Blogue coletivo, criado por Luís Graça. Objetivo: ajudar os antigos combatentes a reconstituir o "puzzle" da memória da guerra colonial/guerra do ultramar (e da Guiné, em particular). Iniciado em 2004, é a maior rede social na Net, em português, centrada na experiência pessoal de uma guerra. Como camaradas que são, tratam-se por tu, e gostam de dizer: "O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande". Coeditores: C. Vinhal, E. Magalhães Ribeiro, V. Briote, J. Araújo.
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segunda-feira, 16 de março de 2026
Guiné 61/74 - P27828: Convívios (1050): Os nossos camaradas da Tabanca do Centro vão finalmente realizar o seu 110.º Encontro. Todos a Ortigosa no próximo dia 27 de Março de 2026. Inscrições abertas até às 12 horas do dia 24, nos moldes habituais
Dados do local:
Quinta do Paul (https://quintadopaul.com)
Rua do Paul
Ortigosa
GPS: 39º 50.426' N / 008º 50.405' W
_____________
Nota do editor
Último post da série de 4 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27794: Convívios (1049): Grupo de amigos, onde estavam alguns dos apaixonados da terra vermelha e dos seus cheiros e gentes, juntou-se num almoço que ocorre todos os meses na primeira terça feira (Eduardo Estrela, ex-Fur Mil Inf)
Guiné 61/74 - P27827: Caderno de notas de um mais velho (António Rosinha) (59): A terapia dos almoços da tropa
1. Mensagem de 14 de Março de 2026 do nosso camarada António Rosinha que foi Fur Mil, ainda do tempo da farada "amarela", em Angola, 1961/1962; topógrafo em Angola; emigrante no Brasil, e mais tarde na Guiné-Bissau, onde trabalhou, de 1978 a 1993, na empresa TECNIL. Entrou para o nosso blogue, em 29/11/2006, é um histórico da Tabanca Grande e autor da série "Caderno de Notas de Um Mais Velho"; tem cerca de 150 referências no blogue.
A TERAPIA DOS ALMOÇOS DA TROPA
Quem entre os 70 e os 83 anos, com alguma saúde, anseia pela convocatória anual dos almoços com os camaradas que andaram aos tiros nas ex-colónias, todos juntos, quando tinham 20 anos, com certeza que devem sentir-se uma geração historicamente diferenciada dos seus contemporâneos, que não tiveram aquela experiência.
Haverá muita nostalgia, haverá também orgulho em muitos, mas com certeza esses encontros são um alívio de tensão que dá vida e ânimo para manter a sanidade mental no seu devido lugar.
E mesmo quando nessas reuniões se invocam os nomes dos camaradas que morreram quer em combate quer pela vida fora, com ou sem visitas aos cemitérios, como se vê fazer em almoços a nível regional, missa e idas aos cemitérios, até esse recordar dos que morreram, como que completa uma obrigação de dever cumprido.
E quando se fala de muitos camaradas que ficaram com traumas e sem um tratamento adequado, podiam encontrar um bom tratamento em encontros/convívios e evitar desencontrar-se com antigos camaradas da tropa.
Mais antigos, já terão dificuldade em realizar esses encontros, uns vão desaparecendo, alguns mais entusiastas já não conseguem reunir camaradas com capacidade de deslocação com autonomia, e, no caso recente do problema do covid 19, com a interrupção aconselhada de reuniões, para muita gente esses almoços foi o fim total.
Pessoalmente, como ex-tropa da guerra de Angola, acabou-se o almoço anual, e tive a hipótese de frequentar um almoço mensal, com pessoal mais reduzido, com a interrupção do covid, não mais se retomou esse hábito.
E pessoalmente conheci ainda o poder terapêutico desses "almoços" em reuniões de retornados, que não era de jovens na casa dos vinte anos, mas em muitos casos foi com gente nos 50/60 anos... casos familiares terríveis, mas esses encontros funcionaram com muito sucesso, no "deixar para lá" e desabafar uns com os outros e retomar as rédeas da vida.
Como ex-militar, recorro muitas vezes aos lugares através do google earth para visitar os lugares por onde passei de arma ou sem arma na mão, para ver por onde passei, seja em Angola, Guiné ou Brasil, e ver como aquilo está, também essas visitas (virtuais) ajudam a encarar o nosso passado de frente.
E como diz o nosso grande escritor e também ex-militar, Lobo Antunes, que se preocupou muitíssimo comigo e todos os retornados, em que inclui grandes retornados tal como Vasco da Gama e mesmo por onde esses antigos andaram, eu gosto de visitar e desopilo imenso com isso.
Imagine-se hoje, 2026, lembrar que um desses guerreiros portugueses antigos, Afonso de Albuquerque, mandou construir o Forte Nossa Senhora da Conceição em 1515 na Ilha de Ormuz para cobrar portagem a barcos que quiserem transportar especiarias do oriente para norte e hoje nesse mesmo lugar alguém quer impedir petroleiros de transpor essa mesmíssima portagem sem pagar.
E segundo Lobo Antunes, fazem-nos falta petroleiros em frente aos Jerónimos.
Com reuniões e almoços, ou acompanhar Luisgraca de perto, não é só viver do passado, é viver a nossa história de frente.
Um abraço
Antº Rosinha
_____________
Nota do editor
Último post da série de 22 de Julho de 2025 >Guiné 61/74 - P27044: Caderno de notas de um mais velho (Antº Rosinha) (58): O racismo em Portugal... onde ninguém sabe se os seus antepassados foram escravos ou esclavagistas...
A TERAPIA DOS ALMOÇOS DA TROPA
Quem entre os 70 e os 83 anos, com alguma saúde, anseia pela convocatória anual dos almoços com os camaradas que andaram aos tiros nas ex-colónias, todos juntos, quando tinham 20 anos, com certeza que devem sentir-se uma geração historicamente diferenciada dos seus contemporâneos, que não tiveram aquela experiência.
Haverá muita nostalgia, haverá também orgulho em muitos, mas com certeza esses encontros são um alívio de tensão que dá vida e ânimo para manter a sanidade mental no seu devido lugar.
E mesmo quando nessas reuniões se invocam os nomes dos camaradas que morreram quer em combate quer pela vida fora, com ou sem visitas aos cemitérios, como se vê fazer em almoços a nível regional, missa e idas aos cemitérios, até esse recordar dos que morreram, como que completa uma obrigação de dever cumprido.
E quando se fala de muitos camaradas que ficaram com traumas e sem um tratamento adequado, podiam encontrar um bom tratamento em encontros/convívios e evitar desencontrar-se com antigos camaradas da tropa.
Mais antigos, já terão dificuldade em realizar esses encontros, uns vão desaparecendo, alguns mais entusiastas já não conseguem reunir camaradas com capacidade de deslocação com autonomia, e, no caso recente do problema do covid 19, com a interrupção aconselhada de reuniões, para muita gente esses almoços foi o fim total.
Pessoalmente, como ex-tropa da guerra de Angola, acabou-se o almoço anual, e tive a hipótese de frequentar um almoço mensal, com pessoal mais reduzido, com a interrupção do covid, não mais se retomou esse hábito.
E pessoalmente conheci ainda o poder terapêutico desses "almoços" em reuniões de retornados, que não era de jovens na casa dos vinte anos, mas em muitos casos foi com gente nos 50/60 anos... casos familiares terríveis, mas esses encontros funcionaram com muito sucesso, no "deixar para lá" e desabafar uns com os outros e retomar as rédeas da vida.
Como ex-militar, recorro muitas vezes aos lugares através do google earth para visitar os lugares por onde passei de arma ou sem arma na mão, para ver por onde passei, seja em Angola, Guiné ou Brasil, e ver como aquilo está, também essas visitas (virtuais) ajudam a encarar o nosso passado de frente.
E como diz o nosso grande escritor e também ex-militar, Lobo Antunes, que se preocupou muitíssimo comigo e todos os retornados, em que inclui grandes retornados tal como Vasco da Gama e mesmo por onde esses antigos andaram, eu gosto de visitar e desopilo imenso com isso.
Imagine-se hoje, 2026, lembrar que um desses guerreiros portugueses antigos, Afonso de Albuquerque, mandou construir o Forte Nossa Senhora da Conceição em 1515 na Ilha de Ormuz para cobrar portagem a barcos que quiserem transportar especiarias do oriente para norte e hoje nesse mesmo lugar alguém quer impedir petroleiros de transpor essa mesmíssima portagem sem pagar.
E segundo Lobo Antunes, fazem-nos falta petroleiros em frente aos Jerónimos.
Com reuniões e almoços, ou acompanhar Luisgraca de perto, não é só viver do passado, é viver a nossa história de frente.
Um abraço
Antº Rosinha
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Nota do editor
Último post da série de 22 de Julho de 2025 >Guiné 61/74 - P27044: Caderno de notas de um mais velho (Antº Rosinha) (58): O racismo em Portugal... onde ninguém sabe se os seus antepassados foram escravos ou esclavagistas...
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Guiné 61/74 - P27826: Notas de leitura (1905): "Amílcar Cabral O Africano que Abalou o Império", por José Alvarez, Âncora Editora, 2025 (6) (Mário Beja Santos)
1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 19 de Setembro de 2025:Queridos amigos,
Faço juz ao intenso trabalho de pesquisa e leitura a que José Alvarez procedeu. A grandiosidade de Cabral supera o desastre que se seguiu, revela que aquela geração de políticos e guerrilheiros se revelou incapaz de pôr em prática um plano patriótico de desenvolvimento e de democracia participativa, mesmo quando esta, na ótica de Cabral, se aparentava a um tipo de democracia vigiada por uma elite dominante. Ele advertiu que a chegada a Bissau e o acomodamento da direção do PAIGC à atmosfera existente traria corrupção, vigarices, apadrinhamentos, uma completa adulteração das ajudas internacionais, como aconteceu. É expectável que este trabalho de José Alvarez suscite novos avanços na investigação e que esta não se confine exclusivamente tanto à luta nascionalista como aos acontecimentos da guerra colonial. Já passou o centenário de nascimento deste líder revolucionário, se podemos lamentar que poucas obras de estofo sobre Cabral foram editadas na efeméride, é de crer que este impulso dado por uma biografia romanceada abra caminho a novos olhares sobre o fundador da Guiné-Bissau.
Abraço do
Mário
O primeiro romance histórico sobre a vida e obra de Amílcar Cabral – 6
Mário Beja Santos
Salazar toma a decisão de escolher um militar prestigiado para substituir o Governador e Comandante-chefe Arnaldo Schulz que regressara em abril de 1968, visivelmente doente e desmotivado. Em 19 de fevereiro desse ano, um grupo armado do PAIGC, chefiado por André Pedro Gomes e Joaquim N’Com atravessou o rio Mansoa perto de Bula e alcançou a proteção de arame farpado do aeroporto de Bissalanca, abriu fogo e atingiu edifícios aeroportuários e pistas. A conversa havida entre Salazar e Spínola consta de numerosa documentação, José Alvarez releva algumas das alegadas tomadas de posição de Spínola, bem como a sua exposição de motivos numa reunião havida na Cova da Moura.
Entretanto Salazar sofre um traumatismo craniano que o irá incapacitar por completo, ocorre, entretanto, em Madina do Boé, um julgamento em que Honório Sanchez Vaz e Miguel Embaná serão condenados à morte por provado envolvimento numa tentativa de negociar a rendição de vários elementos do PAIGC, sob o seu comando, e conversações havidas com um dirigente da PIDE. Chegado à Guiné, Spínola inicia uma serie de remodelações que inclui a atividade das tropas especializadas, surge a consigna Por Uma Guiné Melhor, no fundo uma vasta campanha para a conquista social das populações. A PIDE vai informando Spínola que existem divisões no seio do PAIGC, e que ela própria os incrementa. A questão cabo-verdiana continua a ser uma dor de cabeça para Amílcar Cabral, os soviéticos davam apoio militar ao PAIGC, mas reconheciam a inviabilidade de guerrilha no arquipélago.
O autor também põe em destaque o descontentamento de guerrilheiros guineenses quanto ao tratamento que Cabral dava aos cabo-verdianos, refere uma reunião havida em Ziguinchor em que já se pede a morte de Cabral. Dentro da nova lógica de só haver destacamentos onde há população civil, abandona-se Madina do Boé, toda a região do Boé fica despovoada, abrindo novas oportunidades a incursões do PAIGC, que irão surgir em 1970, o desastre de uma jangada no Corubal vitimou na região de Cheche quarenta e sete homens. No secretariado do PAIGC analisa-se a política de Spínola, a libertação de presos políticos, com Rafael Barbosa à cabeça, o apoio do Governador aos régulos e o aparecimento de um lema perigosíssimo “A Guiné para os Guinéus”. O Comité Executivo de Luta reúne-se em Conacri para analisar os efeitos da política introduzida por Spínola, recorda-se os efeitos sempre devastadores da Força Aérea, Cabral fala nos mísseis e nas unidades de artilharia antiaérea, reclama-se a presença do líder do PAIGC no interior do território, ao que Cabral responde que não há ninguém que o possa substituir no relacionamento com o estrangeiro.
É o relato de uma reunião onde não faltam tensões: a colónia de refugiados no Senegal era um fator de destabilização para os combatentes do PAIGC; continuava-se a alcatroar estradas, com destaque para o Chão Manjaco, os fuzileiros especiais apreendiam embarcações do PAIGC na fronteira sul. O autor sublinha que é visível uma certa hostilidade de Osvaldo e Nino Vieira nas reuniões presididas por Cabral. Os foguetões do PAIGC marcam presença no ataque a Bolama em 3 de novembro de 1969, embora com estragos mínimos. Numa reunião no sul do Senegal presidida por Luís Cabral e em que estão presentes comandantes e comissários políticos também há muitas críticas desde falta de munições a falta de comida, é nisto que irrompe um ataque das tropas portuguesas àquela posição de Kumbamory que obriga a evacuar Luís Cabral e os comissários políticos da frente norte.
Cabral continua o seu imparável roteiro internacional; perante a tentativa portuguesa de negociar com bi-grupos do PAIGC do Chão Manjaco, é decidida emboscar a força negociadora, supunha-se mesmo que viria Spínola em pessoa, massacraram-se três majores, um alferes e outros membros da comitiva, caía na água a operação de aliciamento de guerrilheiros do PAIGC. Cabral encontra-se com a sua filha mais velha em Moscovo por ocasião do centenário do nascimento de Lenine, a filha faz-lhe saber que se conspirava contra ele e contra os cabo-verdianos, o pai pede-lhe para ela não se preocupar com ele.
José Alvarez elenca eventos que dão conta ressentimentos dos guerrilheiros guineenses. A reunião em Roma dos três líderes dos movimentos de libertação com o Papa Paulo VI é uma vitória para os revolucionários e crispa as relações de Lisboa com a Santa Sé. Segue-se a Operação Mar Verde, um verdadeiro desaire diplomático para a política portuguesa, a repressão de Sékou Touré é sanguinária, com fuzilamentos e encarceramentos.
Entre 9 e 16 de agosto de 1971 ocorre em Boké uma reunião do Conselho Superior de Luta do PAIGC, reacendem-se as críticas e as reclamações: resistência dos pais em deixar sair as crianças para a escola, desaparecimento de equipamento hospitalar, a falta de médicos, a má gestão dos Armazéns do Povo, Cabral não esconde o exagero. Começam a ser tomadas medidas para efetuar em 1972 eleições gerais por sufrágio universal e secreto para a constituição da primeira Assembleia Nacional Popular. A PIDE/DGS obtém informações do que se passa nestas reuniões de Direção do PAIGC, a rede de infiltrados era fértil em informações.
O processo dos mísseis Strela fica concluído entre a URSS e o PAIGC, constituiu-se uma equipa que foi receber formação na URSS. Esse ano de 1972 foi de uma enorme azáfama para Cabral, o reconhecimento do PAIGC era cada vez maior, Portugal perdera aliados na ONU; independentemente de andar muito tempo no estrangeiro, Cabral estava notificado de atos de corrupção e negociações de guerrilheiros com as forças portuguesas.
E assim chegamos aos acontecimentos do assassinato de Cabral, Alvarez ficciona conversas de Cabral com Osvaldo Vieira e com outros protagonistas com quem conviveu ao longo do dia de 20 de janeiro de 1973. E há uma última palavra para as cerimónias fúnebres de Amílcar, a 31 de janeiro de 1973, em Conacri. Segue-se uma referência aos devastadores acontecimentos de Guidaje, Guileje e Gadamael.
Alvarez termina a sua biografia romanceada dizendo:
“Cabral foi, sem dúvida, uma das mais notáveis figuras nacionalistas de África e um incansável lutador pelas causas que acreditava. Era um ideólogo marxista, um carismático defensor dos negros, brilhante como estratega militar e genial na condução da política externa. Foi o pai da independência da Guiné, promovendo a integração social, o ensino e o respeito pela mulher, mas acabou traído pelos camaradas guineenses do partido, tendo sido assassinado na condição de cabo-verdiano.
Desconhece-se quem ordenou a sua morte, sabendo-se apenas que quem o assassinou e os seus cúmplices eram todos elementos da fação do PAIGC que pretendia afastar os cabo-verdianos da direção. Também se ignora o grau de responsabilidade da PIDE no homicídio, apesar de a sabermos interessada na divisão do PAIGC.”
Há que reconhecer o intenso trabalho em leituras e consultas que José Alvarez efetuou para nos dar a primeira biografia romanceada de Amílcar Cabral. Como é compreensível, não esgotou todas as temáticas do estratega, do líder revolucionário e até do visionário. Cabral terá sido demasiado complacente quanto ao relacionamento de guineenses e cabo-verdianos, tinha uma fé inabalável, digamos cega, de que as duas nações iriam entrelaçar-se para benefícios comuns, terá sido este sonho que o levou a uma vitória onde ele não pôde participar. E suficientemente visionário para saber que a entrada da direção do PAIGC em Bissau sem um rigoroso e ponderado projeto de regionalização e descentralização redundaria num desastre. Tal como aconteceu.
24 de setembro de 1973, o PAIGC declara unilateralmente a independência em local da região do Boé
Casa de Amílcar Cabral em Conacri
_____________Notas do editor:
Vd. post de 9 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27807: Notas de leitura (1903): "Amílcar Cabral O Africano que Abalou o Império", por José Alvarez, Âncora Editora, 2025 (5) (Mário Beja Santos)
Último post da série de 13 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27818: Notas de leitura (1904): "Portugal em África depois de 1851 (Subsídios para a História)", pelo Marquês do Lavradio; edição da Agência Geral das Colónias, 1936 (6) (Mário Beja Santos)
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Guné 61/74 - P27825: Manuscrito(s) (Luís Graça) (283): Maratona da amizade e da camaradagem
Lisboa > Largo da Madalena > 15 de novembro de 2009 > Pormenor da calçada à antiga portuguesa, à entrada da Igreja da Madalena... Se não forem os nossos amigos calceteiros, portugueses, de origem cabo-verdiana, já não há ninguém a faça... F*da-se, dá cabo das costas e dos joelhos!
Foto (e legenda): Luís Graça (2009). Direitos reservados
A maratona da amizade e da camaradagem
por Luís Graça
O João Crisóstomo
o mais famoso dos mordomos portugueses de Nova Iorque,
e agora régulo da Tabanca da Diáspora Lusófona,
instituiu o dia 14 de fevereiro
como o Dia da Amizade... e da Camaradagem (*),
Pois que seja o Dia do Camarigo, por causa das confusões.
E eu lembrei-me da maratona
que vamos fazendo,
trilhando velhas picadas,
cada um até ao seu dia,
cada um de nós, os amigos e camaradas da Guiné.
Lembrei-me,
revisitando um velho, longo poema
que estava no baú das minhas blogarias (**).
Juram, os amigos,
que a amizade não se esgota
nas questões de lana caprina.
que a amizade não se esgota
nas questões de lana caprina.
Nem se dilui na espuma dos dias.
Testa-se e reforça-se na provação.
Testa-se e reforça-se na provação.
A amizade e a camaradagem
(que só pode existir na guerra
e noutras situações-limite).
É verdade, Abel, Abílio, Acácio, Adão, Adelaide, Adelino,
Adélio, Adolfo, Adriano, Afonso, Agostinho ?!
Dizem outros que eles, os amigos,
devem ser para as ocasiões.
Todas as ocasiões ?
As pequenas e as grandes ?
As boas e as más ? Sobretudo as más ?
A estação seca e a estação das chuvas ?
A paz e a guerra ?
devem ser para as ocasiões.
Todas as ocasiões ?
As pequenas e as grandes ?
As boas e as más ? Sobretudo as más ?
A estação seca e a estação das chuvas ?
A paz e a guerra ?
... Albano, Albertino, Alberto, Alcides,
Alexandre, Alfredo, Alice, Almeida,
Ou tudo isso é letra morta, treta?!
Que os amigos conhecem-se
na adversidade, diz o provérbio.
na adversidade, diz o provérbio.
Almiro, Altamiro, Álvaro, Amaral, Amaro,
Américo, Amílcar, Ana, Anabela,
Angelino Aníbal, Anselmo, Antero ?!
E os camaradas, na guerra,
dizia o senhor doutor Lobo Antunes.
E os colegas nas tainadas e nas putas,
dizia o teu instrutor
de minas, fornilhos e outras armadilhas da vida.
E os colegas nas tainadas e nas putas,
dizia o teu instrutor
de minas, fornilhos e outras armadilhas da vida.
Dizem que sim com a cabeça,
António, Arlindo, Armandino, Armando,
Arménio, Armindo, Augusto, Áurea.
Quem em caça, política, guerra e amores se meter,
não sairá quando quiser.
não sairá quando quiser.
Sairá ou não,
Belarmino, Belmiro, Benito, Benjamim,
Benvindo, Bernardino, Braima ?!
Os amigos, os verdadeiros e os falsos,
conhecem-se nas ocasiões.
Que a adversidade é o teste da amizade.
A prosperidade traz amigos,
a adversidade os afasta,
diz o chinoca da tua rua,
que não tem amigos,
a não ser o dicionário de português-cantonês,
conhecem-se nas ocasiões.
Que a adversidade é o teste da amizade.
A prosperidade traz amigos,
a adversidade os afasta,
diz o chinoca da tua rua,
que não tem amigos,
a não ser o dicionário de português-cantonês,
que poderia ter sido escrito
o que é que vocês acham ?!,
p'lo Campelo, Cândido, Carlos,
se tivessem nascido em Macau,
filhos desventrados e desventurados
do Fernão Mentes Minto ?!
Oh, Galissá, Galissá,
que no céu se fazem amigos;
e, no inferno da guerra, inimigos,
canta o poeta, cego, da tua rua,
tocador de cora,
deambulando de tabanca em tabanca,
no que resta do regulado de Gabu.
e, no inferno da guerra, inimigos,
canta o poeta, cego, da tua rua,
tocador de cora,
deambulando de tabanca em tabanca,
no que resta do regulado de Gabu.
Lembram-se Carmelino, Carvalhido, Casimiro,
Cátia, Célia, César, Cherno,
Cláudio, Conceição, Constantino, Cristina ?!
Que a amizade é um edifício
que leva uma vida a construir,
e que num minuto pode ruir,
garante o Esquilo Sorridente,
que leva uma vida a construir,
e que num minuto pode ruir,
garante o Esquilo Sorridente,
que era o nome de guerra de alguém,
quando bom escoteiro em Ingoré,
lá no Norte da Guiné.
Pelo menos assim te contaram,
Daniel, David, Delfim, Diamantino.
Não, vocês, não passaram por Ingoré.
Mas passaram por outros sítios da Guiné
onde Jesus Cristo nunca parou.
Nem Alá.
Diana, Dina, Domingos, Duarte e Durval.
No aperto do perigo, conhece-se o amigo.
Essa é a verdade,
e a verdade é um osso duro de roer,
até para o cão que rói o osso,
na opinião de quem em Bissorã teve um cão.
até para o cão que rói o osso,
na opinião de quem em Bissorã teve um cão.
Dizem que um cão é uma boa companhia,
Edgar, Eduardo, Egídio, Ernestino, Ernesto,
Estêvão, Eugénio, Evaristo,
que nunca tiveram cão de guerra.
Que os amigos fazem-se,
praticando a amizade,
E os camaradas a camaragem.
E os camaradas que são amigos
a camaradagem.
Felismina, Fernandino, Fernando,
Ferreira, Filomena, Fradique.
ganham espinhos, ervas, silvas, moitas, carrascos,
pedras soltas, calhaus, pedregulhos,
tornam-se abatizes, obstáculos, bagabagas,
cabeços, colinas, montanhas.
Vero ?!... Gabriel, Garcez, George, Germano,
Gil, Gilda, Gina, Giselda.
Ou na versão de um velho homem grande,
mandinga de Contuboel,
algures na velha Guiné agora Bissau:
"a amizade é uma picada
que desaparece na areia, na bolanha ou no mato,
se não a usares todos dias".
algures na velha Guiné agora Bissau:
"a amizade é uma picada
que desaparece na areia, na bolanha ou no mato,
se não a usares todos dias".
Disse-te ele um dia.
Gonçalo, Graciela, Gualberto,
Guilherme, Gumerzindo, Gustavo.
Não aceito que digas:
"Amigo não empata amigo",
porque o amigo é isso,
"Amigo não empata amigo",
porque o amigo é isso,
tens toda a razão, camarigo,
que o amigo é para se usar, se guardar
e se resguardar.
que o amigo é para se usar, se guardar
e se resguardar.
Achas que sim ou que não ?!,
Hélder, Henrique, Herlânder,
Hernâni, Hilário, Hugo, Humberto.
Para se resguardar das pontadas de ar,
dos tiros tensos do canhão sem recuo
e das emboscadas
e dos estilhaços do "jato do povo"-
Não é para se usar, expor e deitar fora,
na berma da picada armadilhada.
Não é para se usar, expor e deitar fora,
na berma da picada armadilhada.
Ah!, Idálio, Ildeberto, Inácio, Inês,
Ah!, Isabel, Ismael...
A amizade não é um objecto descartável,
manda o profeta dizer no seu último mail.
(Ou foi o Sócrates, o grego, antes da cicuta ?).
A conselho amigo, não feches o postigo,
além de que amigo diligente é melhor que parente.
Sobretudo se te dói o dente.
(Ou foi o Sócrates, o grego, antes da cicuta ?).
A conselho amigo, não feches o postigo,
além de que amigo diligente é melhor que parente.
Sobretudo se te dói o dente.
Ah!, Jota A, Jota C, Jota F, Jota L., Jota M.
E já que tens físico amigo,
queres dizer médico no antigamente,
manda-o a casa do teu inimigo.
Escreveu o Dom Dinis,
Escreveu o Dom Dinis,
que foi rei, e régulo da Tabanca da Linha,
e já morreu, em plena pandemia,
mandou lavrar cantiga de escárnio e mal dizer,
além do pinhal de Leiria.
Quem seu inimigo poupa, às mãos lhe morre.
Ah! Jacinto, Jaime, Jean, Jéssica, João
Joaquim, Jochen,
será que vocês assinam por baixo ?
amigo disfarçado, inimigo dobrado.
E o que fazer ao amigo que não presta
e à faca que não corta,
Jorge ?
Também se diz que os amigos novos
metem os velhos no canto ou a um canto.
Se não se diz, pensa-se.
Será assim, mano,
que os amigos também cansam
como a sarna na pele,
como a pele e as suas sete camadas ?
Que se percam, pouco importa!
proclama pela telegrafia sem fios
o coro dos Josés de A a Z
Não sei o que é que vocês pensam:
"Os amigos têm prazo de validade" ?
Joviano, Júlia, Júlio, Juvenal.
Uma questão que nada tem de metafísica:
ovo de uma hora,
pão de um dia,
vinho de um ano,
mulher de vinte,
amigo de trinta
e deitarás boa conta.
Uma questão que nada tem de metafísica:
ovo de uma hora,
pão de um dia,
vinho de um ano,
mulher de vinte,
amigo de trinta
e deitarás boa conta.
Lázaro, Leão, Leonel, Lia,
Libério, Lígia, Luciana,
Luciano, Lucinda, Luís com s ou com z,
conforme o desacordo ortográfico.
Amigo, vinho e azeite... o mais antigo,
garante quem passou por Buruntuma
onde não havia azeite (ou se o havia, era o de dendê)
nem vinho... mas havia amigos.
Mamadu, Manuéis de A a Z,
Margarida, Maria, Mário.
Margarida, Maria, Mário.
O vinho e o amigo, quer-se do mais antigo,
recomendam o outro Jorge, que é engenheiro,
mais o Picado, que foi agrónomo.
E o que farás dos teus novos amigos, Virgílio,
que não fazem anos no mesmo dia que tu ?
Marisa, Marta, Martins,
Maurício, Maximino, Melo, Miguel,
Faz como o vinho, Zé Manel da Régua,
se for bom mete-o a envelhecer
se for bom mete-o a envelhecer
em cascos de carvalho.
Francês.
Ou castanho.
Português.
A amizade não tem pátria
Nem é chauvinista.
Nem é racista.
Garantem o Natalino, o Nelson, o Norberto,
mais o Nunes e o Nuno,
E por que é que os amigos dos teus amigos
teus amigos são ?
É como os filhos do teu filho, serão dele ou não…
Que ao menos, Jorge,
É como os filhos do teu filho, serão dele ou não…
Que ao menos, Jorge,
cresçam Narcisos no teu jardim.
Que sabem vocês,
Que sabem vocês,
que sabemos nós,
amigos e camaradas da Guiné ?!
Só sabíamos do desalento,
e do vento
e da morte na alma
e da terrível secura na garganta
e das lágrimas que não podíamos chorar
quando trazíamos do mato,
e da terrível secura na garganta
e das lágrimas que não podíamos chorar
quando trazíamos do mato,
os camaradas mortos,
às costas...
às costas...
Orlando, Orlando, Osvaldo, Otacílio.
Só damos valor às coisas,
quando elas nos faltam,
e aos amigos
quando fazemos o luto pela sua perda.
e aos amigos
quando fazemos o luto pela sua perda.
E já perdemos tantos, "alfero" Cabral",
tantos de A a Z
camaradas como tu e o António,
ou amigas como a Zélia!
São tantos os estereótipos,
amigos e camaradas,
sobre os amigos e a amizade.
sobre os amigos e a amizade.
E os camaradas.
Pacífico, Patrício, Paula, Paulo, Pedro.
Sem falar do 'Nino', e do Pires, e do Mané, e do Manecas, e do Indjai,
dos teus inimigos, que, esses, afinal
eram os mais previsíveis,
estavam sempre do outro lado da ponte...
eram os mais previsíveis,
estavam sempre do outro lado da ponte...
Que à volta eles cá te esperam, Amílcar Cabral,
aliás Abel Djassi.
Bolas, vocês até podiam ter sido,
se não amigos, bons vizinhos!
Que camaradas, salvo seja,
cada "dari" ou chimpanzé no seu galho!
Que chimpanzé não é macaco,
era ferreiro castigado por Alá
por trabalhar ao sábado
e andar a fazer drones e espadas de guerra
em vez de arados para lavrar a terra.
Ramiro, Raul, Ribeiro, Ricardo,
Rogé, Rogério, Rosa, Rui.
Amigo verdadeiro, esse vale mais do que dinheiro,
meu pobre Amadu Djaló,
bom crente, bom muçulmano,
bravo combatente,
leal aos teus amigos "tugas",
tu a quem já te acusaram de mercenário.
bom crente, bom muçulmano,
bravo combatente,
leal aos teus amigos "tugas",
tu a quem já te acusaram de mercenário.
Mas vale a morte que tal sorte, Marcelino,
quando os amigos que tens não os tens.
Como os velhos elefantes,
quando os amigos que tens não os tens.
Como os velhos elefantes,
devias ter voltado para o teu chão,
para morrer entre os teus
e seres enterrado debaixo do teu poilão,
para morrer entre os teus
e seres enterrado debaixo do teu poilão,
Zé Carlos Suleimane Baldé.
O próximo teste,
é quando ganhares o Euromilhões.
Ou quando ficares esticado no caixão, ao comprido:
será que lá terás todos os gatos pingados da companhia ?
é quando ganhares o Euromilhões.
Ou quando ficares esticado no caixão, ao comprido:
será que lá terás todos os gatos pingados da companhia ?
Sadibo, Santos, Sebastião, Sérgio, Serra,
Silvério, Sílvia, Sílvio, Souleimane, Sousa, Susana,
Antes boa que má companhia,
nem que seja a do gás e electricidade.
Amigos, amigos, negócios à parte,
dizia o teu primeiro,
nem que seja a do gás e electricidade.
Amigos, amigos, negócios à parte,
dizia o teu primeiro,
que chegou a "mandjor"...
Tibério, Timóteo, Tina, Tomané, Tomás, Tony.
Afinal, quem vai à guerra dá e leva.
Quem te avisa, teu amigo é,
leste uma vez no bilhetinho anónimo
do tempo da delação e do inquisidor-mor.
Quem te avisa, teu amigo é,
leste uma vez no bilhetinho anónimo
do tempo da delação e do inquisidor-mor.
Quem seu amigo quiser conservar,
com ele não há-de negociar.
E será que se pode blogar, Carlos ?
Longe da cidade, tanto melhor, diz o Vinhal,
que é da vila de Leça da Palmeira.
Mas... quem tem amigos, não morre na cadeia,
nem no exílio, dourado,
seja feio ou belo,
e mesmo que se chame José, o viking.
Mas... quem tem amigos, não morre na cadeia,
nem no exílio, dourado,
seja feio ou belo,
e mesmo que se chame José, o viking.
Um rico avarento não tem amigo nem parente.
As boas contas fazem os bons amigos.
Ao bom amigo, com o teu pão e o teu vinho.
Ao rico mil amigos se deparam,
ao pobre até seus irmãos o desamparam.
Os camaradas, comandos, páras e fuzos, dizem:
"Connosco ninguém fica para trás"...
Aquele que te tira do perigo, é teu amigo.
Bocado comido não faz amigo,
porque não é partilha...
Defeitos do teu amigo ?
Lamento, meu caro Mário, mas não maldigo
o teu nome de guerra, "Tigre de Missirá"
Em tempo de figos, não há amigos.
Chacun que se governe, Patrício,
em caso de peste (de que Deus nos livre!).
Ou de ataque de abelhas.
Ou de pânico mortal.
Ou de fobia,
acrescenta aí, "Duque do Cadaval".
Muitos conhecidos, poucos amigos:
não é nenhuma heresia,
é palavra do Senhor,
e o Senhor esteja contigo,
meu camarigo Jaquim,
e com todos nós, filhos da humanidade,
de Abel e de Caim.
Muitos conhecidos, poucos amigos:
não é nenhuma heresia,
é palavra do Senhor,
e o Senhor esteja contigo,
meu camarigo Jaquim,
e com todos nós, filhos da humanidade,
de Abel e de Caim.
Afinal foi Jesus Cristo que nos mandou
amar a Deus acima de todas as coisas
e ao próximo como a nós mesmos.
Mas parece muito mais fácil
Mas parece muito mais fácil
cumprir o primeiro mandamento do que o segundo,
dizia o camarigo Jero
Ora, bolas, como podemos amar a Deus que não vemos,
se não amarmos o próximo que está à nossa frente,
pergunta o capelão Puim?!
Guardem-se, entretanto, do alvoroço do povo,
todo os Josés e todo os Joões,
mais os Martins,
e de travar com o doido.
Mas se calhar não há maior amigo
e de travar com o doido.
Mas se calhar não há maior amigo
do que o mês de julho
com o seu trigo que dá pão.
Olha, mulher, se não tens marido,
pouca sorte a tua,
não tens amigo e acabas na rua,
com o seu trigo que dá pão.
Olha, mulher, se não tens marido,
pouca sorte a tua,
não tens amigo e acabas na rua,
Lena, Hiena, de Bafatá.
Amigo mesmo é aquele que sabe o pior
a teu respeito
e mesmo assim... continua a gostar de ti,
mesmo que tenhas perdido a tua caderneta de vôo,
meu inFélix piloto Jorge dos Allouettes...
Quando uma pessoa perde dinheiro, perde muito;
quando perde um amigo, perde mais,
ó herói de Gadamel, agora tabanqueiro na Maia;
quando perde a coragem e a fé, perde tudo.
quando perde a coragem e a fé, perde tudo.
Onde é que já leste isto, Gil,
da Tabanca dos Melros ?
Valente, Valentim, Vasco, Victor (com c e sem c).
Difícil, meus amigos e camaradas da Guiné,
é ganhar um amigo numa hora;
fácil é ofendê-lo
e perdê-lo num minuto.
O Torcato Mendonça "dixit",
é ganhar um amigo numa hora;
fácil é ofendê-lo
e perdê-lo num minuto.
O Torcato Mendonça "dixit",
da sua janela do Fundão
que dava para a Gardunha,
a Serra da Estrela e a Cova da Beira.
que dava para a Gardunha,
a Serra da Estrela e a Cova da Beira.
Vilma,Virgílio, Virgínio, Zé.
que tanto nos preocupava ontem,
escreveste tu isto no teu diário,
nas páginas dos feriados
escreveste tu isto no teu diário,
nas páginas dos feriados
e dos Dias de Todos os Santos guerreiros...
Mas não menos sábia
do que a do teu amigo Cherno
é a sabedoria do mongol:
o vitorioso tem muitos amigos, fracos,
mas o vencido tem bons amigos, valentes.
E até o otomano aprendeu à sua custa:
"Quando o machado entrou na floresta,
as árvores disseram:
'O cabo é dos nossos,
é a sabedoria do mongol:
o vitorioso tem muitos amigos, fracos,
mas o vencido tem bons amigos, valentes.
E até o otomano aprendeu à sua custa:
"Quando o machado entrou na floresta,
as árvores disseram:
'O cabo é dos nossos,
mas a lâmina de aço... não a estamos a reconhecer'".
Resta-nos a agridoce memória do passado,
as toponímias da nossa peregrinação trágico-marítima,
do Pijiguiti ao Xime,
de Bolama a Buba,
as toponímias da nossa peregrinação trágico-marítima,
do Pijiguiti ao Xime,
de Bolama a Buba,
de Gandembel a Guileje,
de São Domingos a Catió,
sem esquecer o Cheche,
e o Paulo, e o Rui, e o Aparício
O que foi duro de sofrer,
lá longe da Pátria,
é agora doce de recordar,
no lar, no doce lar,
lá longe da Pátria,
é agora doce de recordar,
no lar, no doce lar,
conclui o cadete da Academia,
na fria pedra de mármore de Vila Viçosa.
Olha o Cufeu, Amílcar,
olha o Cufar, Fitas!
olha o Cufar, Fitas!
Planta hoje a semente da amizade,
mesmo que não sejas lavrador,
para colheres amanhã a flor da gratidão.
Ser amigo é ser generoso,
é dar antes de te pedirem,
é um gesto gratuito.
Quiçá o mais puramente gratuito dos teus gestos.
Ou será interesseira, a amizade ?
Para ti, não é como dar aos pobres...
Aí emprestas a Deus,
tu que és Paulo e Lage, tu que és pedra,
e Deus paga-te em vida ou na morte,
com os dividendos do poder,
da glória, da fama, da riqueza
ou da eternidade,
lá no Olimpo dos Camarigos
Se estás tão cansado, meu amigo,
Junqueira, Condeço, Tavares,
que não possas dar-me um sorriso,
eu deixo-te o meu,
a ti que és Victor,
E "In Hoc Signo Vinces".
Junqueira, Condeço, Tavares,
que não possas dar-me um sorriso,
eu deixo-te o meu,
a ti que és Victor,
E "In Hoc Signo Vinces".
Não, nunca digas:
"Chega-te para lá, que me tapas o meu sol".
Por que o sol quando nasce devia ser para todos.
As lágrimas dos bons caem no chão,
"Chega-te para lá, que me tapas o meu sol".
Por que o sol quando nasce devia ser para todos.
As lágrimas dos bons caem no chão,
Arminda, Rosa, Áurea, Giselda, Ivone, Zulmira,
para poderem vir a engrossar os rios da revolta
e da indignação.
Inútil tentares juntar as tuas mãos,
se elas não estiverem vazias,
diz o teu guru do Tibete, agrilhoado.
Os amigos escolhe-os tu,
os parentes são os que Deus te deu.
Quando estás certo, ninguém se lembra;
quando estás errado, ninguém esquece.
Amigos e camaradas paraquedistas,
poucos e loucos mas bons,
que não são do arre-macho
nem da tropa-macaca,
que também é gente e primata,
Volta o teu rosto na direção do sol,
tu, Miguel, que és o mais "strelado" de todos nós,
para que as sombras fiquem para trás,
para que as sombras fiquem para trás,
E não caias do céu aos trambolhões,
tu, tenente pilav que chegaste a general.
À laia de conclusão,
amigos e camaradas da Tabanca Grande, de A a Z,
sintam-se todos evocados e convocados,
para esta maratona da amizade e camaradagem.
E honrados.
Antes de começares o trabalho de mudar o mundo,
dá três voltas dentro de tua casa...
E sobretudo não esqueças a lição
sobre a parábola da Sabedoria e da Asneira:
"Para os erros alheios,
dá três voltas dentro de tua casa...
E sobretudo não esqueças a lição
sobre a parábola da Sabedoria e da Asneira:
"Para os erros alheios,
temos os olhos do lince;
para os nossos próprios,
para os nossos próprios,
os olhos da toupeira".
PS - Requiem para os amigos e camaradas da Tabanca Grande
que já se despediram da Terra da Alegria
A. Marques Lopes (1944-2024)
Agostinho Jesus (1950-2016)
Alberto Bastos (1948-2022)
Alcídio Marinho (1940-2021)
Alfredo Dinis Tapado (1949-2010)
Alfredo Roque Gameiro Martins Barata (1938-2017)
Amadu Bailo Jaló (1940-2015)
Américo Marques (1951-2019)
Américo Russa (1950-2025)
António Branquinho (1947-2023)
António Cunha ("Tony") (c.1950 - c. 2022)
António da Silva Batista (1950-2016)
António Dias das Neves (1947-2001)
António Domingos Rodrigues (1947-2010)
António Eduardo Ferreira (1950 - 2023)
António Estácio (1947-2022)
António José Matias (1949-2022)
António Manuel Carlão (1947-2018)
António Manuel Martins Branquinho (1947-2013)
António Manuel Sucena Rodrigues (1951-2018)
António Medina (1939-2025)
António Rebelo (1950-2014)
António Teixeira (1948-2013)
António Vaz (1936-2015)
Armandino Alves (1944-2014)
Armando Tavares da Silva (1939-2023)
Armando Teixeira da Silva (1944-2018)
Augusto Lenine Gonçalves Abreu (1933-2012)
Aurélio Duarte (1947-2017)
Carlos Alberto Machado Brito (1932-2025)
Carlos Alberto Cruz (1941-2023)
Carlos Azeredo (1930-2021)
Carlos Cordeiro (1946-2018)
Carlos Domingos Gomes (Cadogo Pai) (1929-2021)
Carlos Filipe Coelho (1950-2017)
Carlos Geraldes (1941-2012)
Carlos Marques dos Santos (1943-2019)
Carlos Rebelo (1948-2009)
Carlos Schwarz da Silva, 'Pepito' (1949-2012)
Carronda Rodrigues (1948-2023)
Celestino Bandeira (1946-2021)
Clara Schwarz da Silva (1915-2016)
Cláudio Ferreira (1950-2021)
Coutinho e Lima (1935-2022)
Cristina Allen (1943-2021)
Cristóvão de Aguiar (1940-2021)
Cunha Ribeiro (1936-2023)
Daniel Matos (1949-2011)
Domingos Fernandes (1946-2020)
Eduardo Jorge Ferreira (1952-2019)
Elisabete Silva (1945-2024)
Ernesto Marques (1949-2021)
Fernando Brito (1932-2014)
Fernando Calado (1945-2025)
Fernando Costa (1951-2018)
Fernando [de Sousa] Henriques (1949-2011)
Fernando Franco (1951-2020)
Fernando Magro (1936 - 2023)
Fernando Rodrigues (1933-2013)
Florimundo Rocha (1950-2024)
Francisco Parreira (1948-2012)
Francisco Pinho da Costa (1937-2022)
Francisco Silva (1948-2023)
França Soares (1949-2009)
Gertrudes da Silva (1943-2018)
Horácio Fernandes (1935-2025)
Humberto Duarte (1951-2010)
Humberto Trigo de Xavier Bordalo (1935-2024)
Inácio J. Carola Figueira (1950-2017)
Isabel Levezinho (1953-2020)
Ivo da Silva Correia (c. 1974-2017)
João Barge (1945-2010)
João Cupido (1936-2021)
João Caramba (1950-2013)
João Diniz (1941-2021)
João Henrique Pinho dos Santos (1941-2014)
João Meneses (1948-2020)
João Rebola (1945-2018)
João Rocha (1944-2018)
João Silva (1950-2022)
Joaquim Cardoso Veríssimo (1949-2010)
Joaquim da Silva Correia (1946-2021)
Joaquim Peixoto (1949-2018)
Joaquim Sequeira (1944-2024)
Joaquim Vicente Silva (1951-2011)
Joaquim Vidal Saraiva (1936-2015)
Jorge Cabral (1944-2021)
Jorge Rosales (1939-2019)
Jorge Teixeira (Portojo) (1945-2017)
José António Almeida Rodrigues (1950-2016)
José António Paradela (1937-2023)
José Augusto Ribeiro (1939-2020)
José Barreto Pires (1945-2020)
José Carlos Suleimane Baldé (c.1951-2022)
José Ceitil (1947-2020)
José Eduardo Alves (1950-2016)
José Eduardo Oliveira (JERO) (1940-2021)
José Fernando de Andrade Rodrigues (1947-2014)
José Luís Pombo Rodrigues (1934-2017)
José Manuel Amaral Soares (1945-2024)
José Manuel Dinis (1948-2021)
José Manuel P. Quadrado (1947-2016)
José Marcelino Sousa (1949 - 2023)
José Martins Rosado Piça (1933-2021)
José Maria da Silva Valente (1946-2020)
José Marques Alves (1947-2013)
José Moreira (1943-2016)
José (ou Zé) Neto (1929-2007)
José Pardete Ferreira (1941-2021)
Júlio Martins Pereira (1944-2022)
Leite Rodrigues (1945-2025)
Leopoldo Amado (1960-2021)
Leopoldo Correia (1941-2024)
Libório Tavares (Padre) (1933-2020)
Lúcio Vieira (1943-2020)
Luís Borrega (1948-2013)
Luís Encarnação (1948-2018)
Luís Faria (1948-2013)
Luís F. Moreira (1948-2013)
Luís Henriques (1920-2012)
Luís Rosa (1939-2020)
Luiz Fonseca (1949-2024)
Mamadu Camará (c. 1940-2021)
Manuel Amaral Campos (1945-2021)
Manuel Carneiro (1952-2018)
Manuel Castro Sampaio (1949-2006)
Manuel Dias Sequeira (1944-2008)
Manuel Marinho (1950-2022)
Manuel Martins (1950-2013)
Manuel Moreira (1945-2014)
Manuel Moreira de Castro (1946-2015)
Manuel Varanda Lucas (1942-2010)
Manuel Gonçalves (Nela (1946-2019 (*)
Marcelino da Mata (1940-2021)
Maria da Piedade Gouveia (1939-2011)
Maria Ivone Reis (1929-2022)
Maria Manuela Pinheiro (1950-2014)
Mário de Oliveira (Padre) (1937-2022)
Mário Gaspar (1943-2025)
Mário Gualter Pinto (1945-2019)
Mário Vasconcelos (1945-2017)
Nelson Batalha (1948-2017)
Nuno Dempster (1944-2026)
Nuno Rubim (1938-2023)
Otelo Saraiva de Carvalho (1936-2021)
Paulo Fragoso (c.1947-2021)
Queta Baldé (1943-2021)
Raul Albino (1945-2020)
Renato Monteiro (1946-2021)
Regina Gouveia (1945-2024)
Rogério da Silva Leitão (1935-2010)
Rui Alexandrino Ferreira (1943-2022)
Rui Baptista (1951-2023)
Suleimane Baldé (1938-2025)
Teresa Reis (1947-2011)
Torcato Mendonça (1944-2021)
Umaru Baldé (1953-2004)
Valdemar Queiroz (1945-2025)
Vasco Pires (1948-2016)
Veríssimo Ferreira (1942-2022)
Victor Alves (1949-2016)
Victor Barata (1951-2021)
Victor Condeço (1943-2010)
Victor David (1944-2024)
Vítor Manuel Amaro dos Santos (1944-2014)
Xico Allen (1950-2022)
Zélia Neno (1953 - 2023)
_________
Luís Graça (2009). O original foi escrito num noite de insónias,
há muitos anos (**).
Revisto e melhorado em 14/3/2026,
o dia em que a minha neta Rosa Klut Graça começou a andar,
às 20:15, na casa da Graça.
30 pequenos passos de gigante.
O primeiro "sprint" da sua vida. Aos 13 meses e meio.
E eu, por sorte, registei em vídeo esse momento único.
______________
Notas do editor LG:
(***) Último poste da série > 16 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27824: Manuscrito(s) (Luís Graça) (284): a crise da habitação não é apenas dos humanos, é também das... cegonhas que se renderam ao "fast food" e já não migram para África!
Guiné 61/74 - P27824: Manuscrito(s) (Luís Graça) (284): a crise da habitação não é apenas dos humanos, é também das... cegonhas que se renderam ao "fast food" e já não migram para África!
Portugal > A2 > Sentido Lisboa > 1 de março de 2026 > A crise da habitação (1)
Portugal > A2 > Sentido Lisboa > 1 de março de 2026 > A crise da habitação (3)
Portugal > A2 > Sentido Lisboa > 1 de março de 2026 > A crise da habitação (4)
Portugal > A2 > Sentido Lisboa > 1 de março de 2026 > A crise da habitação (5)... Fotos tiradas de dentro carro em andamento, com o vidro sujo... (tirando a primeira).
Fotos (e legendas): © Luís Graça (2026). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]1. A série "Manuscrito(s) (Luís Graça)" é onde eu, em geral, escrevia (e continuo a escrever) as minhas "blogarias"... Também tenho direito a elas, bolas. Pus o meu blogueforanada, criado em 8 de outubro de 2003, ao serviço da comunidade virtual dos amigos e camaradas da Guiné. Progressivamente, sobretudo a partir de finais de 2004/princípios de 2005, deixei de falar de mime do meu umbigo (como diria o nosso Alberto Branquinho, escritor da guerra colonial).
De facto, daí em diante abstive-me de falar da atualidade, da minha vida, da minha profissão, dos meus lazeres, dos meus amores e ódios de estimação, das minhas angústias existenciais, da minha vida sentimental, das minhas crises financeiras, das minhas crises de fé e de patriotismo, e de outras merdas que não interessam a mais ninguém a não ser ao meu confessor e ao meu psicoterapeuta. Esporadicamente, falo das minhas geografias emocionais, da Lourinhã, da Quinta de Candoz, de uma outra "escapadela" (viajo cada vez menos)...
Há dias, depois do vendaval que tudo levou, fui/fomos dar uma volta pelo Alentejo (do Alto) a ver se estava tudo no mesmo sítio. Gosto do Alentejo (e até mais do Baixo), tem a vantagem de ocupar um terço deste país (31,5 mil km2) e ter c. de 4,4 % (470 mil) da população total.
O Alentejo tem singularidades, uma das quais vale a pena destacar:
- 1 cegonha por cada 30–50 pessoas;
- 1 abetarda por cada 400/500 pessoas;
- e cada vez menos mouros (e cada vez menos sobreiros e azinheiras, ou seja, montado).
Para uma região europeia, isto é extraordinário, porque estas aves (pesadonas, e nomeadamente a abetarda...) dependem de paisagem agrícola extensiva, que praticamente desapareceu em grande parte da Europa.
Muitos dos nossos leitores (que nunca viram uma abetarda) não sabem, mas há mais abetardas em poucos concelhos do Baixo Alentejo (Castro Verde e pouco mais) do que em muitos países europeus inteiros.
Mas eu não fui a Castro Verde (que é a capital das abetardas portuguesas), fui a Évora e a Montemor-o-Novo. E pelo caminho fui-me dando conta que a "crise da habitação" também já chegou a terras do sul... Aqui fica um registo fotográfico dos "ocupas"...
2. Já agora acrescente-se, sobre a grande ave das estepes cerealíferas, a Abetarda (Otis tarda), que:
- em Portugal existem cerca de 900–1.200 indivíduos;
- cerca de 80% vivem na região de Castro Verde, no chamado “Campo Branco”;
- é praticamente exclusiva do Alentejo, em Portugal;
- a Espanha tem a maior população mundial (c. 25.000–30.000 aves), seguida da Hungria (c. 1500) e... do Alentejo;
- em todo o mundo não haverá mais do que 36.000 abetardas, a espécie nos últimos 15 anos perdeu 35% da sua população.
3. Sobre a cegonha: a espécie dominante é a Cegonha‑branca (Ciconia ciconia):
- em Portugal, segundo os dados do último censo anual da espécie, realizado em 2014, haveria c. de 12.000 ninhos ocupados (um aumento substancial face aos 1.533 ninhos que estavam ocupados 30 anos antes, no censo de 1984);
- estes "emigras" (e "ocupas") dão-se tão bem em Portugal (e não descontam para a Segurança Social!...), que nem migram para África, imaginem (ainda não li, nas redes sociais, os gajos racistas e populistas a pedirem a expulsão das cegonhas, mas lá chegarem0s, pelo andar da carruagem);
- esse aumento tem sido acompanhado por uma população residente cada vez maior (passou de 1.187 aves registadas no censo de inverno realizado em 1995, em que se contaram cegonhas que não tinham migrado, para um total de 19.295 que o não fizeram em 2020, segundo os dados do censo de inverno feito em outubro passado);
- mais de 80% dos ninhos estão no Sul, sobretudo nos distritos de Beja, Évora, Setúbal, Santarém e Portalegre — ou seja, essencialmente Alentejo e envolvente;
- o sucesso reprodutor desta espécie, altamente adaptável e oportunista (como a gaivota e que se tornou o rato das cidades, a par do pombo), pode explicar-se por 2 fatores: (i) aumento de biorresíduos (o seu "fast food"!) nos nossos aterros sanitários; e (ii) introdução, em 1979, do lagostim-vermelho, espécie invasora que está hoje espalhada por pelo menos 11 bacias hidrográficas de Norte a Sul, e que é praticamente impossível de erradicar;
- põe-se então a questão de saber quando é que se atinge o "limite máximo de carga" (aliás, é o mesmo problema que se põe patra nós. humanos); para quem vai por essa autoestrada do sul, a A2, a caminho do bem-bom (férias, praia, sol, golfe, boa vida, comes & bebes,...), já se nota nos postes de alta tensão da REN sinais da "crise de habitação... das cegonhas".
(Condensação, revisão / fixação de texto: LG)
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Nota do editor LG:
Último poste da série > 30 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27684: Manuscrito(s) (Luís Graça) (283): Bambadinca/Imbecilburgo, 29 de Janeiro de 1971: Alá não passou por aqui
Último poste da série > 30 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27684: Manuscrito(s) (Luís Graça) (283): Bambadinca/Imbecilburgo, 29 de Janeiro de 1971: Alá não passou por aqui
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