quarta-feira, 12 de maio de 2010

Guiné 63/74 - P6374: Recortes de imprensa (25): Há 40 anos o Papa Paulo VI recebia em audiência privada, em 1 de Julho de 1970, Amílcar Cabral, Agostinho Neto e Marcelino dos Santos (Luís Graça)






Título de caixa alta do Diário de Notícias, de 5/7/1970, fazendo-se eco da indignação da "Nação Portuguesa"... Alguém se lembra das repercussões deste caso no TO da Guiné ? 



Com cinco dias de atraso, o Diário de Notícias, jornal afecto ao regime de então, e que tinha à sua frente o inefável  Dr. Augusto de Castro, dava a notícia, que caiu que nem uma bomba nos restritos círculos políticos da época, segundo a qual o Papa Paulo VI tinha recebido, no Vaticano, em audiência, os três chefes dos principais movimentos que combatiam Portugal em África, mais exactamente em Angola, Moçambique e Guiné, respectivamente Agostinho Neto (MPLA), Marcelino dos Santos (FRELIMO) e Amílcar Cabral (PAICG)…

Tratou-se de um audiência “privada” (de que de resto não encontrei registo fotográfico: o Vaticano terá procurado ser cauteloso e discreto), ocorrida no dia 1 de Julho de 1970. Os três dirigentes nacionalistas encontravam-se em Roma, por ocasião da "Conferência Internacional de Solidariedade com os Povos das Colónias Portuguesas”…

Como seria de esperar, o Governo Português reagiu como tinha que reagir:  ou seja, de maneira consequente com a sua política do "orgulhosamente sós", mostrando-se indignado e chamando a Lisboa o seu representante na Santa Sé. Em vão: a diplomacia do Vaticano não deu satisfação às exigências de reparação (moral) à Nação fidelíssima… Os tempos eram outros e, senão os novos ventos, mas pelo menos a nova brisa que soprava do Concílio Vaticano II, não desapareceu com a morte  do popularíssimo Papa João XXIII.

Já em 1964, a deslocação de Paulo VI, a Bombaím, na Índia, tinha causado mal estar entre os fiéis do regime de Salazar. Em 1967, Paulo vem discretamente a Fátima como peregrino. Em 29 de Outubro desse ano redige a Carta Apostólica Africae Terrarum (Terras de África). Entre diversos públicos-alvo, há uma mensagem para os novos dirigentes políticos, saídos das independências, cujo teor também não deve ter agradado aos sectores mais intransigentes do regime em matéria de política ultramarina:

(…) A Voi, Governanti d’Africa, la grave responsabilità di operare per il consolidamento delle istituzioni sorte con l’indipendenza dei vostri Paesi. A voi compete il rinnovare e l’interpretare, in senso moderno, gli antichi valori della tradizione africana. Da voi dipende il formulare, il perfezionare e l’eseguire la legislazione sulla quale si ordina la vita presente dell’Africa. In ciò Noi siamo sicuri che vi guiderà sempre il desiderio del vero bene del popolo. Siate cercatori della pace, pronti al dialogo e ai negoziati più che alla rottura e alla violenza, memori della tradizione sociale più autentica dell’antica Africa, che era quella di trattare. (…)

Mas em 1970 a diplomacia portuguesa terá sido apanhada de surpresa. A audiência papal (mesmo privada...) a três inimigos declarados do “colonialismo português”,  deixou o Governo de Marcelo Caetano em estado de choque. Não eram apenas inimigos políticos: eram homens que chefiavam movimentos de luta armada...As repercussões internacionais deste acontecimento só poderiam ser negativas. Internamente, legitimavam e encorajavam ainda mais as vozes da oposição democrática (e não só) que reclamavam soluções políticas para o conflito ultramarino.

A imprensa portuguesa “situacionista” amplificou os ecos dessa indignação. O título de caixa alta do Diário de Notícias, de 5/7/1970,  era sugestivo. O Papa é acusado de “receber terroristas responsáveis pela chacina de milhares de cristãos” (sic).

Nessa altura eu estava em comissão de serviço na Guiné... Já não me recordo exactamente se em  Julho de 1970 estava de férias, na Metrópole, ou se estava em Bambadinca… Presumo que a notícia tenha caído mal no CTIG, na própria entourage de Spínola, empenhado no sucesso da política “Para uma Guiné Melhor”.

Provavelmente, nesta altura ainda havia alguns ilusões sobre a liderança política de Marcelo Caetano … Deopis da fraude eleitoral de Outubro de 1969,  poucos teriam ilusões sobre a "primavera política" marcelista... Entre as revistas e jornais que eu recebia (entre eles, o Comércio do Funchal e o Notícias da Amadora…), tenho a ideia de que o assunto (a audiência papal aos três dirigentes nacionalistas) terá passado, com discrição, no “exame prévio” (nova designação da censura)… Mas julgo que a notícia, em si,  não teve grandes repercussões no meio militar, quer entre os oficiais do quadro quer entre os milicianos… Em contrapartida, este sucesso diplomático foi habilmente explorado por Amílcar Cabral e pela propaganda do PAIGC.

Diga-se, en passant, que qualquer coincidência entre a edição deste poste e a visita,  de Estado,  iniciada hoje (e que vai até ao dia 14), pelo Papa Bento XVI ao nosso país, é mera coincidência. Por razões estatutárias, não devemos (nem podemos) discutir aqui questões da actualidade política dos nossos dois países, Portugal e a Guiné.  Neste caso, trata-se apenas de uma efeméride, relevante para a historiografia da guerra colonial. (*)  (LG)

_____________

Nota de L.G.:


29 comentários:

Joaquim Mexia Alves disse...

Meu caro Luís

Respeito-te, considero-te, sou teu amigo, mas isto que aqui dizes:
«Diga-se, en passant, que qualquer coincidência entre a edição deste poste e a visita, de Estado, iniciada hoje (e que vai até ao dia 14), pelo Papa Bento XVI ao nosso país, é mera coincidência. Por razões estatutárias, não devemos (nem podemos) discutir aqui questões da actualidade política dos nossos dois países, Portugal e a Guiné. Neste caso, trata-se apenas de uma efeméride, relevante para a historiografia da guerra colonial.»
não tem a minima razão de ser!

Hoje não é dia 1 de Julho, hoje não faz 40 anos, hoje "por acaso" o Papa Bento XVI visita Portugal.

Sobre o encontro de Paulo VI com os líderes dos movimentos muito havia a dizer, inclusivé na própria Igreja assim aconteceu, mas não vou por aí!

Um abraço camarigo para ti

Anónimo disse...

"Como depressa passa um redemoinho de vento...." BÍBLIA/Provérbios/Capítulo-10/Salomao. Um abraco amigo.

Luís Graça disse...

Joaquim:

Claro que não é "mera coincidência"... O que parece, é - creio que este tropismo foi atribuído um dia ao próprio Salazar. E não adiantaria estar a tentar convencer-te da minha sincera ingenuidade... Deparei-me com o recorte de imprensa e achei "oportuno", do ponto de vista editorial, "postá-lo" no blogue... Sem qualquer intuito provocatório, atenção!... Tenho muito respeito por ti, pelos demais cristãos e todos os crentes, de todo o mundo, desde que o respeito seja mútuo.

Limitei-me a divulgar este recorte de imprensa (que constou da prova escrita de avaliação da disciplina de História, do 12º ano, em 2008...), com o objectivo de suscitar comentários sobre as "repercussões" que eventualmente terá tido, na época, este caso...

Repara que não publiquei este poste na série Efemérides, mas sim em Recortes de Imprensa... Em rigor, a efeméride - se te ativeres à origem etimológica, grega, do vocábulo... - é no dia 1 de Julho... Mas a verdade é que esse acontecimento ocorreu há 40 anos (1970)... Este ano faz 40 anos - é uma verdade fáctica - que um Papa, o Chefe de Estado do Vaticano, recebeu o Amílcar Cabral, o Agostinho Neto e o Marcelino dos Santos, "em audiência privada"...

Isto teve ou não teve algumas consequências ? Para a a diplomacia portuguesa, para a imagem do Governo, para a luta da oposição democrática em Portugal (onde também havia católicos), para a opinião pública internacional, para os nmovimentos nacionalistas em causa (PAIGC, MPLA, FRELIMO) e sobretudo para os católicos que combatiam, nas três frentes...

O gesto do Papa (não houve declarações...) foi alvo de diferentes interpretações: ninguém poderá dizer que Paulo VI condenou a política colonial portuguesa nem muito menos que abençoou a violência revolucionário dos três movimentos que as NT combatiam enm África... Mas "o que parece é", foi a interpretação das autoridades portuguesas... E provavelmente de alguns combatentes católicos que terão ficado perturbados com o "gesto" do Papa...

Quanto ao resto, Joaquim, não quero que tires mais ilações, sobretudo nestes dias que estão a ter um grande significado para os católicos portugueses mas, também, e por que não ?, para muitos outros portugueses que, como eu, vêm neste Papa - tal como Paulo VI - um homem de cultura e de diálogo ecuménico...

Ouvindo há bocado o Padre Vitor Melícias, em Fátima, aprendi outra etimologia, a de "amigo", a propósito da expressão usada por Bento XXVI, ontem, "saudação fraterna e amiga"... Diz o Melícias que amigo vem do latim, "ad mecum" (aquele que vem ter comigo, com algo, de bom, de positivo...).

Joaquim, boa continuação desta jornada que é espiritual mas também política... Quanto ao resto, nunca te esqueças que nada na vida é "inocente" ou "neutro", e que, entre os humanos, é impossível não-comunicar: podes sempre condenaado pela palavar ou pelo silêncio...

Anónimo disse...

Muitos pensam, erradamente, que tomar compromissos ou decisões implica perder a liberdade. Convirá recordar-lhes que, pelo contrário, o Homem se torna tanto mais livre quanto mais incondicionalmente se compromete com a verdade e com o bem.
(Bento XVI).
Filomena

Anónimo disse...

Já que entrámos por aqui!

Leia-se:

Livro da Sabedoria 8.6 a 8


Um abraço,

Mário Fitas

Anónimo disse...

Leio no livro "História da Guiné e Ilhas de Cabo Verde", da autoria do PAIGC (Porto, Afrontamento, 1974), pp. 174/75:

"Em Junho [de 1970]tem lugar a Confereência de Roma de Solidariedade para com os povos das colónias portuguesas onde 171 organizações nacionais e internacionais, representando 64 países do mundo, estudaram e estabeleceram os meios de desenvolver a solidarieddae política, moral e material à luta dos nossos povos contra o colonialismo português. Esta conferência foi a mais importante do ano (...) , completada ainda pelo facto de o Papa Paulo IV ter recebido os dirigentes máximos dos três Movimentos de Libertação das colónias portuguesas (...). Nessa audiência, o camarada Amílcar Cabral, numa breve alocução, respondeu ao Sumo Pontífice, em nome dos dirigentes dos três Movimentos".

Li, noutra fonte, que as relações entre o Estado Português e a Santa Sé estiverem, na época, mesmo à beira da ruptura. O Governo Português acabou por "aceitar" a piedosa explicação do Vaticano, segundo a qual Amílcar Cabral, Agostinho Neto e Marcelino dos Santos foram recebidos pelo Papa apenas na sua "qualidade de cristãos"...

Como se vê, os diplomatos, de qualquer Estado, e em qualquer época, são hábeis manipuladores das palavras, fazendo-nos crer que o que parece, também é (sempre que lhes convém)...

Luís Graça

Anónimo disse...

Caro Mexia Alves,
Também eu caí na esparrela da armadilha muito bem montada pelo Luís! Aquela chamada de atenção para os "estatutos" do blogue de que "não devemos (nem podemos) discutir aqui questões da actualidade política dos nossos dois países" é de mestre. Li e reli o poste à procura de qualquer coisa que pudesse ser entendida como contrária aos "estatutos" e, não fosse o esclarecimento do Luís, ainda andava a pensar nisso!
E o que mais me intrigava era o facto de ele chamar a atenção para isto, mas, mesmo assim, publicar o poste, sabendo de antemão que poucos camaradas acreditariam na coincidência.
Só foi pena que não tivesse aguardado mais um pouco para ver até que ponto o "ambiente" aquecia nos comentários.
Mesmo assim, jogada de mestre.
Abraço,
Carlos Cordeiro

Luís Graça disse...

Carlos: Os que me conhecem sabem que não sou "cínico"... Jogada de mestre terá sido, na época, a explicação dada pela diplomacia do Vaticano segundo a qual os três "terroristas" foram recebidos como "cristãos" e, como tal, foram recebidos pelo Papa, e não pelo Chefe do Estado da Santa Sé...

Claro que o efeito (mediático) era o mesmo para Amílcar Cabral e os seus companheiros, tendo a em conta a "autoridade moral e espiritual" que é reconhecida ao Chefe da Igreja Católica (instituição que tem dois mil anos de tarimba em matréria de "saber-lidar" com o poder temporal)...

Antonio Graça de Abreu disse...

Amilcar Cabral, Agostinho Neto e Marcelino dos Santos eram cristãos?
Ou não se tratou antes de uma bem gizada jogada política, com o o beneplácito da Santa Sé?
Já agora, uma breve história sobre Marcelino dos Santos, à frente de uma delegação da Frelimo de visita à China, em Maio de 1981.
Li Shunbao,o intérprete desta delegação que trabalhava comigo nas Edições de Pequim em Línguas Estrangeiras, contou-me com algum desgosto, a visita da delegação moçambicana ao Armazém da Amizade, a maior loja de Pequim reservada então apenas a estrangeiros.
Chegaram às sete da tarde, quando a loja fechou e lá permaneceram durante duas horas. Compraram, compraram, compraram, as senhoras moçambicanas abasteceram-se, em quantidade, de vastas colecções de casacos de peles.
No fim, não gastaram um tostão.
A conta, exorbitante, seria paga pelas autoridades chinesas,pelo
Partido Comunista da China.
Em nome do internacionalismo proletário.
Li Shunbao, humilde chinês, meu amigo e camarada, não gostou do que viu.
Abraço,
António Graça de Abreu

Anónimo disse...

Pobre Lu Shunbao,em vao aqui evocado !

Anónimo disse...

Meu caro António: Quem sou eu para "baptizar" os outros ?!... Sempre tive um horror aos "chavões"...

Quanto à "incoerência" (política, ideológica, moral, religiosa...), é um facto que acontece todos os dias, sob os nossos olhos, na nossa terra e na terra dos outros... Já lá diz o provérbio, "Bem prega Frei Tomás, faz o ele diz, não o que ele faz"...

Aquele abraço. Luís Graça

Torcato Mendonca disse...

Escrevi e apaguei. Longa, demasiado "elevada"e cinzenta. Basta-me o dia...

É um facto Histórico com relevância.
A oportunidade do "poste", hoje, pode ser questionável. Tudo o pode e deve ser! Coincidências, bem.
Porque não?
É um facto Politico? Claro! E...

Se somos Todos Filhos de Deus, porque não poderemos ser pelo Seu Representante Terreno,recebidos e por ele ouvidos???

Paz, a nossa Paz.

AB do T

e.t. amigo pode vir do latim ad mecum. Para esse senhor talvez. Para mim vem de dentro.

Anónimo disse...

Luis,
Esclareçamos as coisas: tenho uma visão optimista sobre a natureza humana. Daí, portanto, não ter reagido inicialmente ao teu poste e ter aguardado pelo teu esclarecimento. Mas uma coisa é escrever e outra estarmos na presença um do outro, vermos as reacções, etc.; a falar é que a gente se entende, diz o Povo.
O meu comentário ia no sentido positivo e nunca em termos de julgamento ou de "avaliação" (que, para o bem e para o mal, faz parte da minha vida como avaliador e "avalizável", mas noutras "guerras").
Pelo teu esclarecimento ao Mexia, fiquei convencido de que, no fundo, o teu poste constituía um desafio à Tabanca - um desafio e não uma provocação. Nunca me passaria pela cabeça (quem sou eu?) qualquer crítica à tua intervenção. Entendi-a no sentido positivo: "jogada de mestre", expressão exagerada, é certo, queria simplesmente afirmar que levantaste bem a questão.
Repito: nunca esteve nos meus intentos considerar-te cínico. Aliás, nem isto faria qualquer sentido.
Quanto às repercussões na época: curiosamente, lembro-me de ter visto, no bem bom de Luanda e no espectacular "Cinema Império" (não havia em Portugal nada que se lhe comparasse), um daqueles documentários julgo que intitulados "actualidades" ou coisa do género, - que eram passados antes do início do filme e também no intervalo - a referência crítica à recepção dos "movimentos de libertação" pelo Papa. Não me lembro se a imprensa de Angola deu relevo ao acontecimento.
Na Assembleia Nacional não houve referências, pois a primeira sessão legislativa da X Legislatura funcionou até 30 de Abril de 1970 e a segunda, a partir de 26 de Novembro do mesmo ano, tirando, pois, oportunidade a qualquer intervenção.
Abraço,
Carlos Cordeiro

Anónimo disse...

Meus Caros SENHORES!Já aqui se misturaram Bento XVI+Paulo VI+Salomao+Amilcar Cabral+Agostinho Neto+Marcelino dos Santos+Padre Vitor Melícias+Li Shumbao+Frei Tomás...+Eng.Sócratas?(ainda nao!).MAS..."Nos insondáveis caminhos do Senhor"(em Jeremias XXXV/XXXVI)será que estamos a assistir a um verdadeiro RENASCIMENTO RELIGIOSO,(e nao só,)perante o Ecuménico ramalhête acima adicionado através das intervencoes dos "humildes e inocentes" comentadores como eu...e VÓS?...."Ridendo castigat mores".Aleluia!

Anónimo disse...

ALELUIA, caro José Belo.
De facto, "RCM" (não confundir com RDM!)

Abraço,
Carlos Cordeiro

Anónimo disse...

... "avaliável" e não avalizável.

Carlos Cordeiro

Luís Graça disse...

Para que conste:

(...) Não sou crente
no sentido etimológico do termo
(O que dá algo como certo, verdadeiro ou confiável),
mas peço aos deuses,
aos do sul e aos do norte
(Para ficar bem com todos!):
- Por favor, não sejam tão belicosos,
e tenham pena de nós!
Não sejam tão proactivos,
sejam simples agentes passivos,
na hora da nossa morte,
no silêncio da nossa morte,
no minuto derradeiro da nossa vida.
E que essa seja a hora da boa morte.
Por favor, deixem-nos morrer em paz,
desliguem o botão da máquina
depois de fazermos as contas
com a terra, com a vida
e com o tudo o mais que é humano.
Porque, como diz o cante
do meu irmão alentejano,
"Eu sou devedor à terra
E a terra me está devendo,
Ela paga-me em vida
E eu pago à terra em morrendo". (...)

Publicado originalmente no Blogue-fora-nada, em 5 de Abril de 2005, por ocasião da morte do Papa João Paulo II, sob o poste Blogantologia(s) - XXVI: Na hora da nossa morte

http://blogueforanadaevaodois.blogspot.com/2005/10/blogantologias-ii-9-e-na-hora-da-nossa.html

Luis Graça

Hélder Valério disse...

Caros amigos

Reparem bem a diferença que uma palavrinha faz....

Naquele frase, no parágrafo final, que o Mexia Alves reproduz, o Luís escreveu «Diga-se, en passant, que qualquer coincidência entre a edição deste poste e a visita, de Estado, iniciada hoje (e que vai até ao dia 14), pelo Papa Bento XVI ao nosso país,(NÃO) é mera coincidência....." e o raio do NÃO ficou omisso.

É claro que a visita papal, com toda a sua envolvência e visibilidade, desencadeou um processo mental de relacionamento de situações que envolveram a Santa Sé e o Estado Português e, no que diz respeito à questão que nos toca, na perspectiva de participantes e/ou contemporâneos das guerras em África, esse artigo do jornal relatando esse acontecimento insólito, único, inesperado e bastante significante, veio naturalmente à colação.

Não tem qualquer problema. Factos, são factos. Aconteceu. O relacionamento entre o Estado Português e o Estado do Vaticano passou por várias fases e certamente voltará a haver maiores ou menores aproximações.

Quanto a mim, apenas a omissão do NÃO, produziu um efeito contrário ao que certamente se pretendia e que seria o de que motivado, inspirado, relembrado pela actual visita papal, surgiu este artigo mostrando que hoje o relacionamento é bem diferente do que já foi e a vida tem continuado.

Sem problemas.

Um abraço
Hélder S.

Anónimo disse...

E volto!

Porquê?
Podem-se escrever, mil livros sobre o tema e todos estaremos de acordo.

Mas... É que ele aparece sempre!

E que me desculpem e escrevam o que escreverem.

É que o Joaquim Mexia Alves disse uma grande verdade:

Hoje não é dia 1 de Julho, não faz hoje 40 anos! "Por acaso até há o resto". E isso ninguém fala?

Como é? Vamos todos para o céu como anginhos?

Não me interessa quem é ou não é! Quem não é e até reza?!..

Eu assumo! Sou Católico tentando ser aprendiz de Cristo.

Tenham pena! Acredito nos Homens, mas não me atirem areia para os olhos.

Peço desculpa! A César o que é de César e a Deus o que é de Deus!

Basta de jogar com palavras!

Já em vários comentários afirmei que se deve ter cuidado em mecher na Política e na Religião.

Um abraço para toda a tabanca,

Mário Fitas

Anónimo disse...

"O relacionamento entre o Estado Português e o Estado do Vaticano"....Sem dúvida meu caro Camarada e muito Amigo Hélder.Mas haverá,em verdade, um relacionamento de.... igual para igual? As possibilidades,por razoes óbvias,de o Estado do Vaticano influenciar Portugal, serao infinitamente maiores.A já clássica pergunta de Stalin:"Mas afinal,de quantas divisoes blindadas dispöe o Papa?",leva-nos a perguntar:Por onde anda Stalin hoje?Ou outros "Santos desta casa portuguesa?"...UM PAPA(!)continua calmamente, no Vaticano, a abencoar fiéis,e a planear..."em Concílio"(!)rumos futuros,nao contados em programas anuais,ou de décadas.Mas sim...em directivas que contemplam séculos. Mais paroquialmente,o exemplo ao pé da porta do" Verao Quente-1975" no Centro e Norte de Portugal terá algo que ver também ,com algumas dessas divisoes blindadas invisiveis do Estado do Vaticano.Sem dúvida muito menos espetaculares que Regimentos de Tropas Especiais.Mas....até estes sao também sujeitos "AO MUNDO",(em linguagem de Igreja)e portanto sujeitos ás "conveniências" tao passageiras do mesmo...."Mundo". Um abraco amigo.

Carlos Vinhal disse...

Caro José Belo
Permite-me que discorde um pouco das tuas palavras.

A influência do Papa na política portuguesa é felizmente cada vez menos visível e sentida. Vê a aprovação das leis do aborto e do casamento entre homossexuais.
Também já é tempo de acabar com o chavão de que o norte é mais influenciado pela Igreja e que esta por sua vez influencia a vontade política dos crentes.
O tempo vai esbatendo as diferenças políticas e religiosas. Vê que em Lisboa parou tudo para ver o Papa passar.
O Verão de 1975 já lá vai, fixemo-nos em 2010, ano de má memória, ano em vamos ser esfolados até ao osso.

Um abraço
Vinhal

Anónimo disse...
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Anónimo disse...

"vamos ser esfolados até ao osso" e engolidos até ao tutano.
Abraço,
Carlos Cordeiro

Luís Dias disse...

Caros Camaradas

Há mais pontos que nos unem do que aqueles que, aparentemente, nos separam.
Como orava Ghandi "Senhor...se eu me esquecer de ti, nunca te esqueças vós de mim!"

Um abraço
Luís Dias

Joaquim Mexia Alves disse...

Meu caro Luís

Nunca entrarei numa polémica aqui neste espaço sobre a Igreja a que pertenço de livre vontade e empenho decidido.

Mas meu caro camarigo, não espero que me convenças da tua “sincera ingenuidade”, mas deixa-me então ser eu ingénuo.

É que na frase que eu te chamo a atenção tu és afirmativo, e não colocas reticências ou aspas em coisíssima nenhuma ao falares de “mera coincidência” pelo que não podes julgo eu vir invocar agora uma intenção diferente ao que escreveste.
Fazes lembrar um médico ginecologista de Lisboa, (contam as histórias), que quando ainda não haviam ecografias acertava sempre no sexo dos bébés.
Dizia-se que perguntava aos pais o que desejavam que fosse o bébé e sempre lhes afirmava que era isso mesmo.
Ou seja, se queriam um rapaz dizia-lhes que sim a na ficha da paciente escrevia rapariga. Se nascesse rapaz estava tudo certo, se nascia rapariga mostrava a ficha e dizia que para não os incomodar lhes tinha dito que era rapaz.

Utilizas no teu texto a frase que Bento XVI tinha acabado de usar, embora seja do conhecimento comum, Nação Fidelíssima, por isso meu caro serviste-te de uma viagem Apostólica, (assim é chamada), e não visita de Estado, para ires buscar uma efeméride, (assim lhe chamas no fim do teu texto), que colocava em causa as relações da Santa Sé e do Estado Português.

Deixa-me dizer-te, com conhecimento de causa, que Paulo VI se lamentou pouco tempo passado de ter sido mal aconselhado, não porque fosse a favor da guerra da África, mas por ter recebido beligerantes que de cristãos nada tinham, tirando talvez Amilcar Cabral, julgo eu.
Lembremo-nos que nesses tempos alguns missionários, (ainda há pouco tempo falámos disso aqui), tinham uma agenda mais politica do que missionária.

Desculpa mas esta jornada não tem para mim, repito para mim e a maioria dos católicos, nada de política, mas sim e tão só de um reencontro com a Fé para ouvir a palavra do Pedro dos nossos dias.

Não preciso de te dizer, porque o sabes, que respeito toda a gente e julgo que a minha passagem por aqui o tem demonstrado.

Estes dias têm sido de uma riqueza espiritual extraordinária para mim, sobretudo quando ontem me encontrei na igreja da Santíssima Trindade com o Papa, pelo que me fico por aqui.

Recebe um abraço camarigo do teu amigo

Joaquim Mexia Alves disse...

Meu caro Luís

Já agora e em tempo, deixa-me que comente os teus versos, não como poesia em si, mas pelo seu conteúdo.
É que o nosso Deus, o Deus de Jesus Cristo, não interfere na morte seja de quem for, e cada um morre em paz ou não segundo a vida que levou.
É nisto que acreditamos nós, cristãos católicos, e aqueles que não acreditam não têm, julgo eu, que se preocupar minimamente com Deus, ou qualquer deus.
É que para nós, cristãos e católicos, nós nada devemos à terra, pois somos do Alto, e a terra é apenas sítio de passagem para uma vida plena e eterna.
É isso mesmo que nos afirma a Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, que ao morrer em Corpo e Alma e ao ressuscitar em Corpo e Alma, nos garante a todos nós essa mesma ressurreição.
O nosso Deus é um Deus de amor, não castiga nem se vinga “apenas” e tão só ama!
Só faço este comentário, porque este texto nos fala da Igreja a que eu pertenço e como tal da Doutrina por Ela seguida e anunciada.
Recebe um grande e camarigo abraço

Joaquim Mexia Alves disse...

meu caro camarigo Carlos Vinhal

Dizes-nos tu:
«A influência do Papa na política portuguesa é felizmente cada vez menos visível e sentida.»

Claro que discordo de ti, ou melhor da palavra, "felizmente".

Talvez que se a Igreja ainda tivesse uma maior influência, não ao nível político, claro, (sou pela separação dos poderes), mas ao nível dos valores, talvez, repito, a nossa sociedade fosse melhor e mais equilibrada.

Ele há coisas que para mim nnão são progresso nenhum, e aqui nem me refiro sequer á minha prática cristã.

Um grande abraço

Aproveito este comentário para dizer desde já que não me vou envolver, aqui neste espaço, em discussão nenhuma sobre religião, seja ela qual for, tal como não imponho a minha maneira de viver a ninguém, nem o poderia, nem quereria fazer.
Um abraço sinceramente camarigo para todos

manuel amaro disse...

Camaradas, amigos e camarigos

Hoje, não vou escrever.
Hoje, por hoje, não escrevo.
Não vou "desertar".
Não vou deixar de comentar "coisas normais".
Mas hoje, hoje... sobre este tema, eu não escrevo.

Um Grande Abraço,

Manuel Amaro

Anónimo disse...

Camarigos:


Volto a fazer a pergunta que le levou a "postar" o recorte do DN, de 5 de Julhio de 1970:

"Alguém se lembra das repercussões deste caso no TO da Guiné ?"

Um abraço, fraterno e amigo, a todos. Luís Graça