, ao menos, uma vez em cada século, mas aparece raramente ao longo de todos os séculos.»
- in Seara Nova, Maio 1965
«Eu prolongo no tempo esse anseio de V.Ex.ª e permito-me dizer que o meu anseio é maior ainda. Ele consiste em que, mesmo para além da morte, nós possamos viver eternamente na terra portuguesa, porque se nós, para além da morte vivermos sempre sobre a terra portuguesa, isso significa que portugal será eterno, como eterno é o sono da morte.»
- in Diário da Manhã, 14/9/1970
«Pedi desculpa ao Sr. Eng.º Machado Vaz por fazer essa rectificação. Mas não havia razão para o fazer porque, na realidade, o Sr. Eng.º Machado Vaz referiu-se à altura do início do funcionamento dessa barragem e eu referi-me, afinal, à data da inauguração oficial. Ambas as datas estavam certas. E eu peço, agora, desculpa de ter pedido desculpa da outra vez ao Sr.Eng.º machado Vaz.»
- in Seara Nova, Agosto 1972
Fonte: Wikiquote > Américo Tomás (com a devida vénia...)
O carnaval serve para fazer de conta. As pessoas têm curiosidade por assumirem papéis que possam de alguma forma servir para " incomodar " os outros. Camuflado de seda natural, luvas de pelica, pingalim como forma de domínio e monóculo fora do tempo, fizeram do nosso general uma figura ímpar. Tive a oportunidade de com ele trocar meia dúzia de palavras aquando duma visita que ele f z a Cuntima em 1970. Eu regressava duma interdição de 48 horas ao corredor de Sitató e ele estava junto ao abrigo do meu resort de 5 estrelas mais uma.
Grande abraço
Eduardo Estrela
Eduardo Estrela da
António Ramalho e demais amigos e camaradas : há uma diferença entre anedotas e piadas...
E a propósito republicamos uma das melhores anedotas que já lemos sobre o "nosso general Spínola"... Foi recolhida pelo António Ramalho, que a ouviu à menina da loja do oculista de Bissau (não devia haver muitas, mas o Ramalho pode dizer qual foi, satisfazendo a nossa natural curiosidade)..
Merece ser lida ou relida e sobretudo comentada...
Àqueles de vocês que serviram sob as ordens do general António Spínola, no CTIG (meados de 1968 a meados de 1973), peço que façam um esforço de memória e partilhem connosco situações em que estiveram envolvidos ou de que tiveram conhecimento, e que se possam enquadrar na nossa série "Humor de caserna > O anedotário da Spinolândia"...
A Spinolândia é um conceito mais vasto do que a figura de Spínola... Era afinal... todos nós. Toda a Guiné era, afinal, uma anedota pegada...Eu, confesso, que nunca me diverti tanto na minha vida... Afinal, éramos jovens e "tínhamos a vida pela frente"... (Não era isso que nos escreviam nos aerogramas do MNF as nossas namoradas, mulheres, noivas, madrinhas de guerra, pais, amigos, vizinhos, colegas, etc. só para nos encorajar e manter o moral em alta ?!)...
Não direi que o humor é que nos salva... mas ajuda a mantermo-nos à tona de água (ou do petróleo, se rebentarem com as "comportas" do canal do Suez e as "portas" de Gibraltar).
Obrigado, Ramalho, é um privilégio para nós poder publicar esta anedota que vem de ti, um alentejano de Elvas, um grão-tabanqueiro, que sabe como é que se conta uma boa história brejeira onde está lá tudo: a nossa terra, e a nossa guerra...
Quem esteve na Guiné sabe que havia, em geral, uma certa cumplicidade entre quem mandava e quem obedecia. Pelo menos ao nível de companhia, 160 homens que eram obrigados a viver, a sobreviver, a lutar, a suportar-se uns aos outros, em condições duras, difíceis, num espaço delimitado por duas fiadas de arame farpado...
E é essa cumplicidade, mesmo que dúbia, que continuamos a celebrar (e cultivar) aqui, no nosso blogue (que está a caminho dos 20 milhões de visualizações / visitas, e que precisa de ser alimentado todos os dias!). Sem qualquer preocupação (muito menos obrigação) com o "politicamente correto"... É que o riso também ajudava a humanizar a situação de isolamento, de risco, de guerra, de abandono, em que vivíamos. E hoje ajuda-nos a "climatizar" os nossos pesadelos.
Que Deus, Alá e os bons irãs nos protejam e nos tragam bons sonhos. Luís
Não sei porquê, mas as ferramentas de IA que fazem "bonecos" (cada vez mais se fecham em copas, que é para um gajo passar a subscrever o "serviço", afinal não há almoços grátis...), põem o Spínola de bigode e fardado à americana... (Não admira, são todas "made in USA", com exceção da francesa Le Chat | Mistral, que não faz "bonecos", pelo menos na versão gratuita.)
A IA da Gemini / Google, mesmo com a foto do general e a observação de que já lá está há 30 anos no céu dos antigos combatentes (a descansar das centenas de viagens de Heli AL III que fez com os "rapazes" da FAP, a todos os "buracos" da Guiné), recusa-se a fazer-lhe o "retrato" por respeito à figura pública que é ou foi... Ora, da nossa parte, não há nenhum "desrespeito" em relação ao "nosso general"... e muito menos à pátria de todos nós... Esta história foi verídica e é reveladora de uma faceta que humaniza a sua figura...
Ou será que o "pomo da discórdia" é o "olho" ? ...
Anterior à minha chegada ao Saltinho,esteve lá colocado o Alf.Mil.Médico Horta e Vale que vim a conhecer em Bissau.Tinha estórias mirabolantes,e era muito gago.Antes de estar na CCaç 2701 já tinha andado por outras unidades,nomeadamente em zona de Felupes.Contava ele ter perguntado a um ho mem grande daquela etnia:
--Vocês não comem brancos?
--Pessoal não come brancos porque o Spínola tem-os contados.
Isto dito gaguejando,era um coro de gargalhadas.
Dizia ter participado em patrulhamentos.Num deles,num olhar,detetou um IN,G3 à cara,dois tiros na cabeça do gajo,o segundo tiro, no buraco do primeiro.
Uma flagelação de morteiro a um quartel,obrigou o Dr Horta e Vale a correr para o espaldão do morteiro 81...granada preparada, enfiada no tubo,vai rebentar nos cornos
do IN...silêncio,calaram-se.
--Mal amanheceu,fomos ao local de onde partira o ataque...eh pá a granada de 81 que enviei,enfiou-se no tubo do 82 dos turras descascou-o,parecia uma banana.
Pois é, Luís, a IA ainda tem muito que pedalar... Os personagens estão bem longe da realidade e as filacteras (nome erudito dos balões com o texto) estão mal orientados - puseram o General a dizer a frase da empregada...
Mas isto sou eu a rabujar, que gosto dos bonecos certinhos...
Abraço. Miguel Pessoa
Miguel, a IA ainda não chega aos teus calcanhares de cartunista...Tens razão para rabujar. Já corrigi manualmente os erros que apontaste e que me escaparam à primeira...Sou um amador em matéria de BD... Mas, como diz o povo, a cavalo dado não se olha o dente... Com as meninas da IA não tenho muita margem para regatear... Trabalham à borla... Isto é apenas uma biscate para elas... que têm pena dos antigos combatentes, coitadinhos... Mas costumo regatear e até sou capaz de ser malcriado (!), e este boneco não saiu à primeira... Por exempplo, não consegui tirar o boné e o bigode ...
Fazes cá muita falta!... Um alfabravo. Luís
Filacteras, as bandas de fala e de pensamento da BD... Miguel, já ganhei a manhã, não conhecia o vocábulo... Não admira, a língua portuguesa tem mais de 400 mil...
Esta é do Domingos Robalo, merece honras de montra principal (isto é, ser editada em poste):
A minha comissão na Guiné foi de; maio/69 a maio/71. A única que conheci do General era a alcunha de “Caco Baldé”. Devido ao uso do monóculo.
A minha unidade ficava nas traseiras do QG; era a BAC1, que mais tarde passou a GAC7 e por fim em GA7, com a chegada do reforço da anti-aérea na sequência da operação “Mar Verde”.
Em um sábado fui nomeado “sargento da Guarda” ao QG e áreas envolventes. A meio da manhã fui informado da entrada do General pela porta de armas onde eu estou. Tinha o pessoal da Guarda formado e pronto para as honras devidas.
O General chega na viatura e saiu desta para passar a porta de armas, a pé. Prestada a guarda de honra e como Miliciano não conhecia algumas regras/normas devidas para estas honrarias. Assim, quando o general se afastou, mandei “destroçar” o pelotão.
De imediato, o general vira-se para trás e diz:
- Ó nosso Furriel não sabe que a Guarda não destroça, mas recolhe ?!
Encavacado, respondi, com as formalidades exigidas no momento, que não sabia.
A última palavra do general:
- Então não esqueça.
Nunca mais esqueci e fui passando palavra aos camaradas.
Facebook da Tabanca Grande, 12 de março de 2026, 21:36
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